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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Não temos mais o que tínhamos antes

Enquanto jogava as coisas dele pra fora do meu apartamento, me perguntava onde estava aquele rapaz carinhoso, honesto, presente, fiel. Era esse homem que eu amava e não esse que eu estava enxotando pra fora de casa, esse que guardava mensagens com outras no celular, que me desrepeitou, que jogou tudo nosso fora por causa de capricho, de aventura, falta de vergonha ou sabe-se lá que nome devo dar a isso.



Nenhuma desculpa é justificável. Poxa, se quer ficar com outra pessoa, primeiro fica sozinho, me tirava dessa. Mas não, tem que ser egoísta, tem que mostrar que é viril, homem pegador. Pra mim agora ele é menor que uma formiga.


Se eu perdoaria uma traição? Claro, se Deus me perdoasse por eu torturá-lo minuto à minuto com um ferro em brasas passeando em seu corpo e fizesse picadinho do pintinho dele, acho que sim.


(Rosseane Ribeiro)

Os melhores casais

 
Os melhores casais choram de tanto rir. Não mudam, se adaptam. Não desistem, resistem. Os melhores casais arrumam a roupa do outro, limpam a boca depois do lanche. Não jogam na cara, jogam pra fora. As desconfianças, os medos, erros, fotos... Dividem a conta, os problemas, a cama, as diferenças. Os melhores casais não se enfeitam pra postar foto em facebook. Os melhores casais se enfeitam pra guar...darem as suas mais bonitas imagens, as que os olhos revelam. Assistem lagoa azul pela milésima vez na globo só pela pipoca, beijos nos intervalos, tv desligada, só eles depois. Os melhores casais são os leves, engraçados. Os melhores casais brigam e muito. Discutem, dizem que não querem mais, jogam tudo pro alto, e, depois, te rabinho preso, ficam aparando desculpas aqui, saudades acolá. Para serem bons, melhoraram o que tinham de ruim e se tornaram os melhores casais.

 (Rosseane Ribeiro)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Eu sinto tanto quanto você


-A sua arte de ser mais que um artista, não sei, tem um quê aí de proibido, de “você sabe tão bem  quanto eu” o que está acontecendo com a gente, separados, nada de saber um do outro convivendo. Acho que você viveu o que estou tentando me afastar agora.

-Quem vai chorar por nós? É o que me resta, te sobra, ou sei lá. Acho que já é hora de terminar mesmo, ponto final, um pra cada lado. Você sabe que essa história não vai dar em nada. Você o conhece, sabe bem que somos diferentes, que eu não estou à vontade.

-Você acha que é mal de artistas? Esses amores efêmeros, complicados, melódicos demais? Não há mais nada o que fazer. É como naquele velho ditado: “o interessado dá o jeito”. E você me vem com essa nova, de que o foda é o desinteresse; De que não há mais jeito, mas há outras pessoas. E eu me pego perigosamente pensando nisso, em você, talvez. Esquece, não liga.

-Realmente, está provado que os opostos não se atraem. As pessoas precisam ser muito parecidas para engrenar a coisa. Saiba, garota, quando há diferença demais entre um homem e uma mulher, o sexo parece ser o ponto incomum e isso é uma merda. Nem só de sexo sobrevive o homem. Aprenda: não se caminha em lugares onde (se sabe) que não se chega a lugar algum...
-E você acha que eu devo parar? Fala alguma coisa, estou sem norte, não sei pra onde ir nem ficar.
- Escreva um livro, desapegue-se. É mais saudável e motivante do que encontrar um amor que não existe. Esse seu aí... Eu já desisti. A vida me ensinou à tapas como lidar com o amor. Hoje estou sozinho. A música, a poesia, a bebida e até a própria vida vazia servem de companhia. Essa fugacidade toda às vezes preenche. Outras vezes enche.

- Ao menos me prometa estar por aqui quando eu estiver à tua procura. Você sabe, poetas não conversam, versejam.


 (Rosseane Ribeiro e Taiguara Bruno)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

o nosso amor vai morar em Minas ou no Piauí


Foi assim que aconteceu, olha o perigo
Nada programado, foi de improviso
Até parece que estávamos guardados

Sinto muito, que Deus nos perdoe
Não, na verdade, que nos abençõe
Que venham muito frutos, muitos risos
Que nos leve pra (b)mares ou paraísos

O nós agora é você e eu
Meu mundo agora faz parte do seu
Meu corpo é o mapa que te perdeu

Ninguém vai atrapalhar
Ninguém pra nos impedir, separar
Ninguém cabe aqui,
Ninguém mais vai servir

(Rosseane Ribeiro)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Deixa minha poesia te grudar


Eu  proponho a gente se amar
Assim, devagar, vai topar?
Deixar o corpo falar
Ah, você gosta, deixa minha poesia te grudar

Resistir ao que se quer é apenas um jogo
amanheço no teu jeito; eu sei das tuas manhas
só que agora, sem façanha,
estou cravado no teu mundo
do teu cheiro faço parte:
te proponho a boa arte
de um amor bem vagabundo

E se eu aceitar ser tua parte,
vou te ter todo os dias?
Tipo, posso te abusar?
Posso dizer baboseiras só pra te excitar?
Posso em teu desejo me instalar?

Aquilo que te cabe é minha loucura
e ela não cessa, não antes da libido dizer:
'chega!!' ou dizer: 'assim e quero mais!'
o enredo irá sentir que só uma parte é diminuta;
nessa permuta labutada,
dou-me todo, sirva-se completamente
e me alimente da forma mais depravada

Então eu proponho fazer do meu corpo tua escrava
Sentir todo teu peso e ficar aliviada
Só dou-me a ti, não quero mais nada

Então tudo bem
Um ao outro a gente tem
até a última luz apagada


Rosseane e André Café

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Uma companhia só


Ame sem apego, sem posse, sem infinitos... Tudo um dia se acaba e se nós já sabemos disso, então pra quê querer  recorrer aos milagres ou tapar a visão pra não enxergar o óbvio?
Não se prive de satisfazer o que você quer. Toda vez que quiser se arriscar por alguém, fique em silêncio, pare e pense se ele faria algo parecido por você e com você. O outro vai ser sempre a dúvida, o desconhecido, o futuro. Ora, se às vezes até nós mesmos nos escondemos dentro no nosso íntimo quando tentamos arrancar as respostas para as perguntas que nos fazemos, o outro sempre terá o cuidado de nunca se mostrar completamente. É defesa, é truque.

Ame o que é seu. Ame o que ninguém pode lhe tirar. Ame você, ame seus pais, ame seus irmãos. Ame o que te faz bem, o que te traz mais pra perto de si próprio. Ao outro a gente nunca se dá por inteiro, todo, sem sobras, a gente apenas se dá ao deleite de fazer companhia à essa outra metade.

(Rosseane Ribeiro) 

Só que hoje a gente estagnou em um ponto que meu pensamento não avança e nada nele povoa senão a pergunta: Porquê isso aconteceu com a gente se estávamos tão bem? E é nesse ponto que ele retroage: Só me apego às boas lembranças, ao que nos fazia bem. Não vejo solução nem vejo que tudo está perdido, apesar de tudo.

Rosseane Ribeiro

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Esse homem que amei


Esse homem que amei
era o meu melhor amigo
quem ontem lágrimas derramei
rogando ao céu um abrigo

Esse homem que amei mentiu
embora sei que tens alma gentil
não me cortou mas me feriu

Esse homem que amei
desta minh'alma entrevada
não soube os risos admirar
nem as lágrimas enxugar

Esse homem que amei
rendi a alma, o corpo, os versos
e meu eu fora da lei.

(Rosseane Ribeiro)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sentença


-  Sinto muito por ele ter me pego no flagra.  
- Moça, nenhum homem perdoa o que você fez. Acho que nem Deus.
- Eu não matei ninguém. Não cometi nenhum crime que eu mereça prisão perpétua.
- Ele nos matou dentro dele. E eu vivia aprisionada dentro de mim. Não foi eu quem errou primeiro.
- Ele te pegou transando com outro e você está preocupada com quem errou primeiro?
- Só por que eu estava na cama com outro não significa que eu não o ame ou ame-o menos. Você não sabe nada de amor e quer me dar lição?!
- Eu tinha motivos para estar ali. Também não quero que meus erros justifiquem o fato de eu estar ali.
Primeiro: Eu sempre estive disponível para ele. Mas ele nunca mudou sua rotina nem cancelou algum compromisso por mim. Só existia eu para lutar por nós dois.
Segundo: Fui dando alguns sinais, quis conversar sobre o assunto mas a única coisa que ele me falava era que o dia estava cheio, tinha muito trabalho para fazer e que eu não me preocupasse: iria dar certo. Isso era um tiro no meu peito.
Terceiro: Quando foi a última vez que ele veio me ver, você lembra? Nem eu...
-  Moça, isso não era motivo para você trair ele desse jeito. Tentasse resolver a situação de outro jeito. Terminasse então;
- Eu não queria e não quero terminar. Para mim a nossa história teria que ter um enredo diferente. Parece mais que eu era a protagonista e ele o Antagonista.
Essa falta de tempo, de interesse, essa dificuldade em demonstrar os sentimentos acaba por destruir pontes, derrubar alicerces e transformar as oportunidades em ciladas. Quem disse onde começa e termina o Amor? Quem sabe quais as instruções seguir para que nada dê errado? Não há fórmulas mágicas, varinha de condão, escolhas. O amor simplesmente acontece. E há aqueles que mesmo antes de acontecer já acabam.
- O que você pretende fazer agora?
- Não sei. Ele nem quer ver a minha cara. Não me liga, não atende minhas ligações. Eu só queria falar o que ainda estava engasgado.
- Você tem algum recado pra ele?
- Tenho. Que em seus próximos relacionamentos ele valorize mais quem está do lado. Que ele nunca mais deixe a sua namorada em casa enquanto ele sai com os amigos. Que não rejeite o carinho de uma mulher porque está com sono; que não deixe de dar presentes, de perguntar como é que foi seu dia. Quando nos propomos a estar com outra pessoa, nossas coisas não pertencem somente a nós. Ele não soube dividir os problemas dele comigo e eu acabei dividindo as minhas coisas, dores, vontades e desejos com outra pessoa.
- Estou absolvida?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A cura


Desculpa por eu ter te procurado justo quando você se escondeu. Eu tinha pendências, quis resolver; Não terminamos bem; Ficou mágoa, ressentimento, raiva, saudade, tristeza. Ficaram coisas que deviam ter estado comigo e você levou consigo coisas que não lhe pertenciam;
Das vezes que nos encontramos, você agora sabe, não tive coragem de chegar perto, me aproximar.  Era um risco, eu não queria ser ignorada. E me ignorar era um recurso seu de defesa. Agora já consigo entender melhor o que passava na sua cabeça.
Se eu sofri? E muito! Sofri por te fazer sofrer; sofri por ter te perdido; sofri por minha imaturidade, sua arrogância. Nossa infantilidade, coisa de adultos mal acostumados.
Também percebi que o tempo maltratou-nos por dentro, por fora continuamos bonitos, com um sorriso na boca e os olhos curiosos. Vi que a felicidade andou visitando a sua morada. Estamos bem, só precisamos deixar o perdão fazer o seu papel e adormecer as mágoas do passado. O passado que agora é o nosso presente.

Sim, eu te perdoo por não saber me perdoar. Eu também precisei de um tempo. Estive disposta a esperar pelo seu.
Sim, eu te perdoo por amar demais. Depois isso foi alicerce para um lição que tive.
Sim, eu te perdoo por ter fugido, era sua defesa, não era?
Perdoe-me também. Mil perdões... Perdoe-me por ter sido tão perfeccionista, por ter tido ciúme de menos, por ter te dado carinho de menos, por ter estado tão pouco com você. Dê-me a cura deste meu mal que há mil noites não me deixa dormir. A consciência é um bicho que morde.

Desculpa por eu agora ter aparecido, sem ao menos me dar conta do perigo que eu e você estamos expostos: o perigo de novamente sentirmos raiva um do outro, o perigo de novamente nos aproximarmos e nos perdermos. O perigo de estarmos a salvo, no fim, quem  irá saber?

(Rosseane Ribeiro)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Mais da mesma saudade







Saudade. Não estamos perto. Não somos mais como antes. O meu relógio parou, o dia é longo demais, as noites não me clareiam. Saudade. De te sentir. Pertencer. Sobreviver. Ficar junto, nós.  Saudade de sentir que as suas coisas ainda me pertenciam. O que é estranho, porque é aquela saudade que avisa que o fim está chegando. Eu fique em sobreaviso. Cada vez me ligava menos, se afastava mais, usava desculpas que não desciam goela abaixo. Vai ser difícil conviver com essa sensação de abandono. Precaução. Te perder.
 Eu não dei motivo, não fiz nada de errado, não tive culpa. Apenas aconteceu,  Essa saudade que ainda hoje me acompanha é aquela saudade que a mulher sente pelo marido quando ele sai de casa para trabalhar e demora um pouquinho para voltar. É a saudade que o marido sente da mulher quando ela se atrasa meia hora para chegar. É a saudade de quando os amantes se amam e depois dos corpos recolhidos na cama, cansados, viram um pra lá e o outro para cá. É a saudade da menina que passou a manhã na escola e chega em casa dando aquele abraço na mãe. É aquela saudade do casal de velhinhos que não se tocam como antigamente. É aquela saudade de ir e que acaba quando voltar. É aquela saudade que ainda cabia entre os nossos corpos quando a gente se abraçava e era nessa hora que eu apertava-lhe junto a mim mais um pouquinho.
Saudade. Solidão. Carência. Os outros estão em minha volta e eu não enxergo, me olham. Não há nada parecido com você. Medo. Não tenho coragem de te procurar. Insegurança. Você saiu. Estou presa. Sem saída. Foi embora. Eu fiquei. Estagnada. Ponto zero. Saudade. Saudosista de você. Falta. Solidão. Eu. Só
(Rosseane Ribeiro)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Querido Amor

 



Querido Amor,


Por que você sempre chega sem avisar? Eu esperava que você viesse me fazer uma visita antes,
 dizer como que ele era, como estava vestido, onde estaria, o que gosta de comer, 
o que ama e o que ele odeia.
 Eu queria estar preparada para essa hora. Talvez usando um vestido preto, 
batom vermelho, cabelos soltos. 
Coisa básica. Já tinham me dito que você vem assim mesmo, de supetão. 
Na hora eu pensei que estivesse passando mal.
 Minha barriga dói, estava fria, minhas mãos geladas, trêmulas. 
Foi nesse instante que percebi que era você chegando, se aproximando, pedindo meu telefone, 
marcando uma saída, me pedindo em namoro. Quer dizer, não você, você, em carne e osso. 
Mas ele. Que também é você. Entendeu?


Eu fiquei meio chocada quando meus amigos me disseram 
que você tem mania de bagunçar a vida de quem é pego de surpresa, como eu. 
E que você também não vem sozinho. Traz ciúme, traz insegurança, traz desconfiança. 
Calma, também me disseram que você é bondoso: Traz carinho, traz paixão, traz prazer.


Querido amor, eu espero que a gente se dê bem. Eu prometo ser boazinha. 
Vou cozinhar para ele, vou presenteá-lo com livros, vou fazer tudo como manda o figurino. 
Mas nem pense que eu vou ficar fazendo tudo sozinha. 
Ele também, se quiser meu amor, vai ter que ceder quando eu não recuar.
 Vai ter que me entender quando eu não quiser explicar.
 Se somos dois, teremos que seguir em frentes juntos. Nada de um ir aqui e o outro acolá.


Eu espero também que a sua estadia entre nós demore bastante.
 E, se por algum motivo você se sentir prejudicado e quiser ir embora, por favor, 
não vá sem nos avisar. 
Quem sabe a gente  possa resolver isso juntos
. Podemos conversar, tentar um acordo. Mas não vá de supetão.
 Eu preciso me acostumar com a ideia. 
Não venha como um furacão e depois de ir embora, espertinho, deixe apenas a bagunça. 
Se por algum motivo eu ou ele não quisermos mais você com a gente, acredite, 
nós vamos dar um jeito de resolvermos isso de uma maneira que seja bom para todos. 
Que é para não haver violência, desespero ou que fique plantando no peito algum sentimento ruim. 
Você sabe que quando a corda está desgastada
 e a gente mesmo assim insiste em amarrar alguma coisa com ela, quando ela cair, 
a queda vai ser maior. Não quero adiar sofrimentos. Estamos combinados?


(Rosseane Ribeiro)



terça-feira, 5 de março de 2013

Solidão a dois



Eu não preciso de alguém para me dizer a hora de dormir, quando a gente está tão bem, coladinho na cama.
Eu não preciso de alguém que prefira sempre, eu disse SEMPRE, fazer companhia a um amigo do que ficar sozinho comigo, juntos.
Eu não preciso de alguém só para me sentir acompanhada, eu quero realmente estar perto, acompanhada mesmo, não só para ter o que dizer quando me perguntam por você.
Eu não quero alguém pela metade, dividido entre estar comigo e mais alguém.
Eu não quero alguém que me conquiste, e depois, por costume, esqueça ligeiramente o que leva meu sorriso à boca, o que me deixa boba, o que me chama a atenção.
Eu não quero alguém que me perca todo dia porquê está em crise existencial e tenta se encontrar.
Eu não preciso de alguém do lado para me sentir sozinha.

(Rosseane Ribeiro)

O dia em que mandei meu amor embora



Quando a gente sente, verdadeiramente, que gosta de quem temos do lado, as dúvidas do futuro viram o presente. Não aquelas dúvidas de que se-vai-dar-certo-, ou aquelas de que será-que-ele-vai-se-cansar-, ou ele não-está-pre-pa-ra-do agora para assumir, mas sim aquelas que faz a gente perder a hora fazendo cálculos: Será que o quarto vai caber todos os nossos livros? O quarto vai ter um ou dois banheiros? Quantas viagens faremos por ano? É isso que eu penso sobre o amor. O amor não precisa vir na hora certa. Se ele bater à minha porta, de madrugada, bêbado, eu abro. No amor, os dois não precisam  viver um a vida do outro. A gente vive a nossa vida separadamente, mas quando estivermos perto, estaremos juntos. Nada de posse, de birra, de mal criação.
- Onde foi que eu parei?
- Você parou na parte em que me dizia que queria pensar um pouco, descansar, saber se é isso que você realmente quer.
A liberdade não acaba em um relacionamento. Um relacionamento não é uma prisão como muita gente acha. É só fazer direito, não confundir paixão com carência. Eu faço as minhas coisas, nos meus horários e você faz as suas, nos seus horários. Óbvio, de vez ou outra a gente foge da regra. O que eu estou querendo dizer é que para duas pessoas ficarem juntas, meu deus, elas não precisam parar de sair com os amigos, mudar-se para a casa da sogra antes da hora, querer se alimentar do que nutre só o outro.
- É verdade. Então é isso, eu quero um tempo. Eu te amo. Gosto mesmo. Só preciso saber se eu estou no caminho certo, você entende?
- Não, não entendo. Até ontem eu era o amor da sua vida, a azeitona da sua empada. E hoje você bate à minha porta com essa cara de ressaca mal curada e me pede um tempo? É para eu esquecer do que ouvi, fingir que eu também não disse nada? E as promessas? Tá, eu não me agarrei a fio nenhum sem você ter me dado corda. Eu me apaixono toda e você quer curtir a vida e depois voltar? Não! No way! Never! Ou vai de uma vez ou fica. Ou me vem inteiramente inteiro ou encontre a sua outra metade.
Quando a gente diz um sim, balança a cabeça para cima e para baixo, aceita os defeitos, as qualidades alheias e passa a ser dois em vez de um só, tem que ser direito, tem que vir de verdade.  Sem promessas, sem dizer coisas pela metade.
- Eu não quis te magoar, te fazer sofrer, ou ter dito alguma coisa por dizer. Eu fui feliz, acho que te fiz feliz também. Meu erro está sendo querer parar. Eu nem sei direito porquê ativei esse freio.
- Não precisa dizer nada. Eu não quero migalhas, desculpas, parágrafos de sua condenação. A porta já está aberta.
Só existe o par quando existe os dois.

(Rosseane Ribeiro)

Só escuta




Só escuta, depois você vê o que faz.
Eu tenho pra mim que esse seu sorriso ainda vai ser meu. Quando você ri, toda tímida, e ele fica no canto da boca. É por esse seu riso que eu me estremeço todo. Eu me apaixono pela aparência sim. Me apaixono por sua aparência de zangada, quando alguma coisa não  saiu como o planejada e as suas têmporas ficam visivelmente estressadas. Me apaixono pela maciez das suas mãos, pelo cheiro do seu largo pescoço. Eu me apaixono por sua aparência de cara amassada quando você acorda, me apaixono por seu nariz vermelhinho quando você chora. 
 Eu me apaixono por aquilo que eu vejo, que eu olho, que eu imagino. É dessa aparência que eu estou falando, nesse sentido: tudo que de ti vejo, eu vejo de um jeito bonito, sensual, encantador. E não no sentido que está bonitinho escrito naquele dicionário ali em cima da mesa:- s.f. O que se mostra à primeira vista; exterioridade, aspecto: casa de bela aparência;
Ah, tudo o que os olhos veem o coração sente. Sabia que olhando daqui, você aí coando esse café com essa perna enlaçada na outra formando um 4 direitinho, me deixa doido?! Me anima, sei lá.

Você está mandando eu ir me tratar? Eu não sou doente, você é que parece que está cega. Dessa vez sim, menina, pegue o dicionário e veja que estou dizendo no sentido que aparece lá.: Fig. Aquele que se recusa a enfrentar a realidade. Eu sei, é que somos amigos, você levou uma bela rasteira e acha que eu estou tentando me aproveitar. Mas não é isso, boba. Eu sou seu amigo e me apaixonei por você, acontece não é?

Eu não ia falar assim, com a maior naturalidade do mundo, eu iria me planejar antes, trazer flores, bombons e talvez iria tropeçar nas palavras por causa do nervosismo.. Escapuliu, te vi assim, tão bonita, novamente, e me veio à boca o que pensava o coração. Olha aí, anota essa: “me veio à boca o que pensava o coração”.
Eu não estou cega, não estou te chamando de louco como manda o dicionário, eu apenas estou surpresa. Nunca vi qualquer manifestação de afeto da sua parte, somo apenas amigos.  

É que a minha aparência de apaixonado está por dentro.

(Rosseane Ribeiro)

Condicional



Me prometa trabalhar menos, ao menos um dia, por favor! Descanse suas costas sob um travesseiro macio, se solte;
Ame de novo, faça uma loucura por alguém, se desarme!;
Me prometa -não cruze os dedos-, que você vai dormir mais cedo, vai abrir a janela e deixar a brisa do fim de tarde te transportar e levar de você suas memórias assombrosas, livre-se de pesos;
Por favor, pegue um papel e risque versos; Se inspire e escreva algo romântico, estilo Neruda, e me enviei, preciso de ti, livre,entregue, para sentir o bom da poesia;
Tente não se irritar com besteiras; Tente não explodir na hora, relaxe, resolva os problemas com calma.
Você sempre me veio como o vento, leve, surpreendente. Você sempre levou meu sorriso à boca. Você sempre foi mais que amigo, mais que irmão, mais que um pai.
Me prometa tentar, mesmo que doa, mesmo que tenha castigo, mesmo que ache que seja tarde.

Eu estarei em qualquer norte, é só chamar, só dizer o quanto custa, se é com sal ou com açúcar, gelado ou quente. É só pedir, só querer, só me dizer. Se é reza, eu oro; Se é riso, eu conto piada; Se é música, eu canto. Se é companhia, eu fico.
  (Rosseane Ribeiro)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Vestida de Poesia

Nas vestes que cobrem o corpo meu, ó amado
Escondem os versos que desfilam pela pele
Atapetando a rendição dessa poesia
No balanço dos nossos corpos rimados

Desejo para todo o sempre, encarar teus medos, junto de ti
Provar dos teus sublimes desejos
Desvendando um a um os teus segredos
Me fazendo de amante para ti servir

Encosta em mim tuas mãos esfomeadas
E tira minha lingerie bordada
Despindo a vergonha à meia-luz
Do jeito que só você sabe, do jeito que só você me seduz

Me deixe molhada, cansada, suada
Com o descanso do corpo satisfeito
Guiada pela pretensão do teu anseio
Tatuar a minha poesia no corpo teu, ser sua amada

(Rosseane Ribeiro)

Teresina, 27 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Depois da briga


Foi um tiroteio de insultos, ofensas distribuídas gratuitamente mas que teriam um preço depois. Um descarrego de palavras que deviam estar entaladas na garganta há dias. É por isso que o silêncio é perigoso: quando cala o que sente o coração, e, depois, no calor da hora, no estremecer do corpo, na raiva, nos obriga a dizer sujeiras, coisas que até são verdades, mas não mereciam serem ditas para machucar.
O silêncio, entre duas pessoas, age como maquiagem no rosto: fica bonito até disfarçar bem aquilo que incomoda. Depois, removida, olha-se aquilo que não se quer ver.
Ele me disse umas trezentas frases prontas. Que eu era isso e aquilo, que eu não gostava disso, fazia doce com aquilo, errei ali e acolá. Eu também aproveitei a raiva e me deparei a falar sem parar. Nem era sobre ele. Só não queria me sentir acuada, por baixo. É raro a gente brigar, conversar francamente. Foi só eu perguntar se tinha alguma coisa de diferente que ele me veio com essa violência toda na boca. Por isso, amiga, converse com seu namorado, faça planos e saiba desfazê-los. Só saiba dosar: nem pouco nem demais. Acho que tenho muita culpa neste ocorrido. Percebi que ele se afastou um pouco. Na verdade, cá entre nós, eu acho que ele não se afastou, é que a coisa acontece naturalmente. Não estamos nos 30 dias de paixão intensa de quando começamos, estamos nos acostumando um com o outro. Com a separação que é invisível: o estudo, o trabalho, os planos, a família e a ocupação que cada uma acabar por nos dar.
Depois de tantas besteiras ditas, a gente se abraçou e se beijou como se fosse o primeiro dia dos trinta dias de paixão de quando nos conhecemos. Aquela coisa de conhecer o corpo, o beijo, querer loucamente, se render e ceder a tudo.
E eu acho que devemos brigar mais vezes...

(Rosseane Ribeiro)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

João e Maria



Há algo mais divino do que se fazer amor com a pessoa amada? O espírito e corpo unidos... Juntos! É chegar ao paraíso ainda estando na terra.

Há coisa melhor do que se fazer amor com a pessoa amada? Quando os corpos dizem que se querem sem ao menos falarem uma só palavra.

Há coisa melhor do que se fazer amor com a pessoa amada? Quando os olhos enxergam os outros olhos, alheios, e se olham e se amam profundamente.

Há coisa melhor do que se fazer amor com quem se ama? Dizer sim aos abusos, não para a hora de parar e para sempre quando pergunta se é amor mesmo.

Há coisa melhor do que se fazer amor com quem se ama? Quando a própria pele protege um ao outro do calor, cola peito no peito, molha...

Há coisa melhor do que se fazer amor com que se ama? Dormir sem hora para acordar e acordar sem hora para dormir... rezando para que a noite chegue!

Rosseane Ribeiro

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Poema para André Café Oliveira



Quando chorei minha dor
tu, urgentemente, soube transformá-la em ardor
suei as lágrimas, cantei os sons do silêncio
quando tu, urgentemente, deu-me os ombros
e o conforto do teu calor
Quando ri minha dor
tu, urgentemente, riu como se eu fosse a flor
e tu o beija-flor
Quando vi o homem que me amparou
ancorei no teu sorriso,
troquei o pranto pelo riso
um milagre que a amizade me apresentou.
Quando tu estiveres no caminho de lá
eu, urgentemente, irei te encontrar,
pra te dizer: eu amo você.

(Rosseane Ribeiro)