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terça-feira, 14 de junho de 2016

Parcelas suspensas no mundo Ar: sobre o torpor do sistema

Roland Topor

Acima da embriaguez coletiva,
induzida pelo vício de TV,
onde a nuvem de informações tremula
ou num sonho sobre escapar sem bula

A saudação é mundial, mas valia é indivíduo
tirar férias do mundo, pro mundo encarcerado
numa praia deserta lotada de desesperos por sal
por cima dos ombros, enlaçados com o real

As portas sempre se abrem, para o topo ou ao torpor
no mainstrean ou calabouço dos risos em 'normose'
não há possibilidade, quem sabe, de ser possível,
outro tempo e esfera de mundo plausível

É sobre a narrativa de não mudar, que se diz desconstrução
sobre o discurso de incluir que se afirma a exclusão
sobre a premissa de amar, que se extermina
sobre o poder de curar, que se contamina

André Café



terça-feira, 14 de julho de 2015

Parcelas suspensas no mundo do Ar: Convergência de um futuro mórbido, primeira parte


Pedaço;
desmedida metade
um traço
de veracidade
Mormaço
e meias vontades;
Um punhado caiado de sobriedade

Caído,
em catarse

Nebuloso espaço:
andarilhos, andaimes e andares,
o berço do Sol em solitude;
no asfalto, inefáveis aflitos
o homem enfim finito,
na palma da cada mão,
a terra e sua fertilidade

Reverso,
mas sem êxito
Retorno,
mas tudo desfeito
Imploro,
para todos os mitos
Um punhado esquecido de coletividade

André Café

terça-feira, 31 de março de 2015

Parcelas Suspensas no Mundo do Ar: O nascimento do Poeta

O poeta desperta como
A serena aurora do dia
Visões de sentido elevado
Porta voz do amor e alegria
Um corrupião cantador
O doce néctar da flor
Adoçam sua poesia
De passagem só de ida
Instigação no mundo divino
O coração, velho motor
Acelera seu destino
Provar do prazer e o amor
Ilusão, a morte e a dor
Aprendendo como menino
Aprendendo e ensinando
Espelhado em cada viver
Nas estradas ja traçadas
mãe verdadeira do saber
sem manual de instrução
passa por dor e ilusão
até o dia que aprender
Assim Deus faz poeta
em carisma e simpatia
dom da rima fluente
lendo o mundo em poesia
poderosa voz de trovão
abre os olhos da criação
para a luz e harmonia
Caminho de flores e espinhos
nos sonhos do alto além
leves pegadas no chão
sabedoria o tempo provém
quebra o julgo da dormência
desperta a pura essência
Poderes do amor e do bem
Sua parte destinada
é alegrar seu irmão
alegria é dom de Deus
tão sagrada como o pão
encontrando no sorriso
tudo que é preciso
para sair da frustração
Patrimônio da felicidade
Como a folha seca é do vento
adoçado ou com pimenta
rasgando véu de cimento
evoluir e renovar
sair pra nunca voltar
no mundo do sofrimento
A vida é a oportunidade
e a missão é agora
vencer a natureza baixa
com as sementes da flora
saldando contas que devia
abençoado chega o dia
e a hora de ir embora
Acompanhado por seres de luz
sentido nos poderes de cima
faz do seu coração a espoleta
que dispara o verbo em rima
É ver virando carreta
no sutil voo da borboleta
Corrente imaginaria de imã
Com os olhos bem abertos
O atrai a movimentação
Faz a leitura das energias
Enxergando a intensão
De um gesto ou olhar
Para-raios a processar
Cada sentido de ação
É fio de alta tensão
Sem capas e conceito
Faz a leitura da impressão
Vibrando na caixa do peito
Acorda todos os sentidos
Projetando nos ouvidos
Animo pra todo efeito
Reagente em explosão
De linguagem aguerrida
Escancara do baú dos sonhos
Dessa gente tão sofrida
Que já perdeu a esperança
De tanto sofrer na andaça
machucando essa ferida
Verso quente queima a boca
Poderes de ordem superior
Escravo da intensidade
Viver do amar e da dor
Versejo de competência
Em alto plano de consciência
Sentidos em verdade e amor
Trajando roupa de herói
Sem apego de vaidade
Resgata cara de tristeza
Independente da idade
Acalenta o coração
Ampliando sua visão
Para valores de verdade
Nas historias ele é Rei
O Mago, bruxo e atleta
Menestrel, faraó, sheik
Deus, o gigante e o profeta
Revolucionário, justiceiro
Nomeado pelos cachaceiros
Como o nosso Poeta
Desse mundo só se leva
A riqueza da alegria
A força de um sorriso
Que o sofrimento contagia
Afeto e bons momentos
Gratidão aos acalentos
Encanto de toda magia
Abre-se a boca do poeta
A cancela da transição
Fuga do mundo normal
Na força da imaginação
Voando leve pelo vento
Nas asas de um pensamento
Em versos de mansidão
Abrem-se as asas do poeta
Novidades do mundo novo
Onde muitos se encontram
E com tantos me comovo
Vivendo mistérios seus
Incógnita criativa de Deus
Aclamado no sorriso do povo
(Marcos Medeiros)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Parcela que se suspenderá


Quando semeado foi
em ar e terra,
fez seu ciclo
e alimentou de energia
diversos universos

Foi um estalo de luz
por um segundo ou era
mitigou lágrimas
mistificou risos
no rabisco de versos

Materializou-se no fim
sem perceber outro início
um retorno de cinzas
circularizando a existência
de desfechos a começos

André Café

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Adeus, até logo ou quiçá: O mundo do Ar e parcelas suspensas


Adeus, até logo ou quiçá!!
hora, agora ou de imediato
do cálido chão me tornarei parte
pra devorar e ser consumido
com a incerteza do que será
partindo da nebulosidade do ser

Aqui vou ou demoro um instante
mas converto-me de bom grado
em qualquer fosfato que te alimente
engula-me e abrace-me pela raiz
só assim de tocarei no profundo
umidamente celular

Vou até lá, sem bastas ou porquês
Porque quis e assim seria
o transbordo em energia
pra que sigam os ventos
carregando novos sonhos e dilemas
para almas pequenas em explosão

Mandalas são fortes e imanes
suga-me para o redemoinho de ti
cá nesses prados já fincou-se a marca
agora que se semeie um talvez
pra que nunca ou toda vez
floresça o renascer em colibri

André Café

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A condição parcelas suspensas no mundo do Ar


Minha condição suspeita
a condição suspeita de mim
suspeita a mim, por condizer

Minha condição flutua
em um mundo não palpável
embebido em cada fala
em mandala degradável

Num tolo devir
flutua arduamente suspeita
reluta pelo intransigente
amua e se põe na espreita

Minha condição suspensa
a suspensa reinação sobre mim
o meu eu, suspenso, no eu ser

André Café



Parcelas suspensas no mundo do Ar: Natureza; efemeridade mórbida


Um mar que anuncia
das pontas dos dedos
ao cúmulo do caos:
tem pôr-do-sol ainda

Arde a pele pelo multicolor brio
ferve a mente entre maresia e lucidez
espuma-se o peito, no âmago do surtir
devorada luminescência derradeira

Um olha de distante foco
o desfocado destaque perdido
um pensamento que vai longe
e retorna o mesmo que nunca

A areia não consome as dores
não há miras que migram para o horizonte
o sempre mudo som berrante
das ondas caiadas em seu destino

Segue o mar e a esperança
nas bordas da luz, jaz o visor
amargos, saliva e ventre, defronte o infinito
do rito de natureza fria, servida em rancor

André Café

segunda-feira, 18 de março de 2013

Parcelas suspensas no mundo do Ar - Ciranda de Ohm


Pra poder ver teu sorriso
fui na mata encontrei
a flor de paraíso
que eu tanto procurei

Achei entre espinhos
a beleza dessa flor
e ela é meu caminho
pra viver do seu amor

Canta alto passarinho
voa feliz a cantar
está feliz com meu destino
cantando o dia que está pra chegar

Voa felicidade
meu peito é ave bem lá em cima
palpita forte o amor que invade
que me faz dança, rebento e rima

Dona cirandeira, levou o meu amor
hoje caio na roda pra sentir o teu calor
Dona cirandeira, me leve pelo ar
ao som dessa pisada, nos teus braços vou sonhar

André Café









Haikai das Parcelas suspensas no mundo do Ar II - Longe de mim


Encerram-se as parcelas,
que suspendem o horizonte fim,
para a possibilidade de um caminho longe de mim

André Café

Parcelas suspensas no mundo do Ar: anacronicamente, destino


E se foram tempos desmedidos
foram ritos, sons e fúria
tanto sangue, pouca razão
brados de uma humanidade em guerra
que permanecia na carne
que era quimera prevista

Ao tempo que também fez de horizonte o raciocínio
mas que de um época racional esperou-se o silêncio das espadas
fez-se rios e oceanos de carnificina
o que se aprende e o que é revelado?
não é, não parece apenas ser um lado
de um racional ser indumentado

O tempo que suplanta o próprio tempo
uma caminhada para nova ou supernova ação natural?
ela que acolhe e compartilha, observa talvez, com ações pontuais
pois os ritos de fúria e os sons indivíduos
ostentam-se, brilham, ofuscam-se, lume
da própria não ação, a inexistência
mesmo que a mãe terra insista
em rebentar filhas e filhos de olhos abertos
e cegos de alma

André Café

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Parcelas suspensas no mundo do Ar: A ciranda que cria


No giro que faz fluir nossa essência
o olho a olho outrora reprimido
sons, gemidos e risos guardados
é libertária a ciranda que nos cria

Não somente noite ou tempo
o ombro a ombro antes esquecido
força, suavidade e esferas
é fraternal a ciranda que nos gira

Nossa essência e cada porção identitária
um só de tantos sentimentos
amor, amor, dedos entrelaçados
é visceral a ciranda que irradia

Outros dias, outros momentos
cabe ao firmamento de quem dela é cria
e que a faz criação, cabe num mundo inteiro
e se sustenta na palma da mão

André Café

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Parcelas suspensas no mundo do Ar: Somos mandalas

Mandala Humana - André Campos

Onde me firmo?
Que sentido há em se firmar?

Quando sou vazio?
Que razões existem para me esvaziar?

Quem somos relações?
Que complexos nos levam a guerrear?

Somos, acima do sou, do sul e do sal
outrora mito, outrora veredito, por vezes abissal
Somos, expressões em tintas de diversos olores
às vezes poeira, às vezes carne, às vezes o cerne da questão

Somos sim, formas gorgônicas ou barrocas
somos este ser, ou outras pessoas
há em nós a voz natural que jamais se cala

Despedaçados e um tanto de nós em nós
nas parcelas suspensas gira veloz
composição humanística encerrada em mandala


André Café

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Parcelas suspensas no mundo do Ar: Ilumina o telhado


São outros tempos? Giramundo?
Outras Terras e Sóis? Entre o afago dos lençóis
descansa meu destilado corpo
não para um telhado iluminado
aquilo fora contratempo
que se tornou surpresa
ao fundo da pirraça e folia
é o espasmo fim do dia
abrilhantando o adormecer

Alguns pontos invisíveis pousando em meu olhar
que gritam em azul, lilás e fugaz
um sorriso melinificado na ponta da boca
e um sussurro pra qualquer Deus pagão
são notáveis pedaços
de um tempo suspenso
em que penso o nada como eternidade
entre o copo da saudade
e o corpo em poesia

E lá se vão séculos na queda da estrela
apenas para o meu deleite
pra sempre supernova
e nunca sobrevida
um sopro que me toma ao fim
para enfim
descansar sobre rajadas siderais

André Café

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Partículas Suspensas no Mundo do Ar: Espelho da Lua




Partículas de cores acalentam
as águas doces do Poty
naquela noite onde vi
a Lua descendo pra se pentear
no reflexo do rio a se olhar
seu pente de areia do tempo
carregado no balanço do vento,
rasga a mortalha no ar.

Aquela lua de vel minguante
manda-me cartas pelo vento
me arrasta por pensamento
com passos de tendência flutuante.
Quando me perco distante
volto no rastro do cheiro dela
guiado pela lua amarela
minguante e passageira
deixando a noite inteira
para eu sonhar com ela

Aquela lua pequena
em sua natureza de minguar
tenta imitar o teu olhar
que bilha e rouba cena 
e entre núvens se esconde
naquela imensidão onde
reflete tua beleza serena.

(MarcoFoyce)

Parcelas suspensas no mundo do Ar: São madrugadas meu velho!


Tão bambas
cordas de loucos
parcelas de tolos
beleza pra poucos
suspensas em telas
pintadas de lodo
nas margens do cais

Fumaças coladas no teto do céu
tocatas vermelhas
formadas de Blues
um verde louvador
que sempre resguarda o caminho
do flutuar, do sentir o toque do aroma carmim

No mundo do ar,
no mundo de ar,
no ar do mundo,
no absurdo do ar
do mundo absurdo
eu recuso somente
o ausente desprezo
para me jogar inteiro
no amor existente

Lílian Juliene e André Café

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Plot yang daripada dunia tergantung dalam udara yang*: A better place no centro dos Corações das pessoas


Namastê ...

Precisou-se apenas da água e da terra
para encerrar-se o vital caminho, talhado em moinho de sonhos
Ora traz suplício, ora faz sumiço, outrora apenas vento, brisa, mormaço

Mundo de sonhos, semeando positividades latentes
apenas para todo o mundo:
quando todo mundo precisar
enxerga no canteiro do teu peito o alívio

E eis que no centro dos corações das pessoas
povoam voos de liberdade;
frases sem sentido,
porque o sentido não se faz necessário
lá, onde flores e amores correm por corredores sem fim
Um princípio, um fim
da sofreguidão que na carne cerne
querendo corroer a alma
mas com um passo somente
amargor incidente
transmuta-se em vibrações de harmonia
agora e sempre é dia
de abrir a janela para filetes solares
e a todos pesares
desmistificar
ora suplício, ora sumiço, outrora apenas, vento, brisa, mormaço

André Café

*Parcelas suspensas no mundo do Ar na língua Malaio

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Parcelas suspensas no mundo do Ar: Do incompreensível incompreendido


O mitigado desvalido
pelo sibilo do corromper
a mim, ao teu libido
ataca ao amanhecer

Do que sinto sincera história,
memória de tantos três segundos
rasgam-se tensos sensos de sublimações,
canções de rasos profundos

Do que minto no verso,
não para ser fingidor fingindo dor de realidade
na verdade, inversa o verso o que no coração reversa
daquela conversa que me pedes: odeia-me!!

Necessito do incompreensível incompreendido
do riso escanteado, quero o azedo sério
me caio no mistério de não entender
pra ver se pela manhã, o mundo maçã,
acorda com as graças de Tupã

André Café

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Parcelas suspensas no mundo do ar: Impura arte


Relicário. Tantos caleidoscópios;
infinitos olhares e lugares, numa rama de Crisântemo.
Suspira, amor desencontrado.
No ápice sonhado, o riso escondido na distância,
sempre aparece claro e altivo; vivo
defenestrador; provocante e comedido;
o instante e o todo; plano suave de perdição
Mas sim! Perder-se é a pedida! De vista, de espaço, de tempo;
Vãs entidades que param,
que cessam por um só momento de estar,
de sentir, de vivenciar a flor.

E eu com minha filosofia incompreendida,
fixa num cacho de desejo e de vontade,
a filosofar em mesa de bar ou na rua de casa
os tantos significados de invadir
Não fora o tempo e o espaço, tampouco os próprios sentidos.
foi invasão desmedida na essência
foi quimera suturada ao pé do ouvido
é o descaminho encontrando rota:
o temor do inverso,
no universo que me teme,
aprontando em toda parte
a vontade de ter:
você, impura arte.




André Café



sábado, 7 de julho de 2012