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terça-feira, 3 de maio de 2016


Sou prefácio de mim mesma, pomba branca, Repousada na sombra do leão. Serenidade escondida, vulcão apagado. Sou prefácio de mim mesma, eternidade esguia no bater da meia noite. Curiosidade sombria, planalto de angústia e poemas. Sou prefácio de mim mesma, beijo suave da noite. Grito abafado, lábios esquivos. Tela inacabada. Sou prefácio de mim mesma, música lírica, luz duma estrela distante. Fruto das circunstâncias, confluência do amor. Luar que beija a linha da água do mar. Sou prefácio de mim mesma, incógnita de um destino ingrato. Chuva de Verão, Sol de Inverno. Mistério envergonhado de um sonho de menina. Sou prefácio de mim mesma. Quero ser. Epílogo de uma lágrima que escorre pelo rosto. Renasce. Quero ser. Útero de uma vida esquecida. Quero ser. Força de uma vontade daninha. Estilhaço de uma vitória muda. Sou prefácio de mim mesma. Pele de uma mulher. Alma de uma fênix. Grito de um silêncio.

Deyne Caroline

quarta-feira, 9 de maio de 2012






O mundo cria impossibilidades, escolhas, oportunidades e encruzilhadas.
O mundo cria-nos e recria-nos.
E eu escrevo, esperando, nesse ato, que a esperança, no meu coração, brilhe.
Esperando que, das minhas palavras, nasça uma estrela para onde possa escoar o vazio que se instalou.

Deyne Caroline

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Busca



Nunca poderia ter-me habituado a beijos
que não fossem dos teus lábios.
Não poderia deixar de ansiar
pelos teus braços, quando
outros braços me estreitavam.

Nunca poderia ter amado outros olhos
que não os teus.
Nunca os seus sexos fizeram
que o meu parasse de latejar com
a fúria que é nunca ter o orgasmo
que só tu me podes dar.

Nunca poderia ter desejado palavras
que não fosses tu a proferir.
Em todos os semblantes procurava
os contornos que saberia que o teu rosto
teria de tanto o sonhar e desenhar
à noite, no frio do meu quarto.

Em todas as almas procurei pedaços
da tua, em todos os beijos o teu sabor,
em todos os sonhos a tua luz.

Nunca poderia ter cessado a minha busca
antes que chegasses.
E agora que te tenho
o tempo não me chega para te amar.

(Deyne Caroline)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Compõe-me...


Toca-me como se eu fosse o teu piano
Passeia as tuas mãos nas teclas dos meus seios,
nas notas dos meus mamilos,
faz música com os meus gemidos ...

Compõe-me ...
Compõe uma sinfonia perfeita
no meu sexo,
entra em mim como um maestro
que conduz uma orquestra
a um orgasmo triunfal
a uma explosão de sons e sentimentos

Deixa que a noite nos aplauda
Deixa que os lençois chorem
com a intensidade de Bach,
Beethoven, Mozart ...

Toma-me como se eu fosse o teu violino
Sê como arco que rasga notas
das cordas em ondas de sentimento

Delicia-te em mim ...
Quero que ouçam as nossas vozes
alteradas, entrelaçadas,
a cobrirem a música
de prazer

Deita-te sobre mim
Faz-me sorrir-te por entre
os altos e baixos ritmos

Amo-te como amo a música ...
Em sintonia com a sua beleza...
como o seu correr no tempo e no espaço

Toma-me 
Compõe-me
Ama-me apenas

(Deyne Caroline)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A preto e branco



Olho em frente e vejo-me. Tenho o cabelo solto e os olhos vagos. O coração leve. As mãos estendidas a agarrarem uma fotografia em preto e branco. As fotografias em preto e branco captam bem os estados de alma. Roubam as cores do futuro e pincelam as feições de uma soturnidade bela. Dentro de mim vivem perguntas e certezas. Dentro de mim vivem crianças e disparates. Gosto do teu sorriso e da possibilidade de um dia saber o teu nome. Gosto do teu rosto na minha almofada a esquecer os dias em que fui doutro. Gosto particularmente do teu rosto. Tens umas mãos grandes. Nelas abarcas a miséria de uma vida perdida e lançada aos monstros que engolem crianças inocentes e namorados apaixonados. Tens uma sombra que vive atrás do teu peito e se alimenta da rouquidão da tua voz. Ninguém sabe das tuas dores e das tuas loucuras. Nem mesmo eu. Gosto da tua solidão. Trazemos em nós os mistérios dos anos que passaram e apagaram a credulidade de sermos nós. Sem sermos mais nada. Trazemos em nós as palavras não ditas, noites não dormidas, os braços nus, e uma imensidão de enganos. Quero que venhas e me abraces e esqueças os espaços que construímos entre nós. Quero que venhas e me tomes e me tornes tua. Quero que me escondas dentro do teu peito nu, que me desenhes na tua pele, que me deixes sonhar. Gosto de ser eu dentro de ti. Assim, simples e cru. Complicadamente inevitável. Inevitavelmente em preto e branco.

(Deyne Caroline)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aqui estou eu



Aqui estou eu.
As minhas asas rasgadas de sonhos
incumpridos.
Tenho a voz calada
presa nos braços de todos os
que não amei.
A solidão que é tão minha
surge devagarinho,
esgueira-se por entre as résteas
dos meus beijos e dos meus sorrisos
gastos, desnecessários neste novo mundo.
Onde se grita.
Onde se finge que se é muito
mais do que podemos ser.
Onde tudo o que importa é:
consumismo,
dinheiro,
intrigas,
hipocrisia,
inocências despidas.
E aqui estou eu.
As minhas mãos tateiam o espaço
circundante e tento
sentir o meu corpo como um refúgio
contra as vozes que acusam,
que julgam e condenam.
Cegaram-me os olhos,
cortaram-me a língua...
Restam-me os ouvidos
com que ouço. O teu
silêncio.
Silêncio com que deixas que
me crucifiquem sem saber ao menos
o meu nome.
Quando finalmente em mim
nada mais restar do que um sopro
de esperança hás-de escrever com
saliva e sangue:
"aqui jaz a mulher que amei,
que deixei que arrancassem de mim,
que me amamentou de luz e algodão doce
e que hoje é apenas um cadáver, uma réstea de um sonho
que não pude sonhar".

(Deyne Caroline)

Nesses dias não quero ser poeta



Existem dias em que a dor me queima a carne
até expôr os ossos frágeis.
Nesses dias não quero ser poeta.
Não quero deixá-la brotar de mim em
suaves sussurros milenares,
não quero que outros a leiam
e com ela se vistam e se sintam
mais vivos, mais líricos...
Existem tantos dias assim...
Mais do que a minh'alma quereria
supor.
Nesses dias não quero ser poeta!
Não quero a falsa reflexão,
nem o calor dos teus braços,
nem a frenética marcha das horas...
NÃO QUERO QUE ME DIGAM QUE VAI FICAR TUDO BEM...
Quero rasgar-me...
Quero arrancar-me...
Quero atirar-me de um abismo e
deixar a minha carcaça podre enfeitar
o vazio.
Nesses dias...
não quero ser poeta.
Queria apenas...
NADA!
(porém tu chegas e abraças o meu corpo
que dança em espasmo de intensa dor...)
Nunca sentes saudades da morte?

Eu sinto.
Saudades da imensidão
que é o não-sentir,
a antítese do sofrimento,
da queima.
(abraças-me, acalmas-me
e eu a chorar e a gritar,
a esmurrar-te a face alva,
enquanto me torço em dores
tão minhas)
Nesses dias... Não quero amor.
Não quero doces carícias.
Não quero ser poeta.
E eu tenho tantos dias,
tantas noites,
horas miseráveis em que me perco dentro de mim...
À procura...
À procura da criança que não fui,
das cicatrizes que me sangram,
do colo surdo de mãe
que me negas
e me envenenas o olhar...
Nesses dias.
É demasiado duro.
É demasiado gritante.
NÃO QUERO SER POETA.
Só quero ser eu...
Apenas eu...
E eu...sou miseravelmente pouco.
Miseravelmente humana.
Inequívocamente não-poeta.

(Deyne Caroline)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

OS DIAS EM QUE MORRO DENTRO DE MIM MESMA




Espaços. Dentro do coração.
Espaços dentro da alma, que desenham ausências nas mãos.
Espaços em que grito e me silencio.
Abarco as injustiças, os medos, as demências, os teus sonhos
e os meus. Num abraço mudo.
Fendas. Que rompem as tapeçarias com que vesti
as paredes da casa. Da mente. Das palavras.
Eu ainda sou tão eu.
Num quarto, numa casa, num momento pálido.
E por vezes o vermelho atravessa o tempo.
Alcança-me. Poderoso. O destino é medíocre
e eu talvez possa ser feliz dentro da mediocridade
de um país falido, de uma moralidade negada, de um coração
roto por dentro. Espaços.
Espaços em que consigo ser eu.
Espaços em que o amanhã é agora.
Espaços. Rasgões. Vislumbres. Lágrimas. Risadas.
Sentimentos. Eu ainda sei sentir.

A morte tão perto e tão longe. Ainda não. Ainda não ganhei o direito de cair numa queda eterna e maternal.
A morte a espaços.
Os dias em que morro dentro de mim mesma.

(Deyne Caroline)