Ando atordoadamente bêbado
trôpego de obviedades
desmascarado dos sigilos
acimentei minha retina
no lugar da janela da alma, só pedra
das belezas, o caule frígido
da vida, nem ela, nem ele
movo-me tectonicamente
disfarçado, aprendi a ser camaleão
bocejo um sono mumificado
enrolado por um desejo petrificante
romper-se sem ferir a alma
piscar flertando na cegueira
desnudar a carne mais que crua
que goza o mais sublime gozo.
Lourival de Carvalho
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