quinta-feira, 31 de março de 2011

O tempo de Antônio

Desfilando as cores da paixão





Tantos curiosos querendo desfrutar da imensa calmaria alheia. Tantos curiosos celebrando a glória alheia. Tantos curiosos observando o mexido que minha saia faz ao passar pela trilha contente!
É esse riso meu, que abre-se ao vento e deposita toda a veracidade dos sonhos no ar, deixando um mistério de paixão perceptível até milhas distantes da minha sombra.
Deliberadamente envio sinais fatais de embriaguez sentimental a quem queira espiar!  Na falta alheia, meu corpo treme e meus olhos lacrimejam. O cérebro protege o que o coração quer anunciar. É que eu fico boba, emudeço, viro menina tecendo seda! Depois eu tenho que avisar, deixar estampado que essa ILUSÃO vai passar. Enquanto isso deixa eu desfilar... Leve que nem uma borboleta!

(RosseaneRibeiro)

Erro?




Querida Clarice, és uma sábia mas minha teimosia insiste em discordar quando culpas o sentimento.
É errado amar mesmo que seja por pouco tempo, não correspondido ou que este não tenha o desfecho esperado?Ou o erro é privar-se de se deixar invadir por este sentimento?
Tudo vale quando se permite por vezes ser bobo e tirar o escudo que protege alguns corações, usufruir desse sentir ínfimo, e grande ao mesmo tempo, chamado amor.
Prefiro arriscar-me a errar, ser boba, ouvir este tolo coração que vive a atormentar o meu peito à impedir de me deixar sucumbir com tal sentimento...
Às vezes pensa-se e enfatiza-se muito o pós-amor, redundando tudo o que se sentiu para um semblante negro e sofrível ( se o final não foi como o esperado), mas será que tudo foi lágrimas e raivas?
Não me importa aqui conjugar o verbo no futuro, pois este ainda não consigo prever,mas não posso renegar o amor presente em todas as carícias sentidas, em todos os beijos correspondidos.
Se negar que me senti bem naqueles momentos, estarei traindo a mim mesma. Por isso, não erro ao pôr sentimento...Se és feliz e amada(o) por um tempo, seja pouco ou muito...de fato,se é...isso não pode negar...
Como expressa os que cantam o que é valido: "ser feliz não é querer te ter pra sempre, mas sim te ter naquele instante, que já era eterno o suficiente..."¹
Então, independente do critério temporal e das futuras consequências, que não condenemos o amor e suas intensas sensações, uma vez que seu único erro foi nos dar gotas de felicidade.

¹Banda Validuaté – a onda

(Suzianne Santos)

Maria sadia



O mesmo que vida, na vida!
Sadia era ela, Maria!

Sadia! Sadia!

Oh paixão, que fizeste com tal honra?
Que colocastes a perder da vida?
Oh, não a deixes assim, tenho pena de Maria.
Ela era sadia!
Maus lençóis, vida corrente
Soube assim, tão somente.
Não mente Maria, tu eras sadia!

Correste no prazer de um homem

Homem... Homem?

Que homem, oh desgraça?

Homem não some, nem se esconde.

Homem sem ti, é lobisomem,

E tu sem homem, és Maria sadia!

(Tassi)

Ensaio sobre o Amor

A inquietação do coração solitário não é saudável para nós, meros humanos, que por delicadeza de Deus nos deu a magia de sentir, de Amar. Mas,quando sabemos que estamos amando? Quando sei que o sentimento que estiu vivendo é o Amor? Eu não sou a pessoa mais indicada para aconselhar-te, caro leitor. Mas ,depois de pouca experiência e de observar situações alheias, pude tirar minhas singelas conclusões sobre esse sentimento que teimo em chamar de Amor!
Começamos pela minha definição de Amor: Sentimento que nasce quando é doado, cresce quando é cultivado e permanece. Sim, permanece! Só que nesse mundo frouxo e moderno dizer ''eu te amo'' é normal, é banal... E não dizem por que amam, dizem por que o companheiro necessita ouvir essa palavra mágica que enche o coração de fantasias.
Há quem espere pelo príncipe encantado, pelo amor à primeira e última vista, pelos homens perfeitos pra casar. Há quem espere simplesmente pelo AMOR, puro e inocente.. Aquele que é pra vida toda. Minha mãe já dizia que toda panela tem sua tampa e que os bons maridos são os bons filhos.
Amar é pra quem está disposto. Os verdadeiros e melhores amores sempre tiveram um desafio enfrentado. Só lembrar de personagens da Literatura Universal, não são esses os amores perfeitos? Os amores ficcionais e que fantasiamos no nosso mundo do possível? Para amar não existe uma fórmula. Para encontrar o amor existe uma lei: Espere, ele virá.
Qualquer forma de amar não vale a pena
(PontoFinal)

(Rosseane)

RECÔNDITO SENTIR




Tu vieras de tão profunda e recôndita ilusão,
Que alivia em meu ser pequenas estâncias de um bem querer,
Uma pouca estima que insiste em peserguir-me em tão grande proporção,
Que me faz cair em delírio a cada esperança mórbida,
A cada memória vivida,
A cada instante sem vida,
Mas só assim de um desabrochar me faço vida!
Enfim de ti faço lembranças,
Até a hora que de minha memória se dispersarás!

(Tâmara Rafaelle)

13ª POESIA TARJA PRETA


13ª Poesia Tarja Preta

Kilito Trindade convida Fernando Pessoa

.

poesias: Academia Onírica

sonoridades: Estação Gandaia

part. especial do ator Adalmir Miranda

exposição: Gabriel Arcanjo

.

dia 31/03 no Canteiro de Obras a partir das 20h

.

entrada livre - traga seu texto!!!!

FONTE: ACADEMIA ONÍRICA

quarta-feira, 30 de março de 2011

Grito




Por entre letras alinhadas
E dedilhar das teclas,
entorpece a alma inquieta
de quem vê e não se empedra,
de quem ouve e se dilacera
Rebuscadas ou desajeitadas,
a mão se apodera
de poder letrístico
que antes deter quisera,
mas como calar
a mente a fervilhar?
Grita!
Respira...
Solta tua linha
e lança de si
a inquietude
que descompassa tua rima.
Grita!
Não titubeia.
Grita
o que te rebeldia ou alieniza,
o que te silencia e esvazia,
que cá eu não julgo.
Grita!
Transforma a ausência em nostalgia,
a dor e raiva em melodia,
a inquietude em poesia...
Grita.

(Suzianne Santos)

terça-feira, 29 de março de 2011

ERA SONHO!



Foi lindo, sol, luz e mar
Sonhos de princesa, desvaneios
Calor e mistério

Preenchido ao espaço celeste
Asas da noite e da esperança
Viveiro da imaginação.

Broto do amor alimentado
Por uma simples e clara luz.
Era o caminho, era a transcendência
Que ultrapassava meu próprio corpo.

Foram asas batentes
Que me tranportava ao inconsciente,
A um mundo alto e sensível.

Foi você quem me levou!
Lá, na vasta nuvem que se estende por todo o universo.

Fui alto e ao impossível
Carreguei com você a força e o imenso.

Não existia estratégia e frustração!
Era apenas vida e passos.

Era doce, era bom
Era um sonho
Sonho e imaginação
Hesitei sem ao menos saber que foi você
Você!

Você, oh alma insensata
Sem tamanha gratidão
Cruel e que hoje me enfuriou.

Foi embora sem ao menos me dizer um não
Ou um adeus
Covarde é para mim
Covarde será.

Caminhei ao escuro, ao estreito, ao fim da luta.

Caí por completo
É frio e amargo agora
Incontestável, tedioso
Fim de qualquer esperança.

Venha aqui! Olhe e ria do que foi capaz!
Tristeza que me envergonha.

Não me pareço mais aquela
O brilho se foi, a tempestade me tomou.

É só chuva, são só lembranças.
Sou agora uma alma contando
sobre a outra alma que se libertou.

Foi você a doença
A dor antecedente, a grande cicatriz.

Desenhei em minha mente
O sonho mais brilhante e mais
Grandioso possível.

Sonho que soa fraco e sombrio agora.
E assim será!

Veja e sinta o meu desespero
É pra ti que eu apresento a minha palidez!


(Tassi)

OCULTO















Nas voltas que o mundo dar, sinto - me cada dia mais entregue a existência. Talvez não faça sentido me entregar a esse subterfúgio familiar pois não é a primeira vez que me acontece. E isso aos olhos de quem não sente, ou seja, aquele que em mim não habita para sentir as mesma palpitações que me aflingem, Estaria tudo perdido?! Como saber?! Devo-me entregar a angústia... Caçando e Explorando o meu "eu" mais profundo, busco infinitas formas de me sentir viva. Sim! Seria a real escolha para viver a minha vida. É... Sinto -me viva! Mas como isso pode acontecer?! Se no momento se encontra morto em mim, Sem enxergar-lo! É... Pensar nos momentos de desespero, talvez seja impossível! Pois tudo não faz o menor sentido! Apenas contenho os meu sentimentos mais profundos, sem nem mesmo suportar a angústia de não entender nada do que se passa... maqueio e os torno imperceptível aos olhos de quem me cumprimenta, ou mesmo de quem tem convivência comigo. Daria isso o nome de Farsa?! ou tornar fácil o fato de existir e não desistir da única certeza, a morte! É... talvez seja igenuidade e eu não esteja encarando da forma correta o que foi posto na minhas mãos, a vida! Foi duro consegui-la de volta. Continuo cá, no que seria superficial diante do mundo, algo profundo, um sentido, que quem sabe não faça sentido, resta à mim buscar. Afinal, é a mim que as sim ou não ilusões pertecem!


(Tâmara Rafaelle)

Carta de Repúdio à Mídia “Chapa Branca” do Piauí.




A Universidade Estadual do Piauí passa por uma situação de descaso e sucateamento há muito tempo. Desde setembro do ano passado, estudantes, professores e servidores se uniram na campanha SOS UESPI. Este ano a campanha iniciou com a paralisação dos professores por total falta de estrutura, o que levou uma reação em cadeia e várias manifestações. No entanto, alguns meios de comunicação local têm usado os fatos de forma sensacionalista e, por vezes, distorcidos.

E nós, que compomos a campanha SOS UESPI, assim como as entidades estudantis e trabalhistas que contribuem com o movimento, nos manifestamos contra a criminalização deste movimento na mídia. Os chavões e erros propositais tem sido a pauta dos meios de comunicação local. Como por exemplo, o uso da palavra “invasão” da reitoria, quando na verdade estávamos ocupando um espaço público. E mais sinicamente, quando portais noticiam que nossa manifestação era para barrar a reunião do conselho universitário, quando, na verdade, estávamos exigindo a nossa participação na reunião.

A prática dos meios de comunicação, que deveriam servir como bem social, chegam a sua mais suja face, quando o Secretário de Educação do Estado, Átila Lira, exigiu dos meios de comunicação local, que não sejam noticiadas quaisquer matérias que façam menção às manifestações de estudantes e professores da UESPI.

Sabemos que a concentração dos meios de comunicação está nas mãos de empresários, que por sua vez, tem interesse em manter o status quo junto com o governo. Queríamos lembrar aqui, que a comunicação deveria cumprir seu papel social da pluralidade, no entanto, ela está servindo aos mandos e desmandos do governo do estado e empresários locais.

Repudiamos a criminalização da campanha SOS UESPI na mídia, repudiamos forma como algumas noticias têm sido abordadas, sempre em apoio ao governo e seu projeto de desmonte da educação publica. Repudiamos o sensacionalismo usado como ferramenta de venda pelos jornalistas locais, repudiamos esse modelo concentrados dos meios de comunicação e falta de democracia nos mesmos.

Repudiamos também a forma como o governo se utiliza dos meios de comunicação para desviar o foco da Campanha. Um claro exemplo disso é a matéria veiculada na manhã desta terça-feira pelo jornal Meio Norte, que isenta o governo de toda a culpa pelo caos que aflige a nossa universidade. A crise na instituição não é somente um problema de gestão administrativa da UESPI, mas é também um problema de gestão do estado do Piauí.

A Campanha SOS UESPI é uma campanha em DEFESA da UESPI, e por isso, repudiamos a forma que ela vem sendo mostrada por alguns veículos de comunicação, como um movimento de baderneiros ou vândalos que “invadem” alguns espaços. Todavia, as manifestações não irão parar e a luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade, vai continuar e ganhará forças, porque lutamos em defesa da sociedade piauiense.


MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UESPI

Nota de paralisação




Nota sobre a Paralisação dos Professores e Técnicos da UESPI

A situação da UESPI é alarmante, falta desde material básico (pincéis, papel, carteiras, etc) a salas e professores efetivos. No interior essa situação é ainda mais grave, em Picos, por exemplo, o início das aulas está ameaçado por não ter salas suficientes. Essa situação se dá pois a UESPI não possui autonomia financeira, ou seja, sofre com a falta de verbas e com a impossibilidade de decidir como aplicar os seus recursos.

Por conta disso a UESPI já teve mais de 20 cursos que não foram reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação do Piauí. Para mudar essa realidade, estudantes, técnicos e professores iniciaram desde o dia 20 de Setembro (2010) a Campanha SOS UESPIpara chamar a atenção da sociedade. A campanha já organizou aulas públicas, audiência junto ao Ministério Público e debates. Além da ANEL, participam dessa campanha: ADCESP (Sindicato dos Docentes da UESPI), CA de Comunicação Social, CA de Direito, CAs de História (Torquato Neto e Clóvis Moura), Coletivo ENECOS-PI, Coletivo Movimento dos Estudantes da UESPI (MEU), CORAJE (Corpo de Assessoria Jurídica Estudantil), Núcleo de Educação e Movimentos Sociais da UESPI e o DCE do Campus de Picos.

Nem o Governador Wilson Martins (PSB), nem o Reitor Carlos Alberto (PT) e muito menos o Secretário de Educação Átila Lira (dono de várias Faculdades) estão preocupados com a UESPI, pois não tomam medidas concretas para solucionar os graves problemas. Ao invés de contratarem mais professores efetivos, por exemplo, farão concurso para temporários que não possuem direitos e não podem orientar estudantes em projetos de pesquisa.

No dia 17/03 os professores aprovaram em Assembleia Geral uma paralisação por quatro dias por melhores condições de trabalho. A ANEL apóia a luta dos professores e técnicos e faz um chamado para que os estudantes e suas entidades na UESPI se mobilizem e reivindiquem melhorias junto aos trabalhadores. Queremos uma universidade que garanta o direito a ensino, pesquisa e extensão de qualidade e a permanência dos estudantes com assistência estudantil (bolsas, restaurantes, residências, creches...).

Exigimos:

- Mais verbas para a UESPI já! Fim dos incentivos fiscais às Faculdades do Sec. de Educação Átila Lira e demais tubarões do ensino no Piauí!

- Melhores condições de trabalho para professores e técnicos da UESPI! Concurso público para efetivos desses setores já!

- Entrega imediata da Biblioteca do Campus Torquato Neto e construção de novas unidades, devidamente equipadas, nos demais Campus já!

- Restaurantes universitários com preço de bandejão acessível e subsidiado; Isenção de cobrança para estudantes com pais de baixa renda;

- Laboratórios funcionando com equipamentos e com apoio técnico especializado (servidores efetivos)

- Salas de aulas com climatização agradável

- Moradias Universitárias;

- Mais e melhores bolsas-trabalho

- Creches para os filho(a)s de estudantes e trabalhadore(a)s da UESPI;

- Eleições diretas para Reitor, com voto universal;

- Paridade na composição dos órgãos colegiados e escolha democrática dos representantes;

- Participação nas discussões sobre o processo de elaboração e implementação do orçamento;

- Prestação de contas sobre atos administrativos e financeiros em linguagem clara e acessível;

segunda-feira, 28 de março de 2011

Um bicho do mato...




Uma pequena homenagem aos amigos da Banda Validuaté, Teresina/PI. Um abraço a todos.

Sou das brenhas o calor da apartação
O chocalho ligeiro da novilha
Avoante trancado na armadilha
Carcará violento do sertão
Obriguei usar chita Lampião
Fui da gripe o remédio lambedor
Ensinei a Da Vinci a ser pintor
E Gonzaga a ser rei dos sanfoneiros
Sou a fé que conduz três mil romeiros
Eu sou bicho do mato, sim senhor!

Sou o beijo roubado da donzela
E sou fogo que cria esse pecado
Sou o Rio Parnaíba esquartejado
E Cabeça-de-Cuia sentinela
Arrastado dos sinos da capela
E poeira do xote dançador
Sou cordel declamado com fervor
Bem no centro da feira em Teresina
Cajuína gostosa e cristalina
Eu sou bicho do mato, sim senhor!

Eu sou vale profundo e bom de terra
A nascente que leva a água santa
A criança que cai e se levanta
E trás paz com uma rosa em plena guerra
Sou poeta que acerta e também erra
Um punhal que dá risco em cantador
A peleja sincera sem ter dor
Numa simples e bela cantoria
Sou pra ti, sol em noite, lua em dia
Eu sou bicho do mato, sim senhor!

(João Rolim)

domingo, 27 de março de 2011

A sina do namorador



Eu, passeando pela praça, todo suadento
Num andamento bem andado, muito matutando
Quirinizando sobre a vida, de sapênça feita
“Se desenfeita minha sina, por não ´tá amando?”
Sou doutorando de solteiro, rabichando as saias
Que ‘ocê me atraia com macumba de vez, sempre em quando
Pois vá pensando que meu jeito você assassina
Minha menina, não sou flor que você ´tá cheirando!

Dou piscadela, pra donzela se desdonzelar
Anamorar, cantarolando uma luxuridade
A claridade de faísca todas nas paredes
E minhas redes balançando de felicidade
Sonoridade de gemidos bem acordeados
E cadeados pelos braços presos de vontade
Na vaidade dos pecados dessa belezura
Uma frescura de suor e de viscosidade

De manhãzinha, ouço a chuvinha pelo meu terreiro
O Juazeiro vem dizer que quer florar mais cedo
Pelo arvoredo, vou contente pela vida mansa
Que não se cansa de beijar e nem pedir segredo
Vou pro folguedo namorar com Sinhazinha Rosa
A caridosa que mais eu, atua nesse enredo
Estalo o dedo, bem faceiro, mostro a posição
Quando o rojão se papocou, eu nem tinha mais medo

“Seu Zé Pequeno, bote um dedo de fogo de cana
Que Mariana vem mais tarde pra nós se amarrá
E se juntá ela mais eu, não fica nada em pé
Nem buscapé tem mais quentura que meu namorá
Me traga um taio desse umbu, pr’eu tirá esse bafo
Já engarrafo, tomo outra, pode pendurá
Meu naturá é ser danado, como diz meu pai
E se ela cai, daqui não sai, inté eu lhe deixá”

Volto pra casa, bem contente, todo lambuzado
Pra ser amado por Maria de compadre Zé
Se cafuné não me derruba, não derruba nada
Nem punhalada de compadre, quando ele der fé
Mas no sopé do meu terreiro tem um canto escuro
Que me misturo com Maria que nem dois relé
Meu pangaré me dá guarida, provando amizade
E a docidade de Maria vira um picolé!!!!

(João Rolim)

As lágrimas





As lágrimas no papel

fazem parte do poema

não os ignore. Não!

Fazem parte do verso

que rima com tristeza

e outrora, com alegria.

Então será de lagrima

Que farei minha poesia.


(Breno Cavalcante)

Do sertão


















Pra ser homem, ser macho do sertão:
Tem que ter um cangote a se beijar
Tem que ter um café, um cochilar
E uma rede gostosa no oitão
Ser de vera e querer ser simples João
Com Maria esperando em furta-cor
Ter esmola de poesia pra compor
E lhes dar com sinsera e boa lua
Não fazer presepada sem ser sua
Ser feliz: declamar num mar em flor

(João Rolim)

Desejos a gosto















Desejos a gosto...
Vêm nesse dito mês.
Afora mito e desgosto
E de muitos a contragosto
Eu surrupiarei.

(Ana Catirina)

Versos livres, presos em mim






Ando fazendo poesias de versos livres
tão livres, que elas não se contentam apenas com o papel.
Elas parecem buscar algo, parecem querer o céu.
São palavras que saem da minha boca, que não se escreve.
São idéias que não são pensadas
São vivências que nunca se teve.

Quiçá eu prendê-las em mim
seria bem melhor e menos constrangedor.
Eu evitaria as dores que sente um poeta
levaria apenas minha vida quieta.
Seria apenas eu em mim
seria livre por dentro.
seria dor sem fim.

(Breno Cavalcante)

sábado, 26 de março de 2011

Gilberto Gil - Kaya N' Gan Daya

Uma alma apenas




Quando se chega o fim de uma passagem?
Somos avisados? sentimos o frio da foice
ao transpassar pelo nosso peito?
resume-se a vida em segundos pelos nossos olhos?

É claro que não se sabe, não se percebe, nem se vê
Nem se mede a vontade de sabortarmos de uma vez
este plano de milhagem que nos é destinado
na certeza da liberdade única ser alcançada

Mas se fosse simples e não causasse tanta dor
se perder nesse torpor pela eternidade
Mas dor também é deixar de dançar na chuva
ou de sentir o carinho de suas companhias

e a vida que segue contraditória, pois nos mantemos nas certezas
de o que nos falta, nos fortalece, mesmo que teu coração pule
atrás dessa nuvem de sensações e anseios
porque na verdade você não quer discutir a filosofia das coisas
ou o porquê da existência, você só quer saber o que você é
a medida que você alcança, nos sentimentos das pessoas
e quando isso se reverberaa, é um deus nos acuda de felicidade

há tempos isso se desprendeu de mim e o eco salvador só destoa
à toa gritar por motivos inocentes e inconsistentes
longe de mm, longe do amor distante de tudo
sobretudo da vontade de continuidade
essa hora a efemeridade das coisas se justifica
e não adianta segredos e sabedorias que desencantem o pesar

a condição em que o amor é colocado gera a crise
e na verdade cansa, cair na dança do ruir, do arruinar
rasgo esse fervor urticante de mim: vende-se alma
ruída, calejada, derrotada. preço a combinar

(André Café, contribuição ideológica Cida Mello)

Ser Por Vir



Uma vez me contaram uma história
De um pequeno, sedento grupo e são
São de mágoas, tristeza e ilusão
Mas doentes de amor, paixão notória
Pra ser épico, soneto em verso e glória
Não precisa ser grande e sim completo
Ser assim: de uns poetas do afeto
Ser um sim, nunca um não nem um talvez
Ser Por Vir, ter na sina a sensatez:
Sociedade inteira, em mesmo teto.

(João Rolim)

sexta-feira, 25 de março de 2011

MANHÃ



A MANHÃ SE APRESENTA SINUOSA

LENTAMENTE TÊNUE SE CONFORMA

BEM TE VI NO TELHADO ENTOA ACORDE E ARRUFOS DE ESPERANÇA

O TEMPO GIRA

E A CABEÇA DA MENINA DESPERTA

CAPTURA SONHOS EM TRÂNSITO

SORVE O AR DAS ROSAS DISPOSTAS NO CANTEIRO

NA MANHÃ ELA MEIO TORPE AINDA

PERGUNTA-SE SOBRE A TRAMA HUMANA

REINAÇÃO ?

DESTINO ?

SERÁ O COMEÇO OU SERÁ O FIM ?

(Ana Catirina)

MA

O meu amor não é mentira



O meu pequeno amor não é mentira!
Pode até ser um amor louco e bobo,
de quem dar os primeiros passos na vida...
Mas não é falso não. Ele só é simples e confuso...
Ele é todo atravessado. 

O meu amor não é mentira não;
tenho uma paixão arrebatadora que me deixa sem ar;
eu quero tanto mais tanto o “nosso estranho amor”
que busco forças grandiosas para não correr do medo de querer o para sempre,
com uma pessoa só. Todo esse bom sentimento que sinto por ti...
Achado dentre os perdidos largados é verdadeiro, menina/o.
Ele só é um muito tentando caber no meu pouco ser desorganizado.
Ainda não sei se o que sinto é amor, mas sei que entre os meus certos e errados...
Parte dos meus certos é estar com você.



(Carpaso)

Domingo



Cozinhando em banho maria!
Mas de qualquer forma... Isso é tão confuso
que eu só consigo me imaginar pulando pela janela.
Muito do que se sente, é preferivel que vire apenas link...
porque caso vire algo mais, lá na frente só destroços restarão.
Então deixa tudo como está...
deixa quieto esse amontoado de toxinas que sai do meu coração.


( Lana Cristina)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sete Cidades





Precisa-se de tempo
Precisa sim
Sintonizar fina escuta
Tomar um banho de alecrim
Descer a cachoeira das Sete Cidades
e lá
brindar com duendes
elfos
deidades
experimentar feliz
toda sensorialidade

(Ana Catirina)



Haja Tempo




Teve um tempo que eu saia correndo para buscar alguém. Teve outro tempo enlouquecido querendo ninguém já que não sabia quem. Até que deixei uns tempos de lado, evitei os relógios e os calendários... Deixei todos sem serem (a)notados. Só para não ter o sofrimento um espaço de tempo, ausência de quem não tive momentos. Tinha uns tempos que sempre tinha alguém, e que tal alguém não sabia de mim... Qual dor, que cor, qual gosto, que vento, com ou sem condimento.
Ficava assim: um tempo querendo unir dois tempos que não tinha os mesmos ritmos de dançarem nas horas sem fim. Pensava, acuava, cansava... Será que meu relógio estava parado, quebrado, perdido em algum tempo do passado ou já estava tão cativo em um futuro ainda aguardado?
Não sinto que meus tempos eram egoístas, talvez liberais. Indivisíveis? Não, talvez, largados demais. Por que não aceitar que apenas não era o meu tempo de ter temperos concentrados com os tempos que me foram temporais? Temporais de várias as formas de ser, temporais de ser um tempo mesmo, e temporais de serem tão grandiosas tempestades de sentimentos. Cada tempo que foi do meu tempo aproveitei as temporadas do mais sincero (des)conhecimento.
O meu tempo na verdade era um tempo excêntrico, louco, solto, todo torto... Com badaladas nas horas certas de umas ocasiões erradas, de horas erradas de umas ocasiões certas. E de badaladas... Badaladas? Haviam badaladas, toques, qualquer que fosse o desenho do meu relógio... Tinha hora que eu nem escutava. Fingia? Não, ainda não sou de correr apavorada. Eu ficava, e o meu tempo todo “desminutado”... Não que meu tempo era malvado, não que ele gostasse de fazer outros tempos chorarem por seus segundos não valorizados. Era só um tempo que junto com outro não teve seus momentos... Um tempo que não foi marcado, nem desmarcado... Só não foi... Não foi... É, não foi.
Como falar mais desses tempos? Não sei, eles eram uns tempos moderninhos, todo metidinho ao século XXV, ou não. Um tipo de: meu tempo está com o seu, mas seu tempo está livre; seu tempo fica com o meu, mas não cobre nada. Não cobre, não ouro, não prata. Sempre preferi livros, artesanato e sandálias sem salto.
E assim meu tempo encontrou um tempo pra acompanhar os tempos e o decorrer das horas. Foi um tempo todo inesperado que achou dois tempos distantes, mas que ajusta os nossos ponteiros para que possamos ser felizes em tempos certos. Esse tempo... Tão amigo esse meu atravessado tempo que me fez esperar, e como fez. Porém no fim,... Não, não vamos chegar ao fim. Nada de fins, fins são ruins... Depois que eu ofertei um tempo para o meu tempo descansar. Ele me agradeceu: com poesias, pulseiras e uma havaianas preta.
Sempre, em cada um de nós, vai haver um tempo, dois tempos; grandes e pequenos, loucos e pacatos tempos... Uns tempos que cada tempo vai achar o seu tempo e ser feliz. Os tempos não gostam de serem presos, nem culpados, nem mal-interpretados... Eles gostam de ficar soltos e voar com vento, com os pássaros, com vários amores para poder achar que tempo é o seu tempo. Por isso, haja tempo.

(Carpaso)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Hélio Leites

Hélio Leites from Cesar Nery on Vimeo.

GIRÂNDOLAS





EU TENHO UM FÔLEGO FUNDO
QUE BUSCA E SENTE ROSAS
EU FECHO OS OLHOS E AS NUVENS ME CONVOCAM
ME ERIÇA
ME ME ARREMESSAM FEITO EU FOSSE GIRÂNDOLAS
FOGUETES DE PAIXÃO.
SEM EIRA NEM BEIRA EU SOU FEITO O VENTO
ZANZANDO AQUI E ALI
VOLATIANDO E CIRCUNDANDO POR TODA A CRIAÇÃO

(Ana Catirina)

O meu, o teu desejo




Molha com o fogo desse olhar, minha rigidez
atua, brincando com teu tocar sede sedento
minha voraz vontade e insensatez
derrama carne se faz perfeita em movimento

foge ao encontro das minhas fantasias
incide maliciosamente sua ternura
afeta-me em voltas de demasias
as curvas suas que desaguam em loucura

e sofro com provocações menina
que a inocência me mente
ao passo que em nós alucina
o fervor da pele presente

ah! que tudo isso se passa
na verocidade de desejo
a língua infesta, devassa
o ar que se perde em beijo

(André Café)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Colibri





COMO SE EU FOSSE UM COLIBRI
E TUA FACE UM ROSEIRAL
BRINCANDO E SOLVENDO NÉCTAR
LUDIBRIO E DESTERRO O MAL.

(Ana Catirina)

Zas




Quero estar em todo lugar, sentir todos os cheiros, expor meu exagero em atos de borboletas, correr jardins de girassóis que não nasceram no meu quintal, sorrir pro vento e esperar que alguém veja e sorria de volta, como acontecia antes da história do cansaço.

Quero sentir a bebida descendo quente na minha garganta e apoderando do meu corpo, do meu andar, das minhas palavras e do olhar, até que fique tão transparente que minha verdade saia saltitante pros confins do começo.

Quero a noite pra me esconder se for preciso, não se pode publicar libertinagens nas linhas de uma moça-flor, mas me diga cara florzinha, acreditas no amor, nem deveria, ele prende e salva, ele dá e toma, mas quem conseguir viver sem ele vai ter a sorte que se tem antes de tê-lo.

Quem quiser que me acompanhe, quero ver o dia nascer.

(Lara Medeiros)

sábado, 19 de março de 2011

Haroldo de Campos - Um poeta contra o tédio trilha de FCLG

Capaz




quando a saudade for demais,

vem meu bem e olha pra trás.

mas não esquece: a nossa

felicidade é a gente quem faz.

te amo muito, e muito te quero.

sei que te amo demais.

te amo muito e muito te espero.

vem que a gente é capaz.

de ser feliz na imensidão.
e ninguém ama demais.

(Hélio Sousa)

Construir nosso castelo





É impressionante ver como nos transformamos...É inegável o quão bobos somos em dados momentos da vida...É relevante o quanto as lascas que a vida nos tira nos deixam mais belos, mais fortes...É inegável que as pedras atiradas em nós são as mesmas usadas para construir nosso castelo... Parece que finalmente a garota boba cresceu! Eu me negava a acreditar em maldades, em desamor em desesrespeito, mas depois de provar o fel do mundo diversas vezes é chegada a hora de crer que ele tem dois lados...Ainda acredito que a maioria das pessoas são boas, mas percebi que a minoria faz estragos ás vezes irreparáveis. É garotinha tá na hora de virar adulta...Pessoas perfeitas não existem, tampouco príncipes encantados... A melhor forma de ter uma boa surpresa é esperar pelo pior!

(Márcia Costa)

Homenagem a Dwayne McDuffie

Um dos meus hobbies que cultivo há vários anos (na última contagem, chegou a 19 anos!) é o gosto por quadrinhos. Acho que a primeira revista em quadrinhos que minha mãe comprou para mim foi uma X-Men em 1992. Desde então, com maior ou menor frequência, venho acompanhando esses universos de heróis e seus escritores e artistas que dão vida a tudo isso.

Dwayne McDuffie (1962 – 2011)
Nesse final de fevereiro, mais precisamente no dia 21, uma triste notícia chegou não só para os fãs dessa arte, mas também para os movimentos de afirmação, nos Estados Unidos, das minorias em geral e, em particular, do povo e da cultura negra.
Dwayne McDuffie foi um dos grandes roteiristas americanos de quadrinhos e outras mídias. Em seus primeiros trabalhos, no fim dos anos 80, escreveu roteiros de Damage Control, Capitão Marvel, Mulher-Hulk, Vingadores, Homem de Ferro, Power Pack, algumas histórias da coletânea Hellraiser e editou a revista do Freddy Kreuger para a Marvel.
Já no início dos anos 90, Dwayne escreveu histórias do Homem-Aranha, Deathlok, Double Dragon, Vingadores da Costa Oeste e Marvel Super-Heroes, para a Marvel; para a DC, escreveu The Demon e uma biografia em quadrinhos do Prince. Para outras editoras menores, como Harvey e Archie, escreveu De Volta para o Futuro, Frank, Monsters in my Pocket, e outras.
Além de ter trabalhado com os principais personagens da Marvel, alguns da DC e ter feito trabalhos autorais ou de adaptação, Dwayne toma um atitude que o insere dentro dos movimentos de afirmação das “minorias” citado anteriormente. No ano de 1993, juntamente com Denys Cowan, Michael Davis, Derek Dingle e mais roteiristas e desenhistas negros, latinos e asiáticos, fundaram a empresa Milestone Media, editora de quadrinhos que eram publicados pela DC. Segundo Dwayne:
Se você faz um personagem negro ou uma personagem feminina, ou um asiático, então eles não são apenas aquele personagem. Eles representam a raça ou o sexo, e não pode ser interessante, porque tudo o que eles fazem tem de representar um bloco inteiro de pessoas. Você sabe, o Superman não representa todas as pessoas brancas; nem o Lex Luthor. Sabíamos que tínhamos de apresentar uma série de personagens dentro de cada grupo étnico, o que significa que nós não poderíamos fazer apenas um livro. Tivemos que fazer uma série de livros e tivemos de apresentar uma visão do mundo que é mais ampla do que o mundo já vimos antes.
A editora lançou vários personagens antológicos, como os negros Hardware e Icon; o asiático Xombi; os grupos Shadow Cabinet e Blood Syndicate, entre vários outros, a maioria situada na cidade ficcional de Dakota, onde se passam as histórias.

Blood Syndicate
Entretanto, o mais famoso certamente é Static – aqui no Brasil conhecido como Super-Choque, que foi popularizado através da excelente série animada de mesmo nome. O sucesso de Static não é um fenômeno que ocorreu apenas no Brasil. Acredita-se que o pano de fundo da história, que lida com um rapaz adolescente cheio de problemas típicos da idade que de repente se vê com poderes e decide combater o crime, é uma das características que cativam o leitor/expectador. Quase como um Homem-Aranha negro.

Static Shock – ou Super-Choque!
A linha vendeu bem no início, mas logo foi descontinuada em 1997, após fracas vendas nos anos de 1995 e 1996.
Enquanto isso, Dwayne havia migrado para a mídia televisiva, como roteirista de What’s News, Scooby Doo? e Liga da Justiça. Dizem que a decisão de utilizar o Lanterna Verde negro John Stewart no lugar de Hal Jordan foi uma briga comprada e encampada pelo roteirista. Com o sucesso da Liga, Dwayne foi tornou-se a produtor da continuação Liga da Justiça – Sem Limites.
Por esta época, já bem afeiçoado no meio, Dwayne conseguiu emplacar a série televisiva do Statuc (ou Super-Choque), que foi bem sucedida e acabou por dar sobrevida ao universo Milestone na primeira década do século e também por trazer o roteirista de volta aos quadrinhos.
Nesta época, ele escreveu a série Beyond! e o Quarteto Fantástico para a Marvel, Firestorm e Liga da Justiça para a DC. Em 2010, Dwayne escreveu sua última obra em quadrinhos, Milestone Forever, que contava o final de vários heróis da editora e preparava terreno para a incorporação deste universo no universo de heróis principal da DC.
Ainda na área de animação, Dwayne produziu e roteirizou do seriado Ben 10 da fez a adaptação de Crise nas Duas Terras. Ele havia acabado de terminar a adaptação de All-Star Superman, a premiada história de Grant Morrinson e Frank Quitely, e estava trabalhando na promoção da mesma quando veio a falecer, após complicações de uma cirurgia cardíaca de emergência.
O legado de Dwayne certamente persistirá. O universo Milestone reafirmou em especial os personagens negros nas HQ’s, lutando contra os estereótipos que sempre rondaram (e ainda rondam) as histórias em quadrinhos americanas. Também a editora Milestone foi responsável por apresentar artistas negros e latinos ao mercado americano, num momento em que até exigências de mudanças de nomes para algo mais “americanizado” eram feitas para eles.
Talvez, uma das homenagens mais bonita para Dwayne McDuffie partiu de uma ilustração de um desenhista da DC. Nela, os heróis clássicos da editora abrem passagem e fazem reverência para os heróis negros da Milestone, que passam com caixão de seu criador. É o cortejo de Dwayne.
Dada a qualidade e diversidade de sua obra, além de seu ativismo, Dwayne McDuffie fará falta nesse mercado hoje tão parco de novidades e conservador que tornou-se os quadrinhos norte-americanos.
(Filipe Saraiva)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Exorcizo te,omnis spiritus immunde,in nomine Dei .




Eu que já te vomitei em miúdos,vou te esfoliar da minha pele e te descarnar das minhas unhas. É que aquele teu corpo que de todo era meu,esvaiu-se de mim e a minha alma que te respirava por inteiro anda com uma preciosa disposição ao esquecimento.

Exorcizo te,omnis spiritus immunde.
Sai ,vai embora com a enfermidade das tuas ilusões,vai de reto,que no certo há quem compartilhe da tua previsibilidade de espírito.
Exorcizo te,omnis spiritus immunde.

A porta não está mais à espera e nem os teus passos à escuta,vai e leva contigo os nossos suspiros que pairaram nesse passado que não foi ,que agora eu vou desconjugar todas as minhas vontades pretéritas de te por no meu futuro.

Exorcizo te,omnis spiritus immunde.
Vai,sai da frente do meu espelho ,vai de reto,que é certo o meu desejo de topar com meus olhos e zombar dessa piada quase trágica.
Exorcizo te,omnis spiritus immunde.

As entranhas ainda quentes , traidoras e incovenientes traçam a racionalidade mínima dos meus instintos.Provarei a mim mesma que os impulsos precisam de pulso forte para terem sua essência tempestiva retraída.

Exorcizo te,omnis spiritus immunde.
Sai,vai ,nem que seja num silencioso calafrio,vai de reto,que no certo eu desconjuro minha libido e te expulso dos meus sentidos.
Exorcizo te,omnis spiritus immunde.

Minha voz descrente perdeu-se nessa ladainha.Exorcizo te omnis.Do amor, a sobra tardia.Exorcizo te omnis. É a fé de quem mente mil vezes repetida.

(Vanessa Feitosa)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Rotas de fuga




Rotas rôtas em poesias tortas
pelos caminhos da terra perdida
nas controvérsias do humano ser
em reinação do mal-dizer

e a isso só tolhe comportamento
não instante esquecer o trivial
que para muito é assim
um esquecido turvo fim

cega ao ouvir o medo
pregado pelo sistema opressão
surge gravado num enredo
sorve o corpo da compaixão

que não é por si só transruptiva
louca, sedenta e desmedida
força latente que ruge no peito
arma capaz do inverter a vida

me sinto aguerrido e conspirador
de uma realidade flutuante
que dista apenas no rompante
dos muros que imprimem falso torpor

e nas fugas o descontruir
movimenta-se à transformação
coletividade e expressão
na sociedade por vir

(André Café)

terça-feira, 15 de março de 2011

Entrelinhas




Poesia
Poesia que se confunde com o dia
Se enrola no tempo
Captar o momento
Pular entre os sorrisos
Deixar voar as letras
Como cores na asa de uma borboleta
Liberdade
Ser poeta
Ter verdade

(Lorena Nolêto
)

domingo, 13 de março de 2011

Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa

FELICIDADE




O que faz você feliz?
Essa pergunta da propaganda do grupo Pão de Açúcar sempre me fez refletir...
O que faz você feliz?
Eu particularmente sempre precisei de muito pouco para ser feliz...Mas isso não fez a minha busca por ela menos dificil...
Alguns amigos...
Um friozinho...
Umas piadas...
Uma cama quente...
Minha mãe...
Meia dúzia de livros...
Chocolate...
Ele...
O cheiro da minha terra...
Mas essa tal de felicidade é uma coisa meio louca, você corre, corre, corre e ela fogeeeeeee...Parece que não quer ser pega...Talvez porque ela e a liberdade sejam companheiras inseparáveis.
Um belo dia eu acordei e percebi que a felicidade é como uma colcha de retalhos...Pedacinho daqui, pedacinho dali é assim que ela fica pronta...
A plenitude não existe..Não na felicidade...Ela é feita de momentos...Singulares...Ímpares...Únicos...Eternos!

(Márcia Costa)

A imagem de nós




Sai do banho, passa por uns móveis velhos de um quarto que nunca mudou, abre a porta, como um ato involuntário tateia a parede a direita, a procura da luz, passa pelo espelho, vai direto ao guarda-roupa, volta ao espelho.

Percebe depois de muitos anos, o espelho. Embaçado pelas coisas que traz o vento, o espelho perdia sua utilidade, tinha alguma coisa nele que parecia implorar para refletir algo.

Passa a mão molhada como num gesto de limpeza misturado com carinho e afago. Aos poucos aparece um cabelo, uma cicatriz, sobrancelhas, olhos, nariz e uma boca (nada muito bonito, nem harmonioso, mas para o simples espelho, era belo ter que refletir algo novamente).

Seria um rosto qualquer, não fosse a tristeza expressiva.

Sou eu?

Passa a mão pelo cabelo, cicatriz, sobrancelhas, olhos, nariz e boca. Até o sinal do lado direito da boca continua o mesmo. Mas, mesmo assim, falta algo. Cabelo, cicatriz, sobrancelhas, olhos, nariz e boca, tudo como tem que ser, mas falta algo.

Resolve fazer a última conferência: passa mais uma vez a mão pelo cabelo, toca a cicatriz que adquiriu quando menina na rua e até hoje continua lá. Falta algo.

Chega a achar que o espelho tenha lhe tomado algo. Encara-o como numa disputa de olhares furiosos, o avisando que devolva senão a confusão está armada. Concentra-se mais ainda no espelho. Até que num desatino, numa revelação, percebe.

São meus olhos! São meus olhos!
Descobri! Descobri!

Faz uma coreografia boba, como se erguesse troféus no ar. Descobri! Falta a alegria que perdi há um tempo atrás e que era vista através de meus olhos. Desejou não mais ser vista. Desejou nem ser alegre novamente. Desejou que o espelho se quebrasse. Desejou não ter descoberto isso. Só desejou, desejou e desejou. E saiu da frente do espelho, calada e triste, como realmente costuma ser agora.

(Iúna Gabriela)