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domingo, 13 de maio de 2012

Poderia viver sem experimentar, mas aí meu pai me deu um disco da Billie Holiday

Tateando ira com gozo

alfinetando epifanias
madrugadas adentro,
sem nenhum cuidado
e com os olhos ardendo
queimando ácidos,
línguas e atrasos
jurando injúrias
e infiéis lamúrias

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Arda!
Exploda!
O corpo com ira
acabe... 
como ondas suspensas de um corpo que respira...
arde!
Acorda o dia febril
e sinta o cheiro da carne que queima...


Entenda!
a dor que trazes segundo após segundo
que extenua as nuances de ser
complicado
peculiar


Beba!
tome mais uma "shot" de benzo
tome mais uma dose de Jack Daniels
e alimenta tua violência...
e assim propicia a tua essência
uma digna vontade de ver
o que lhe proporcionam.


Seja!
entorpeça o querer de ser
exploda a ira ao abraçar o mundo
ao esconder-se dele
ao trazer pra si todos os prazeres
ao trabalhar e ser trabalho
cuidar e ser cuidado


na importância de ser algo
ou alguém.


E que doa, e que mate, e que queime... 
Quero só ouvir mais um disco da  Holiday. 

Raíssa Cagliari; 13/05

Que inferno.



Entre o delírio e o grito, mais um copo de cerveja.
Um brinde!
Ai meu peito.



Precisa-se sobreviver por mais uma noite
e sobreviver é quase morte,
então para isso existem as doses
estas,  violentas de qualquer coisa
largados em plena sorte
de qualquer bar,
de qualquer casa
em qualquer lugar. 
Sobreviver no meio da rua com o corpo ardendo
febril, 
transcendendo a carne, 
cortando em pedaços o corpo, 
fazendo de si um poço 
de álcool e gritos 
enquanto a sobriedade de uns mutilam
e as dores que se mutiplicam
nessa juventude sem vida, sem fim. 
doendo, mutilando, explodindo
dentro de mim, 
acabando por torpor
de um abraço inesperado.


Raíssa Cagliari

sábado, 12 de maio de 2012

Bicho-Homem



O bicho que não é bicho,
mas não é homem.
E pelo visto é o nada.
O Homem-bicho, o bicho-homem.
bípede que abocanha lixo,
insípido, ilícito, maldito.
o bípede vira-lata.
o bípede sem nome.
bicho sem eira,
bicho sem beira
bicho sem nome.
Bicho-homem, bicho-homem.
bicho paulistano,
bicho paraíbano.
bicho sofrido,
vivo e sepultado,
vivo e esquecido.
O bicho-homem sobrevivente,
o bicho-homem que não caça.
o bicho que não mata.
seu instinto primitivo?
Ai, bicho mendigo.
À toa, avulso.
esquecido por uns,
esquecido por outros,
Esse homem-bicho,
às vezes sem culpa.
bicho turvo,
Caçado na noite escura
o bicho-homem é perdido,
o bicho-homem que passa fome,
o bicho-homem que não é bicho,
mas quem olha, o vê e não é homem.
Não-bicho… Não homem.
Homem-bicho, bicho-homem.
Não é bicho,
Não é lixo.
Passa fome…
Mas ainda é homem. 

Raíssa Cagliari em alguma data improvável de Março de 2012.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Em sol sustenido diminuto



Convicção,
O acorde harmonioso das intempestivas barbáries
em simétrica guarnecida pela sonata allegro corrosão
o eletrodo liquefeito em caudalosa paixão

Convicção de vida,
se em nanoesfera reside o mais puro arpejo
com fragor resoluto controverso
o verso se finge de calma

Convicção post mortem,
leiva no café da manhã
resquícios de pompa perdidos nos grãos
tão natural, tão húmus, tão humano

Duque de Copas no caminho de Epizêuxis Semântica











Abs trata Obs



Abstrata,
Canção de primazia soturna,
a sorte de esquecer a real identidade no receptáculo simulacro
enquanto o divã aguarda em tese e teoria
valhacouto inverso para quem versa mentiras

Abstrata vida de sonhos prismáticos
angulada obtusamente para quem precisa de corrida de cavalos
o liame apenas converge para o sumo prazer descartável
vida pó, que inspira pó, sorria pó, inspira pó

Duque de Copas no caminho da Epizêuxis Semântica


domingo, 6 de maio de 2012

Muito love em Zion


O mundo, desde que se criou pelos místícos, foi capaz de transcender toda sua essência para aqueles tais habitantes do mundo, esses, ditos estes, que amamentaram e sugaram da mãe-terra toda com ânsia, com fome, com predadorismo. 

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Corpos volúteis de estranhas sensações,
vibrações contínuas de energia explosiva,
as mãos laçadas com o palpitar do tempo...
tic tac over mind 
das peles sensíveis como a flor
de pétalas abertas e construidas, 
preocupando-se apenas em ser
essa mistura de cores e cantos.
É rasgo de bocas, não vês?
Pois o sol que te veste o corpo
seca a sede dos nossos desejos
queima a carne em um lampejo
veste uma leve paixão com beijo


Num refurtado trocar de olhos, 
estes mesmos que te desnuda
fazem trêmulas, as ancas cruas 
que se mesclam em si
e miscigenam nossas idéias nuas.









Raíssa Ginsberg, aliás, Cagliari: 06/05


Podem me chamar de Ginsberg. Ray Ginsberg.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Impunemente



Quem te fez de fel
criatura de malícia,
não teve dó de mim!

Quem te construiu de olhares oblíquos,
de sorriso infantil e mesquinho,
de perniciosas idéias
foi cruel.
Tenhas dó de mim, pois te sou fiel! 

Mãos como as tuas
foram feitos de lascívia,
e ninguém recebe uma boca como a tua
tão impunemente
Tens dó de mim, diabo!

Ilusão confusa da carne
me procuro no teu cheiro,
ao te despir por inteiro
ao ganhar teu beijo
me prendo
nessa malícia do teu jeito.









Raíssa Cagliari 


domingo, 29 de abril de 2012

Band à part


Quem disse que amor é único, exclusivo de um solitário apenas?

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Amor em três partes,
dividido, fracionado
destes violentos, déspotas, arrebatadores,
Uma paixão lancinante em arte,
dando voltas do mundo em tripas
envolto em amor em farpas
fragmentos em breve gozo
sem promessa ou oceanos
orientes em terras áridas 
o mistério rodopia
sem sentido
sorrindo
brincando
felizes
irreverentes
ardentes
amando-se 
sem paciência
tornando-se suave
tornando-se esperança
em forma de harmonia 
vagando no cântico das almas perdidas
penetrando fundo as brechas proibidas
e todas as juras sem fim de um adeus precoce.




Raíssa Cagliari; 29/04


Ps. Véi, qual é o meu problema?

Poesia sobre a vida


Com carinho e vinho 
à Amedeo Modigliani


Cantarei alegremente
à embriaguez e destino
sumirei em vertentes
em ruas de terra e transe
São joão escandente e abóbora
no arame farpado, o orvalho.

A luz da cidade, o trilho do trem
tomarei sem saber o caminho
com os dentes cheios de fuligem e vento
o rosto, o gavião mergulha
em meu poema.

Como turbilhão de palavras
as verdades hipnotizam os sentidos
e a insensatez não me permite
desistir jamais
de ir a um lugar desconhecido
cujo sabor guardo na boca
como fruto proibido que se repete
mas jamais me basta.


O que a fruição de uma obra de arte proporciona
é um perder-se 
de si mesmo.




Raíssa Cagliari; 29/04

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Doxomania

Do.xo.ma.ni-a; s.f. Paixão de adquirir, de cobrir-se de glória.



Não basta ser o último oprimido,
o último poeta,
o que vive e intercala as palavras
(doxomaníaca de ser)
em ações e demências... 
Não basta ser o detentor de trovas,
o verossímil,
o inatingível
não adianta as palavras mudas saírem de tua boca,
não importa quão limpo sejam teus dentes,
afinal, essa gente crente 
só vão acreditar no teu suicídio. 
(ou em seu prólogo)





Raíssa Cagliari; 26/04

sábado, 21 de abril de 2012

Eu também não sei não.



Devora-te a ti mesmo 

e que o gosto insípido do conhecido 

se transforme na duração dos acontecimentos.















Às vezes é preciso sair
sem olhar para trás
(Se olharmos, viramos estátuas de sal...)
Às vezes é preciso caminhar
e ter a confiança cega de que orfeu está nos seguindo
(Se nos virarmos para checar, o perderemos para sempre...)
Às vezes (ou sempre)
é preciso compreender
que um espaço vazio está repleto
de todas as possibilidades em potência
(Basta estar aberto para presentificá-las)
Às vezes é preciso entender
que nós somos memória
mas o que é mais interessante
não é o que nós somos
mas sim o que não somos
mas sim o que podemos inventar...
Não mais conhece-te a ti mesmo
mas sim destrói-te a ti mesmo,
para inventar-se a si mesmo
de novo
de novo
e de novo
para sempre
AGORA.






Ps: Tá Zion, eu entendi. Só não essa arma e esse desenho ae!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Uma pequena (ho)menàge para as carnes fervorosas da vida




Olhos que se encontraram,
mãos que escaparam,
e nas bocas desdenhosas encostadas,
um desejo acontecia,
embriagando-se de prazer constante.
em plena luz do dia

Um tear de abraços,
um ato compartilhado em terço,
um jogar de corpos caçados,
cansados, devastados,
devorados

Um fervor entorpecente
de encontros e inconsequência
a vontade da experiência,
o sabor da tripla cena.

E entre estes dissabores,
à três torna-se os amores,
dos amantes amargurados
trocados e empilhados
dos corpos emudecidos em gritos e respingos

E destes,
compartilhando das carnes trêmulas,
como um impulsor do ápice
das vozes mescladas
as carnes se voltam queimadas e ardidas,

Os corpos sem dono,
permissivos, libertinos
libertários e enlouquecidos
de temor, tremor, horror
e louvor.




Se eu fosse vocês, leria isso ouvindo essa música ae.






Raíssa Cagliari; 19/04 - Deixa (ou não) ficar sub-entendido.


Dá-lhe Geni, Zeppelin e Capitão.