sábado, 30 de junho de 2012

Um pouco de pimenta na vida, poesia.

"Lá vem o poeta
O poeta já vem lá
Lá vem pimenta
A pimenta já vem lá
Pimenta-malagueta
Prá me alimentar
Pimenta-malagueta
Pro planêta balançar..."


Poeta que joga a pimenta
Pimenta que te queima e atenta
Atenta a loucura interna
De cada aspirante
De cada humano, poeta
Esinaram-me todos tem o arder
Da pimenta-poesia no ser
Da ardência maluca do escrever
Do mostrar o que a mente pode tecer
Fios apimentados de imaginação
Fértil, provocante, instigante queimação
De esquecer a métrica
E se jogar nas palavras, poeta
E apimentar a vida
Embelezar
E até remediar feridas
O que não faz a poesia?
Ardentemente escrita por mãos apimentadas de sede de conhecimento
Autoconhecimento
Descobrimento do si mesmo
Num sabor que só o externar pode mostrar.

( inspirada na música Assaltaram a gramática, Lulu Santos )

sexta-feira, 29 de junho de 2012

SE O FUTURO...




PARA QUE TANTA INSPIRAÇÃO
PARA QUE TANTA EXPIRAÇÃO
PARA QUE TANTO OXIGÊNIO?

VOCÊ QUE SE ACHA UM GÊNIO
TEM IDEIAS A MUDAR MUNDO
OLHA PRÁ SI NESTE SEGUNDO

PARA QUE TANTO EGOÍSMO E
DÁ AO VENCEDOR AS BATATAS
SE O FUTURO É DAS BARATAS?

POR ALDERON MARQUES
DIA 29/06/2012

"Oh, never more!"



Frutos da insensatez,
Amores impossíveis.
Buscas do "talvez",
Consequências terríveis.
É tarde demais,
Deixarei, então,para trás.
Quem sabe aprender,
Mesmo que a doer,
Não seja tão difícil.

Para a mulher do cósmico azul.


Canta, encanta
Diviniza-te!
Oh! Deusa branca
Da mais negra voz!
Mate-me, vamos!
Faça-me calar
E só te ouvir entoar
Gritando sem pena
Para os quanto cantos
Deste mundo insano
"Take another little piece
of my heart,
now baby!"
Eu irei.

"I can see in your eyes, your eyes..." ♫


E quando este olhar
Eu foco
Devaneios me vêm, a flutuar
À minha frente, destroços.
Destroços de mim
Por não conseguir
Ser tão boa quanto queres
Quanto quero
Quanto me obrigo
Desejo oblíquo
Perdidamente, procurando
Como.
E nessa busca do "como"
Destroço-me mais
Coitada demais.
"You make me wanna die."

O que vim fazer.


Numa grande viagem, vida ,
idas e vindas,
conquistas e perdas ,
chegamos a um ponto onde apenas
queremos viver
e deixar as marcas
do que já cansamos de calar .
E foi apenas isso que vim fazer aqui ...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

[Sem título]




CHEGA DE FONEMAS
CHEGA DE EMBLEMAS
CHEGA DE PROBLEMAS
CHEGA DE EMPINHEMAS


SÓ NÃO CHEGA DE POEMAS

POR ALDERON MARQUES
DIA 28/06/2012

DAS VADIAS?




O QUE PODE SER PIOR NO MUNDO?
A IMPOSSIBILIDADE DE ALGO DIZER
OU A NEGATIVA DE PODER EXISTIR?
SEJA QUAL FOR SUA FÁCIL ESCOLHA
ESPERO QUE AGORA NÃO ENCOLHA
DIANTE DAS FIGURAS E ATITUDES JÁ
SOCIALMENTE PROPALADAS ALI E LÁ
EM ECO POR DEMAIS SONORIDADES
DISCURSOS ALTIVOS, SEM VAIDADES
SENDO AVENIDA OU PRAÇA PÚBLICA
SENSIBILIZAR MUITOS TRANSEUNTES
O PRECONCEITO A DERRUBAR ANTES
QUE A MULHER PERCA O SEU DIREITO
DE IR E VIR SEGUNDO CONSTITUIÇÃO
SE FOR UMA VADIA, VALIA, AVALIAR
NUMA MARCHA DAS VADIAS LUTAR
NO SOCIAL ENTOAR, COMPREENSÃO
DA MULHER E SUA NOVA CONDIÇÃO


Por ALDERON MARQUES
DIA 28/06/2012

QUE PAÍS É ESSE...




QUE PAÍS É ESSE AFINAL
QUE FAZ DIVISA COM MEU QUINTAL
OUTRORA TANTO FIZERA PELO MEU MAL
LÁGRIMAS TROUXE ATÉ AO ANIMAL
DO MEU POVO GENTIL E REAL.

QUE PAÍS É ESSE AFINAL
QUE TIVERA HONROSO CAPITAL
OS QUINTOS DOS INFERNOS FORA LEGAL
ESPÍRITO EXPLORADOR NA GERAL
NOVO PROBLEMA CONJUGAL?

QUE PAÍS É ESSE AFINAL
D’UM RELATIVO CLAMOR SOCIAL
ENVOLTA NUMA VERÍDICA CRISE ATUAL
DE HISTÓRIA SECULAR AO UMBRAL
QUE RESTARÁ DE TI AO FINAL!

QUE PAÍS É ESSE AFINAL
ESSE PAÍS NÃO É OUTRO, É PORTUGAL

POR ALDERON MARQUES
DIA 28/06/2012

Cosmogonia de Zion I


Entrava secreto na tua floresta, com passos descalços querer desvendar
sobressalto, nem possa perder as fronteiras, anéis e barreiras, Saturno à porta
O que importa agora? Se meu corpo está flutuando ao teu sabor!
Não é torpor, nem solitude rude,
sinto o fulgor sereno e sorrateiro, brisando no meu ser
enquanto me movo para algo ou algo se move para mim
é chuva estrelar me acompanhando, o rabo do cometa corneta-me flores de oiti
em mim, o que passa um século de ida são segundos saborosos
agora a floresta parece me abraçar num convite

Atravessado palpite, atravessado universo paralelo
pois já côncavo convexo, um pleno reflexo
para além de qualquer espelho, especular, espetacular, estelar, estrelar
de uma galáxia tão distante, mas tão próxima de mim, de ti e todos nós ...

É Zion que se manifesta! Com sombras de raízes encravadas no busto inerme da solitude!
escolhendo flores no leito das corredeiras que turbilhonavam e revoluteiam conspirações de laços feitos em tons de anil!

Num pulo, o olhar se fecha
no abrir de sensações, já estou, já sou, já nidifiquei
sou sublimada nuvem, no cume do sopé, no alto beira mar
Quiçá não seja sonho, não é, de pé
vista boa, boa, sauve, samoa
vinto até mim, serafim ou início?
muitas vibes relegadas cá estão. Vamos irmão?

Na praia neônica, sigo a dança
o Duque de Copas no caminho de Epizêuxis Semântica, romântica ebriedade
me leva ...
começando
começado
Zion

Alderon Marques, André Café, Duque de Copas no caminho de Epizêuxis Semântica e Jorge André



Como o amor acontece


Cristina, o amor é como a fome, quando não é amor. Tudo serve, alivia. O amor mesmo é a vontade de comer; Aquele cuidado em procurar pelo gosto, pelo sabor, pela qualidade. Cristina, o amor, às vezes, dura pouco; Outras vezes dura muito. O amor, às vezes, espera por mais tempo, outras vezes nem espera. Tem dias que o amor fala a verdade, outros? Nem tanto. O amor no escuro dá medo, pode ser covardia do destino; O amor no claro é bonito. 

Quem nunca viveu um amor de verdade pensa que amar é uma mentira que a vida inventa pra nos acalmar das tempestades. E amor é mar mesmo. É como uma maré, que, às vezes, te toca e vai embora e outras vezes te toca e te leva embora. Outras vezes o amor vem de leve, assim mesmo, bem devagarzinho, feito vento de verão. Outras vezes o amor fere, como água em pedra, rompendo a estrutura, mas só depois de muito bater contra ela.
 
Cristina, há noites em que o amor sabe dizer palavras para nos acalmar. E nas vezes em que ele silencia, a gente quer devorá-lo, expulsá-lo num risco de grito, dizendo: - ‘’vai embora daqui.” Na verdade, eu, você, nós e os outros, a gente quer que ele fique; que ele nos console, que ele simplesmente nos ame- seja em dias frios, em dias quentes, em dias bons ou ruins.

Cristina, o amor existe. Beija quando não sente vontade de beijar; Quer beijar quando não pode. O amor ri quando quer chorar; Chora quando não pode rir. O amor, Cristina, só provando pra saber.
 (Rosseane Ribeiro)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Para Tassi




Venho sendo o carteiro
de minhas próprias saudades
saudade, saudade, de quem está tão perto
no passo que se encontra ao Sul do meu abraço

Mas as saudades falam de tempos e vidas
através do que você é e reiventa,
nas escritas verdes, maduras e lilás
de um fugaz e incinerante sentir

No por vir, venho em devaneio
pois saboreio alguns significados
guardados abertamente em cada poema grudado
em cadeado pessoal, a vista do mundo

É quando eu imagino o riso, é a hora de ver o som
sinestésico assim mesmo, em tantos tons,
no coreto ou nos corres, na cerveja e nas lutas
Teresinamente Tassi: entre o verde da cidade, você

O céu tocado pelas duas mãos, que devoram o infinito


André Café

Parcelas suspensas do mundo do ar: Vem me ressignificar


Do tempo que fez natural
o homem e em irreal luta
trouxe bondade cabal
na lógica de pemuta

Como ser na tez de puro
ao mundo que se levanta
ora sangue, ser vivo duro
era dor que se suplanta

E em nova melodia
num só ser se misturou
junto com raiar do dia
nasce enfim o verbo amor

No vôo do louva-deus
as mais calinas canções
do tempo que se fez os seus
deixado pra recordações

Voa livre conectado
com a terra, verde e ar
onda mística deste lado
vem me ressignificar

André Café

Labor grave em suave fantasia


É quando o olho simulando vivacidade me avisa:
"Já chega. Essa é a hora de inserir o medo."
O que poderia parecer o alívio, tornar-se horror a cada instante
o corpo pesado, cansado, mas buscando incólume situação

Não, não, além de mim. Cravando as sensações vez em quando
torpor jamais abraçará minhas incertezas; noutra via,
serei exposto para meu maior condenador: eu e rudez normativa
tingida de fé e inocência em lugar algum da mente

O sono vence, o organismo despenca, olhos fechados
num segundo apenas o sonho se transfigura,
murmura doces e requentadas pré-ditações
impõe o labor grave em suave fantasia

André Café

A condição objetiva


Mas agora é direto, objetivo e sem amarras
nem o avesso me apatece, nem o que é apresentado
é apenas assim um misto inequívoco de vontade
e saudade de um tempo que nem vivi

Mas conclusivo impossível
num mar de complexidades enrugadas
a mão armada de medo e morbidez
me convoca para o não riso de vidro

In vitro a malemolência
e insisto em desencontrá-la
quero mais que me assaltem o verbo
pelo oficial não quero som

apenas um pisco de descuido
e o murmurar traiçoeiro

apenas dois pesos de ternura
e o silenciar sorrateiro

André Café



Olhos vermelhos

Pra ti

Matuta na beira do lago, pensa, pensa sobre a vida,
já não é mais aquela criança no colo do pai,
sorrindo na ciranda dos dois, cabelos voando,
os pés fora do chão impulsionavam centrifugamente.

Hora de assumir o controle? Talvez o mundo peça,
mas a pedra estilingada em leito d´água não responde,
reverbera nos próprios reflexos, deixa de se contorcer ,
estaciona e afunda sem apontar soluções.

Suspensa nas pontas dos pés, garota interrompida,
continua até hoje aos devaneios, se vai ou se fica
ou se deixa levar pelas ondas da felicidade
correnteza de sensações, abre os braços e se joga.

Apesar de tudo, não procura rédeas,
e não ser que ela mesma conduza.
Veio em busca de liberdade, de autonomia,
de poder gritar ao mundo seu crescimento.

Tira de tua cartola mágica universo que se descortina.


Prazer - solidão


Aquele mesmo frio que senti quando o vi pela primeira vez
É o mesmo frio que hoje me congela na solidão sem você ...
Estou aquecendo minha boca
Com meus sonhos fervendo
Para tirar minhas palavras desse gelo
Que me congela,me deixando sem sinais
É tanto frio que meu corpo estagnou
É tanto frio que nao respiro mais
É tanto frio bem mais do que frio normal
É tanto frio que o silêncio não convence de em paz me deixar
E tanto frio que nao tenho mais frio
Apenas do frio normal me fiz solidao .

Prazer hoje me chamo sozinha
Amanha escuridao
E depois,nao existo
Nao exito
E nem me faço nessa vida, nesse vão.

Myrla Sales

Sincronia


Quero confiar meu beijo ao teus lábios
Envolver seu corpo em um movimento único e claro
Deixar Você sem chances de escapar
Sem nenhuma oportunidade de me derrubar.

Um passo aqui, um movimento ali
O que adianta me levar
Se na própria dança, não sabe qual passo dá?

E quando tudo está indo para baixo
Caindo em uma correnteza de passados
Você simplesmente me segura com esse olhar.

Olhar cor de alguma coisa
Olhar com palavras de qualquer texto
Olhar com gosto de hipnose
Comunicando muito mais que pudesse entender
Comunicando o que era perfeitamente sentir.

Não era uma dança nem um ritmo
Não era uma corrida ou algum desafio
Não era nada além de algo sem algo
Toda essa sincronia é uma magia
Sem mundo mágico.

Nenhuma de nós poderá partir
Algo está muito ligado
Sincronizando nossos passos
Mesmo não existindo nenhuma sincronia
Posso entender, ver, sentir e dizer
Quero ir.

Princesa Vermelha


Não sei quem viu quem primeiro
E mesmo sem lhe ver diversas vezes
Procurei por seus olhos, bem colado a mim
Como se o desejo fosse um Deus
Moldando você perfeitamente para mim
Não de acordo com meus desejos
Mas criando uma flor perfeita
Para preencher o que nem imaginava ser vazio.

Uma nobre flor, princesa por natureza
Sendo bem cuidada
Mas não por meu amor.

Onde nasce a paixão?
Talvez seja o único lugar para suportar
Esse corpo prestes a explodir.

Fora da rotina, onde não posso lutar
Distrair meu corpo da sua ausência
A frieza do mundo percorre as longas noites
Onde tenho sonhos, imaginando um mundo perfeito
Sem frieza e dor, nada além do seu perfume, puro e inocente.

Quero lhe amar, não para mim e sim para ti
Reconhecer os pequenos detalhes e sempre diminuir
Essa montanha que nos separa.

Dividido entre o certo e errado
Entre a chance e os fatos
Angustia e a liberdade
Ao seu lado, desse lado, mesmo sem você
Estou descobrindo tantos sentimentos
Tanto daquilo que tinha sido levado
E agora não sei o que fazer
Espero em vão você me dizer
Não com palavras, quem sabe com um fato
Um piscar de olhos, um insulto relutante
Quero descobrir no timbre de sua voz o verdadeiro significado
Quero que perceba em minha voz, em tudo, o quanto quero lhe amar.

Minha flor, vermelha por natureza
Vermelha da cor do meu amor
Vermelha da cor da dor
Minha flor, que faz o mundo melhor
Minha Rosa vermelha, Minha princesa.

Jardins de Edo


Não, tristeza, não se vá.
Não assim, como se não houvesse mais medo ou culpa
Não assim, com o corpo suado
De quem perdera a alma em Edo

Não se vá, tristeza... Chá das três?
Mas não sou inglês e aqui o sol dissolve o espírito
e queima a face.

Sente-se, tristeza. Talvez
seja o único sentimento capaz
De erguer a face. E erguer a face, face a face. E congelar o sangue.

Há espaço à palavra, tristeza? É tristeza a palavra
A katana que desenha corpo, o colo, o copo?

Talvez seja isto, tristeza. O sentimento de si no mundo e de si para o mundo
O silêncio
Que nos corta a carne
O punhal e a pena
Em nossas mãos


Manoel Guedes de Almeida

Dia
Fúria, Café Quente e Trabalho
Tarde
Euforia, Café Quente e Trabalho
Noite
Suavidade, Vinho e Muito Sexo

Bernardo Moraes

terça-feira, 26 de junho de 2012

---


Moça, para aonde mira?

que imagem concentra

toda sua sintonia?

Inerte, flutua.

Obliqua, suspira.

O que tanto avista?

Me convida pro seu lugar oculto,

quem sabe eu veja beleza neste mundo.

 

Suzianne Santos

SAGA AO NOVO MUNDO


 (Ivo Machado - Poeta Português)


INTEGRANTE DA LÍNGUA PORTUGUESA
VOLUPTUOSA É A TUA SAGA LUSITANA
ÓBOLO INCOMENSURÁVEL DE CERTEZA

METICULOSAS LETRAS DESENTRANÇAR
APRESENTAR EM BELÍSSIMOS POEMAS
CONQUANTO, ALMAS NÃO PEQUENAS.
HUMILDADE DO SANGUE PROTUBERAR
ARRULHAR SONORO, IMENSO OCEANO
DONDE NAVEGASTE AO NOVO MUNDO
OUTRO UNIVERSO FEZ DALI SOBERANO


Por ALDERON MARQUES
HOMENAGEM À IVO MACHADO
DIA 26/06/2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cavalo de pau



Para Lorena Lee

"Dois pegas" é o que te sustenta
na estrada imaginária da felicidade,
contramão de sentidos, contramarcha da normatividade,
acende as luzes e dá partida às tuas revoluções.

Não tem grilo nem louvadeus
que apague a tua chama,
teu tecido fino, que inflama
antes da vida dizer "go back".

Na viagem da manufatura,
artesã de mil faces quem dá as cartas,
a um só tempo quiromante e pirofágica,
elabora noites mágicas na natureza selvagem.


Hora do banho


Alma lavada no escondido da floresta,
corpos em seresta no céu de sol e chuva,
serenavam-se à tranquilidade, qual prazer tão confortável,
doses de sentimentos incríveis, pingos de redenção.

Expurgavam-se de qualquer pecado,
cedidos à tentação de praticar delícias,
de inventar carícias no teatro do improviso,
arrancavam-se sorrisos entre lágrimas de amor.

Apenas uma breve pausa, tod@s descansavam,
dispensavam a sombra das palmeiras, para encharcarem
de sonhos e caramelos, confeitos da natureza,
certeza da enxurrada de sensações.

As nuvens trocavam as cores dos panos,
escureciam por fora, aguardavam noites,
desprezavam açoites de vida real,
achavam normal que o teto caísse,
e explodisse as estrelas nos olhos da terra.

Fechadura


Eu queria ser daqueles que morrem de amores,
mas o coração não para.
Debate-se pulso a pulso, inquieto,
vai do mar ao deserto, solitário,
monta o próprio relicário de incertezas.

Eu perdia o chão de um jeito tão feliz e sem dores,
que a emoção resgata.
Mas tranquei a porta aberta, e cadeados
lacram o que já fui, e não quero mais.


Apenas mais um ponto de vista


Lance que momentos contemplaram,
ângulos abertos, horizonte infindo,
revelava-se nos entre atos, nas entrelinhas,
e os olhos tão pequenos, silentes registravam.

Um átimo de tempo em que expandia
os átomos da existência molecular,
eu átono e deslumbrado, copiava
a cena mais que perfeita da minha noite.

Suportes que te sustentam, em simetria,
flexionados em posição geométrica.
Me perco em métricas que nada valem
o mundo descoberto em ponto de vista.


Canção do futuro


E quando tornam as palavras versos
E eles irão te lembrar no futuro
Onde não estarás
Morrerás, mas ficará
A promessa que fizeste enquanto escrevia
Toda a liturgia da verdade e sinceridade

Quantas vozes cantarão sobre ti,
Homem que fala versos eternos?
Sobre hoje, sobre ontem, sobre os ventos
Pois de ti não sobrará o pó de si mesmo
Mas as promessas das palavras rimadas
Brilharão mais que a eternidade

E cessarão todos os montes ao chão
Cairão os céus e a terra
Mesmo assim, cantarão, mesmo sem canção
Tuas canções que fizeste, solitário
De tudo que tiveste sentido com, sem dor
Tuas melodias frenéticas e maduras
Melosas quase todas cheias de amargura

Ficará sobre ti, triste cantor
A lembrança de que foste benfeitor
Que falavas de um tal de amor
Pois lá, no futuro presente
Não se sente, somente em palavras
Se verá que um dia falaste
Falaste sobre o que não causa dor
Mesmo sentindo murmúrio
Mesmo cansado de sofrimento
Cantavas sobre o amor
E esquecias tudo quando alimentava
Esta esperança insaciável
Cheia de vigor, de calor
De amor...

Por isso cantarás, meu filho
Porque quando ainda vivo,
Viveu a verdade,
O amor...

Marcos Paulo

Tarde


Morna
Mansa
Lenta...

Cai a Tarde
Domingo
Meu Dia Começa
Agora!

Limpido
Preparado
Passear
Na Paz
Do Meu Charco
Na Paz do Pântano...
Buenas Tardes!

Javan Fernandes

Vai tristeza
Vai agora
Me deixa só nessa história
Ser bipolar já me devora

Vai tristeza
Me deixa em paz
Ja não suporto mais
Dividir minha única felicidade com você

Vai tristeza
Me escute por favor
Voce ja expulsou meu único amor
Agora é minha vez de não mais te suportar

Vai tristeza
Antes do último verso
Antes que eu vá, antes que o inverso me cubra
E eu vá antes de você .

Myrla Sales

Eu queria tanto que você podesse me notar
A menina boba quue sou
Que banca ser mulher
A mulher perdida em histórias de amor

Sou a menina perdida nas águas
Que se movimentam eu meu copo whiskey
sentindo vários olhares
Sentindo a falta de um...

Como eu queria
Fazer graça para meu rosto
Me sentir a mulher de novo
Em voce me tocar
Eu so queria teu abraço
Teu afago
Teu sorriso em me encobrir
Em êxtase estaria com isso e com você ser feliz .


Myrla Sales

Aquilo que se perde no ar


Cutucadas a parte,
não te quero separado em inbox
pra te levar em qualquer conexão,
nem em uma line entender toda tua vida.

Teclas à velocidade da mente,
mas o que pulsa permanece ilegível,
e por mais que memórias nas nuvens fique,
é no toque que toco minhas sinapses

Nestes dias vis,
posso downlodear tua voz,
scanear tuas mãos,
comprar teu cheiro,
para trazer um pouco
do teu e meu
que se esvaiu no ar

Ou posso arrombar de vez esta janela
e trazer o sólido
de teus abraços e risos exaltados,
em tempos que somente
a felicidade medirá

Então, cá venha se sentar,
sinta no ar o vírus do contato,
tem mais cadeira ao meu lado,
pra gente prosear sossegado.

Suzianne Santos

Rimo teus olhos com boca
tua boca com cheiro
teu cheiro com beijo
teu beijo com vontade
tua vontade e meu desejo
assim escrevo
poesia em dose
maldita
de rima e lira
cruel de saudade
do teu cheiro de nicotina.

Raíssa Cagliari

Ela ainda sente o perfume, era levemente amadeirado, ela sabe que vai ser feliz e mesmo que isso pareça demorar a esperança que se pode ter é de esperar. Se não lutarmos a nossa felicidade vai fugir, e todos querem algo bom pra si. Além de lagrimas e soluços, depois de uma discussão que deixou muitos roxos.

(Juliana Gomes)

Sabia que não seria o ideal pra mim e mesmo assim me arrisco a tê-lo pelo pequenino momento da felicidade... agora acordada vejo a realidade e não mais me atrevo à tê-lo ao meu lado. É simples e complicado, mais necessário deixar se esvaziar pelas minhas mãos feito água e ir embora para nunca mais voltar. Assim é melhor, mesmo que o que pulsa não aceite, o que pensa se satisfaz...

Fernanda Grazi

Sobre um amor desesperado que me deixou saudade


Como te perder, se nem sei esquecer dos seus beijos; Se nem sei controlar meus desejos- que são seus também; Como te esquecer, se não sei se sou de mim ou de você. Como é que vais me perdoar, assim, meio que por ser desatenta, por te assustar no meio da noite, por te pedir abrigo, por te arrancar palavras sem sentido, que já virou mania de te amar.
Como é que vou me acostumar, se escondo teus pelos no cobertor- pra depois te admirar de perto-; Se toda a casa lembra você; Se as músicas que ouço eram escolhidas pro seu prazer. Devo dizer que não há como manter o costume de ter o par, já que o par não se sustenta sozinho; que a solidão é o melhor castigo pra quem não sabe acompanhar; E os dias serão piores, os bons ficarão no pensamento, na esperança de um dia acontecer de novo: os risos fáceis, os abraços inesperados- que sempre terminavam em beijos-; aquilo que eu queria que nunca terminasse, só enquanto durava o queera bom.
Talvez não tenhamos tudo de volta, talvez não tínhamos tudo ao nosso alcance, tudo ao nosso dispor. E tínhamos quase tudo, menos a nós mesmos. Hoje, nos aproximamos cada vez mais, de lados opostos, à mesma direção da solidão.

Rosseane

Todos os sábados ficaram triste
Penso porque nesse dia minha vida nao mas me satsifaz
Penso e renego as teorias restabelecidas
Pela minha contra-sociedade
Seria humilde em aceitar que você teve que ir
Quem vai me chamar de minha linda a acordar
Sempre alegre
Mesmo não vendo o sorriso no rosto
Mas a sinceridade estava lá
Queria que minha lágrimas ao cair
Podessem nesse caixão te cubrir
Nao sou impura
Sou apenas crua
Mas com um sentimento a sentir, na míngua, na chuva, na curva da minha vida, eu sempre hei de pensar em ti...
Três semanas sem você, é demais para fingir que a perdi.

Myrla Sales

Estou aprendendo, estou literalmente me ferrando pra isso, mas estou aprendendo. E sabe o que eu aprendi? Que a vida é essa mesmo, que meus problemas não são, nem serão, maiores que os da maioria das pessoas. Que a minha vida está só no começo, porque recomeço todos os dias, não posso jamais parar e achar que meu mundo ruiu toda vez que eu cair. Aprendi que sou mais forte do que pensava ser, que o frágil cristal do qual eu era feita vem se transformando em puro diamante. Porque eu não quebrei. E não quebrarei. Preciso ainda entender que minha vida deve ser vivida somente por mim, e as demais vidas no me pertencem, portanto não devo vive-las. Ainda caminho para ser cada vez mais autêntica, e mais humana, me importando menos com que está fora do meu controle e aceitar os fardos que me são entregues. Estou aprendendo a silenciar mais, e a gritar também. Aprendo todos os dias a não me omitir perante o mundo, e a pensar em mim, e a confiar em mim, na minha capacidade de vencer. Porque eu sou mis forte, porque eu sei que sou boa o suficiente pra superar tudo, e muito mais.

Nynna Zamboti

Da chuva que toca a pele
Queima.
Lembra, rasga o peito
em um afago
um beijo
intentos de desejo
contra o muro
na rua escura
mãos doidas
O vinho na boca,
perde-se como louca
um doce ébrio ao fazer poesia
entre alguns pés, outras coxas.
Vai chuva, gélida que evapora
ao tocar duas almas escuras
e queimar o coração de ambos.

Raíssa Cagliari

A Saudade de todos os momentos vividos durante aqueles três dias bateu forte no peito. O Medo veio junto. Medo de tudo o que aconteceu de lindo nesses três dias nunca mais acontecer. É um risco que corremos quando amamos e não somos correspondidos na mesma intensidade.

Lucas Pierre Domingos
Coffe and cigarettes - Jim Jarmusch

Só me restou então chorar. E chorei. Sem censura, vergonha ou medo de perguntarem “o que está acontecendo?”. Misturei o café forte com as lágrimas que transbordavam a Dor de um coração repleto de saudades e solidão. Ninguém viu, percebeu ou perguntou.

Eu estou triste. Muito triste. Essa distância que nos aflige tem deixado meu coração aos prantos.

Lucas Pierre Domingos

O grito da noite me atormenta os ouvidos,
E um frio veloz se aproxima de mim.
O mundo dá voltas e assim eu me perco,
Mas o meu destino traz de volta o que mais quero
Que é estar, ficar, contar com você.
Quero ver você sentir, ouvir, falar nos meus ouvidos
Que me ama e que me quer.
Quero sentir a sensação de estar perto de ti
como foi da primeira vez.

Luana Souza

Inspiração de um poeta



Minha amada tem uma beleza
Que o meu coração faz palpitar
Sua voz é um doce canto
Que a minh'alma faz sonhar

Sua pele suave e perfumada...
Um bálsamo é estar ao seu lado
De sua presença poder desfrutar
Dádiva é poder viver e dela me acalentar

Anjo lindo...
Se tu soubesses como me fazes sonhar...
Se tu soubesses...
A força do sentimento que tu fizeste despertar...

Sou poeta..., componho canções...
Tornei-me artista
Pois tu me inspiraste o coração
E agora é difícil fazer calar a própria emoção...

Adália Amorim

Minha querida Bia


Ele a pegava passava os dedos e sentia ela bem hidratada.
Depois ele passava a mão em seu próprio volume e abria…
Já habilidoso, pegava de um jeito natural e bem devagar ia soltando o quanto queria…
Passava a língua, lambia até sentir que estava bom…
Ela estava toda arrumada, ouriçada e sensual.
Ele a leva a boca novamente…
E sobe um fogo derrepente!
O fogo a consumia… ela ficava pouca e aos poucos ia sumindo…
Ele ia se soltando…
Lentamente um sorriso nele se formava enquanto ela o dominava.
Quando chegava ao fim
Ele se sentava… ele sentia que ela era especial…
Menina linda, sensual, com um cheiro característico, alucinante…
Ele arruma a roupa, passa a mão no cabelo e diz baixinho para a lua:
- Não importa por quantas mãos passe sempre será minha querida Bia!

Mariana Duarte

Amada Ana


Amanda andava apressada, sentia ser perseguida
 E com sentido seu medo crescia.
 Agora a certeza tomava conta, corria com a ponta do vestido em conta.
 O coração acelerava e nenhum caminho seguro surgia
 A floresta parecia estar em uma estranha orgia.
 A escuridão a deixava mais nervosa e ela começava a ouvir coisas…
 As forças indo embora…
 O passo desacelerando…
 O fôlego não mais o mesmo, o medo se alastrando…
 Amanda cai num tropeço violento, rasga a barra do vestido e joga os pertences ao vento.
 Sem muitas perspectivas ela clama:
 - Meu Deus cuide de mim e de minha amada Ana.
 O chão treme.
 Amanda se esconde por trás de um grosso caule, respira fundo e caem lágrimas…
 Na escuridão um corpo masculino tomava forma, de um jeito cretino ele sorria balançando uma corda.
 - Teu homem está aqui Amanda, seja um dia digna e volte para nossa cama. Não percebes que não está certo quem tu amas?
 Amanda não tinha mais forças, via apenas uma saída: mostrar seu esconderijo e entregar seu corpo para a violência ainda em vida.
 Quando sua decisão já estava tomada, ouve um gemido.
 Corre para olhar o marido…
 Morto.
 Ela não se mexia e não entendia nada.
 Ela procurou quem era seu salvador, olhou bem fundo e descobriu ser sua amada.
 -Ana!
 Amanda não sabia como agir, pegou o machado das mãos de Ana jogou no rio e a convidou para irem embora dali.
 O corpo do marido no chão foi sendo devorado aos poucos pelos animais na noturna refeição.
 Amanda e Ana, não tinham nada, apenas as duas…
 No pensamento de Amanda ela tinha tudo e no de Ana não precisava de mais nada.
 Seguiram as duas de cabeça erguida recontando a história sem nenhuma ferida.
 Como se fosse uma grande piada.

Por Mariana Duarte

Sou pouca



Sou pouca, pouca por que não tenho nada;
Pouca por que vivi pouco e não me lembro de muito;
Pouca pelo juízo ser pouco e em meu poço nunca há fundo;
Nem caiu no fim do mundo.
Sou muito iludida, com palavras bonitas em tons de poesia;
Pouca prosa, muita agonia e pouca experiência
Veja em meus olhos, sou pura inocência.
Indecência?
Em meus pensamentos…
Prematuros, presumidos, mirabolantes e por que não imundos?
Muita sede, sede de querer saber, ver, sentir;
Sede para andar, experimentar e ouvi;
Louca para amar, beijar e ser feliz.
Mas em meu mundo tão fechado não me permiti ser assim…
Apenas vejo à hora chegar e jamais peço para partir.

Por Mariana Duarte

Além do seu (mau) humor


Estranho é tanta luz emanar de alguém autointitulado “humor negro”.
Mais estranho ainda é poder vê-las de olhos fechados.
Sim, mesmo de olhos bem fechados, eu ainda as vejo!
E aquela escuridão que se pressupõe ao fechar os olhos?
Lugares e pessoas irreconhecíveis, barulhos incompreensíveis e sorrisos inexistentes...?
Deveria ser assim, sempre foi!
Mas não comigo, não com ele.
Ele, justo ele!
Um feixe de luzes rompendo a minha escuridão.


Vaz da Costa

De quando falta um mundo inteiro


Não houve lágrimas, não houve explicações, não houve alarde.
Simplesmente o chão se abriu e o mundo caiu.
Uma queda sem fim, bem dentro de mim, como das lágrimas que teimaram em não sair.
Sumiu debaixo dos meus pés. Meu mundo não se partiu, não quebrou, não fez barulho dentro de mim.
Talvez, ele tenha cansado de ser meu.
Foi isso! Cansou de ser chão, paredes, beijos e apertos.
O meu mundo... Meu mundo não é mais meu.
Cansou. Usou, abusou e sumiu.
Aqui, restou só o vazio, desses de quando falta algo.
De quando falta um mundo inteiro.

Vaz da Costa

Que seja recíproco


Por falta de papel, arranquei uma página de revista só pra te escrever.
A revista é incrível! Foi mesmo um desatino. Mais um.
Sim! Mais um!
Desde que passei a ver luzes e cores não paro de desatinar!
Eu só... só penso!
Penso, relembro e quase revivo cada sensação:
Uma queda. Um beijo. Um desatino.
Outros beijos: maaaaiiissss desatinos!
Carinhos maliciosos e desatinados.
Ligações. De-sa-ti-nos!
E a viagem? Por um motivo qualquer que justificasse -aos outros- a vontade desatinada de te ver. A vontade que eu não consegui explicar nem pra mim.
E foi por isso! Por tudo isso - depois de tantos devaneios, tantos desvarios e pensamentos desatinados - que eu decidi:

Não ligo mais!
Não viajo mais!
Sem declarações!
Sem desejos insanos. Sem descontrole.
Nunca mais lagar tudo, quanto mais desatinar!
Não!
Não e NÃO!

Pelo menos não sozinha.
A partir de agora exigirei que seja RECÍPROCO, além de Amor, todos os desatinos!

Vaz da Costa

O que fazem os ipês


Na folha do ipê,
flutuo acima do cheiro de sangue,
não o sangue tinto e leviano, desarranje
o sangue em partes de calamidade.

O olor dissabor, desmistificador me faz assim,
cogumelo com cheiro de jasmin.
levitar,

Enquanto o pôr-do-sol evapora a tarde
que se invade de noite e de boêmia
trêmulo dia, em gozos e possibilidades

O sol faz tremer,
a linha do horizonte só miragem,
o desespero pesa na bagagem,
milhas a fora para desbravar

Dança do calor,
caleidoscópio não existe mais,
anoitecendo por todos os vitrais
Deus a louvar,

Enquanto o pôr-do-sol evapora a tarde
que se invade de noite e de boêmia
trêmulo dia, em gozos e possibilidades

André Café, A girl with kaleidoscope eyes, Rômulo Vieira e Marcos Foyce

Grave


Grave,
a gravidade,  me nego,
pisa o piso raramente
meus pés tocam o céu e a gota de chuva
muda se enroscando no selvagem
pela milhagem no horizonte turvo,
me curvo e curvado, faço o inverso
terra molhada, os pés na lama, barro, origem
vertigem boa melinificada de conspirações
grave é não perecer ao inominável

André Café


Aquela canção


No playlist, numa surpresa encomendada
aquela música furtiva, aquele anseio marejador
enquanto um videoclipe rouba-me a visão
entre as árvores e paisagens, saltos de imagens em vida
às vezes bom, às vezes boom, às vezes anum de saudade
por pouco mais de 300 segundos, mil vidas e mil sensações
infinitas canções em apenas uma melodia,
o sabor da sinestesia, palpita na língua e no coração
...
fim da canção
frenesi da pele encharcado em nostalgia

André Café