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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Os olhos do autor


Apreciar a obra prima
 Sentir a sua arte, saboreá-la
 Depois de contemplar os olhos do autor
 Não decifrá-la, não questioná-la
 Sofrer, chorar, amar, gritar
 Depois de contemplar os olhos do autor
 Será possível?
 Não desabar, manter o equilíbrio
 Depois de contemplar os olhos do autor
 Degustar as palavras declamadas
 Sentir o gosto escorrendo na garganta
 Depois de contemplar os olhos do autor
 Contando-me todas as mentiras
 Ao pronunciar somente verdades
 Depois de contemplar os olhos do autor
 Eis o maior desafio
 Os olhos do autor

 Amanda Vaz

Se não for viagem não vale a pena


A pé, de carro, caminhão, ônibus ou avião
 Seja a carona na calda de um cometa
 Na velocidade do pensamento
 Seja um livro
 Uma pessoa
 Um amor
 Uma amizade
 Um pensamento, uma ideia
 Sexo
 ou Goiaba
 Seja viajar no azul, na praia de Boa Viagem
Se não for viagem não vale a pena!!!

Amanda Vaz

A gente se apaixona pelo oceano
 Sem medir as consequências
 Nos esquecemos que
 Todos os rios deságuam lá
 Mas é que essa história de ser lago
 Simplesmente não dá pra encarar
Eu às vezes sinto que estou desbotando, mas se eu virar parede branca, poderei servir de tela, para o florescimento de novas artes!
O problema com o vício
 É que as pequenas doses
 Que antes te satisfaziam
 Passam a não satisfazer mais
 A vontade aumenta
 O desejo te consome
 Até que você por fim resolve
 Ir morar junto!

 Amanda Vaz

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Conectados


Todos os limites são frágeis
 Todas as linhas são tênues demais
 Para distinguir o meu corpo do teu
 As mãos unidas e espalmadas
 Entrelaçam bem mais que dedos
 Anseios e planos estão misturados
 Neste emaranhado de corpos e cabelos
 Os olhares trocados
 Agora enxergam a alma
 Os sorrisos aquecem os desejos
 Planos são mesclados ao sabor dos prazeres
 Um balé de braços, abraços e cavalgadas
 Regido pelo ritmo ofegante de nossas respirações
 Sonhos orquestrados pela insaciável tentação
 A vontade de te consumir
 Guardá-lo em mim, até que em fim
 Eu já não possa resistir
 E tenhamos que admitir
 Atrelar minha existência a ti
 Uma mistura homogênea e indecifrável
 Eu não consigo relutar
 Já não é possível separar você de mim

Amanda Vaz

Perdão


Perdoe-me
 Mil desculpas
 Não pude evitar
 Tentei resistir
 Eu quis relutar
 Não consegui
 Lutar foi impossível
 Tive que admitir
 Eu já não consigo
 Negar isso assim
 Eu sei que é obvio
 Mas nem sempre
 Foi assim
 Esconder foi preciso
 Ocultar, calar, encobrir
 Não posso mais
 Dissimular
 Cansei de encobertar
 Tive que gritar
 Acabou por extravasar
 Hora ou outra
 Iria se revelar
 O meu segrego
 Eu quero e preciso
 Ter você só pra mim

 Amanda Vaz

Teus lábios


Todos os limites são frágeis
 Todas as barreiras sutis detalhes
 Para separar a minha pele dos teus lábios
 Linhas simetricamente esculpidas
 Exuberância e serenidade personificadas em beleza
 Força e delicadeza na precisão de um traçado
 Esculpidos para despertar o desejo
 Para violar a carne
 Sem que esta ofereça mera resistência
 Jamais outros lábios foram desenhados dessa forma
 Fazendo emergir a libido mais adormecida
 Completamente entregue aos seus encantos
 A Harmoniosa perfeição dos teus lábios
 Envolvida pela sensualidade abrasadora do teu sorriso
 O catalisador que traz a tona um calor incendiário
 Um sorriso capaz de iluminar tão intimamente
 A ponto de tornar submissa e prisioneira a alma
 Quero sentir o meu gosto marcado em tua boca
 Servir de degustação para os teus caprichos
 Jamais cobicei tão intensamente
 Ter o néctar do meu corpo absorvido
 E só por uma vez ao menos
 Morrer por cinco segundos
 Após o ato final de amor
 Em teus lábios

Amanda Vaz

Ícaro


Há algo que me atormenta
 Um conflito arde em mim
 Cobiçou tão densamente violar a liberdade
 Que ousara deixar o panteão dos deuses?
 Vieste degustar os prazeres dos mortais
 Entregue nos braços da invenção
 Tua capacidade criativa é seduzida pela jovialidade
 Acaso não sabes que a cera pode derreter?
 Saltaste para um voo mortal
 Tua beleza é de tal afronta para o sol
 Que sentindo-se ofuscado
 Ele o tragaria para si
 Ou talvez tenha despertado
 A paixão abrasadora e fatal das ondas do mar
 Tão irresistível és Ícaro, que
 Nem mesmo o mar contentara-se em contemplar-te
 A contemplação não seria uma opção tolerável
 Consumir a tua carne seria o desejo mais palpável

Amanda Vaz

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tua voz


Para prender minha atenção
 As palavras
 Nada me seduz mais
 Que as palavras
 A chave para o meu desejo
 Apenas as palavras
 Cada vírgula será apreciada
Para despertar minha libido
 O intelecto
 A porta para os meus delírios
 Apenas o intelecto
 Jamais tive os meus desejos cativados
 Se não, pelo intelecto
 Eis o caminho para desvendar meus segredos
Para veicular teus pensamentos
 A voz
 Nada transmite melhor um discurso
 Que a voz
 Abalando as minhas estruturas
 A tua voz
 A mesma frequência das minhas veias e artérias
Todas as vezes que eu preciso fugir
 Do caos desenfreado
 Da minha rotina agitada
 Somente a tua voz é capaz
 De me oferecer abrigo
 A sua voz é o meu refugio
 O seu timbre me acalma
 O seu tom é a melodia perfeita
 Faz vibrar a minha alma

 Amanda Vaz

Tentativas em vão


Ohh, meu amor
 Queira perdoar-me
 Eu juro que tentei
 Me encantar por outras faces
 Joguei minha garrafa ao mar
 Dentro uma carta desendereçada
 Gritei os meus versos
 Proferi o meu discurso
 E declamei os meus delirios
 E eis que ouviram o meu chamado
 Atenderam as minhas suplicas
 E fui acolhida, mas não eenvolvida
 Belezas exuberantes contemplei
 Musicos inigualaveis
 Poetas insuperaveis
 Hippies leves, como folhas ao vvento
 E magníficas amizades
 Físicos, astronomos e matemáticos
 Compartilhei ideias
 Me conectei a outros pensamentos
 Deixei-me contagiar por um intelecto
 Na esperança de apaixonar-me
 Dividir esse fado que há muito
 Joguei em teus braços
 Triste ilusão
 Tentativas em vão
 Vi definhar os meus devaneios
 Não consegui convencer-me
 Por melhor que fossem
 Os meus ricos argumentos
 Todos eles meu amor
 Eram apenas fragmentos de ti
 Entregue as duvidas
 E completamente dividida
 Entre saborear o amor inteiro
 De um ser que não é a metade
 Ou abocanhar as migalhas
 Do teu universo ilimitado
 Novamente aqui estou
 E todas as vezes que eu jurei
 Não acreditar
 Foi apenas para ficar
 Todas as vezes que declarei
 Não quero sonhar
 Foi apenas para suportar
 Quando eu disse não posso
 Vou ter que te cortar
 Foi para que pudesse entender
 Que eu tentei, me esforcei
 Fiz de tudo, mas cansei
 Eu até consigo raciocinar
 Mas já não é possivel negar
 O meu amor é somente você

 Amanda Vaz

Novo vício


Desejo novos vícios
 Novas obsessões
 Perder o fôlego e os sentidos
 Estar entorpecida
 Fugir a realidade
 Experimentar a embriaguez
 Consumir e degustar cada dose
 Beber o conteúdo inteiro
 Ficar dependente
 Me entregar
 Antes que eu já não consiga
 Curar-me de você!

 Amanda Vaz