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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Guia
Perto. Suspiro.
Tato. Colo. Corpo. Voa
Que a lida é leve
Escuro. Perdido. Emancipação.
Nobre sensação
Te perdo de perto, te aperto no peito.
Não tem jeito, sem jeito
Me perdo decerto, deserto venci
Nos fios de teus pelos
Gritos. Cortes. Dor.
Me perdo no escuro
Escuto perdido alguma anunciação
Te perdo de perto, te aperto no peito.
Não tem jeito, sem jeito
Me perdo decerto, deserto venci
Nos fios de teus cabelos
Voar. Ar. Loucura.
Mãos que se dão.
Voa que eu vou
Voar sobre ar, Andorinha
Débora Regina Marque Barbosa/ Manoel Guedes de Almeida
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Amanhecer branco
Jaz o sentido, a prece, o sonho
Jaz a tentativa, o irrefutável silêncio
do porão escuro do medo
Jaz a alma, já cansada
jaz a arma, já armada
destes testes, deste sonho
impalpável
de arranha-céu
Que é do teu corpo que se fazem prédios
Que é do teu amor vermelho que se tingem os céus
no silêncio destas catedrais, silencia
do aço destes teus punais, apaga tuas digitais
e alivia
só o tato resta,
contornando nossa última prece
e o sorriso breve
que ecoa de Auschwitz
e desbrava minha branca lucidez
Débora Regina Marques Barbosa e Manoel Guedes de Almeida
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Tu é que sabe
Se de meu peito não jorrassem
metros e metros de sangue no chão
Se de meu jeito saudável não me recorreste a exploração
E se tu, que jamais viu minha face,
Reconhecesse o canto surdo das balas que exalo no ar
O que restaria?
Cacos sob os pés?
A terra que cresci, as fitas erguidas em lanças
untadas com sangue no peito
e artesanatos ao pé de cada porta
artefatos ao pé da lareira
sonhos à cabeceira...
e talvez um dia
o sentimento de que sou capaz de ser feliz
(seria o ar puro de minha vida?)
Débora Regina Marques Barbosa
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