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domingo, 17 de novembro de 2013

DEPOIS DA CHUVA




Parece que chovia
Quando invadi aquele jardim
E implantei aquela rosa

Parecia que era rosa
O mundo depois da chuva
E das certezas abençoadas

Pareceu ter sido bênção
Quando a chuva caiu na manhã
Depois de uma noite de lua

Pareci que era sua
Quando me entreguei nua
Ao teu sorriso impostor

Parecera
Até que desapareceste...
Até que: “hoje não chove mais...”


Alice Alencar

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

AGÔ, ILÊ AIYÊ

Foto: Tira essa cor pálida da minha cara
O verde dos meus olhos e o liso do meu cabelo
Põe em meu corpo a marca da chibata
Quero ver minh’alma refletida no espelho

Meu passado me envergonha
De casa grande e latifúndio
Enquanto tu, negro, se lembra da senzala
Lembro de ser sinhá dona do mundo

Mas perdoa essa branca sem história
Se o meu corpo tremer ao som do tambor
Perdoa eu não ter luta na memória
S'eu me reconhecer no teu grito de clamor

Por que é no compasso da tua dança
Que meu corpo vai além
É na fé da tua crença
Que meu santo diz amém

...Por que cá dentro de mim, eu sou sim negra também!

(Alice Alencar)

Tira essa cor pálida da minha cara
O verde dos meus olhos e o liso do meu cabelo
Põe em meu corpo a marca da chibata
Quero ver minh’alma refletida no espelho

Meu passado me envergonha
De casa grande e latifúndio
Enquanto tu, negro, se lembra da senzala
Lembro de ser sinhá dona do mundo

Mas perdoa essa branca sem história
Se o meu corpo tremer ao som do tambor
Perdoa eu não ter luta na memória
S'eu me reconhecer no teu grito de clamor

Por que é no compasso da tua dança
Que meu corpo vai além
É na fé da tua crença
Que meu santo diz amém

...Por que cá dentro de mim, eu sou sim negra também!

(Alice Alencar)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sobre amores e prateleiras


(Quanto custa?)

Aí você percebe que as coisas dão certo porque você corre atrás, não respeitando os limites de tempo e espaço porque não são eles que devem determinar o rumo das coisas. E percebe ainda que se você deixa de tentar, as coisas deixam de acontecer porque você é o alicerce disso tudo e porque você está sozinha nessa, embora o outro esteja ao teu lado dizendo que quer tanto quanto você. Tô cansada de pessoas covardes, que não se arriscam e não se permitem ser poesia. Cansada de culpar o tempo por não ter alguém ao lado quando a proposta é justamente dividir até a falta dele. Não gosto de gostar pela metade, de querer pela metade. Quero alguém que possa me desejar um bom dia olhando nos meus olhos, como numa manhã de domingo sem pressa pra levantar da cama. Alguém que não tenha relógio ou fita métrica pra medir o que nos une. Afinal, existe um medidor? E qual o tamanho ideal do amor? Então ta, me dê aquele ali, aquele pequeno e aquele médio que estão na prateleira, vou levá-los pra evitar que outra pessoa os compre. Estou cheia de pessoas andando por aí com amores enlatados e cheios de conservantes. Amor de prateleira que vem até com bula se comprado na farmácia ou manual de instruções se vendido nos supermercados. E assim, transitam pessoas cheias de rótulos achando que o tempo é quem cuidará de tudo, como se amor fosse perecível. Amor com prazo de validade, data de fabricação, evoluindo com a tecnologia e se (des)envolvendo com a globalização. Desculpa, não quero não. Meu amor é aqui e agora porquê sou feita de afeto. Porque sou feita de poesia, rebeldia e arte!


(Alice Alencar)

domingo, 19 de maio de 2013

Não é você o que falta



Não é você o que falta na minha vida. Entenda. Você é o que sobra. Está em todos os lugares de mim. No liso do meu cabelo, na minha dor de cotovelo, no choro preso da minha garganta. Você não me falta, em mim você se esbanja. Em minhas mãos paralisadas, em minha gastrite aguçada, em minha unha encravada, nos meus joelhos doloridos de tantas promessas e provas. Você não me falta, em mim você transborda. Está nos meus planos desfeitos, no meu olfato rarefeito, na tristeza dos meus olhos, nas cicatrizes do meu corpo. Está em todos os lugares, menos onde deveria estar: ao lado meu, no meu cotidiano. Porque falta, foi só aquele penalte com o qual você goleou meu peito e tirou o time de campo...

Se eu ainda te amo



Eu me permitiria ser romântica o suficiente pra te descrever minhas pernas tremendo, o coração pulsando descontroladamente, o meu mundo parecendo parar quando sinto você mais perto. Mas, embora seja tudo isso verdade, sou racional ao extremo pra me permitir ser tão piegas. Hoje ouvi aquela música que falava em tantas razões pelo qual alguém pode se apaixonar e não saber qual delas soou tão suficiente. Mas depois de alguns anos, não saber parece ser distante demais, impessoal demais, parece ser o avesso do que é amor. E parece ser exatamente o que sinto agora. Não porque não seja amor, também não estou dizendo que é. Na verdade, eu falava de não saber. Não saber como foi teu dia ao final da noite, não saber o que te fez sorrir ou o que te irritou a ponto de te calar. Não saber qual o último filme que você assistiu ou qual música te representa agora. Nao saber se você está acordando minutos antes de entrar no trabalho ou a tempo suficiente de preparar seu café. Não saber se ainda pensa em mim, se quer me ver mesmo que de longe. Não saber de você e nem de mim. O que fazer com os dias que tem gosto de penitência? O que fazer com as mãos que paralisam quando tento te escrever algo e não sei que assunto nos serviria de elo? O que fazer com esse não saber se a incerteza me chega menos cruel que a convicção do teu esquecimento? Apenas me dói, não saber. E saber que você também não sabe de mim. Então se me perguntarem se eu ainda te amo, direi não sei. Simplesmente por não saber como saber...


Alice Alencar

terça-feira, 9 de abril de 2013

ESTRELINHAS




ANDAM LENDO AS ENTRELINHAS

EM ESTRELINHAS DE TANTAS VERDADES

GOZANDO CONVERSAS

TRANSANDO PALAVRAS

VESTINDO SILÊNCIOS

DESPINDO METÁFORAS.

SE COBREM EM TECIDOS ALHEIOS

E SE REVELAM CONTRA ESPELHOS

NAS LETRAS GRAFADAS

VORAZMENTE CIFRADAS

NAS ÁGUAS DE OUTROS OLHOS

QUE SE OLHAM E SE AMAM

SE ODEIAM E SE DEVORAM

COMEM, DEPOIS COSPEM

ACALENTAM, ESQUENTAM,

E LOGO SE JOGAM FORA, SEM DEMORA

PRÁ OUTRORA REPARAREM OS DANOS

EM OUTROS PANOS, FRAUDAS E PLANOS

E TANTAS PALAVRAS INDECIFRADAS

ESQUECIDAS E ENGARRAFADAS

NO TEMPLO DE UM TEMPO SANTO

INSANO COMO NOITE DE LUAR

COMPLETAMENTE NUA

NO MEIO DA RUA

A SE INSINUAR


POR ALDERON MARQUES E ALICE ALENCAR

DIA 08 e 09/04/2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Será Arte?



O riso afrouxou
A vista se 'alevantou'
O sangue ferveu
O corpo se 'arremexeu'
Ja deu vontade de viver
So da vontade de te ver
Prosiando por toda a parte
Com o fio da tua arte

(Alice Alencar)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ALVENARIA


(Colosso de Rodes)

AVE... AVE MARIA

AUDAZ CANTORIA

QUE BEATLEMANIA

VOCÊ NOVAMENTE

GRAÇA ESTRIDENTE

QUE IMPERTINENTE

A ME PROCURAR

A ME LOCALIZAR

A ME PROVOCAR

EM NOITE DE FESTA

QUÃO IMTEMPESTA

SEM BASE ALGUMA

DA LETRA EMPLUMA

CONSOANTE BRUMA

VEM NUMA ÍNTEGRA

A DISTANTE CÓRSEGA

PROCESSO DE ENTREGA

MAR ALABARDARIA

TERRA ALVENARIA

CÉU... AVE MARIA!


ALDERON MARQUES

PARA ALICE ALENCAR

DIA 05/04/2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Da cor da noite


...dedicada ao André Café




Colore a pele com as cores da noite
E sai às ruas vestindo memórias
Distribuindo versos, fazendo histórias
Despindo o tempo no caminhar das horas

A sabedoria se traja de tinta
Nas páginas passadas pelo agora
Manchando o branco do teu diário
Compondo o ecoar das tuas ondas sonoras

Negro que ilumina a noite de luz
Anjos e demônios na mesma escola
Na mesma escala, sem ter escolhas
Pra tudo aquilo que em tua mente o seduz


(Alice Alencar)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

BioLógica






não fujas de mim
como esse amor foge às regras
veja minhas expressões
perceba os meus sinais
desvende as minhas icógnitas
e problema resolvido

...

entre N possibilidades
descobri o valor de Y
no sabor do teu X

(Alice Alencar)

Lado B, Lado A




Do lado de ca, lado A

há um mundo de sons

Tocando o lírico ressoar

Dos teus olhos a me compor



Do lado aposto de mim

Sinfonia sub-muda de ti

Pausas de silêncios incertos

Acordeando a tez num dedilhar



Mas quando a música acabar

Quem vai estar do lado de La?

Quem vai compor o acorde em Si

No Lado B do que há em mim?



(Alice Alencar)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

DESCARTE



EU VOU TIRAR DE OUVIDO OS TEUS SENTIDOS REPRIMIDOS

CONTAR PARA ALÉM DOS DEDOS TODOS OS TEUS SEGREDOS

ESPALHAR AOS QUATRO CANTOS OS TEUS DESENCANTOS

E INVENTAR NOVOS ENREDOS PRA CONFUNDIR TEU DESESPERO

VOU TATUAR TODO O TEU MEDO NAS CURVAS DO MEU DESEJO

DESCONSTRUIR TUA CASA, DOMINAR TUAS HORAS

ENCURTAR TEU TEMPO, SER TEU CONTRA-TEMPO

TEU ALICERCE E TUA DEMORA

VOU FAZER DA TUA VIDA A MINHA CALIGRAFIA

E TE RASURAR TODO DIA E TE DESCARTAR SÓ POR MANIA

E ATÉ QUE PASSE A SER POESIA

QUE EU SEJA TODA, TUA, ALEGRIA.

TE INVENTAREI TODO DIA NA LOUCURA DA MINHA COVARDIA

E SE NADA DISSO TE AFETAR, PEÇO LICENÇA PRÁ TE AMAR


(...eu vou tirar você de letra, não importa com qual trunfo.)


(ALICE ALENCAR)



Minha carta na manga
Ao amigo, desnudo, 
Alderon Marques


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PRETO E BRANCO (COISA DE DOIS)




A VERDADE ADVÉM NUA E CRUA
DITA NA CALÇADA E NA BEIRA DA RUA
DESPIDA DE MÁSCARAS, SEM MAS OU DEPOIS
É PRETO NO BRANCO, COISA DE DOIS

PITADAS DE HUMOR, DOSES DE PERTINÊNCIA
RETAS SE ENCONTRAM FORMANDO CIRCUNFERÊNCIA
É PRETO E BRANCO, EXTREMOS UNIDOS
É YIN E YANG, VALORES FUNDIDOS

A VERDADE EM CORES ESCRITA EM PROSA
PREFERE O NEGRO À COR DE ROSA
O BRANCO QUE DE SETE CORES FAZ-SE LUZ
COM O PRETO-CALOR, ABSORVE E SEDUZ

POEMA ALVINEGRO, DE PESOS IGUAIS
É BRANCO NO PRETO, DE DOIS OU DE MAIS...

ALDERON MARQUES E ALICE ALENCAR

DIA 10/12/2012

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Alvinegro




Quando o amor, que de tão rosa

Perdeu o cheiro e desbotou

Sobraram cinzas de pétalas secas

Do amarelo que o sol queimou

Restou ainda o meu humor

Alvinegro e sem medida

Mal dosado e 'mal dizido'

Em perfeito desequilíbrio...




(Alice Alencar)



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Regresso ao Aconchego do Meu Ser


Fere-me a essência
Não por dúvidas colocadas
Mas por certezas abstratas
A que me queres reduzir

Sou um ser em construção
Ávido por transformações
Que ri, que chora, que ora
Que ainda acredita em evolução

Sou metamorfose em dias de sol
E pouco existo em noites de chuva
Tenho medos e anseios, os juro!
Mas torço pra tudo melhorar

Capturas em seu olhar
Meus anseios de peregrina
Minha agenda, minha rotina
Mas não o meu sonhar

Quem pintou o meu retrato
Na parede do teu imaginário
Esqueceu-se de fato
Que eu ainda sei rezar

(Alice Alencar)

À paisana



Nesse cenário rarefeito
De elogios já desfeitos
Dispenso a hostilidade
A qual crês ser minha vaidade

É preciso saber jogar
Esse jogo de quebra-cabeças
Adivinha, palavra cruzada,
Qualquer coisa articulada

Eu falo de mudança
Você pensa em aliança
Penso em aprendizado
Fazes de mim um autuado

Destruição, revide, esquema
Sou agora alvo ou ameaça?
Terei eu sofrido mutação
Ou houve um erro de proporção.

É tanta hipérbole e imaginação
Figuras soltas, desilusão
Se não for mera desfeita
É excesso de imaginação.

Eram cartas sobre a mesa
Ou o jogo é ping pong?
Sejamos ‘racional’
Assim mesmo, sem plural.

O que queres de mim afinal?

(Alice Alencar)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Descolorir



Qual a cor da felicidade 
Quando ela sai pela nossa porta
A descolorir nossas venturas
A desbotar nossa memória?


Tem a cor de uma cidade
De concreto e folhas mortas
Em ruínas de saudade
A desmoronar em tardes mornas


Perde a cor, o cheiro, o sabor
Faz-se em monólogo por língua e tato
Parte o todo em mil pedaços
E veste o casulo do abstrato


A felicidade hoje em dia
Tem a cor da minha covardia
Lança-se longe, sem retorno ao fim
Sem que possas entrar em mim


(Alice Alencar)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

AOS QUE NÃO VÃO PASSAR





NOS BARES E ESQUINAS DESSA AVENIDA
PASSARAM PASSADOS COM PASSOS APRESSADOS
SEM VITÓRIA E SEM HISTÓRIA BOA DE CONTAR
E FICARAM PRESENTES, OS QUE TÃO SOMENTE
POR BIRRA, POR BRIGA, POR FORÇA DO ESFORÇO
OU POR MEDO MEDONHO DO PASSA REPASSA
NÃO SOUBERAM PASSAR
FICARAM PRESENTES AS DORES-AMORES
AS CORES, SABORES, AS CONTAS ACERTADAS
OS LAÇOS, OS ENLAÇOS, AS MÃOS APERTADAS
AS POR AINDA SE DAR
DAS RUAS E PRAÇAS NESSA PASSARADA
SE FORAM AS CARTAS QUE TU APOSTOU
E TÃO TOLO ZOOU E ZOMBOU E DANÇOU
MAS VOLTOU PRO SEU PAR
FICARAM AS PAZES, OS RISOS ROSADOS
AS CARAS PINTADAS E ATÉ AMARRADAS
INTRIGAS FIRMADAS E ETERNIZADAS
PRA BEM LOGO PASSAR
FOI-SE EMBORA TODO O PRECONCEITO
FICARAM AQUI AS PROMESSAS SEM JEITO
E CHEIOS DE DEFEITOS OS AMIGOS DO PEITO
QUE NUNCA VÃO PASSAR


(ALICE ALENCAR) 

FOME DE TI




Queria viver de ti
e te comer e beber
e namorar o teu corpo
e a tua mente

me alimentar com teu mel
me embriagar com teu sal
presa em tua teia
em teus lábios mais uma vez

(Alice Alencar)