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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sem mestre

Resultado de imagem para cabeça vazia



Um sopro vil que aprisiona,
expulsa o verso ao artigo
científico, vos digo:
meça em sua cabeça
apenas verdades inacabadas

André Café

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Amar a pé


Atraso, acorda, a corda da engrenagem
do tic-tac cronometrado,

Pão e queijo, pisa lento, sono, bocejo,
o vento alento, corre apressado

O sol que chove e seca, molhando os passos,
cadarço e um nó desajeitado

Corre, levanta, puxa e empurra, o peso não se segura,
atura mais um bocado

A folha passada, site revisitado, plugado, favoritado,
no delete deleite foi esquecido

Afoito afeto que nem está perto, e aperta esse meu peito
de jeito que tô assim tão avexado

Procuro o diacho, não acho, procuro nos bolsos e segredos,
é cedo, mas sem nenhum trocado

Assim que segue, num leve passar de melancolia,
queria somente teu lado

André Café

quinta-feira, 13 de março de 2014

Quero crescer


A cidade parece a mesma
da mesmice que se diz
no dizer de poucas vozes

Esverdeadamente cinza
cor da neutralidade
no capuz de seus algozes

Das tuas ruas sobram óleos
,asfalto fritando o dia
e alegorias em luzes

A cada ponto morto,
vivem estacionamentos,
e várias culturas raízes

'Teresina'quer vidro, concreto e metal
como alimento para o descanso
do alardeado crescimento

'Teresina' quer sangue e soberba
mais prisões de leito manso
para encastelamentos

Hoje chove e ela insiste
em pontes para outro mundo
quem me dera proutro tempo

Não somente ao passado
mas um futuro idealizado
sem pudor e impedimento

André Café

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rotas de fuga

Foto: Butterfly

Vem a mim, com o perfume óbvio de armadilha
e se aposenta sobre meu colo
rodeando ouvidos, apoiando-se em meus ombros
canta-me as melodiosas palavras insuspeitas

Risca suave minha pele
como de deslizasse uma pedrinha de gelo sobre a mesa
me serve daquilo que se entende o sumo do ver e do querer
agarra minhas culpas para provocar a fome

A minha garganta coça e engasga o tempo
vem a cada dia mais linda e cada vez mais longe
por vezes me disperso em seu torpor
mas não o bastante para fundir-me

Vem a mim, com o perfume óbvio de armadilha
me faço ilha, pra outros nortes
vem a mim a normose, com um encanto fácil
mas que desfaço o cortejo

o que vejo ou o que quero
às vezes é o que espero
ou mesmo o desespero
de não saber ser, 'certeiro'

André Café

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Deixa eu sentir o sabor do mercúrio III


Alimenta-me.
A grande fome das entranhas
por estranhos prazeres começa a me consumir.
faça-me de estômago cheio do mundo
e te toda falácia das palavras mais sinceras.

Eu quero o sangue apimentado com sabor de areia e asfalto
quero o grito mais alto do gol entre escudos e cassetetes
quero um, dois, não, vinte sete regiões sonolentas
o purismo de quem carnificina e julga o tudo
eu quero aos montes, não fará falta

Faça-me engolir acordos acordados enquanto durmo
devorar tijolo, barro e muros que caem para o progresso
verticalizado e ilhas de calor
deixa eu sentir o sabor que passa na bala paga por imposto
resposto tua ânsia de ter raspado o prato
eu pago o caro, o pato e a plateia
eu como a ideia; deixa eu sentir o sabor do mercúrio

Que por um segundo
as palavras serão pontes pra vomitar tudo em tua mesa
no teu corpo, boca, nariz, olhos e ouvidos
sem tempo pra gemido
num prazer visceral
num voo mitral
lança-me louva-a-deus grená
que tudo fará sentido, entre o lume e o libido
de nos fazer esperançar

André Café

Luta


Quem fomenta e luta
o alimento coletivo
por mudança, nuança ou revolução
lado a lado, sangue e punho
erguem-se as vontades
para luz e escuridão de um novo viver
quem fomenta e luta
luta, resiste, vive.

Quem tem fome de luta
em termos de paz
ou de barriga cheia
arrota o caos
e: caldeira!!

André Café

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Razoavelmente . . .



Razoavelmente . . .
Perto daquilo que não foi dito
há mais mundo que o próprio lá fora

Reside no seio da normalidade
arcabouços de absurdo
desde o tédio ao medo
entre o fluxo e o derramamento

Razoavelmente . . .
definha-se o definir de quem vive ou perece
por preces, por práxis e paz ou pistolas
entre os aplausos efusivos de rendição

Regride no íntimo da sociedade
absurdos em arcabouços
do correto à contradição
sobre bases elucubradas

Razoavelmente . . .
há mais mundos lá fora
do que o comum onipresente

Sócrates jogando poker em Cocytus com Satan

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Distâncias em mim


Quero distinguir o que sou
dos tombos em meu pensamento
na peculiar busca de horizontar
o original perante o tudo

Conduzo-me as mesmas diásporas de mim
enquanto deus me alimenta o desassossego
um turvo de palavras repousam no ser
e desvairam escarcéus de sumidades

As mesmas distâncias em mim
o mesmo cantar de conformidades

André Café

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Boca calada moscas voando



Nessa cidade que abriga meus anseios e espreme meus absurdos, não me deixa vê aquilo que meus olhos deseja ter.
A juventude mostra o que sabe, de palestras nas ruas, a poesia em sarau na praça com música no solo. E olha veja só, é o que sei fazer, e nem mesmo me deixam mostrar.
Meus tempos preferidos são da ditadura onde mesmo calados sabiam falar e protestar e tudo que mostro esses anos que me permanece viva não se interessa, me cala a boca e faz-se o silêncio dentro de mim.
Tenho dezenove anos de estrada e nasci no tempo errado nos anos noventa e cheguei a dois-mil onde nem meus cigarros são bons, o amor ate se escondeu para não ter que olhar para uma sociedade frouxa que se manifesta através de desordem e ainda dão banana para o vento, uma variedade que pouco me importa e Bukoswki ainda queria estar vivo até agora, mas ele não está perdendo nada.
Uma pena! Um tristeza uma perda de tempo, o que me resta é navegar nos livros de sessenta e oito e ver aquilo que ainda tá esculpido, ouvir aquelas músicas que chora, e refletir no tempo que eu nem tinha nascido.

Paula Santos

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Expresso de impressões


As expressões;
nada mais que as impressões:
expresso a impressão
impressa à expressão
espero a inspeção
inspiro a expiação
esmero de invasão
império, em extensão
excerto de inversão
impeço a exceção
excesso de inação
imerso em extinção

André Café

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Uma parcela a parte

La coleccionista de palabras, Sonja Wimmer, Alemanha

Da conta, a história, do mundo
sobre olhares retorcidos de devaneios e sonhos
mas da humanidade revela-se o quase ínfimo
no leito onde reside cada soberba
não há quem se atreva
a tocar no grilhão que o mar imane encerra

De tantas guerras, o bem, o mal e o trivial
ideologias de paz, para paz em Mercúrio
do outro lado de casa, um mundo cada vez mais perigoso
sou receio ao sentir o alheio traço de solidariedade

A luta, pelo mais alto e distante lugar
bem perto da docilidade ilibada
com tons de várias agressividades
perante à lei da racionalidade
da conta, a história, do mundo
que dela faz de conta
e conta a história, como se contasse mito

André Café

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Armaram as amarras


Armaram o arcabouço de tudo
que de mudo não tem nada
por nada me mudo de entulho

as palavras armadas
às amarras palavras
há palavras amadas
e palmadas lavradas

Amarraram os arcabouços em tudo
e de mudo, só o silêncio
e de surdo, apenas o tráfego

as amarras armadas
às palavras palavras
há palmadas amadas
e lavradas palafita

André Café

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Banaliza mais ...


A banalização nossa das violências de cada dia
pois a revelia de improvável censura
é a ternura afetuosa das opressões em miscelânea

e ri do tolo, sôfrego e desavisado violentado
por um imediato alívio de encastelamento a perigo
por um abrigo torto de traumas enraizados

é bem simples, falta mesmo muito amor
não somente palavreá-lo pelas correntes e brisas
aqui todo mundo precisa
redescobrir e socializar
os rumos caiados do verbo amar

André Café

terça-feira, 25 de setembro de 2012



A professora pergunta:
- Na frase "Pedro faz letras", cadê o sujeito?
Alguém responde:
- Morreu de cirrose...

Inefável Maldito

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Parcelas suspensas no mundo do Ar: Do incompreensível incompreendido


O mitigado desvalido
pelo sibilo do corromper
a mim, ao teu libido
ataca ao amanhecer

Do que sinto sincera história,
memória de tantos três segundos
rasgam-se tensos sensos de sublimações,
canções de rasos profundos

Do que minto no verso,
não para ser fingidor fingindo dor de realidade
na verdade, inversa o verso o que no coração reversa
daquela conversa que me pedes: odeia-me!!

Necessito do incompreensível incompreendido
do riso escanteado, quero o azedo sério
me caio no mistério de não entender
pra ver se pela manhã, o mundo maçã,
acorda com as graças de Tupã

André Café

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pouca arte


Manifesta-se em mim a arte,
mas não me faço artista
A arte pela luta?
A luta pela arte?

Deste bolo embolado, será de mim, a parte?
Quiçá durar em pó poema pouquinho
se irá vingar ao olhos do escrutínio artístico
misantropo olho do encastelado vício

André Café


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Diz Sion Ário




Dicionário que não me entende!
Dicionário que não me entende!
É minha rima que canta por rimar
ou a não rima que se amassa num estalo

Dicionário que não me compreende!
meu pleonasmo é doce na ponta da língua
de metáforas neológicas sem semântica
canta, canta dicionário!

No erário de cobrança e soberba
não me entendes dicionário! o horário
de palavras certas em discursos equivocados
armado, acuado, me acusa dicionário!!

Dicionário não te entendo, dito-te, incompreendo
quem te faz de estaca rebentadora
dourada verossimilhança contraditória
simplória, imposta, mão tácita de sutileza assíria
mira na minha ignorância, sou discrepância da normatividade
sou 'calidade' sou enveneno, no suco atômico seno
meu norte é o sul, é o nu, é o sujo de sua abóbada branca de narcisismo

André Café

sábado, 7 de julho de 2012

Humanidade Fenrir*


Púrpura ...
tingida a humanidade, púrpuro tom mescalinado
do púlpito sombrio ouvisse o clamor
pelas negras presas cravadas no corpo

Se o sangue escorre, é sinal de louvor
e descabidos ritos de comemoração
oferecidos aos deuses, o labor da carnificina
enquanto operam a fé pelo milagre recebido

Turvo, entre os dentes o sabor de sangue
a carne é mais que alimento; é óleo diesel
que movimenta o tormento em vida
ora lamento, ora firmamento, sempre humano

Entre tropas e trincheiras a sede reafirmada
pelo mundo puro e salvo
mascaradamente fome
do homem em sim, o próprio alvo

André Café

* Filho de Loki, descrito como lobo

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Labor grave em suave fantasia


É quando o olho simulando vivacidade me avisa:
"Já chega. Essa é a hora de inserir o medo."
O que poderia parecer o alívio, tornar-se horror a cada instante
o corpo pesado, cansado, mas buscando incólume situação

Não, não, além de mim. Cravando as sensações vez em quando
torpor jamais abraçará minhas incertezas; noutra via,
serei exposto para meu maior condenador: eu e rudez normativa
tingida de fé e inocência em lugar algum da mente

O sono vence, o organismo despenca, olhos fechados
num segundo apenas o sonho se transfigura,
murmura doces e requentadas pré-ditações
impõe o labor grave em suave fantasia

André Café