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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sobre... a loucura do artista

Sobre a loucura do artista

“... e por não ser artista, ter a coragem de sê-lo, a fim de que nasçam artistas de vanguarda a partir de nossa pseudo-ignorância de retaguarda”

No começo é a dúvida e a dívida,
 a duodécima, a trocentésima, a “incontésima”(adágio chinfrim)
Por um pequeníssimo e estranho momento
Consegui deixar o vulgar e mental racionamento
Pensei no que vou legar pras futuras presentes gerações
E lembrei que ainda não tenho você perto de mim e nem tenho ações
Canto pra ti esta missiva de ‘trevés moderna
Ao contrário do que imaginava antes
Não consegui pensar mesmo no feriado da semana
de repente a língua sente saudades
Mas o que é que eu posso te explicar desse jeito
Se esse jogo é imprevisível e meus créditos estão expirando
Se essa dimensão que dão às coisas é incrível
pois não vivemos mais para o presente
Somos ainda e sempre serviçais de ilusões
na vidinha corriqueira em meio ao populacho
Nem amor mais nos é permitido fazer
porque o namoro nosso ao vizinho soa perversão
Nem amizade mais é preciso cativar
já que o convívio teu e meu ao outro parece imitação
O que pra nós são felicidades por alguns raros instantes
pra eles não passam da inconcebível loucura do artista.

(cont...)


Por João Paulo Mourão.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sobre mente


No que diz respeito a mente
engana-se sobretudo sobreposto
disponha-se para o indisposto
e se porte sem decência

É apenas sol:
não aguarde só pela noite
deleite-se em devorar-me
enquanto a ponta da lança hesita

No laço de fita
do traço calado

André Café

Haikai de um grito desmedido


Me cura ternura
devora a espera
me arde a loucura

André Café

Loucura



Eu dizia que ela cabia e me transbordava, feito maresia
corroendo o que há em excesso
no verso faz escorrer toda insensatez

Tez crua, nua, cravada e lavrada
em verdades e harmonias
tempestades, diástoles e respingos
num pingo de sobriedade

Me derrame, me declame
e me purifique
louco cura

André Café



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rios secos suspensos no mundo do Ar VII


Conta o conto deste mundo
nada além do bem sem mal
era um tempo assim profundo
muito mais que o absurdo
de qualquer sonho banal

Plantas multicoloridas
vidas pra onde quer que eu vá
ares, flores aquecidas
fontes bem abastecidas
de essência de xixá

Pássaro de quatro asas
louva-a-Deus de proteção
peixe vive fora d'água
cada bicho tem sua casa
com mureta e portão

Estas fontes sem textura
são suspensos rios secos
no mundo do ar, criatura
que gera tudo em ternura
das psicodelias achadas em becos

André Café

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

De poeta e louco ...



Quem é louco para não ser poesia?
quem é poesia para ser loucura girada?
sinto o floral de rodopios marcando em azul e lilás
os caminhos astrais de sorriso e carinho,
pois me cabe a loucura do ser louco,
pois me apetece a beleza do louco ser,
pois me invade o poder enlouquecer

Se meu compasso não obedece aos tratos e tratados
desenfreados de morais e moralidades requentadas;
se minha voz não se quantifica nem ressoa no cantar mórbido
e soberbo dos coros e decoros que reverberam as rotulantes
e cegas etiquetas:. por favor, um pouco de qualquer coisa não usual,
para o meu normal aprender: prazer sou loucura em ser

André Café

domingo, 5 de agosto de 2012

Loucarte






Loucarte

Se eu sinto no interior inquietude
Compareço diante de ti sem exaurir
Mostro-me inerte, sem pestanejar 
Que diabos de ego eu quero demonstrar?

Tenaz, sempre aquela voz diz-me:
Seja forte, e firme!
Ah! Quero é jogar tudo para alto!
Sem medir as consequências

Bem, ironicamente expeli tudo que cantava
Das minhas entranhas, e
Andei para aquele antigo precipício
O que faço?

Lá de baixo escuto ecos 
Sem me atentar, quase que desconverso
Olho, como quem desdenha daquele 
Vazio de rochas sem fim

Creio que não me merecem 
Nem para pintar de sangue 
Suas frestas e rugas
Desisti...

Voltei daquele lugar que perde
Em ser mórbido para mim
Garimpo outras formas, 
Outras notas de cheiros
Que busco em sentir

Sem oração, sem coração
Concentração!
Tudo remoendo aqui e clamando 
Pra deixar de existir

Captei, observei bem as frestas
Mas o breu que poderia turvar minha visão
Me mostrou que o problema não está ali, mas
Bem debaixo do meu nariz
E ainda me jogo daquele precipício
Mostro-me digna de respeito

Sociopata, caricata...
De segundo plano a antiga voz 
Se faz iludir...
Confio? Ainda me refuto a ouvir.


sábado, 23 de junho de 2012

Sangue, fogo, e uma pitada de algo mais.


Carrossel da vida,
Perigoso brinquedo deste parque de diversões.
Diversão? Para quem?
Complexo modo de viver, vivendo emoções.
"Fogo que arde... Sem se ver?"
Carrossel que gira perigosamente, entonta corações.
Girem, pobres pulsantes!
Bombeando sangue, fogo, loucura, criações.
E me deixem, enfim, descansar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mesa de bar


Com duas cervejas em três prédios
o tédio esquecido no lúpulo
cúmulus nimbus revolta em riso
e o trisco do dente na ponta do copo
meio cheio, de quase tudo
mudo, enquanto o gelo aquece e desce
lá do alto sobriedades disfarçadas
aqui no fogo, verdade servida com requinte
no limite do aguentar mais
desfaz a minha essência
começa doce, termina azul, preto, carmim
é meio fogo, não venta entre o vento
só o ausente permite reconhecimento
no terreno pantanoso da mesa do bar
é lá que vou encontrar
o altar dos meus pensamentos
enquanto sonho
com o sorriso escondido atrás da Brahma Chopp

André Café

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A beleza da tcha mãe


Ponto cirúrgico
Tcha! O flash no trágico rosto
Garrafa quebrada
Nada de cabelo loiro amanhã
brilham os autores do teatro
e no fim nada é demais

(Milla Ventura, Marcos Foyce, André Café, Rômulo Vieira, Mário Lacorrosivo, Malcon Barbosa)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Desgosto metades



Salvado Dalí - Canibalismo

O que querem de mim?
O que esperam de mim?
Por que esse mesmo receio?
Por que me sinto alheio?

Esse ser sou eu? Por onde sou?
Meu dilema beira a loucura
minha loucura beira o caos
Receio do erro. É demais querer tudo que quero?
Mas quem disse que eu não quero?

Essa espera de desesperança, entre o querer e consumir-se
entre o devaneio da certeza e a incerteza da verdade,
onde meu eu se perdeu no turbilhão de espasmos
me atira em caótica derrota

Que gosto tem o certo antes de provar o errado?
Se gosto do gosto. Se querem assim, desgosto.
E mais uma vez essa dissensão faz com me perca,
olhar pirueta, sugando de tudo que um dia o coração almeja

A tudo e a todos em cada segundo, por batida e olhar fixado,
mas encarcerado em meus receios, sorvo apenas aquilo que se reflete
em angústias vãs, minha pele rasga, tentando ao menos tocar
o fio inebriante ao descanso na janela da alma

e me afogo em nova derrocada

e me afogo em metades,
em raspas,
em restos,
em partes.
Desgosto metades.

(Isadora Carvalho & André Café)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Loucura?


O proponente que propõe
De repente pressupõe
O mal feito cometido
Escarrado e não cuspido
O bravejo revelava
Que sua cara deslavada
Era fonte de loucura
Parecia mal sem cura
Tentando remendar o feito errado
Pois quando era feriado
Numa noite de inverno
Mandou um jovem pro inferno
O expulsando de sua casa
E com fogo frente em brasa
Foi queimando sua bunda
O jogando numa lama imunda
Onde os olhos quase choravam
E os porcos se esbaldavam
Pelo fedor que aquilo era
Mas sorrindo da janela
Com a loucura em pleno ataque
O velho sequer lembrava
Que o jovem queimado em brasa
Era o mesmo que um dia
Quando ele, no chão se rebatia
O salvou de sua morte
Foi um golpe de sorte
Ter encontrado tal menino
E acabou se redimindo
Lhe dando um teto e de comer
Mas vez e outra sem o reconhecer
Quando a loucura entra sem pedir
O jovem sofre a duras penas
O resultado de um mal dito sem cura
Que muitos chamam de loucura
Mas que é transmitido pela pobreza
E tem como sintoma a fome, o cansaço e a tristeza 

[Luan Matheus]