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terça-feira, 21 de janeiro de 2014


O que sonha um cego de nascença
se visão nenhuma lhe foi dado?
sonho turvo, sons e espectros
cinestesia, vibrações e alegoria

o que pensa um surdo de pia
e sua voz ausente em pensamento?
imagem em movimento
sonho e nostalgia

silêncio e escuridão de tudo
somo todos obscuros /som mudo
que visão distorcida
temos todos nós do mundo

(Ítalo Lima)

E que sexo tem cheiro
Gosto e desejo
Que tem fome
E come calado
É gozo apenas
Sexo não tem cor
Só vontade
É sede que sacia
É suor na noite fria
E nas noites de lua cheia
Nunca chega calado

(Ítalo Lima)

O DIA EM QUE O HOMEM SE TORNOU VADIA



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013


o que sonha um cego de nascença
se visão nenhuma lhe foi dado?
sonho turvo, sons e espectros
sinestesia, vibrações e alegoria

o que pensa um surdo de pia
e sua voz ausente em pensamento?
imagem em movimento
sonho e nostalgia

silêncio e escuridão de tudo
somo todos obscuros /som mudo
que visão distorcida
temos todos nós do mundo

(Ítalo Lima)

Tempo curto


O que falam e gritam os ponteiros e seus ângulos quase certeiros?
Com seus tic-tacs que sempre correm e ecoam na noite sublime
Com ponteiros que sempre e comumente voltam pro mesmo ponto

As horas carreiras aqui vão e volta quase no mesmo eterno segundo
Todas na pressa de por vir, do atraso à chegada, não se prostam
Não se limitam jamais na espera, hora vaga ou hora quem dera

Que por valia ou por honra não se preza, a hora do rico ou do pobre
Deles as horas andam a fugir, a correr, pois lhes faltam a verdade:
Que hora nenhum se faz sacrifício pra quem vive intensamente

(Ítalo Lima)

P(ARTE)


eu decoro
de có
eu art déco

a arte
nunca é
uma só

(italo lima)

Flash


Que seja 7 a vida out
Nela boom retribuo
Breve ceita light on
Oh vida estrangeira
É flash, é vapt e vupt

(Italo Lima)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Amor subterrâneo


Encontrei-me perdido em uma tarde, sentado em algum desses cafés burguês da zona leste da cidade, apreciando a pobreza e o vazio dessa gente hipócrita, meditei. Enquanto isso, bebericava meu vermute, em súbito, flagrava-me rindo as alturas, diante da solidão em branco, foi quando então vi alguém chamar meu nome. Virei-me e dei com os olhos em Fabrício, frisei a vista, para então poder ter certeza daquela aparição inusitada. Cumprimente-o com um forte abraço e longo também. Há quanto tempo não o via, aqueles olhos verdes, pareciam ser a visão que nunca mais teria em vida, mas fui contemplado com tal graça plena. Nem acreditava naquele vão encontro. Tínhamos sidos grandes amigos na adolescência, compartilhávamos gostos estranhos e grotescos. Anos a fio e ele ali, diante dos meus olhos, como era bom tê-lo de volta. Mas havia uma angústia em seus olhos, uma angústia que gritava em agonia. O que havia ali, que gritava por socorro? Indaguei-o sobre tal tormento. Ele que quase em sussurro falou: “Aqui não”. Compreendi de imediato que a nossa conversa tinha de ser em particular, em um acordo sonoro entre a minha voz e a dele. Fugimos dali. Passeávamos de carro, por aquela avenida com nome de santo. Senti o peso entre o silêncio de nós dois, ainda sim continuei calado. Conduzi o veículo até o destino final. O chofer levou o carro embora. Ao entrarmos no elevador, vi que suas mãos estavam suadas. Parecia um sufoco, nosso silêncio nos deixava em asfixia. Estávamos então na cobertura daquele hotel de burgos, a vista era esplêndida, a avenida frei serafim fazia então alusão ao corpo humano, ela era então a veia e nela circulava os carros e seus faróis vermelhos, era tão automático aquele fluxo contínuo. Foi quando assustei-me ao ver Fabrício, seus olhos era lágrimas que percorria toda a sua pele e desaguava aflita. Hesitei ao querer tocar seu rosto, ainda sim o fiz. Minha mão era então navalha, ele sangrava por dentro, meu carinho era um corte lento, sem cicatriz. Sua voz me saiu como melodia, eu já distante de tudo o que houvera conduzi sua mão ao desejo mortal. Ele disse que me amava na língua húngara e aceitou o convite. Diante de nós havia um mundo, um abismo sem freio, ao qual nos atiramos. Fez-se dois corpos, uma só alma. Tudo parou, o trânsito, a veia e só!

Ítalo Lima (04/11/13)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sem demora



Esse homem que ostenta essa beleza frágil e hostil
Que oculta em sua face a imensidão de um sorriso
Esse homem que passa e me arrebata, que chegou e me invadiu
Alojou-se em meu ser e me entregou seu coração indeciso
Cheio de mágoas perdidas, calejado de sofrimento
Tão doído teu peito chora, ah se fosse por mim
Se fosse eu o senhor absoluto do teu pensamento
Não te farias sofrer, dando a tua dor um grande fim.
Esse homem que me devora, dor sutil - delicadeza
Nunca senti dor maior quando longe me apavora
Ah saudade doída, meus olhos é só tristeza...
Quando te vejo surgir toda dor vai embora
Vejo emergir em seu olhar, oh toda beleza
E para sempre ao teu lado ver o tempo sem demora

Ítalo Lima

Breve Consolo (Erótico)



A intenção estava no gesto
No olhar secante em meu corpo
Não havia sentimento
Apenas o desejo carnal
A busca feroz pelo prazer
Ser sensual era preciso
Meus seios duros apontavam
A direção exata e propícia
Minha tumidez exaltava
O cheiro máximo do prazer
Estava necessitada, louca
Fui consumida
Profundamente penetrada
O fel veio na hora exata
Jorramos juntos sem receio
Gotas brancas embelezava
O meu ventre liso
Fui breve e fria
Na minha rápida consolação.

(Ítalo Lima)

Poeminha

© 2011 M.G. Baskerville-King


Ele
Que
Não
Tem
Asa
Voa
Sem
Sair
Do
Chão

(Ítalo Lima)