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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Primeiro mês.


Desejo teus abraços a cada dia, até a pouca melanina se esvair dos meus cabelos, até a pele perder a elasticidade. Cada ruga surgida enquanto te tenho comigo será de sorrisos, nos cantinhos externos dos olhos, de felicidade.

E mesmo com os movimentos restritos e mais lentos, e a memória teimando em falhar, me lembrar de desejar que aquelas histórias de reencarnações sejam verdadeiras, só para eu ter esperanças de viver mais infinitas vidas ao seu lado.

Tua mão na minha: armadura contra as infelicidades. Teu colo: minha canção de ninar. Teu amor que me afaga e faz meus dias mais felizes.

Trinta dias de saudades diárias, amenizadas por poucas míseras horas durante um dia no final de semana. Quatro semanas de sorrisos com mensagens ao acordar e dormir. Um mês de amores, que anestesiam boa parte das minhas pressões e preocupações. Apenas o primeiro da vida.

Te amo, hoje um mês mais. 

De Mayara Valença para Jônatas freitas.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sob tuas telhas



Chego ao portão e já sinto teu cheiro - está por toda a casa, inebriante. 

Entre um beijo e outro, o ouvido encostado no teu peito, sinto-o pulsar. O meu, tão forte, que a certa altura já não sei o que é meu, o que é teu, ou se é nosso.

Entre silêncios e piadas bobas, o abraço que poderia durar uma vida. Cada sinal, cada curva, cada pelo despontado da barba. Percorro minha mão no teu rosto, pedindo que fosse possível que o mundo se esquecesse de nós pela próxima semana. E poder aproveitar uma centena de minutos assim.

Amanhecer-te em mim.


(Mayara Valença)

domingo, 26 de agosto de 2012


Após lágrimas de mágoa,
incompreensão
e dor
Estas, hoje, são de alegria
Não há mais solidão;
Encontrou, enfim,
O amor.

(Mayara Valença)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012



Sou aquela que escreve pela dor, pela tristeza.

Medíocre cronista, por faltarem-lhe as palavras.
Que sente, forte o suficiente para fazer bater mais forte o equivalente a dez corações, e simplesmente não pode traduzir este signo em palavras. Posto que é verdadeiro, feliz, intenso a ponto de sufocar, por vezes. Mas que provoca sorrisos no mais ansioso dos dias. Não, não há um significante profundo o suficiente para definir isso em uma palavra. Só é. E é feliz.

Sou feliz contigo, Jônatas Freitas. ♥

(Mayara Valença)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Enrola-te em ondas, moça, da mesma forma que em um edredom em noites geladas.

E aproveita, pois esse calor é humano, cheio de afagos, e peles, e tatos, e pelos eriçados. Esquenta o corpo, ruboriza a face, tal e tão profundo a alcançar o coração. Este, na pressa pelo reencontro, eleva seus batimentos, como se tentasse fazer o relógio pulsar tão rápido quanto. 

E foi apenas o primeiro dia.

19-ago-2012
(Mayara Valença)

domingo, 19 de agosto de 2012

De Stephanie a Stéphane



Ganha o nome de uma princesa quebradora de regras, justamente pela personalidade desta. Mas um tiro que sai pelo lado errado. Deveria ser sobre a sociedade, mas se esquecem que a família é o primeiro círculo social do indivíduo. E o primeiro a ser conflitado.
Não me exija adequação às normas. Tuas verdades muitas vezes não irão condizer com as minhas. Não que eu ou você estejamos mais ou menos corretos.
Talvez a causalidade dos nomes homenagiosos tenham sido falhos pra ti. Agora é tarde: tal qual para a família Grimalde.

(Mayara Valença)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Quanta vida pode existir em uma rua?


          Centenas, ou talvez milhares, de pessoas transitam pelo calçadão diariamente. Uma profusão de mentes circulantes, com suas preocupações e meias peculiaridades. Tem aquela senhora robusta, com seus setenta e poucos anos, no seu vestido branco com estampa preta e indefinida, caminhando desengonçada. A mulher que leva a garotinha, provavelmente sua filha, pela mão, vestida numa malha rosa e tutu de bailarina, de tal forma que suas jovens perninhas quase não acompanham o andar apressado da suposta mãe.
            Também transitam jovens em uniforme escolar, alguns saídos das longas aulas que acabam após as 14h, outros simplesmente as gazeiam; o ambiente escolar é lindamente tedioso aos dezesseis anos. Tem aquela moça jovem, em sua camisa social branca aprumada por dentro da saia-lápis de cintura alta – arrisco dizer: um uniforme de trabalho -, que corta a rua cheia de pressa, com caixas empilhadas nos braços.
            Aquela profusão de sons; algumas lojas sintonizam nas rádios FMs, outras colocam suas propagandas e promoções repetitivamente tarde adentro. E ainda há aqueles em clima junino, pelos quais passamos a ouvir antiguidades, como “eu vou me atrepar num pé de coco, pra saber se o coco é oco, pra saber se o coco é oco...”.
            Crianças... Sempre há crianças a repuxar os braços cansados dos pais, encantados com algumas vitrines infantis. Ou com o ambulante que vende os irritantes brinquedos de bate-bolas, que parecem se multiplicar tão rápido quanto baratas. Sim, é possível ser uma velha ranzinza aos 23 anos.
            E mesmo com as altas temperaturas teresinenses, há os casais de jovens, às 15 horas de uma quarta-feira, a conversar timidamente sentados nos bancos, de mãos trêmulas pela proximidade, pelo desejo e pela timidez. Ou o vendedor idoso do carrinho de água de coco, que conversa simpaticamente, como se não houvesse todo aquele barulho, calor, mau humor de alguns compradores ou cansaço por passar o dia em pé, a trabalho.
            O sol cai, o movimento diminui, trabalhadores se preparam ansiosamente para o descanso. Baixam as portas do comércio; o senhorzinho – aquele mesmo da água de coco -, vai para casa, ainda com seu sorriso convidativo para jogar conversa fora, apesar de exausto, e a rua se prepara para dormir. E acordar na manhã seguinte novamente, com outras tantas pessoas pulsando como sangue, em um bater de coração, dando-lhe vida novamente.

Mayara Valença
20/06/2012
Rua Simplício Mendes, THE/PI 

terça-feira, 17 de julho de 2012


É pelo desejo êxito, a ansiedade. É pela possibilidade do fracasso, o medo. É pisando em incertezas que vivo.

(Mayara Valença)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O silêncio também é conversa


Descansam as cordas enquanto os corpos se tateiam em uma sincronia quase ensaiada, de gestos espontâneos, impulsivos, conversando em pele enquanto os pelos se eriçam em gritos de satisfação.
Não foi preciso pronunciar uma única palavra e, ainda assim, um diálogo extenso. Intenso.

(Mayara Valença)

terça-feira, 12 de junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012


Corações desabrigados


Ah, esses coitados sem-teto! Chove granizo, ventos fortes lhes cegam com a areia que teima em acertar os locais mais incômodos, o sol forte resseca seu revestimento. Natureza quase impiedosa. Nessas condições, quando todos os lares parecem ocupados, na sua lotação máxima, tais seres se protegem como podem. 

Alguns criam resistência às intempéries, outros se conformam com abrigos temporários, que lhes tragam proteção e um mínimo de conforto, mesmo que momentâneos. E partem para o próximo quando estes já não suprem as necessidades mínimas. Outros se apertam como podem, aceitando viver apertadinhos junto com outros, dividindo tudo minimamente, na esperança de ganhar um pouco mais de espaço mais adiante. 

Mas a constante mesmo é que eles sobrevivem. Mesmo que pouco alimentados, dos mais diversos sentimentos, ou algumas vezes maltratados. Uns se alimentam de tal forma que a indigestão não perdoa; uma hora gorfam tudo o que colocaram pra dentro. Mas vivem. Sempre dão um jeito. Mesmo que sob uma coberta esfarrapada, num cantinho apertado, para se proteger da chuva.


(Mayara Valença)

Inspirada por Gildean Tiago


domingo, 3 de junho de 2012

Rasga a carne
em mil pedaços
E se faz inteiro.


(Mayara Valença)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Coqueta Bailando Painting - Coqueta Bailando Fine Art Print - Oscar Galvan

Tanta atenção à fala
quando as cordas vocais me amarram.
Deixa-me expressar pelo corpo, leve e livre, como uma transcrição sem palavras da alma, os sentimentos pelos sentidos. Dança solta e baila a vida.

(Mayara Valença)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um contrato de aluguel qualquer.


Senhor inquilino,

O prazo do contrato estabelecido por vossa senhoria já expirou. No entanto, no local ainda se encontram alguns de seus pertences, o que atrapalha o negocio locatário.
Tendo em vista esse impasse, requisita-se uma renovação do contrato ou a desocupação total do imóvel. Desta forma, outros inquilinos mais interessados podem ocupar o lugar. Pensando no bem estar de todos, agradecemos a sua atenção.
Caso a resolução já tenha sido tomada na data do recebimento desta carta, favor desconsiderá-la.

Atenciosamente,

A Direção.

(Mayara Valença)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Boderlineando

Odara
Daora
Adora
Adorável Daorinha.

De Mayara Valença para Raíssa Cagliari





sexta-feira, 23 de março de 2012

Reflexões após assistir a vídeos demonstrativos de fissão nuclear




- Como pode algo tão destrutivo ser tão lindo?

- As explosões atômicas?
- Não. O amor.

(Mayara Valença)
 

Candy cotton em mim

Se o céu tivesse sistema nervoso
Arranha-céus nele cócegas fariam?
Me embrenharia em seu cume, como quem nada quer
desejando alcançar suas entranhas gordinhas e fofas chamadas nuvens.
Tão leves que flutuam; e em suas barrigas colocaria minhas tristezas
As levariam para longe, para onde o vento bem quisesse,
E o céu, sorridentemente, padeceria. 



(Mayara Valença)


De Mayara Valença para Jonatas Freitas e Eric Araújo. (:




Rubro em alvo



Como adolescente
Na face brota o rubor
Como criança
Triste se faz na ausência
Como alguém que ama
Infinito-se-torne-o-tempo-de-um-abraço,
deseeeeeeeja.

(Mayara Valença)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Subversão da beleza do ser



Bonito é o que te faz sorrir. 
Padrões, modelos, nada disso me serve. É uma busca cansativa e quase sempre frustrada. Frustrante.
Esqueço a porta e olho através da janela. A mesma paisagem, entrecortada por uma moldura digna de quadro. Um quadro real, tátil. Vivo.
Beleza é aquilo que te prende, de mansinho, como não quer nada - ou muita coisa -, e te faz esquecer, com sorrisos, as desordens cotidianas. Sentir três horas passarem como três minutos. Arrepiar-te os pelos sem sequer um roçar de peles. Sem ao menos palavras.
Quem se importa se o acesso pela janela é mais difícil, quando o prêmio faz valer o esforço?
Lindo é o que vem no inesperado, sendo inesperadamente agradável. Do nada surge e já te faz falta. Acompanham taquicardias.
Dorme, criança. Belamente, com um sorriso sincero.

(Mayara Valença)


sexta-feira, 16 de março de 2012

Viagem em três atos

Por um botão de retorno
Voltar ao ponto de partida, com a sapiência de quem vem de um futuro transgredido e falho.
Recortar atos, reposicionar frases mal ditas, agir no momento certo. Esperar. Esperar pacientemente com a certeza de que valerá a pena.
Um deja vú distorcido, que ao invés de repetir as cenas permite evitar os tropeços da primeira caminhada.

Por um botão de retorno com a opção de borracha
Porque, por mais que se tente reescrever os caminhos, as mágoas posteriores ficam, a possibilidade do erro - próprio e alheio - trazem o rancor pela recorrência. Ou por sua possibilidade e iminência, pelo ainda não acontecido.

Por um botão de apagar
Apagam-se os erros, o próprio e o alheio - mais uma vez -, e não lhes resta uma memória, verdadeira porém cruel, de que no futuro tudo aquilo acabará mal.

(Mayara Valença)