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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Sob(re) o Corvo

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Na escuridão nada há de estranho
Pois lá resido e me encontro,
E me ponho no vasto infinito
Ao lado de um corvo.
 
[“Fique
                          comigo!”]

Na noite de mais profunda contemplação
O corvo traz uma luz fosca, quase boba
No que fito olhar – e não em vão
Que a lânguida leveza enaltece

[“Trago
                          consigo!”]

As penas negras me seduzem funebremente
E no olhar negro, Raven – O corvo
Feitiça calmamente ao prepotente consciente
Que já não via estrelas no quadro negro

[“Hipnótico
                             Contigo”]

A brisa noturna quase me fez esquecer
De enaltecer os pares de círculos
As esferas redundantes dessa noite
pegar-te-ei com meus dedos

[“Batimento
                             Acelerado”]


Sobre a bênção de Vênus, eu me separo
E você em voo rasante se despede
Ao passo que não me desfaço das asas
Do odor de carne, da saliva e do abraço.

[“Bendito
                               Corvo”]

Hugo Barros

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Todo Tempo é tempo, nem todo Momento é momento

Resultado de imagem para luta e resistência


Todo tempo é tempo:
de viver,
de sonhar,
de amar!

Todo momento é momento:
de sonhar,
de lutar,
de querer?

Há no tempo o momento,
onde mais haveria isto?
De escolher o momento
se não fosse no tempo?

No meio disto ou aquilo,
no tempo o momento,
que traz consigo sentido
e em sua ausência o vazio.

O Nada! A Náusea! O não-ser!
não há o Nada no tempo;
a náusea consome o momento;
e fora do tempo há o não-ser!

Se tens que tomar uma decisão
que te perturbe em tal existência,
aquilo que lhe retira tal sanidade
pare a mente, repense a precisão!

Não se sofre mais do que ao escolher;
E das dores de tomar tal feito
é melhor escolher teu momento
do que sofrer por perdê-lo.

Nem todo Momento é momento,
pois há muitos pensamentos:
dos pesadelos não nascidos,
dos sonhos recém jazidos.

Recubra-se! Erga-se!

Renasça em meio ao carvão recente;
a vida, esse sopro quente pulsante
que traz consigo o momento ardente
e a angústia da escolha latente!

Se queres uma resposta para o que te perturba,
diferenciar o tempo do momento e escolher
entre fazer e arrepender, não fazer e sofrer
Sinto muito por ser abrupto: não tenho tal resposta!

Aqui vivo o mesmo dilema tosco
de escolher entre tantos únicos momentos
ou deixá-lo passar em silêncio posto

Mas voltando a pensar novamente sobre aquilo
O melhor momento é aquele que pesa na balança
Que nasceu e marcou seu ser no tempo
Brilhou como sol, morto caiu, virou lembrança.

Hugo Barros

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fragmentos de Campo Maior


Tem os campos mais lindos que vi
De tal formosura que encanta ao ver
Sua serra, seus rios e o Açude
Que é lindo e não se pode beber

Na terra de onde se aprende a amar
De verdes campos, Açude Grande
Heróis do Jenipapo e festejos do santo
Do Rio Surubim e Serra de Antônio

Um berço de pensadores na sombra
De poetas e grandes professores
Esperando pelo reconhecimento
Mas há de haver quem os ouça!

Campo Maior! Que viva os santos!
O Antônio, o Pedro e o João
Cante seu torrão querido
Esconda seu cinismo no leilão

Solo de gente sofrida sonhadora
Solo que abriga um povo abalado
Terra de gente com olhar sofrido
Terra de gente gananciosa e safada

Um lugar onde "já teve"
E porque não há mais?
Ninguém quer plantar semente
E quando planta ali jaz

Lugar de vários jovens perdidos
Nas esquinas, nos bares e nos cabarés
As ruas cheias de mendigos maltrapilhos
Fumando cigarros, cheirando a café

A juventude que sonha em crescer ali
Contaminada pelo pessimismo diário
Não sabe se irá sair daquela vidinha
Ou morrerá trabalhando no Carvalho

E dos tolos que sonham e saem de lá
Com esperança de conseguir crescer
Sofrer na Capital pra se formar
Voltar pra Campo Maior e perecer

Se volto e amo essa cidade
Por esses versos não se engane
gostar daqui eu até gosto
Mas a cidade não traz ganho

E saio daqui deixando família
Voltando a rotina que sei de cor
Sonhando um dia voltar de Teresina
E viver bem em Campo Maior

Enquanto o sonho não se completa
resta a amargura e a desesperança
De voltar pra Campo Maior
Berço de um povo sem lembrança

(Início em 25 de Maio, concluído em 31 de Agosto de 2015)

Indiferença (ou seria falta de amor?)


Por dias falo comigo mesmo
E sempre me pergunto o que faço
Porque te encontro se não lhe quero
Tento fugir do seu abraço!

Não me seduz a calma
Porque o que me abala
É essa aflição barata
Maltrata! E como maltrata!

Onde não te vejo você se faz
De vez ou outra aqui jaz
Tenaz! E eu incapaz
De fugir! Em mim teu cais.

Brota em mim a repulsa descontrolada
E a amaldiçoo por trazê-la
Novamente, irritante, impertinente
Impreterível, invisível, amor decadente.

Por vezes falo comigo mesmo
Se o problema de estar contigo
É a languidez fúnebre
Ou meu desprezo insistente.

09 de novembro de 14

Hugo Barros

sábado, 30 de janeiro de 2016

Entre carros, poeira e baratas


Desperto com o sol na cara
Me encara e assim vai ser o dia
Olho pra cima, o sol ria
“Teu dia vai ser aquele dia!”

No vai e vem das borrachas
Em pé e com solavanco
Poeira em meu pranto
Nos meus pés baratas

Pés que me pisam e passam
Mãos que pedem e disfarçam
A estupidez de não se firmar
“Amém irmão”? Vamos doar!

Não!!!

Não tenho sangue de barata!
Mesmo com o “trec” da catraca
Aguento esse mesmo sol vingativo
Atento, calado, calmo e altivo

Esgotos a céu aberto e lixos espalhados
Vejo o dia e a noite, repetimos os passos
Sol, borracha, poeira, amém e catracas
Mas não nos esqueçamos das baratas!

(29 de agosto de 2015)

Hugo Barros

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Teresa Cristina invisível


Teresina que rejeita seus filhos
Mendigos ou maltrapilhos, perdidos.
A vida flui em esquinas e praças
Com olhar de desdém o homem disfarça
Homem correto que segue a maioria
Julga inferior quem não contenta
Os sonhadores de alma plena
Vivendo em pleno dilema:

Lutar pelo sonho é lutar sozinho
Seguir a maioria é infelicidade
O êxito da minoria
É o escárnio da sociedade!

Hugo Jardel

23 de Outubro de 2014.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Vai passar


É quase de manhã, mas o céu ainda é noite.
Ainda há muito o que fazer, só não sei o que, nem por onde começar...

Sinto frio, mas não vou me cobrir.
Não durmo porque não quero acordar.
Não esboço riso para não chorar.
Nada na cabeça: medo de pensar.
Sinto dor, mas somente ao recordar.
Tenho saudade, mas vai passar.

Vai
passar...
Tem
que
passar...


Hugo Jardel

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Amor é um contexto


Por você cortei o cabelo.
Obrigado.
Por você deixei a barba crescer.
Obrigado.
Por você usei calça com tênis.
Obrigado.
Por você aprendi a perdoar.
Obrigado.
Por você senti mais homem.
Obrigado.

Agradeço pela obrigação de estar contigo.

Hugo Jardel

(30/01/2014)

sábado, 21 de dezembro de 2013

O crescimento de cada dia


Um dia...
Sempre há aquele dia onde nós pensamos uma coisa, agimos de forma oposta, e achamos que estamos fazendo o melhor possível! Realmente a juventude é inimiga da sapiência! Nem tudo é rápido como queremos, nem tão perfeito, e nem tão imutável!
As vezes, e não são raras as vezes, nós acreditamos que fizemos a melhor escolha, e esta escolha em certo momento pesa, nos machuca, e nos tira o sono! E por mais vezes ainda, aquelas vezes em que você pensa "fiz a minha melhor escolha", você percebe que haviam outras escolhas, mesmo para o mesmo momento.
Em vários momentos procurei a perfeição que enxergava como tal, julguei com tamanha força achando que eu era superior aquele momento, mas não era! E vivendo e cometendo os mesmo erros, percebe-se a fragilidade do ego em cima da sabedoria: as falhas dos outros talvez sejam as suas! E ao perceber isso há um crescimento sem precedentes! Problema é o tempo: quando esse crescimento se dá? E outra pergunta: será que foi tarde demais?
A medida em que crescemos percebemos que a expectativa sempre será além da realidade, e que por mais claro seja o pensamento do momento, ele ainda está sobreposto a sombras de incertezas ou insuficiente de clareza. Nada será mais do que aquilo, se fosse não seria... Nunca sabemos mais daquilo que achamos saber.
Há sempre a linha tênue entre a expectativa e a realidade. Quando dei por mim, percebi que essa disputa interna sempre existirá, porém ela só se tornará uma angústia quando a expectativa for além da realidade, e não imersa nela! Provavelmente existam expectativas plausíveis, e é nelas a que quero me prender... ou melhor, gostaria!
Falhas todos temos, o importante não é saber somente se elas existem, mas de que forma podemos contorna-la! O momento em que isso ocorre? Nós decidiremos!

Hugo Jardel

21/12/2013 às 1:58

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Noctívago


A noite de angústia
Passa leve, passa rápida
Porque talvez, e somente talvez, ela me anima
Pois do sol nada quero, pois o calor desanima
Mesmo sendo útil, o sol e a rima
A noite é que fascina.

Hugo Jardel

04/12/13

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Divagações sobre morte em vida, e sobre ela.



Paro e penso no que vem adiante...

Não há nada concreto, apenas especulações
E tudo que posso prever são incertezas
O passado ecoa apenas especulações...
...futuras.

E nesse conjunto de substâncias que sou
Tantas quantas não sei, nem saberei
Há um todo do universo em mim
E o “mim” faz parte do todo, porém Sou.

Não há Deus(es) para clamar, nem punir
Nem chorar, nem orar, nem nada.
Só há na temporalidade a consciência
E sem consciência nada há.

O vazio em todos É...
Todos sabemos, mas poucos encaram-no!
E enchem de esperanças o morto
Com promessas insípidas de pós-vida

Só de certeza há palavras, lanço-as não sei se em vão
Materializo-as desejando lembranças, não sei se serão
Prolongo minha consciência nas letras, não sei se hão.
Depois delas tudo jaz, meu “input” em ti será ou não.

E que minhas divagações aqui ponho um ponto
Não há mais solidão que a vida, e nesse ponto
Sei que morrerei, mas enquanto não estiver no ponto
Refletirei, experimentarei, até que TUDO seja ponto

(Hugo Jardel em 06 de Julho de 2012)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sonho


"Eu faço do pranto força, raiva e vontade. Faço da respiração compasso, a cada passo. Não olho para trás com saudade, olho como aprendiz, com certeza e clareza do que fiz. Não me iludo, no fundo, gostaria, mas não o faço. (Será?)

Entre manhãs quentes de solidão, e noites frias de carinho e atenção eu sumo em mim, e a mim permaneço... Calmo ou agitado, em alerta ou espanto. Não! Não vou mais me agarrar aos passos dados, me agarrarei aos dados futuros.

No meu mundo atual, não há sono suficiente, pureza clara, ou sonho limpo. Tudo é cinza, até que se prove do contrário."

Hugo Jardel

quinta-feira, 15 de março de 2012

Soneto do Tempo



O Tempo é tão eterno quanto a morte
Carrega sonhos numa glória viva
Desfaz o sonho, constrói alegria
Meu sentimento triste presencia

Tempo tenaz, sagaz, feroz, contínuo
Está em tudo, bruto, imaculado
Não tem voz, nem ouvido e nem corpo
Mas é dito, sentido e falado

Culpado e salvador de pobres almas
Clamam por teu ímpeto tão solene
Esperam pelo teu julgo clemente

Devir é tua representação
Mas não deixa de ser lindo o desejo
Do deus que todos reclamam: o tempo."

Hugo Jardel

Escrito em 07 de Março de 2012. Agradecimentos a Igor Roosevelt.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Saudade


"É sempre bom saber compartilhar coisas que gostamos! Saudade é sempre bom de sentir, ainda mais quando a pessoa de quem você sente é uma pessoa que você quer bem, esse é sempre um bom sinal. Sentir saudades de coisas que nunca vive é nostalgia, nem sempre é bom,saber olhar para frente é mais interessante. Sentir saudade das coisas vividas é o mais contraditório, por vezes é bom relembrar, mas cair na saudade pode fazer você querer voltar aquilo que não pode ter mais volta. Não podemos ter saudades do futuro, apenas expectativas, elas que alimentam a esperança e sufocam com a angústia. Todos esse sentimentos e situações são jogos que fazemos diariamente. São metáforas sentimentais, são quimeras que podem vir a nos assombrar ou nos fortalecer."

 Hugo Jardel "X"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ações, Palavras e Pensamentos




Até quando irei agir?
Ações que não passam de ações
e não deixarão de ser ações?

Até quando direi palavras?
Palavras que são apenas palavras
e não deixarão de ser palavras?

Até quando irei pensar?
Pensamentos que são apenas pensamentos
e não deixarão de ser pensamentos?

Até quando irei repetir?
Palavras que não se tornam pensamentos
e pensamentos que não se tornam ações?

Até quando ficarão sem ver?
Quem minhas palavras vem do pensamento
e [que] pensamentos são ações incompletas.

Até quando serão medíocres
ao ponto de não saber se digo:
Ações, Palavras ou Pensamentos?

Escrito por Hugo Jardel "X" em 22 de Janeiro de 2004