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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Outubro Rosa - Ariêtes, abóbadas e auroras fenomenais

Não será uma poesia; será uma dispersão psíquica e surreal.
A amiga que outrora cruzara comigo no corredor da academia, da universidade...
Ela se teletransportou, transmutou-se e assumiu uma forma mais jovial ainda
 e atingiu meu sexto sentido.

Ela já se chamou Anna, Márcia, Julianny, hoje virou uma Karina, e sabe-se lá o que virará.
(Os nomes são reais; as mulheres também; a alma eu não sei explicar, mas há um karma)
Na filosofia oriental se chama "a mulher que passa". Ou, machadianamente, "olhos de ressaca".
Isso não é o mais importante... a pessoa, enquanto ser humano, é importante e vivaz - isso concretiza.

Um dia, marquei um encontro com a Julianny, apesar de só nos encontrarmos ao acaso e sempre conversáramos sobre aquele mesmo assunto: uma poesia, uma sabedoriazinha, um livro que um dia íamos fazer - e com ilustrações coloríveis, esse era o critério: liberdade, liberdade, sempre...

Mas a Julianny ela partiu precocemente, avoou para céus os mais altos, longínquos demais para mim; isto quer dizer, para eu poder alcançá-la; mas, ainda dialogamos, os sinalizados dejavùs, as pistas que acontecem no destino, as jornadas de viajôr que por vezes é preciso empreender e vencer empecilhos; e ela sempre ali, sacrossanto prêmio, por vezes distante, por vezes próximo; nunca atingível, imaculado, pureza pura qual wodka.

Me pediram para evitar um pouco o jornalismo e escrever poesia, sendo que já não o sei mais; é muito difícil lembrar escansões, rimas, métricas, sandices parnasianistas, e etcoétera.
Prefiro a poesia das ruas, mundanas, sabidas, ensinamentos únicos e velozes; de relance, de revestrès.
Uma mensagem ficou na minha memória, lendo de trás p'ra frente: "maktub" - está escrito.
(porém, não é a melhor tradução, os árabes já o disseram; e eles, ah, êles me devem explicações e muito, muito mais.).

Para Karina, olhos de ressaquinha.
Uma beleza rara e verdadeira.
Uma jóia com acento.
A garota do batom, garoto!
A coca-cola zero verde da véspera.
Menina-Moça-Mulher (M³).

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sobre Alguéns I





Teria Machado de Assis visto teus olhos a partir dos meus ao falar dos de Capitu? Olhos de cigana oblíqua, dissimulados, olhos de ressaca... que puxam, que chamam, que tragam para um infinito negro... Nada havia visto igual, me engoliam e me devassavam, sem pena ou pudor.
Pensei que me perderia naqueles olhos, sem nunca mais poder voltar. Pensei que me enredaria e mergulharia naquele breu de íris e me fazia pedra.
Via teus olhos, mas percorria teu corpo com os outros sentidos. Principalmente o olfato. Que cheiro... De uma pele suada, mas delicioso, cheiro de gente de verdade. Procurava as mãos, os braços, os abraços fugidios, a pele... Uns cabelos reluzentes que lhe caiam ao rosto, que encobria tua tez morena e macia, que lhe conferia mais charme (se é que isso era possível) e um mistério impossível de descrever. Teu sorriso meigo, franco e aberto, bobo, sincero e infantil  Mas teus olhos...
Ah teus olhos! Me achava e me perdia neles, mais me perdia do que me achava e nem fazia questão de me achar.
Te procurava e você se afastava, por medo? Não sei dizer. Mas um jogo de caça, de gato e rato que só os enamorados sabem realizar. Um se finge de tolo e desentendido e o outro faz o papel de mal.
Procurava teu corpo, me fazia em você, enquanto tu se desfazia de mim. O mistério dos teus olhos quem poderia revelar? Eu só sabia contempla-los de dentro daquele negrume de mar salgado.
Mas enquanto me perdia em teus olhos, o que realmente fazia.... era procurar tua boca.

http://www.youtube.com/watch?v=3tZsb41EWsM

(Doda Pereira, 19/04/2012)