quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Concreto IV


Euforia velho dito
do amor que não desperto
causa mágoa deixa aflito
o sentido desaberto

E sim poeta completo
completado de sibilos
no asilo de verdade
sobram contas de saudades
de um tempo sem resquício

Sou ternura contractada
sou destino tão incerto
és tão fácil caminhada
desaponta a alçada
de amor feito em concreto

André Café

Sou todo, sou aquilo


Ou eu sou todo
ou sou aquilo
no mar tranquilo
de degolações

Sou manto vivo
de saudade
cardume que arde
humano altivo

Ou seu, sou vício
ou sou vontade
amigo, amizade
sou concentricidade
de mundo razão

André Café

28.10.12, Coreto da PII

A vida em animalidades

O vento - Van Gogh

Fez vento
e rolou
choveu
e não morreu
açúcar
dissolveu
tantas diabéticas vontades

No azul se cantou
o sumo se perdeu
em tanta surrealidade
num eco o não lugar
espaçou pro vivenciar
a vida em animalidades

André Café

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Soneto d'Amargura Diabética



Ah, essa doce sensação de solidão que sempre me assola!
O que me consola é saber que meu coração ainda pulsa
Apesar dos pesares, dissabores e temores d'uma repulsa;
Depois de ter sido quebrado, pisado e despedaçado

Me veio a esperança, pássaro que vive empoleirado
Eternamente na alma atormentada de quem ama,
E pensei ter encontrado quem me ajudasse a colar os cacos.
Ledo engano! Logo me dei conta de como fui leviana!

Me deixei levar, mas lembrei da grande doçura que é
Se recuperar, reestruturar, reerguer com os próprios pés.
É que nem esse café sem açúcar que sorvo em silêncio

Porque muitas vezes o amargo tem sabor de mel
Frente ao fel que se sente quando se ama
Sem ser amado pelo ser amado, tornando-se estorvo. 


Hannah Cintra

CIRCULAR Nº 3





O CIRCULAR CONTINUA SEU TRAJETO
A CIRCULAR CONTINUA SEU PROJETO
O PASSAGEIRO EM PÉ OU SENTADO
O FUNCIONÁRIO MUITO APRESSADO
OBRIGADO A CEDO ESTAR DESPERTO

O CIRCULAR CONTINUA SEU CIRCULAR
A CIRCULAR CONTINUA SUA CIRCULAR
TRANSPORTE DIÁRIO, ESPERO PARADA
REPETIÇÃO BUROCRÁTICA CAPITULADA
HAVERÁ NO MUNDO O DESTINO CERTO

VEJO TRISTEZA E ALEGRIA NOS ROSTOS
DESSAS PESSOAS DE LUTA, DISPOSTOS
A CIRCULAR E O CIRCULAR AQUI PERTO
A CIRCULAÇÃO CONTINUA EM ABERTO

ALDERON MARQUES
DIA 29/10/2012

PERIPÉCIA




APESAR DE NÃO ESTAR TE OLHANDO AGORA, EU TE VEJO FREQUENTEMENTE, MESMO QUE SOMENTE EM MINHA MENTE ATRAVÉS DE PENSAMENTOS E SONHOS. AGITA MEUS SENTIMENTOS, RETIRANDO-ME DA INÉRCIA COM UMA RÁPIDA PERIPÉCIA, RETRIBUINDO O BEM QUE TE FIZ... NESSE INSTANTE ESTAMOS RISONHOS E ASSIM VOCÊ/EU FICA FELIZ.

ALDERON MARQUES
DIA 29/10/2012

GOLPE DE ESCADAS





MINHAS PUPILAS ESTÃO DILATADAS, POR ISSO NÃO DÁ PRÁ TE VER MELHOR, À MINHA FRENTE UM GOLPE DE ESCADAS, DESCIDA BEM RÁPIDA, ME ENCONTRO SÓ NESTE CHÃO ARDIDO COBERTO DE PÓ.

LEVANTO ENTÃO E AGORA VEJO DISTORCIDA, VISÃO TREMIDA LANÇADA ÀS LONGÍNQUAS ESTRADAS, SEM SUA PRESENÇA SE TORNA BEM PIOR... ACEDER À SUA VIDA!

POR ALDERON MARQUES
DIA 29/10/12

domingo, 28 de outubro de 2012

[SER POETA]






A GENTE NUM SE AQUIETA
A NATUREZA NÃO PERMITE
O JEITO ENTÃO É SER POETA


ALDERON MARQUES
DIA 28/10/2012

MORFEU




EU NEM DORMI, ACORDEI HÁ POUCO, SÓ SENTI... NÃO TEM JEITO ESSA DOR NO MEU PEITO, A SANIDADE... E NEM FUI EU, NEM MORFEU, ACHO QUE FOI A SAUDADE...

POR ALDERON MARQUES E RAÍSSA CAGLIARI
DIA 28/10/2012

Abraços de uma Alencar.

Loira , louca , boba
Que se joga na poesia
De claros olhos que rouba
Toda atenção, toda magia
E que me encantam
Sinceros tanto
Que não consigo ficar sem fitar
E que sorrindo me fazem
Ter a louca vontade de te abraçar
Sempre ><

Para uma ruiva .



Não se conta o tempo
Não se conta a hora
Só se conta o que se sente
Como o carinho que sinto
Nesse agora
Por ti 
Que conquistado 
Nunca mais será negado
Você já deixou em mim
O seu legado.

sábado, 27 de outubro de 2012

A-LUGAR



VOCÊ FALA DE UM NÃO LUGAR
POIS PREOCUPADO COM AS PESSOAS
EM JUNTÁ-LAS PROCLAMANDO “NÓS”
AO SOM DE SUA ESTRIDENTE VOZ
QUE NO CORETO DA PRAÇA RESSOAS

PORÉM AQUI É MEU ÚNICO LUGAR
POIS CONSIGO FÁCIL ME ENCONTRAR
MUI TRANQUILAMENTE CIRCULAR
MESMO SEM NINGUÉM PERCEBER
PASSEANDO LADEADO A VOCÊ
E NENHUMA ATENÇÃO DESPERTO
MESMO ESTANDO MUITO PERTO
E SEMELHANTE A TI SER

NÃO CONSIGO ENTENDER
QUE LUGAR ABISSAL OCUPA
SEM NENHUM SENTIMENTO DE CULPA
TUA ALMA NADA TRANSPARENTE
TALVEZ NEM SE SINTA DA GENTE
E NÃO ESTEJA EM LUGAR ALGUM
AO MENOS EU, PESSOA COMUM

VOCÊ FALA DE UM NÃO LUGAR
NEM CONSEGUE ENFIM “SACAR”
QUE SE ENCONTRA NUM A-LUGAR

ALDERON MARQUES
DIA 26/10/2012

Não sei por que

    

Não entendo minhas historias
E por que delas eu  fugi
Não sei por que a demora
E por que ainda estou aqui .
Não entendo as derrotas
E nem as minhas indecisões
Não sei por que me ignoras
Eu não conheço  suas paixões .                       
Eu vou desbravando caminhos
Sentindo e fingindo um olhar
Eu vou disfarçando o destino
Sozinha, fugindo pra eu não me encontrar

E esse medo, medo, louco, louco, louco,  medo,  meio medo  louco ,louco medo de sentir e gostar !

Myrla Sales

Sobre certas motivações









Tem dias que pertencemos a tristeza
Nos outrem a alegria
Nestes prefiro ser apenas feliz
Mas pra isso preciso da sua companhia
Do seu bom dia em cada chegada ou despedida
Do seu obrigado como a fonte da minha fantasia
Eu preciso que me deixem viva sabendo o que sei
Me reconhecendo como pessoa, pelo o que sou e no que serei
Quero ser o motivo de outras motivações
Sentir meu sorriso e estampar em outras de pura realização
Te oferecendo um bombom
Ou uma singela flor
Na verdade quero que pintemos juntos esse mundo de dor
Saindo entre cores um verso
Entre minhas lagrimas sumirei com o meu inverso
No resto ficará eu e você sorrindo de felicidade
Do resultado que criei .
Mas antes disso apenas um obrigado !

Myrla Sales ‘

Você






Ah ...
Estou vendo você outra vez !
Dilate essa sua pupila ao me ver .
Eu não sei o que falar quando estiver com você
Eu não sei como reagir quando enfim te ter
a não ser ...
Que você abra essa sua boca nesse incêndio de vida e vem me entorpecer
Abra essa sua boca nesse incêndio de sua vida e me enlouqueça de vez  .

Myrla

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Um não-lugar para chamar de nosso


Um não-lugar para chamar de nosso
entre concretos e iluminação neon
um não lugar pra se mandar um som
são paredes cálidas e mudas
são corações escassos de aflições
um não lugar em lugar algum
um sonho de sinestesia, pelas praças percalçadas sem onipresença
o meu turvo muro, erguido e reforçado
'palafitado' em desesperanças
um não lugar para chamar de nosso
um planeta que respire o nós
ao invés de algoz delírio de individualidade

André Café

Quando o tempo der


Quando o tempo der:
entre flores despedaçando-se;
entre corres que iniciam o dia e terminam a noite
entre o vazio dos ruídos, entre o todo do silêncio
entre voos de inconsciência e pousos forçados de retalização
entre o ser e o então
quanto o tempo dá?
quando o tempo der, não mais será presente

André Café

DOSE DE POESIA




EU NEM SABIA QUE PARA FAZER POESIA DE MIM TÃO POUCO EXIGIRIA! APENAS CERTA DOSE DE ALEGRIA, OUTRA DOSE DE MELANCOLIA E AINDA PITADAS DE IRONIA, AMOR E AO FINAL DO DIA UMA ENCANTADORA MELODIA, SONORA LETRA LHE FARIA (NÃO TEM NADA DE MAGIA), PROMOVENDO ENTRE NÓS A HARMONIA, FABULOSA COMPOSIÇÃO NOMEADA:

POESIA

ALDERON MARQUES
DIA 25/10/12

Sê tu meu querer


Sê tu meu infinito e meu fim
Sê minha liberdade e minha prisão
Sê meus ouvidos quando eu não escutar
Sê minha fé quando eu não mais rezar
Te peço, ó amado, para que sejas
A porta quando eu estiver sem saída
A escolha quando eu estiver perdida
E  o mais importante: seja minha companhia
Quando eu me encontrar sozinha

(Rosseane Ribeiro)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

(Ó)PERA



(Ópera de Viena)

COMO ÉS AIROSO TEU CANTAR
SUAVIDADE AO LONGE, ECOAR
DA ÓPERA, ESGARÇANTE FRUIR
GESTOS, AMOR E DOR ASSUMIR
NUM CANTO OUVIDO, RENHIDO.

SEU PULMÃO, AR COMPRIMIDO
VOZES ECOADAS NA IMENSIDÃO
VOCÊ SUSPENSA E EU NO CHÃO
GRITAS DIZENDO SIM E EU NÃO
UMA HORA PARA ISSO ACABAR

EM UNÍSSONO VEM O SILENCIAR
FINDO TERCEIRO ATO CONCLUIR
EM APLAUSOS TAL ESPETÁCULO
FECHA CORTINA SUSTENTÁCULO
VOLTA CONDIÇÃO: “ESQUECIDO”

ALDERON MARQUES
DIA 24/10/2012

ENUBLADAS PALAVRAS CLARAS




AQUELAS ENUBLADAS PALAVRAS
APESAR DE INTENSA MELANCOLIA
TRAZIAM UM POUCO DE ALEGRIA!

JÁ QUE AO SILÊNCIO ME RECOLHIA
EU RI! HÁ MUITO NEM CONSEGUIA
ENCONTRAR O SENTIDO EXISTENTE

A VIDA NOS ENSINA A SER PRUDENTE
NUNCA VERDADEIRO INDEPENDENTE
PORÉM LÚCIDO FRENTE À REALIDADE

DA MINHA INFÂNCIA, QUE SAUDADE
AGORA ADULTO TENHO CAPACIDADE
PRÁ SUPERAR DOR QUE ME ESCAVAS

PARECEM-ME PALAVRAS BEM CLARAS
D’UMA REPARAÇÃO DAS MAIS RARAS

ALDERON MARQUES
DIA 23/10/2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Estacionamento


Aquele prédio surdo onde não mora o EU
o grito se deu da máquina assassina
sangrando argila e cimento
pelo tormento urbano de passagem
é mais uma miragem barroca
a oca sião do vazio
num pio ou calada da noite
apanha de açoite
vai ao chão
por um pedaço inequívoco de pão
e vício e pausa e morto
o prédio toro e vivido
é só mais um indivíduo
na transformação do centro
há carros de mais pra poesia
há ruas letais em letargias
há vida privada em estacionamento

André Café

Oiti


Olho em ti, oitizeiro
desde a lembrança, és meu presente
num ausente de palavras
lavra de mim marés e nostalgia
uma Frei Serafim de conexão
um segundo de permuta
um silêncio de solução
aí de mim sem teu por vir
entre tantos que passam
entre tantos pássaros
entre santos cáusticos
o olho não tiro de ti, oiti

André Café

O mesmo fim


E toda vez relutante final se anuncia início
o precipício de toda uma odisseia
revelada fracasso nos bastidores
mas com possibilidades de outras leituras
atrizes, autores, temores e gozos
bem mais que um jogo ou método dedutivo
eu, você, todas, todos, libido, um trago, uma canção

André Café

(NÃO) LUGARES




ALGUNS DE NÓS PRESENTES
RISOS SOLTOS ESTRIDENTES
TENTATIVA DE INTEGRAÇÃO
ENTRE PESSOAS DIFERENTES

ENTRA NA RODA, UMA MÃO
MULHER / HOMEM OPINIÃO                               

TODOS ESSES NÃO LUGARES
OCUPADOS? POR NINGUÉM
DOS QUE NÃO TEM VINTÉM
OSTRACISMO! JÁ EXISTENTE
SOBEJA UM VAZIO DOLENTE

O DERREDOR NOS IMPINGE
SOIS ENIGMÁTICA ESFINGE

LEVAR ARTE PARA A PRAÇA
UMIDIFICAR TANTA SALIVA
GRANDIOSO LUGAR ADVIR
AO ÂMAGO DO SER - SAIR
RECITAIS DE AFÃS POESIAS
ENGRANDECE AS ALEGRIAS
SOMOS A IMENSA DÁDIVA!

ALDERON MARQUES
P/ 8º SARAU DA SPPV 
DIA 23/10/12

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Inferno Paradisíaco (Cem Opções)



Tantas oportunidades e opções
Pessoas à minha disposição
Pela primeira vez na minha vida

E eu não sei o que fazer
A quem ou o quê escolher
Se quero alguém
Se não quero ninguém
Se estou realmente bem

Só sei que não vou ficar sem
E com cem opções fica difícil
Apesar de parecer mais fácil

Não suporto, não aguento, me sufoco
Com esse assédio por todos os lados;
Essa cobiça me aproxima do pecado
Que mora ao lado do meu quarto

Ora anjo, ora diabo
A cada passo chego perto da perdição
Do abismo que surgiu e se abriu
Bem no meio do meu peito

Assim como um cego em tiroteio
Surdo em bombardeio,
Eu não sei o que fazer
Pela primeira vez na minha vida.





poesia inspirada no filme "O pecado mora ao lado" (1955).

E coisa e tal


Cigarro fumado
no escuro da praça
sem dose de espanto
ou grito de horror.

O dia parecia um bom lugar pra repousar em si, e só
esperava chamados de quem dirá,
sentia a brisa morna bem de frente,
olhar blasé, mão deitada na areia do canteiro,
dia inteiro, fim de tarde para contemplar.

Fez-se de silêncio na solidão,
foi-se na delícia da imensidão,
- Me leve pra casa, curei-me as dores,
subiu na moto e apenas partiu.


1, 2, 3




SER APENAS UM (1)
PARANOIA DE LUGAR NENHUM
ESTANDO SÓ E MAL ACOMPANHADO
NÃO PARECE ENCONTRAR-SE EM BOM ESTADO.

QUANDO EM DOIS (2)
NÃO DEIXANDO NADA PRÁ DEPOIS
UM NAMORO, POR VEZES NARCÍSICO
APAIXONADO POR SI E SENDO CORRESPONDIDO
O NINFO ECO ENUNCIADO, MAS POR TI NÃO OUVIDO.

FIRMADO NO TRÊS (3)
RECOMEÇA OUTRA VEZ
UM NÓ MAIS ARROJADO
ALGUÉM QUE BATE À PORTA,
SOA ALTA A SIRENE NO TEATRO,
MÃE SENDO INCISIVA COM SEU FILHO INGRATO.

EU BRINCO E CONTO:
VOCÊ ESTÁ PRONTO?
1, 2, 3 E JÁ...

POR ALDERON MARQUES
DIA 22/10/2012

domingo, 21 de outubro de 2012

NEGRA LARANJA




ENCONTRO VIRTUOSO COM A ARTE
À PRODUÇÃO INTENSA SE ENTREGA
POR LENTE AMPLIADA, JÁ ENXERGA
AQUI OU ALI, EM QUALQUER PARTE

UMA ESFUZIANTE NEGRA LARANJA
ARTISTA INSISTENTE DESTE PORVIR
TATUADA E COM PEQUENA FRANJA
INFANTIL RISO, CORAÇÃO A PARTIR

FORA DE TODO PADRÃO, DESTARTE
PERSONALIDADE, VISUAL MANEIRA
DE SER SEMPRE DIGNA, A PRIMEIRA
MACIEZ DE PÊSSEGO E NADA FARTE


POR ALDERON MARQUES
p/ Letícia Meireles
DIA 21/10/2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CORAÇÃO, CORAÇÃO



DE TANTO BATER
FORTE, VIBRANTE
VEIO CIRCULANTE
SENTIR EMOÇÃO
E AMOR VENCER
NOSSO CORAÇÃO
TOQUE DE MÃO...
AGORA AMANTE
NÓS, EU E VOCÊ!

ALDERON MARQUES
DIA 19/10/2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ainda vive em mim



O silencio tomou-me neste momento como notas tristes de uma canção.
“você já se pegou olhando pro vazio com os olhos cheios de lágrimas?”
O que sinto nem lágrimas conseguem dizer.
Penso em você...
Onde você estará agora?
Será que pensas em mim quando o silêncio invade o quarto de madrugada?
Assim como fico imaginando você?
Aquele teu sorriso
Aquele teu abraço e foi tão forte que nem parecia um sonho
A tua mão que me acaricia o rosto enquanto me paralisas com aquele olhar
Não sei, apenas queria que estivesse pensando em mim agora.
Queria que soubesse que sinto a sua falta a todo tempo, e essa falta constante só aumenta.



Hévllen Motta

Ritmada emoção



não...
não me me vou ainda.
é o sol que se foi...
a lua logo virá.
eu, cá posso ficar...
quando logo cedo acordar
algo novo me vai chegar
não...
a culpa não foi do lugar
o que teve de acontecer
se foi...
é apenas o ritmo da vida passando por nós
cada nuance ritmado se encaixa no momento determinado

e sim... eu sou a mesma...
mas o ritmo muda de acordo com a estação
a música certa ainda há de embalar o coração...



Não sei se peco por tanto querer
Ou se erro ainda mais por nao me envolver
Queria contar certos segredos para meu eu
Nao consigo !
Nem mesmo nos meus sonhos 

Eu nao paro de fraquejar
Nem mesmo quando estou em prantos
Tenho lagrimas para me sustentar.
Quando era criança era uma fortaleza inquebravel ,
Destemivel com tudo
Tinha tino pra voar
Roubava os rascunhos de outros sonhos
E fixava todos em meus murais.
Era uma criança vivendo em um mundo imortal,
Hoje enferma do coração sem ter o que preciso pra melhorar
Clamo a mão pura
Da minha mãe para que levemente possa me tocar.
Ja que o mundo é cruel
E nos teus braços os seus abraços eu não consigo encontrar
Grito por ela, para que venha o quanto antes.
E com o dedo na boca,feito menina boba
Deitarei naquele desejado colo ,o único que consigo descansar.
O único que não me faz sangrar.

(Re)modelagens femininas




Entre modelagens à parte,
Umas seguem as orientações em seu rótulo,
imersas nas paredes de sua caixa,
remodelando seus gostos
conforme o consumo posto

Outras se reconstroem diante do que lhe foi imposto,
Definem seu gosto, corpo e rosto
E seguem abrindo janelas,
Brechas de desvio
de sua fôrma fabril fordista

Pórem, esta diferença gera desgosto,
principalmente ao bolso,
restando à sociedade
reforçar seus parafusos,
mostrando que o melhor caminho
é seguir o mesmo curso

Mas quem sente ares diferentes,
Não cabe mais a mesma fôrma.

Por mais que apertem seu juízo,
Sua engrenagem já faz outros giros,
E veem novos caminhos de moldes
contra sua produção em massa,
percursos de um movimento contínuo
de afrouxamento da máquina social
até que possam sair de suas caixas,
até que objetos se tornem sujeitos,
com próprios moldes, gostos e eixos.

Suzianne Santos