sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A ânsia de um coração






Tenho que parar de pensar em você
Mesmo que o meu olhar procure os teus
Fora dos meus, pra poder te ver sem ser em pensamentos.
Preciso parar de procurar suas palavras rondando meus ouvidos
Mesmo que seja metaforicamente devaneio
Preciso me converter a minha mente que não as tenho a não ser em algumas distantes linhas.
Eu preciso parar de sentir seu cheiro misturado a partícula de ar que respiro.
Queria parar de te sentir como uma sensação que perde os sentidos apenas por te idealizar.
Preciso parar de imaginar, respirar, ouvir , sentir seus olhos nos meus.
Eu preciso
Mas não estou em mim
Não me contento mais. Não, não
Definitivamente ,irrevogavelmente não !

Porque há dias meus sonhos entrelaçam-lhe a carne
porque os olhos seus habitam em mim
no vale da noite
imiscuído à soturna luz da lua
porque não encontro outra forma de estender-me a ti
senão pelo ekstasis da poética de tuas palavras
[porque me queria assassinando o tempo de espera
este vão que me aparta da tua imaginação
e que lhe encerra por reciprocidade em elucubração

Porque esta hora tento buscar os caminhos
pra recompor teus fios, Ariadne que é
imprimindo atenção aos teus cantos
(e propositalmente perder-me em teu labirinto
sem embaraço algum)

Não quero mais versar apenas em verso
se do teu poema a carne habita o tempo
da crônica
e no agora demanda outro poema
a ser escrito não mais em palavras
mas no dorso, nas dobras das pernas e coxas,
deliberadamente às tuas costas
ao pé do ouvido
sem temor nem receio.

Mas apreender tuas palavras
e lhe compreender além destas
e da não-poética do mero imaginado
poetizarmos num espaço
teu ventre, mente, palavras,
boca, olhos, mãos
os mistérios em teus tornozelos
as duas essências do teu ser

Tempo a dentro
porque é hora de dizer
que sim, irrevogavelmente sim
teu pensamento chega até mim
e não, definitivamente
não haverá perdão se deixar de me "atrapalhar"
porque sendo inverso do teu escrito
o teu dito é comutação

Porque a esta altura a boca tua exclama pela presença
e cá olho um instante para a lua
imprimindo nela a gravidade do teu olhar
que a mim abarca

Porque desnuda
lua traz-lhe aqui
e o fosso entre a contemplação
do teu riso e gosto
me parece trilha expressa

Porque não mais precisamos de palavras
Desculpa não poder lhe desculpar
Preciso, mas não quero.
Pois que culpa haverá
naquela que de outra forma
intenta o mesmo que eu?

[por em ti versar, penso eu, que não lhe desculpo
não devorar as entrelinhas].

Elenca minhas sensações com as suas
Revela meus devaneios na tua realidade.
Entenda além do mais e do menos
Que meu intento pretende te ver
Agora o mais breve que um vão possa conhecer
Me livre dessa vontade que me aperta, sufoca ao te imaginar
Me livra, me olhe e sinta o que tenho para te ofertar.


Myrla Sales & Eduardo de Andrade Machado

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