segunda-feira, 31 de julho de 2017

terça-feira, 25 de julho de 2017

Os primeiros minutos do dia em desemprego

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Me bate um desespero nato,
que não enche prato que já está vazio
depois da noite arrepio,
amanheço ausente, tez que não se sente

É tempo quente, frio d'alma,
que nunca acalma, o torpor esguio
é sobre não dormir a fio,
nesse desatino de dor permanente

E como passatempo o dia,
nessa letargia vinda do mercado
a gente olha para o lado
e não vê o caldo de toda riqueza

Mas onde está essa beleza
e prosperidade, nem deixou recado
nem mesmo aquele bem bolado
é o dissabor de tanta tristeza

Capitalismo yes, usando seus pés,
pra matar a fome
e mata, todos os famintos,
em qualquer recinto de legalidade

Esmaga de uma vez, eu, todos vocês,
nome e sobrenome
conforme o bandolim, vem lá do mainstream,
o fim da humanidade

André Café

Ao sabor do que é preciso

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Era por mais uma vez viajante,
corsário de seu tempo e vida,
passageiro sereno em um mar de caos

Na busca acesa e incensante,
por um cais de porto seguro,
que seja além e também o futuro

Por ondas de malefícios,
sal roendo as entranhas,
predadores ao sabor da espreita

Passam sóis e ré menores,
no balanço às vezes sem destino,
flutua a caravela em fantasia

Onde está meu porto
para que sul ruma o norte?
para onde não se depende de sorte

Meu cais tem tesouros
calmaria talvez, e quiçá
instância de um vida simples

Mas dele me afasto
o barco não pede suplício
há uma luz mais longe?

Um farol que ora perto ora invisível
envia sinais fugaz, silenciosos
mas seu reflexo ativa
meu olhar,
meu peito,
minha luz

Não há garantias de tesouros,
não é um cais de calmaria
há caminhos tortuosos,
a suor, lágrima e medo,
medo do desconhecido,
mas muito mais do que não pode ser

Ruma barco,
cortando as águas feito navalha,
reparte o sangue tinto vinho
na delicia de chegar

No cais não há garantias de felicidades
mas é no teu cais que preciso
por todas histórias, me aportar

André Café

domingo, 9 de julho de 2017

ENSINAMENTOS




Eu olhei para ela, e já sabia.
Sabia desde o primeiro momento,
Não precisava ninguém me dizer.
Suas mentiras não adiantariam,
Porque eu sabia desde o começo
Eu sempre soube.
Não me venha com ladainha, com essa de
Sou homem pra casar
Estou sabendo de tudo
Ou quase tudo
Porque sou dessas que sentem
Até a garganta
E vou esculpindo estranhos modos de sentir
Aperfeiçoando meu estrangulamento
Enquanto meu rosto toma a forma da inadiável certeza
Porque eu sei, eu sinto, eu sempre soube
Não adiantava essa cara de
Tenho palavra
Tem palavra mas tem pau
Tem pau e eu ressentimento
Porque fui ensinada a sentir e a amarrar a saia
Cruzar as pernas, feito moça de família.
Porque as outras são paridas do vento,
Eu não. Tenho a modéstia de setnri até a indecência.
Eu sempre soube
E agora pouco estou ligando para ensinamentos.


VANESSA TEODORO TRAJANO