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quinta-feira, 21 de março de 2013

Dos Sei Lás que a vida me permite


Já não sei mais
De quantas janelas me atirei
De quantas vezes eu morri
Pra provar que não amei

Tão Melancólico
E tão natural
E tão alcoólico
Como usual

Tão tudo o que eu quero
Tudo tão frio que já aquece
E que agora, já devora
A lembrança que se esquece

Pois cada palavra
Que sai do meu lápis
É de uma dor imensa
E do desejo de não voltarem mais

Mas elas voltam
E eu as aceito
E as aconchego
No silêncio do meu peito

Elas machucam
Mas são minhas
eu as conheço
São minha sina

Estou prezando
Minhas falsas amizades
E pensando
em como evitar desastres

Comprei uma arma
Pra matar minhas saudades
Vasculhando suas mentiras
Me deparei com suas verdades

Me Arranha, me humilha,
me sufoca
todos os sons que a sua voz
provoca.

Vou fumar as beiradas do sucesso
Pra poder viver mais
E contradizer todas as suas palavras
Enquanto ainda me sobrar paz.

Deixe as moedas comigo
Para eu pagar o Caronte
Enquanto você vive
toda a mentira desse instante

Mas esse poema já está grande demais
E eu já estou soando cansativo
Então vamos fingir sentir loucamente
A luz desse luar nativo

Marcus Cardoso

Pensamento


Foi.
Não volta.
Vai com o ar.
Some entre nós.

O Pensamento nos faz
Transmitir o Homem
alheio as coisas.

Somos o terno amor dos outros.

Marcus Cardoso

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Herói Ultrapassado



Sufoquei minhas mágoas em copos de Vodka
E ateei fogo em meus sorrisos
Corri nu e descalço por entre pedras e espinhos
Te perdi pro mar.

Comprei tristezas no mercado mais próximo
e me entupi de solidão.
Roguei felicidades no seu futuro
Pensei ser um herói por maldição

Compus canções inteiras sobre minha morte
Escrevi rimas pobres com suas desilusões
Vomitei vespas por ter sorte
de viver em várias dimensões

Quis te esquecer tarde
junto com coisas que me apeguei
Te apagar seria me apagar.
Impulsivo, me apaguei.

Marcus Cardoso

Um (ou Do Término)



E o céu, outra vez, se fez cinza
Tudo como antes, tudo como sempre
Talvez o eterno retorno do mesmo
fez seu papel de carrasco

E do amor fez-se amor próprio
assim como do ódio a indiferença
E do tudo, o nada se criou
a fênix, desta vez, não renasceu

Quando o egoísmo se torna virtude,
o Porquê se torna uma ofensa

Marcus Cardoso

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013