O tempo não passava, nem o tormento
A noite penetrava os horários
e o dia despertava sem descansar
Nem fazia mais frio, nem barulho algum
Havia um silêncio murcho e inquieto
respirava-se na sintonia da rotação do planeta
mas era dia, e de dia não se dorme
Proibia-se o movimento
Num estanque, num soluço e nalgum lugar
o peito suspirava pássaros
e sobrevoavam penas por todos os cantos
O sorriso era aberto mesmo sendo noite
E era costurado com fiapos de penas
de sonhos, de dores, de agonias
para além do grito, para depois do alívio
havia algo estático como um suspiro.
Lourival de Carvalho
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