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quinta-feira, 26 de julho de 2012



o mundo lá fora corre tão depressa.
e o meu é tão meu, lento.
não sou chave nesses tempos.
não sinto encaixe.
não sei derrotar golias dia-a-dia
porque ainda estou pensando como atacar.
mas o mundo é tão depressa.

só sei amar.
e no amor, esperar
que o mundo ao meu redor gire um pouco mais devagar.
ele não vai.
são passos tantos os que estão próximos...
e a respiração é pouca
não consigo alcançá-los.
é quando exijo respeito do meu espelho.
mas é só meu quarto.
dos meus pensamentos e agonias.
o mundo continua rápido.

achei que na lentidão da partilha
os passos se acertassem.
não vão.
não sou chave nesses tempos.
não sinto encaixe.
vou sonhar, devagar.

Juliana de Andrade

terça-feira, 13 de dezembro de 2011



eu e meu canto de desaprender...
que tem dia que a voz abafa
que tem noite que o silêncio grita.
que coisa bonita nesse mundo, meu dengo, é deixar pulsar, é deixar mostrar.

vou seguindo os teus sinais.
contentando a espera com o que me dizem.
me dizem tanto os versos alheios.
me dizem nada os versos alheios.
eram do mundo, eram de ninguém, eram teu peito falando.
eram meus, meu dengo, aqueles versos eleitos?

eu tenho a doce ilusão de que teus ouvidos me procuram
e me acham em alguma rima violada, ou em alguma alma cantada...
é que indagar nem é mais minha sina.
que tem dia que a voz abafa,
que tem noite que o silêncio grita.

que coisa bonita nesse mundo, meu dengo, é dar movimento ao amor, é amar a vida em movimento.
no som das palavras, na mudez dos versos.
eu e meu canto de desaprender...

Juliana de Andrade

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Bumerangue


Vá!
Cantai a liberdade
Pegue o vento e dele faça as horas
Faça ecoar teu riso e tua voz
Não te esqueças do samba que tanto gostas de entoar
Nem abra mão do violão que te põe a cantarolar, a batucar, a vadiar...

Mas volte...
Não te esqueças que aqui deixastes a graça e enxugastes o pranto
Levastes o perfume mas ficastes em canto
Deixaste a espera, as mãos inquietas e a incerteza atormentando
Deixastes o desejo gritando...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rotina


Veste-me com a melhor roupa.
Despe-me até a alma.
Finge. Desdenha. Insatisfaz.
O sol nasce sempre mais cedo.
E se põe na mesma velocidade.

Deturpa. Bagunça. Confunde.
Inebria. Encanta. Desencanta. Joga fora.
As mãos estão sempre vazias.
E o peito cheio de nada.
Um nada tão profundo...

Uma posse despossuída.
Só os olhos mais alertas podem ver.
O lixo se acumula. O lixo está no chão.
O chão é o limite. E o lixo se vai.

Em qual bueiro foi parar meu coração?

(Juliana de Andrade - Em 17/03/2008)

domingo, 31 de julho de 2011

Céu-Mar



Feeling the blues
Na brisa azul
Delicadeza azul
Num balanço envolvente
Feeling blue.
Na voz suave
No toque da pele
No vento azul
Feeling blue?
Na melodia das notas
simples notas.
Paz de espírito
Brisa da respiração
Do corpo que chora o vento azul
Feeling the blues.


Juliana de Andrade

quinta-feira, 28 de julho de 2011

arianamente irrepreensível


desde muito criança aprendi que fantasiar deixa um gosto de frustração na boca e um cheiro de vontade abafada na pele. quer dizer, aprendi?

fato é que o tempo passa, o corpo dá seus sinais de desgaste e você continua ali, fantasiando. por essas e outras, sinto raiva da paciência, da ponderação e da razão que não se casa com a emoção. não admito que me peçam calma depois de 24 anos de voltas em círculos.

tenho pressa. e não é por medo da morte não. é por medo da vida. da vida que perde encanto quando a gente olha pra trás e vê que não fez nem décima parte do que se planejou ou sonhou ou fantasiou fazer.

eu quero mesmo é ver gente. sentir seus cheiros, de perfume, de cerveja, de pele, de cigarro, de noite. quero ficar numa corda bamba, tentado me equilibrar com algumas incontáveis doses de álcool nas veias. quero não ter hora pra voltar, perder as chaves em algum lugar e acordar com minhas sandálias nas mãos. quero nem saber que dia é e ouvir histórias absurdas da noite passada até não mais duvidar do tanto de bem que a embriaguez me faz. antes, quero uma embriaguez compartilhada, sentida, celebrada, nua, excitada, gozada, orgástica, e de novo, e de novo e de novo.

quero carregar na roupa as marcas do despudor e ver o sol nascer no meio da rua, no topo do prédio mais alto da cidade, ou no banco da praça onde vagabundamente deitei meu deleite de alma sedenta de corpos. eu prefiro a vadiagem da liberdade ao choro desolado do nome de moça, menina ou mulher que, atemporalmente, me foi tatuado. eu quero, no vento da noite, esparramar desejos, na pele colecionar beijos, nos dedos inquietos conduzir a rendição, nos pés bêbados perfazer os passos trôpegos do descontrole e do prazer.

quero da ressaca só a saudade. do espelho, o reflexo da libertinagem. da alma, a leveza. dos sorrisos, a multiplicação. da vida, o sabor de ser gente, de mente, de pele, de hormônio e carne, que se entrega e se enrijece e dança e se desgoverna.

das minhas querências sobra nem o medo da repressão. sobra é o desprezo pela censura e pela decepção da espera. quero mais não.é preciso peito pra encarar a solidão e ganhar a briga. tenho dois. além da vontade irresistível de ser do mundo, de recuperar do tempo o que meu corpo chama de meu.

eu quero tudo. eu quero muito. e eu quero agora.

(Juliana de Andrade Marreiros)