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terça-feira, 17 de julho de 2012

Mapas



São muitos milhares menos
Você cada vez que olho
a rua.

O calor da tarde
Explode fagulhas de
Azul pálido: então
Eu ardo àquela hora
Em que um lapso com nomes
Me põe em queda livre.

Cada vez mais
banhos quentes sendo
teus abraços que não tive.

Roupas sujas do teu cheiro
ancoram nos cabides
como efemérides;
é só há sua doce
aragem no quarto
vazio.

É noite, céu negro
De piche - lua nova e as
Estrelas todas sumidas
Nos teus olhos de azeviche;
Sua ausência é escura
E opressiva.

Às cegas em corda-bamba
Traçando um meridiano
Sobre escolhas más
simultâneas:
Dos acúmulos sem ganhos,
Há a perda de nós mesmos.

(Lara Matos)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Poesia Dadísta - Duas Mãos


Depois do fim, viu desabar o sonho;
feito quimera, quisera continuar
na sensação efêmera de um pulsar constante
mas que Lua é essa?
Meio cheia de vida, crescente mingua - minguante, de Lua nova que lhe guia
E o ciclo recomeça, explodindo a volúpia pelos poros, sobe na montanha russa

Um rito no sopro espumado de dignidades dilacerantes,
cante, como se não houvesse o próximo segundo, imundo, estático, infinito num momento
e se diz inescrutável, translúcido é - tudo finge em cor

Tempo , tempo, tempo ...

Irremediável e implacável
Mas tudo vai ao vento
E não lamento, quanto ao tempo
"aqui dentro elemento, desconcerto"
pretexto para uma nova poesia

Sol, Lua, produção toda crua
dilacerada na união, no encontro
marcado porém, super incerto
estamos despertos, noite, quase dormindo
de leve indo
na mesma direção

Mayara Valença, Lara Cardoso, Ana Nogueira, Rosseane, Cleisson Vieira,
Victor Barbosa, Alderon Marques, Malcon Barbosa, Milla Ventura,
Junayra Melo, Laelia Carvalhedo, giva23, Diego Samuel, André Café, Eric Araújo

Natimorto



As linhas são as mesmas, as interpretações não conseguem ser. Datas são números, nada significam, eu repito. Resta saber por que existe meu cinismo insistindo que elas não são nada além de números. Aniversários são algarismos superestimados. Acho muito incômodo este hábito de querer impor uma razão a tudo; a verdade é que me intimido pelo que é provável, ou mesmo óbvio. As conexões evidentes nas lições que nunca se aprendem. Motivos não precisam de bons sentimentos.

Talvez seja sempre nessa época porque é quase-dezembro e há o feitiço dos verões quentes e das tardes ociosas passadas ao sol que tudo exige e seca, sem nada retribuir. Apenas minha sede de flores e suas cobranças lamuriosas. Preciso parar de dar ouvidos e aprender a viver no deserto. Quarenta dias, quarenta anos. Mas também não se sabe se é pior o lago escuro profundo em que se perde o fôlego ou a areia movediça desértica afundando ao menor movimento. Em ambos, debater-se é inútil. Cair e ser tragada é inevitável.

Minha relutância em admitir que algumas coisas se repetem como símbolos e eles se lançando à minha frente a todo instante, se engalfinhando com a minha teimosa negação: não pode ser, não acredito. Despojada de todo misticismo, há apenas silêncio quando percebo que todas as paixões sobre este signo de luas minguantes são natimortas. Resta embalar o pequeno corpo até que descanse e suba aos céus das minhas lembranças purificadas pelo esquecimento.

Do meu blog pessoal, o Realismo Fantástico (http://desencantamentos.blogspot.com/).

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



O fim desse mundo todo dia.
Todo dia esse mundo caindo de assalto; todo dia este fim
meu fim será todo esse mundo
pra mim.

Lara Matos

segunda-feira, 17 de outubro de 2011



Dentes-de-leão seriam
flocos de nuvem?

Anjinhos batem
a poeira das asas
que ganha os ares.

Mais abaixo ela vira
a neve dos trópicos,
quente e macia.

Também gostaria
de nunca chegar ao chão
Sempre com a brisa
tendo-me em suas mãos

(Lara Cardoso)

Mais poesias de Lara Cardoso : http://caixadeabelhas.blogspot.com