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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Natal Assuntado
*****
Assuntar comporta mergulhar no amor do outro, sem se deixar contagiar de sua manifestação particular dele;
É sentir como o outro sente o amor que é seu, por aquilo que lhe faz amar;
É reconhecer porque o outro ama e, especialmente, como ama e os fundamentos da expressão de seu amor;
Comporta cuidar do seu amor particular e universal, do outro, com o saber cuidar que é, também, de seu particular do outro;
Suporta cuidar do amor do outro, sob o fundamento do outro e o cuidado que lhe é singular; que é de sua identidade, sem fundir-se nem confundir-se com o outro.
*****
Assuntar é encostar-se no ódio do outro, sem nutri-lo nem amenizá-lo;
É compreender as vibrações que enraízam no ódio do outro e as dimensões em que se realizam;
É reconhecer a causa que ativa seu ódio dele e o torna irreconhecível à rasa racionalidade humana;
É reconhecer, sob o fundamento do outro, o que lhe conforta e lhe ameniza o ódio que lhe acomete;
É pensar, sentir e auscultar o ódio do outro como se fosse ele mesmo em atividade de assuntar-se assuntando-se, em pura conjugação reflexiva e empática.
....................
SOUSA, Áureo João de. O ASSUNTADOR. Teresina, 2010.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Estradas perdidas no mundo do Ar II
O tempo passa, a cabeça muda, e me re-conheço,
Passa sem pedir , nem me esperar,
Somo jovens, e queremos abraçar o mundo,
Teremos a oportunidade de desfrutar de cada delícia que esse plano nos reserva?
Terei eu a coragem de vivenciar a minha própria permissão?
parece que o passo mais fácil, o caminho do sentir e viver sem vergonha e medo, é o passo mais profundo e mitificado, temor em tudo dar errado e não encontrar rotas de fuga ou de ar, esses meus processos e estas relações. Por que tudo não se explica em refrões sobre o amor?
Caminho, me transformo e pressinto mais caminhos e transmutações
Vivo meu labirinto, eu olho pro infinito, e não vejo o fim
Tento ver a o sol, mas ainda não tirei os óculos escuros,
Em meio a isso quero que meu medo de se libertar seja maior do que o de se machucar,
e que no topo eu veja um belo horizonte
Sem medo de desvendar o que o vem de longe, o que me reserva
dicotomia que consome horas, dias, planos e sonhos, tomou meu tempo por muitas eras, fez quimera de tantas emoções não vivenciadas, mas o momento é de desmistificar o temor, mesmo que ele ainda pulse dominante no meu ser. nunca me fora prometida a facilidade de ser feliz.
Não sei ao certo o que é isso, não sei se estou num runo certo, incerto que seja, mesmo que os olhos insistam em iludir, o prosseguir é a pedida, que se toma sem gelo, de uma só vez, para que alguma vez, sinta um filete de luz solar, para estar em desalinho, proposital e conspirador, por cima da dor e do medo
Que o rumo, seja leve com direito a brisa.
O futuro me espera,
Que o medo fique pra trás e não se aproxime fingindo ser meu melhor amigo
Que eu viva e reviva,
Pra que se eu morrer e ressucitar mil vezes
Tenha orgulho de ser exatamente a mesma pessoa que se reencontra e se desencontra
Em meio aos segundos, minutos e horas, que a vida me reserva
Porque se a confusão é meu mair inimigo agora
Que se faça a melhor via e oportunidade para que eu enxergue o melhor caminho
Viva a arte de se perder
Juscislayne e André Café
Estradas perdidas no mundo do Ar I
É quando me esquivo de dilemas que mergulho todo no caos
Como andante que não sabe para onde ir, caminho, tropeço...mas para onde? É um beco sem saida
é um beco sob medida para o meu desencontro encantando em meras parcelas de desejo
Que me leva ao encantado mundo do autoconhecimento, olho o caos e ele se faz hoje meu espelho
reflexo de minhas intenções mais desconhecidas, o punho cravado e caído no absurdo, profundo e sereno descaminho
Caos necessário, que me leva ao crescimento,.. Hoje meu mais profundo desejo é que nenhum ser tenha medo do seus anjos e monstros, que eu não tenha medo de me enxergar o que sou e de ser realmente aquilo que quero ser. Que a estrada por mais que seja tortuosa, faça-se bela, pois tudo dependerá do meu olhar.
Juscislayne e André Café
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Identidades
Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 12 de Julho de 2012.
Estava sentado
na pedreira da existência,
assuntando as águas da fonte,
que umedecem os corpos
e movem os fluxos da vida.
Ao canto de uma pedra,
ergueu-se uma Sereia,
uma voz ecoou,
vindo, não sei ao certo;
perguntou-me:
Quem é você?
Ante as pedras,
sob as forças das águas,
do sopro dos ventos
e da argila vermelha,
eis que eu também interrogo:
Quem sou?
Em anomia,
como um menino assustado,
sob o encanto de sua divina voz,
ó, grande oráculo,
sabes o que tenho a dizer,
só para impressionar,
o que sua sabedoria dispensa de ouvir.
Sou filho da regência do trovão,
na justa medida e conduta;
Feito ao fogo do raio
que rege o devir e o por vir,
profundo e raso, em altura e largura.
Sou filho de Oxum,
banhado nas águas
férteis e fecundas,
guardado nas essências dos lírios;
Sou o canto do sabiá,
encantado,
que encanta as matas
em cada canto que canta.
Melhor dizendo,
Sou o canto do filhote de sabiá,
desafinado e descompassado.
Desafiando as notas e seu tempo,
não sabe, ao certo,
se canta um canto, um piado ou chiado;
aprendendo.
Sou homo-sapiens sapiens,
Mago, Fauno, Sapo,
que come as abelhas que fazem o mel,
que lhe adoça a vida;
contradição da sapiência.
A mesma voz, em outro eco, imponente;
outra pergunta,
profunda e persistente:
A final, quem-é-você?
Ante essa identidade e alteridade,
Interrogo-lhe e me pergunte:
a final, quem sou?
.
...
Referência:
SOUSA, Áureo João de. Identidades. Disponível em <http://aureojoao.blogspot.com.br/2012/07/identidades-poema-poesia-e-filosofia.html>. Acesso em: 28 Julho.2012.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
EU PENSO - poesia, poema e filosofia
EU PENSO
Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 14 de Junho de 2012.
Eu penso, então existo,
Penso, então,
que devo existir, com razão;
Deixo de existir sem razão?
Eu penso,
Penso.
Eu penso torto em linhas certas,
Penso reto em linhas tortas e nos círculos,
Eu penso na linha, dentro da linha e fora da linha
Eu penso porque eu existo,
Mas eu paro de pensar para sentir que eu existo.
Não penso só,
Não só penso.
Sou penso.
Eu dou razão ao que penso,
Mas há paixões em que penso.
No que penso,
há cheiros,
há gostos,
Tatos, cores, sons e tambores.
Eu penso que a Razão tem suas razões,
Tantas achadas,
Muitas descobertas,
Milhares perdidas,
Muitas sem razão.
A razão que tenho
é a razão que tem a mim,
é uma razão que penso.
Penso, eu lhe dou uma vestimenta, um adorno de cabeça,
Uma fantasia, um adereço, um endereço,
um símbolo e a boniteza do apreço que lhe tenho.
Eu penso como deus,
Penso, eu penso como o instinto de um bicho comum,
Envelheço como um vegetal,
Eu penso que sou o que não sou,
Sou o que não penso.
..................................
Referência:
SOUSA, Áureo João de. Eu penso. Disponível em . Acesso em: dd/m/aa.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Eis vazio
Dentro de mim há uma vida desmanchada em sangue.
E nem sorrisos, e nem andares, e nem Clarice. E nem dizer que todos somos iguais, que não se joga lixo no chão e que somos apenas marionetes tentando arrancar a corda que nos embala. E nem teorias eu aplicarei porque preciso estudar e não tenho tempo pra outra alma que não seja a minha.
" Quando acabará isso tudo, estas ruas onde arrasto a minha miséria e estes degraus onde encolho o meu frio e sinto as mãos da noite por entre os meus farrapos?" B. Soares
Tassi
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
A indelével tragédia do ser ao existir
Pensei:
Que existindo o pensamento, pensaria em existência
que cada ser humano exaltaria essa essência
de existir e pelo por vir, viver e sorrir
Existo? Insisto? Desisto?
Dados de registro, tocando a vida à margem da humanidade,
às cegas da destruição, ao todo de alegoria e obliteração
Existo, a normatividade
insisto, a moral desmoralidade
desisto, do outro em necessidade
Penso, logo: preparar as tropas para o ataque!
Encharque de lama as últimas lágrimas más
Ataco, domino, pensamos, letargia
Reexisto para me extinguir
assim humano me faço
Coletivo? Igualdade? Liberdade?
Ruma-se indelével ao posfácio
da derrocada da carne perante a própria carne
André Café
Leia também:
A indelével tragédia do ser em ser
A indelével tragédia do ser ao amar
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Medo, poema, poesia e filosofia
Você tem medo da morte,
ainda que seja um evento certo,
dizível e irrevogável,
no ciclo da vida.
Contraditório e confuso, você tem medo da vida;
de ver a vida,
de viver a sua plenitude da vida,
ainda que lhe seja arbítrio fazê-la acontecer.
Você tem medo da falta de amor,
do amor ausente,
do vazio de amor,
da ausência do seu Amor.
Contraditório e perturbado, você tem medo do amor,
medo da presença de amor,
do amor que preenche;
do amor de si próprio e do amor do outro;
medo do amor presente.
Você tem medo do outro,
do corpo do outro,
do pensamento do outro,
da marca e da ação do outro.
Contraditório e delirante, você tem medo de você,
do corpo que é seu,
do pensamento que poderá vir a ser seu;
medo de si mesmo
Você tem medo da solidão,
medo de ficar só,
medo da multidão,
medo da sua idade.
Avesso e averso,
você tem medo do próximo, do vizinho, do desconhecido;
medo de mim, do outro e do nós;
medo da soletude e da solidariedade.
Você tem medo da lambida de seu cão de estimação,
medo de contaminação,
de vírus,
de fungos e bactérias.
Contraditório e paranóico, você tem medo do beijo e da aproximação,
medo do contato e do afeto;
do abraço amigo,
do beijo do filho e do neto.
Você tem medo de correr riscos de vida;
de morrer de graça,
de atropelamento, assalto, sequestro;
de perder a vida toda e tudo na vida.
Na contramão de si mesmo,
Corre o risco de passar pela vida,
De não ver o que vive,
De não sentir como vive a si mesmo.
Com medo em você,
Você tem medo de se perder,
Tem medo de se procurar.
Você tem medo é de se encontrar consigo mesmo.
Áureo João
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Alguém, um espaço perdido em mim'
Não, não foi nenhuma mudança de brisa, no tempo ou na cabeça
Mas o vazio se apregoou de algum jeito, inebriante, porém sórdido
Com um riso sarcástico num ápice da despedia dizendo, to fora da tua órbita.
O que flutua agora são as vãs reflexões do que já foi
Buscando explicações no que não é mais, para compreender o que não pode mais ser.
Não, não há mais certezas
A destreza se fora com a despedida do tempo
Não, não há mais a cordialidade ela se foi com a minha alegria
Agora é o não, o talvez,o seja um estoque de bebida
Se embarcando e embriagando no que não tenho
Prove e me prove do meu pecado amargo
Do meu suor embaçado
Ao mergulho de nostalgias
Não existe mais conspiração com a minha existência
Não há mais sementes da minha vida
Eu procuro ser regada e não destruída.
Estou realizando o desejo do cálice vazio
Desfilando como a minha profana vida
Carregada por desejos insanos
Velejando em um ciclo social
Na duvida de êxitos sem compreensão vital
De um ser torpe e sem alcance natural.
Não sou um homem e sim um projeto ausente
Modelado pela existência de um quase ser
A procura de uma vazante cheia de expectativa
Produzindo um protótipo lotado de sentimentos
E duvidas e ânsias que me modele.
trafego sobre ares indomáveis
onde meu ser é despedaçado
cada parte se perde no espaço
cada pensamento esconde-se no ausente
cada pulso mergulha no inexistente
Myrla e Café
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Universo Paralelo
Universo paralelo nenhum
me traduz tão bem
tal qual teu abraço
ou riso desmedido
Nenhum modelo
desses de vitrine
esses mesmos,
pré estabelecidos
felicidades compactas
que cabem em uma caixinha
elas não preenchem
nem um triz dos nossos corpos
Essas roupas e disfarces
produzem cenas cômicas
à sete chaves,
onde tudo é permitido
Me permito esquecer todo
o faz de conta e não há espaço
ao meio termo
À sete chaves,
me dispo do que não sou
e permito você ser
mais que pele
Permito sermos
muito mais que reflexos de
termos durkheimianos
esquecemos os mitos
os livros
os ensinamentos academicos
ou valores sociais
somos transparentes
somos dia,
somos noite
e na boca:
Amor não falado
mas,
sentido em todos os poros
(Dine)
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Não lidar
Enebriadamente envolvido e perdido em todas as suas reinações e descasos
Demasiadamente obcecado pelos teus deslizes e injúrias
Acuado, por vontade própria, de ser derrotado defronte a ti
Extasiado ao cogitar ser passível aos teus fetiches
Eu, sobre todos os efeitos, sem vez de amar
com todas as forças refém da própria sorte
escolhida pelo acaso definitivo
de sucumbir em algoz tentativas de viver
Eu tolhido por tantas arrebatadas
julgo impossível o recomeço
pelo avesso, sobre todas as lamúrias
aceito, e lentamente pereço
Você, completamente inalcançável
permeia meus sonhos e fantasias
sangre-me a minha contradição
põe-me eterna agonia
(André Café)
segunda-feira, 4 de abril de 2011
R "exist"O

Há dias em que contamos os segundos para que passe,
Enquanto há outros em que não queremos que acabe,
Há horas que preferimos sumir,
Enquanto outros que não dar para esconder a alegria de existir,
Em um transbordar de Amor e Ódio,
Angustia e Diversão,
Um abraço que acolhe ,
Em um outro momento Chute e Decepção,
Nessa Dança Melodiosa,
Sigo em um Tabuleiro sem Rei,
Vivendo em Inércia,
Vejo em tardes de Outono,
Árvores com folhas frágeis nessa Estação,
Cairem com o chocalhar do vento,
Esperando Sol em dias Nublados,
Assisto Sol e Lua dançarem harmoniosamente,
Espero Amor em Meio Razão,
Um calor que aqueça,
Fogo e Sensação,
Num frio que corte a alma,
Lâmina e Agônia,
Sentir e Reagir,
Num principio ativo das coisas,
Ver e Crer
Estou Vivo
e R "exist"O(Resisto).
(Tâmara Rafaelle)
(Tâmara Rafaelle)
terça-feira, 29 de março de 2011
OCULTO
Nas voltas que o mundo dar, sinto - me cada dia mais entregue a existência. Talvez não faça sentido me entregar a esse subterfúgio familiar pois não é a primeira vez que me acontece. E isso aos olhos de quem não sente, ou seja, aquele que em mim não habita para sentir as mesma palpitações que me aflingem, Estaria tudo perdido?! Como saber?! Devo-me entregar a angústia... Caçando e Explorando o meu "eu" mais profundo, busco infinitas formas de me sentir viva. Sim! Seria a real escolha para viver a minha vida. É... Sinto -me viva! Mas como isso pode acontecer?! Se no momento se encontra morto em mim, Sem enxergar-lo! É... Pensar nos momentos de desespero, talvez seja impossível! Pois tudo não faz o menor sentido! Apenas contenho os meu sentimentos mais profundos, sem nem mesmo suportar a angústia de não entender nada do que se passa... maqueio e os torno imperceptível aos olhos de quem me cumprimenta, ou mesmo de quem tem convivência comigo. Daria isso o nome de Farsa?! ou tornar fácil o fato de existir e não desistir da única certeza, a morte! É... talvez seja igenuidade e eu não esteja encarando da forma correta o que foi posto na minhas mãos, a vida! Foi duro consegui-la de volta. Continuo cá, no que seria superficial diante do mundo, algo profundo, um sentido, que quem sabe não faça sentido, resta à mim buscar. Afinal, é a mim que as sim ou não ilusões pertecem!
(Tâmara Rafaelle)
sábado, 12 de março de 2011
Olhos, rugas e sorrisos em falta

O coração não sangra. Os olhos não brilham. Novamente me vem aquela sensação de vazio... uma sensação de que eu nunca mais sentirei nada. A boca está seca, os olhos estão fixos nessa tela cheia de imagens, letras e cores. Simplesmente nada acontece. Talvez eu tenha sentido muitas coisas ao mesmo tempo e tudo isso foi me sufocando, sufocando até que a bomba explodiu e se tornou um silêncio profundo. Nada se ouve... é como se o barulho do vento invadisse o meu ser. Eu posso ver o banco, o poste aceso, a árvore sem folhas, o vento tocando a sua marcha fúnebre e o vazio, o simples vazio dominando o todo. Os elementos certos para a cena perfeita no filme do meu estômago chamado coração. Se eu disser que o pulso ainda pulsa... estarei contando uma das minhas maiores e verdadeiras mentiras... O pulso não pulsa, ele está congelado. Os meus glóbulos vermelhos estão no meio de um congestionamento, cada um ali, sem poder se mover... e eu lamento informar, mas não há previsão alguma de quando isso irá passar. Não sei... Talvez eu deva mesmo parar de passar noites e noites me drogando com incensos ao som de Beethoven. Talvez eu deva sair correndo por aí ou até mesmo levar o meu cachorro para passear. São tantas opções que as próprias opções acabam me sufocando e me fazendo ficar aqui, bem aqui. Sem vontade alguma de me mover um centimetro sequer. Mas... é como aquela frase que você sempre usa... “ Você verá de novo, novos olhos brilhantes “... Certo
(Lana Cristina)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Como refrão de um bolero

No exato momento em que me olho, através de um fundo brilhante de um cd qualquer, vejo nele cores fortes deformando meu rosto, penso em mim como se não fosse meu aquele rosto, aquela expressão triste e sonolenta.
Giro o cd que está entre os dedos meus, como se não quisesse ver-me e o ponho a admirar outro lugar que não seja minha cara.
Tento pensar num próximo filme a baixar de um daqueles "escritores" que enchem meu ser de poesia em seus filminhos, ou, penso mais ainda, e não sei porquê, numa música do grande poeta Belchior, aquela música que fala da divina comédia humana que é a vida.
E o cd entre meus dedos, girando lentamente a procurar-me, até onde eu mesmo não espero. E quando ele dá vida ao dedo que me pertence, que faz parte do mesmo objeto chamado: "meu corpo", um corpo intacto, imóvel, fascinado e a espera de algo que não seja apenas o seu reflexo, como naquele momento.
Estou cansada de reflexões acerca do que não entendo(acerca de mim).
(Iúna Gabriella)
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
À luz da lua

Naquele exato momento, a lua estava escondida, e eu a procurava. E sentindo a minha presença e ânsia da procura, a lua passou a procurar-me também. Ficamos frente a frente. Ela iluminando-me com uma luz mágica e eu a iluminando com o copo de cerveja que tinha às mãos.
Disputava comigo mesmo, o olhar à lua e o olhar ao copo de cerveja. Tentava não ser favorável a nenhum dos lados, queria só ficar ali e assim, por toda a vida. Sentia a paz de ser o que sou. Conversava sobre a inquietude do progredir da vida: ter que nos tornar o que não somos.
Ao fundo, vozes cheias de notas musicais, a equilibrar-se sobre o ritmo de Surfando Karmas&DNA. Presenciei abraços e declarações de amor.
A vida é grande, é mais, é bem maior do que pensamos. A vida é sentir. Viver é viver sentindo. As cadeiras vazias ao redor, no meu pensamento se associaram às pessoas que sentia falta em minha vida. É como se a vida fosse um conjunto de mesas e cadeiras. Era como se eu fosse a mesa, e sentisse falta daquelas "cadeiras", que na verdade são pessoas.
E cheguei a uma revelação: Estou em busca do ser interior. Estou a um pulo do precipício de não aguentar mais tudo ao redor. Estou em busca de mim.
E as pessoas nunca saem da minha mente, se não consigo dormir muitas vezes, talvez seja minha mente buscando-as, farejando-as, ressuscitando-as, renascendo-as, implorando-as.
A minha mente quer equilibrio. Quero calmaria.
(Iúna Gabriela)
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Alegoria

O manto quentinho da proteção equívoca
aquece em brados fortes o desespero antes esquecido
espelha-me mosaicamente o futuro que me dista
para contento de fardo tão destemido
afronto-me diante de meus pesadelos retóricos
na insasciável tolice da beleza do ser
estar em paz, viver além
do que mais um protótipo de bem querer
a revelia de tamanha sofreguidão
me disponho a bravar por tantas desventuras
e eis que no âmago do meu decapitar
sou o próprio agente das amarguras
e aqueço-me, me engano a soberba
de que outra forma neste plano jamais iria
me cegar, ensurdecer e menosprezar
meu fútil fim de alegoria
(André Café)
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Na chuva

Sinto um cheiro de terra molhada, olho a janela do quarto, é mesmo, confirmo: é chuva. Chove lá fora. É hora de recolher as roupas do varal e deixar enxaguar-se de água que cai do céu.
Quando crianças, acreditamos que seja Deus chorando, crescemos mais um pouco e aprendemos sobre o ciclo da água, hoje acredito que a chuva cai sobre nós, somente para encharcar e lavar a alma, só para isso.
Crendo nisso, deixei minha alma na chuva, como aquela mesma roupa que esquecemos de tirar do varal. Podia ver minha alma estendida e pingando. Ainda de alma estirada, contemplei os pingos de chuva ricocheteando nas pedras, no asfalto e contra a própria água.
Perguntei-me porque muitos outros não se deixavam lavar por águas de chuva (nessa hora muitos se esquivavam de serem purificados pela chuva que caia). Quis gritar e dizer: deixem-se levar, deixem-se lavar!
E não tive forças para fazer isso. Ali, estendida e pingando, só quis ficar de rosto para o alto, olhos fechados, mãos abertas, pés com água cobrindo e com chuva açoitando meu corpo. Fui egoista. Quis aquela chuva só para mim, quis que os pingos d´agua caissem só pelo meu rosto, molhassem somente meus cabelos, ricocheteassem somente por esse corpo que é meu, lavassem a minha alma.
Percebendo cada vez menos a intensidade dos pingos sobre mim e escutando menos ainda a chuva cair do céu no chão, sai do estado de transe em que me encontrava. Àquela hora a chuva estava parando, era hora de apressar a lavagem da alma.
De súbito, concentrei-me, respirei fundo e disse à chuva como a beijando num desafio: "Lava a minha mente, o corpo é fácil, quero ver conseguir isso."
... não pudemos continuar nossa conversa - a chuva e eu -, ela acabou ou desistiu quando desafiada, mais rápido do que eu esperava.
(Iúna Gabriella Paiva)
domingo, 30 de janeiro de 2011
Letargia

Tamanho sofrimento este que sinto.
Não há no mundo filosofia que defina
O porquê de padecer desta loucura,
Ou o porquê de ser esta a minha sina.
Ora sou alegre, ora sou triste.
Debalde, sou mais absorto em tristeza.
Como a alegria fosse efêmera,
Sendo esta traiçoeira minha única certeza!Ora sou bom, ora sou mal.
Decerto, melhor é a indiferença,
Sinônimo de neutralidade
Porque bondade é maldade sem crença.O meu maior mal é não ter esperança
Não ter algo em que acreditar.
A vida não tem nada de bem-aventurança,
Mais do que tudo, só fatos a lamentar.Oh, como me soam fastidiosas,
E fúteis as coisas desse mundo.
Nada em que se apegar
Sem que leve ao engano profundo.
O mesmo olhar que encanta
É aquele que julga sua conduta.
A mesma mão que te ergue
É aquela que também te empurra.De que mais vale um beijo de amor?
Quando essa boca que diz que te ama
É a mesma que vai dar o desprezo
E jogar o seu nome na lama!De que mais vale um sorriso?
Quando aquele que rir também é infame!
De tantas coisas na vida,
Creia-me! Todas são inconstantes...
O que mais causa inda repúdio, são
Palavras, que ditas sem nenhum pesar,
Trazem ocultas e dissimuladas
As reais intenções de magoar.Por isso essa grande abstenção
Acerca das cousas da vida.
De tudo o quanto já vivi e passei
Percebo agora que tive a mente iludida.Busco, portanto, uma verdade permanente,
Um mundo paralelo, como o da loucura.
Que no seu mais profundo existir
Inda mantém a alma pura!(Kleber Júnior)
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Aniversário

O mundo está de cabeça pra baixo, hoje é o que se chama de aniversário
num turvo pensamento, penso como esse dia é tão igual ao qualquer um
me movimento vagaroso para velha rotina, como se nada diferente acontecesse
sinto as vezes como se uma vibe me acendesse, mas logo vejo que é só impressão
vinte oito anos de que? há pequenas marcas, vivências e alegrias
mas por que esse vazio, sensação de não existir nada nestes 28 anos passados
me assaltam com abraços, pessoas próximas e distantes, mudam a minha rota errante
o sorriso transfigurado, meio desenhado em meu rosto, e o torpor me consumindo
como se a carne degenerrasse de um jeito prazeroso, acabando minha existência
apagando de mim, eu mesmo e por fim a este transe reflexivo
parabéns! para quem? eu não estou na história
daquela menina que chora pela rua, precisando de um afago
ou daquele senhor que tropeçou e estende a mão pra levantar
eu só sou história para vida me empurrar e dizer que todo mundo passa
mas o que passou foi a hora, de sumir esgueiradamente
pois quando a platéia não ri mais, o palhaço sai de cena
mas nem essa motivação, garanto não ter
podia só resplandecer devagarzinho e apagar de repente
palmas, palmas, muitas felicidades
o som deturpado, ainda insiste em ressoar
acenda-me e me sorva numa só tragada
me deixa ser sua história e começar a acreditar realmente
que hoje é o dia de fazer vinte e oito anos.
SOS
(André Café)
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