quarta-feira, 31 de agosto de 2011

#Contraoaumento




Contra a falta de discernimento
Contra o descontentamento
Da população
#contraoaumento
Contra o estouvamento
Por parte desse excremento
Que governa a nossa nação
#contraoaumento
Contra o fardamento
Contra o espancamento
Da tropa de choque sem noção
#contraoaumento
A favor do argumento
A favor do desenvolvimento
Da melhoria deste mundo cão

(The_edu)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Hoje eu inalei uma parada...

por Raimundo Neto e Lucas Vieira

Hoje eu inalei uma parada ali que me deixou com os olhos vermelhinhos, vermelhinhos. Não, não é o que você está pensando. Foi o spray de pimenta - tido como arma 'não letal' - utilizado nessa segunda pela Tropa de Choque de Teresina, numa manifestação contra o aumento da passagem dos ônibus pra $2,10. O spray de pimenta age de forma inflamatória e lacrimogênea, atingindo as mucosas dos olhos, nariz e boca, provocando irritação profunda, tosse e outros efeitos colaterais. E olha, dissipa no ar que é uma beleza. Durante as várias intervenções da polícia sobre os manifestantes, pude ver velhinhas, crianças, mãe com recém nascido no colo e outras pessoas que aparentemente não tinham nada haver com o movimento, correndo para fugir do fiel amigo das Tropas de Choque. Vi também um ponto de ônibus com umas 25 pessoas apenas esperando sua condução dissipar por completo em menos de 20 segundos, devido a uma única borrifada do spray por um dos policiais. Esse mesmo ponto de ônibus que, iguais a muitos outros nessa cidade, já vi diversas vezes bem mais de 25 pessoas se apertando, se espremendo pra procurar um rastro de sombra que seja. Em uma cidade, muitas vezes insuportavelmente ensolarada e calorenta, essas paradas de ônibus parecem uma piada. Mas piada mesmo, um verdadeiro deboche é o próprio sistema de ônibus: alto custo, sem integração, não cumpre a demanda. Todos os dias pessoas são oprimidas, tratadas como coisas nesses ônibus e na sua espera. Tanto desrespeito gera uma raiva. Uma justa-raiva, digamos assim. A raiva que, de tão grande, arde. Arde! E ardendo assim, tolhidas e tolhidos do seu direito de ir vir, do seu direito de ter acesso aos (poucos) serviços que a sociedade oferece, essas pessoas resolvem gritar, manifestar, protestar na esperança de que suas vidas não sejam ainda mais golpeadas pelos interesses de patrões e empresários. Mas não é uma esperança que espera, é uma esperança que leva ao agir, inspirados nos exemplos das mais diversas lutas que, por conta delas, fez com que ao longo do tempo, os governos, as polícias a temessem. Assim, utilizam de várias formas de pressão para que que suas vidas possam mudar um pouco, serem tratados como verdadeiros humanos e um dia, de fato, poderem, autonomamente, dar direção a suas vidas. Mas o que arde mesmo, o que arde é ver que toda essa opressão pode ser ainda maior, e que ao simples direito de protestar, somos recebidos com spray de pimenta. Pimenta, uma especiaria, um tempero há muito utilizado na culinária mundial, sendo utilizado para uma repressão que, com certeza, não iremos engolir. Não vamos escolher o tempero em que seremos devorados. Não vamos deixar ser devorados!

O criminoso


Onde está você? Identifique-se!
Não deixe que estes cartazes pré-fabricados
determinem o rumo a seguir na noite.
Eles servem mesmo é para indicar o cacetete.

Polícia é pra bandido? Quem diria
que as vozes dos oprimidos seriam as primeiras
a lhe entregar, rendido, aos servos do holocausto,
ao claustro de uma cela mal servida?

A voz passiva que lhe foi retirada
subtrai-se de lançar um olhar para o outro
que não esteja separado pela ponta de uma faca

sedenta para devolver-lhe a expressão,
ou lhe dar um lugar de destaque
nas páginas mais sujas de amanhã.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Proporções bambas poéticas de roda de samba.


De que vale a proporcionalidade

se na funcionalidade

não tem pra ninguém


De que vale dez mulheres pra cada homem

se entre milhares de nomes

um deles vale por cem


Perdido na multidão de sorrisos

é do teu que eu preciso

só ele me faz bem


Rodando nas rodas de samba

embriagado de poesia bamba

querendo te encontrar


Lavo o peito com alcool

solto um sorriso alto

se tu por perto estiver

bebo um copo de desejo

boca seca, pensamento em teu beijo

nesse teu mimimi de mulher


quero teu sorriso, teu sim

teus abraços e carinhos pra mim


Jeito de mulher

olhar de menina

visão que afina

as batidas do meu coração


Quero você em minha frente

ser capturado em tua lente

no teu varal, ser boa impressão


(MarcoFoyce)


Meu último verso em vida


o dia é vento
que sopra leve
me faço de
alma e sinto
que o dia
é apenas
passagem de
ida.

Valdemar Neto Terceiro

Suor



A pele estremece
na fibra do dente
é gota que desce
em teu corpo quente


(André Café)

Heróis



Não devemos tirar o habitual como se fosse natural.
Precisamos entender que o estar perto
não significa dizer que deve estar cristalizado
Então como todas essas opressões e valores são construídos socialmente?
Podemos nós mesmos sermos sujeitos transformadores dessa história.


Podemos esperar por heróis? Sejamos nós mesmos os heróis dessa história


O que precisamos fazer é unir nossos corpos, corações, braços e mentes
e superar o que é posto como natural.
E não somos indiferentes.
Porque indiferença é apatia, é covardia.


(Victor Marchel)

LA.

Assumiram-se como tal
Ergueram o punho
Agarraram-se aos hinos
Foram militar!



(Tassi)

oh postos!




A gente faz carinho com as palavras também
A gente faz sangrar com o silêncio
faz chorar com um sorriso
faz arder com o gelo

A gente faz afago com um tapa também
faz amor cuspindo ódio
e discorda dizendo amém

A gente reza através do ópio
e endeusa nossos próprios demônios
faz altar pro pecado
e se faz refém dos próprios hormônios

É o avesso do que se espera
É a era do que já foi
é o contrário do que se pôs
a alegria que dilacera

de tantos opostos postos
de tantos postos à espera
de tantos portos e janelas

de onde você nunca vem.


(Fernanda Costa)

domingo, 28 de agosto de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

Versos (des)feitos




Beijos não saciam a minha língua
- E o que sacia a tua língua?
Não é amor, não são homens e nem mulheres
- É a poesia?
São vários acertos, é sem resposta
Eu faço com as palavras o que as vozes não fazem comigo
Eu uso as palavras ao som do meu prazer
É, eu sou abusada

Touch-me!



(Rosseane Ribeiro com intervenções de Mário Lacorrosivo)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Estranho mundo

Mundo estranho e solitário
           Cheio de baixos e baixos
      Cheio de tristeza, que tristeza!
Cheio de receios e receios
             Cheio de particularidade e fantasias
     Mundo estranho e solitario
                de pertubados e inquietos
                                      Mundo pequeno e discreto
dos olhares desconfiados..
                                   sinto-me confortável
                                                  Real...
                                                                    Cheia de curiosidades e fantasia que são verdades
Estranho esse que me invade




Menina Muié
                                 


Dia de alegria



Mais que um dia de alergia
É um dia de alegria
Mesmo com manchas vermelhas encravadas na pele
Olho para o mundo e vejo mais que o vermelho­
Vejo o laranja, o amarelo, o verde, o azul o anil,  e o violeta
Marcando na pele de cada um que passa, sente e percebe
O símbolo da diversidade, tantas vezes defendidas com unhas, dentes e sangue
Mais estas não são unhas, dentes e sangue qualquer
Pois são unhas, dentes e sangue que juntas formam mais que uma bandeira
Formam a luta pela diversidade.

(Victor Augusto)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Poema Hardcore



Quebrem

as urnas
dos porcos
capitalistas...

...da Coca-cola

e
outros imperialistas.

Proletários

sobre as ruínas da

hipocrisia
de uma
classe dominante...


...O subúrbio operário sob a burguesia
segue
adiante.


(Mário Lacorrosivo)



Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico


E
eu
vou
para
longe
porque
eduardo
autômato
acadêmico
artificial
futilitário
zooflagelado
guturopalatal
dostoievskiano
vasoconstrictor
antiinflamatório

Inconstitucionalissimamente
Anticonstitucionalissimamente
Monosialotetraesosilgangliosideo
Tetrabrometacresolsulfonoftaleína
Dimetilaminofenildimetilpirazolona
Piperidinoetoxicarbometoxibenzofenona

Paraclorobenzilpirrolidinonetilbenzimidazol
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico



(Mário Lacorrosivo)

Recortes de fim de tarde 3


Quando menos se espera, eis que surge
em meio aos flashes mal ensaiados,
modelo ou pretendente, qual a diferença?
Juntou-se à paisagem daquela praça em pôr-do-sol.
As poses artificiais iam aos poucos
permitindo que lembrássemos vantagens magras,
pequenas conquistas ou ilusões de ótica,
apertos no coração ou intenções frustradas?
Conversa vai, conversa vem, desce mais uma pose para embriagar,
pernas em suspense balançando no coreto,
mexendo com o que restou de outros pensamentos.
Cabelos ao ar, lisos, leves e soltos,
sinalizavam acenos de despedida.
O sol partia também, claro que nada a ver
com a cena registrada em nossas lentes.
Saímos então, já era hora
de fazer a vida voltar a circular.

O Carteiro e o Poeta - A poesia é de quem faz

Humano



A humanidade vive bailando
em uma realidade
de paradigmas amordaçados
e apagados pelos séculos

Se pisa em pontas de ice bergs
sem notar a raiz de cada
traço que compõe a imagem que observam

A sociedade está toda
empoeirada e pensa
ser totalmente pós-moderna

Ela está mofando
com suas grades
sacadas escondidas em
uma caixa de pandora inversa.


(Dine)

Poema Quente

Só de mim, o resto acumula
Esse calor que nos cola, chora!
Ao seu gosto, minhas intenções beiram as mãos
mas não me vence, acumula!
Diz-se necear esse fulgor
Esse seu, que em dias estendidos aparece em voz de nequícia
Sobe e sua, tua
Ó sol, somos isotérmicos
(Rosseane)

Bela Des-Culpa

Nem toda tentativa
Carrega a sina do certo
nem todo erro
culpa sua.

Gledson Vinícius

Ins ... piração, nova dose


Quando enfim te achei
a meada se perdera no infinito
deixou rastro incinerado
daquilo que fora dito


e corri léguas até a esquina
pra todos os lados te procurei
aqui, ali, onde tu estavas?
de sobressalto, desesperei


e sobre morros e desterros
e sob nuvens de jardins alados
o hunter aguça a sagacidade
para sorver o ser amuado


eu procurei, cai, sucumbi
por mais uma noite até outro dia
e descansei defronte ao caos
e desaguei em disritmia


onde tu estas pedaço inequívoco
que assaltou a sobriedade
por onde andas poema imundo
que jaz! partiu e deixou saudade


(André Café)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Concreto


Não sou poeta completo
sou repleto de defeito
eu sou feito o concreto
no veto da saudade
se esconde a verdade
que outrora jaz no peito

(André Café)

Ditadura do Silêncio


Nos dias de luta, tentamos seguir viagem
nos rastros da terra, podemos ver nossos
pecados, jorrados de sangue
Morremos de vergonha de nossa poesia
Sem rima
Temos orgulho de nossa poesia bruta
Só amamos por segundo, mas nos odiamos por um eterno
Rolamos de rir da sociedade e fazemos
parte de uma roda viva
A gente esconde nossos rostos através de protestos
que somem no tempo
O nosso silêncio, todos não escutam
E todos nos humilham através do capitalismo
Ele nos machuca, nos faz engolir o choro
nos faz sentir dor, tirando de nós o riso, o grito e o dito


(Paula Damasceno)

Café


Um sorriso de dentes alegres
Um corpo a luta entregue
Alma de um cantador
Tantos amigos por aí
Tantos amigos por lá
Sua estarda é por aqui
O agora, conquistar
Vai com fé
Querido Café
Que seja a pé
Rico Café
Pois na estrada tem poesia
Tem beleza
Que nasce com o dia
Com liberdade e pureza
A quem goste de Café doce
A quem goste de Café puro
De Café com leite
Gosto é gosto, respeite!
Mas o gosto daqui
Eu vou dizer qual é
A gente gosta é de André Café

(Lorena Nôleto)

BEM DITA


Dois lados de mim:

*o primeiro transborda sorrisos,
*o segundo carrega seriedade.

Não sei o que faço quando de mim não sei quem sou...
Quando por ora me sinto intensa, logo numa piscadela de olhos, eu discurso o cansaço que eu tenho daquela tanta gente e  penso comigo em querer sumir para outros lugares que não esse.
Que faço eu diante desse mundo que me detona ‘minutaneamente’?
Parte de mim é um pote cheio de amor e outra parte é o ódio afogando toda e qualquer intenção de bondade.
Parece que preciso ser continuamente cega pra conseguir serenar.

Maldita vida delineada de avessos e de efemeridades.
Maldita vida instantânea que não me faz parar de pensar.

(Tassi)

Pedido ao vento




 
Vento, vento frio,

congela minha alma

e paralisa essa felicidade que habita meu coração

Abraça o compasso do desatino, acolhe, esquenta

Não é ser heroína do destino

Se já não gostava de palavras duras,

Depois de me acostumar com outras tão doces

Agora mesmo é que não as desejo com nenhuma força

O rumo certo, não é mágica.

(Isadora Carvalho)

Bobo


Quero ser bobo,
quero me manter bobo,
quero acordar bobo.

Quero ser bobo por amar,
e sem medida dar meu amor,
dizer que gosto, que amo,
sem nenhum pudor ou rancor.
Dentro das mais diversas maneiras de amar,
quero me doar, seja onde for,
e se não morrer, chegar a quase isso,
por amor.

Quero me manter bobo,
e acreditar,
que um dia tudo pode mudar,
modificar, transformar.
Que a vontade de ir além,
de recorrer e correr,
nos faça ser melhores,
uns com os outros.

Quero acordar bobo,
e de novo, voltar a dormir,
acordar novamente e sorrir,
ver que a felicidade está logo ali,
na vista, próximo dos olhos,
ao alcance das mãos,
minha companheira de jornada,
parceira para qualquer parada.

Acordar bobo para mim
é acordar ao lado de quem se ama.

(Tayago)

Um canto pra saudar o mar




De olhos bem abertos
Com pés cobertos de areia
Um corpo salgado e refrescado com a fria água do mar
Aquela doce sensação de estar sendo livrada de toda energia negativa
Braços abertos sentindo o frescor dos ventos emaranhando os cabelos
Um olhar fitando o horizonte sem fim
O pensamento em lugar nenhum
Só na paz, aquela paz que só você me traz....

(Ana Nogueira)

Breve Consolo( Erótico)

 
A intenção estava no gesto
No olhar secante em meu corpo
Não havia sentimento
Apenas o desejo carnal
A busca feroz pelo prazer
Ser sensual era preciso
Meus seios duros apontavam
A direção exata e propícia
Minha umidez exaltava
O cheiro máximo do prazer
Estava necessitada, louca
Fui consumida
Profundamente penetrada
O fel veio na hora exata
Jorramos juntos sem receio
Gotas brancas embelezava
O meu ventre liso
Fui breve e fria
Na minha rápida consolação.

(Ítalo César)

Aviso I




não,eu não quero nada disso pra mim
sim,vala a pena repetir
espero não conseguir
sem objetivo e desarmado
o meu sentido é outro
o que não é o oposto
se fosse
estaríamos na mesma escala
o meu mundo é desmedido
apenas existem
diferentes estradas

fique com o seu plano
com a margem de erros
que eu sigo o meu talvez
cheio de erros nas margens

assim ninguém me acompanha
ou não pode
ou não deixo
assim sou sozinho
oi feliz
ou covarde
ou triste
assim a vida passa
ou desgraça
ou em brasa
assim eu não te enrolo
incomodo
em caminho
assim mesmo assim
sozinho.

(Leonardo Medeiros)

Então




Furei fila afoita
Forçando o frasco à forca.
Foda, né?
Foda.

Faço fina falsa força
Fossa feita em peito-teu
Faço samba e bossa-nova,
Faça verso em dedo meu!

Fraco fio de rima solta
Faz frio quando se fia?
-Faz é fogo.
Foda, né.

(Laelia Carvalhedo)

Soneto disforme de caeiro


Estudo Cénico
Almada Negreiros

escrevo seguindo a relva
a brisa das páginas passadas
e intento
de estar por cada verso;

indago formas minhas
com suas tortas imagens
de um material desejo
de não ser nada além de parte

dum todo que se desmancha
perseguindo o dito
calado ao sol que é sol

sob os olhos que são meus
versos
em solícito calar de uma verdade.

Valdemar Neto Terceiro

Conta mais


Encontros despretensiosos em lugar qualquer,
sem caras e bocas ensaiadas, ou tipos assim.
Espelhos no mundo, reflexos de uma construção:
como é bom dizer que amo @s amig@s.

@s amig@s me aproximam dos sonhos
que pensava enclausurados em torres de marfim.
E se estiverem, constroem comigo as escadas,
caminhos de ida e de volta para as realizações.

Derrubamos grades de cerveja desde o começo da tarde,
enfrentamos a vida com a mesma disposição.
Apenas um abraço, um aperto de mão,
e entregamos nossas emoções, extravasamos as dores.

A presença muda é melhor que a solidão
que deixa o mundo maior e mais feio e cruel.
Por isso escrevo, amig@s, minha satisfação
de poder com vocês me multiplicar.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sucesso em qualquer lugar.



(Mário lacorrosivo)

Beto Brito -Caju e Castanha




Bem interessante esta postagem porque Beto Brito é piauiense, mora atualmente na Paraíba, faz sucesso no mundo todo e não é reconhecido aqui!

outros pares





quando não podias, me querias com toda vontade
quando era proibido, me desejavas com voracidade

quando eras de outra, era por mim que suspiravas
quando ela ia embora, era eu quem te completava

quando deverias dizer não, fazia tudo o eu que queria
quando o certo era ela, era a mim que obedecia

quando finalmente fui tua, cadê o desejo?
quando finalmente somos só nós, cadê a poesia?

agora que todos sabem que meu amor é teu, cadê teu amor?


provavelmente com a outra.


(Fernanda Costa)

propriedade privada.




Aceito que tive outros amores
aceito que já vivi outras dores
aceito que já fui de outros lares
aceito ter navegado em outros mares

mas dói demais saber que já fores de outras
dói pensar em tuas mãos tocando outras moças

fere lembrar de outros braços em você
outros sonhos com você
outros planos com você

é fácil aceitar que o que eu vivi, o que eu passei
difícil é imaginar-te amando-a mais do que a mim
cuidando-a mais do que a mim

sorrindo juntos, cantando juntos, respirando juntos.


dói querer-te só pra mim.



(Fernanda Costa)

Bomba poética, caseira nuclear


Pensamentos tóxicos

Explodindo em versos

quente, abafado, o protesto

se espalhando no ar

contaminação poética nuclear.

Em estradas, ruas e becos

a visagem...

do que já não pode se crer

dilatando no calor, moléculas, fé romper

atormentando as cabeças feitas

abrindo olho cego de mentes eleitas

quebrando-se com a contradição

a crença se fez interrogação


Abrindo-se as porteiras do curral

caminhada ilusória pro céu

estou na tocaia, o lobo cruel

segurando a presa entre os dentes

no choro, o grito estridente

é cura com o veneno na veia

o coração confuso, longe ponteia

com dose mínima de ressentimento

engolindo a seco o pensamento

contaminado pela toxina

machucando, ferindo... ensina

deixando na garganta um gosto amargo

na doença, essa cura não largo

pisado, moído, cozido, remédio caseiro!


(MarcoFoyce)

Revolução a dois


Viro páginas de contos
na biblia filosófica do teu olhar
vejo a construção do viver
no coletivo do teu pensar
sendo o emergente na escuridão
acredito na revolução
onde contigo posso alcançar

Imaginando-me,
encontro luz no teu acreditar
no teu discurso determinado
acho núvens pro meu sonhar
vivendo o feijão com arroz
vendo uma revolução a dois
a forma de se iniciar

Venha fervente de forças e teorias
mesmo assim ainda será uma flor
em meio a pinturas alienadas
és distribuidora de cor
no teu discurso me arrepio
no teu entrançado, não sou um fio
mais quero tear o teu amor

(MarcoFoyce)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Toada antiga no tempo moderno


Na pancada do verso solto
abriu-se o portão da rima
cantando o boi peneirado
com meu galope martelado
tambor batendo por cima
na pancada eu rimo ligeiro
cantando meu boi mandingueiro
modelando o verso na lima

Balança meu boi mandingueiro
mandinga na frente do vaqueiro
não deixa ele te pegar
ele quer tuas fitas de ouro
teu gibão de couro
com uma faca arrancar
pra fazer uma roupa colorida
pra uma moça bonita
nessa noite enfeitar

meia noite toca tambor
vou ver o meu povo baiar
vem chegando moça bonita
vestida de chita
tem sândalo pra se perfumar
vou dançar com a moça mais bela
mais caso com aquela
que me acompanhar

quem matou o boi
prepare-se para punição
meu patrão vem enfezado
montado no cavalo do cão
as velas já acendi
to fazendo minha oração
rezo pedindo a graça
banho de cachaça
e a vida do cristão

o meu boi não é catimbó
no samba é boi luzeiro
levanta poeira dançando
escurece o dia inteiro
é vela de pé de cruz
que brinca com o sol faiscando
com dez mil fitas de luz
seres encantado das lendas
toda alegria ele conduz

Girando no meio da roda
queima junto da fogueira
dança com o encanto da lua
treme o canto das lavadeiras
tem a força das palavras
das mulheres rezadeiras
pisa na pancada do coco
das mulheres quebradeira

(MarcoFoyce)