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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Dialética do viver - Sob e sobre



Chegando a um lugar chamado fracasso
Dei-me conta de que já conhecia o caminho
Percorrendo-o outrora veloz como um tiro
Não percebi que à frente havia um precipício
Imersa na escuridão, a dor como um envoltório
As lágrimas incessantes inundando o abismo
Fizeram-me emergir de volta a superfície
Cansada e ofegante deitada sobre o chão
Abri os olhos devagar filtrando o sol com seu clarão
E a beleza singela do firmamento me mostrou a imensidão
De possibilidades que há numa vida de caídas e elevações


Jacy Coelho

De TPM



Como eu queria
Gritar
Surrar
Chutar
Depois
Chorar
Desabafar
Voltar atrás
E recomeçar
Tudo outra vez
Insanidade de todo mês
Que dura pouco graças a Deus!!!


De: Jacy Coelho

Sujeitos das ruas



O grande flash de luz que cega os olhos
Transforma a anomalia em rotina
Espalham-se pelos chãos de papelão
Organismos vivos, carne, osso e mais
Tratados não mais como tal
Voltando ao estado original
Como que feitos de barro
Sem nenhum pudor
Sem nenhum valor
Os olhos se erguem cansados
Das rejeições do dia-a-dia
As mãos trêmulas sustentam
Os poucos trocados ofertados
Há uma história em cada ser deitado
Lar, família, profissão e vida
Agora só lhes restam os estereótipos
De pobres mendigos a
Bando de vagabundos
Como num palco chorando miséria
Cujos benefícios recebem na coxia
Coitados de todo não são
Mas como nossos olhos
Também se acostumaram com a rotina
De terem a sobrevivência garantida
Não pelo suor, mas pela mão estendida
Sobrevivência nem sempre de vida
Mas de álcool, drogas e jogatina
Dos vícios que a sociedade repudia
E contrariamente dispõe
Como em outra via
Estão Livres e presos
Na eterna dicotomia


De: Jacy Coelho

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As Antíteses da Vida



É o jogo da antítese
O incenso na vontade de dançar
As flores no desejo do iphone
O filme quando quis viajar
O falar na pretensão do silêncio
A traição quando tive confiança
Os sorrisos em volta da tristeza
O pudim para o paladar que anseia sal
Revolta na hora da calmaria
Estudar quando se tem sono
Morrer um pouco em meio à vida

De: Jacy Coelho

Retroagindo à Infância



Eu era menina, nos olhos havia encanto e nos gestos doçura, costumava olhar o mundo a minha volta através do muro baixo de minha casa, era de lá, nas pontas dos pés que via tudo e todos passarem. Afoita, saia correndo de casa quase todos os dias, percorrendo as ruas sem destino matando curiosidades, falando com as gentes, sentindo o vento da corrida no rosto e nos cabelos que esvoaçavam.  Liberdade demais para uma garota, não acham? Não quando o que se vive é somente fruto da imaginação. E era assim que eu vivia minha rua, no meu bairro Porenquanto.
Junto comigo cresciam crianças, cresciam casas e sonhos, não era um pedaço de asfalto comum, era mágico, um universo perfeito, lembro que brincávamos na rua, de pega, cola descola, queimada, andávamos de bicicleta, pulávamos elástico, de uma ou duas pernas, casinha e boneca era brincadeira de terraço, lá também tínhamos vendas, quitandas cheias de sortimentos cujos produtos vendidos eram feitos de flores, folhas, terra, areia, pedras, tudo tão natural quanto a nossa ingenuidade infantil.
Era uma rua de casas sem igual, casas confortáveis e mais elegantes ao lado de casas simples, mas eu nunca fiz distinção, as mais simples sempre eram mais surpreendentes, seus moradores sempre mais receptivos, e as casas sempre tinham grandes quintais e era lá o cenário em que ocorriam todas as aventuras, uma árvore transformava-se em moto, trem, um córrego de esgoto era na verdade um rio ou lagoa, as bananeiras eram as florestas em que nos refugiávamos de perseguições ou nos perdíamos dos mocinhos a fim de que no final, eles pudessem nos salvar. Entre uma brincadeira e outra, degustávamos frutas do pé, seriguela, pitomba, ata, goiaba, manga, e tudo mais que conseguíssemos alcançar.
Uma época de alegria sem fim, cujo o tempo tinha a duração de uma eternidade, a noção de dia e noite só ficava clara quando eu ouvia os gritos de minha mãe na esquina chamando o meu nome, era o sinal de que estava na hora de dar pausa na imaginação e voltar ao mundo real. Mundo colorido, que nem mesmo na ausência das brincadeiras perdia suas cores, por que o arco-íris estava ali sempre perto de mim.
Neste momento os olhos marejam, a boca resseca, a memória entra num túnel do tempo de volta a atualidade, como num filme, vendo tudo passar num instante, insuportável quase em colapso em virtude da quantidade de informações sendo comprimidas, tudo pode ser traduzido em um único sentimento: saudade.
Hoje minha rua é mais asfalto, mais tijolos e menos emoção, a solidão anda na rua e nas calçadas antes tão habitadas de gente, conversas e sorrisos, vizinhos, eles existem? Quem sabe, eu não sei, eles devem estar trancafiados, protegidos por seus muros altos, suas cercas elétricas, presos em seus receios e medos. São muros simultâneos que se erguem, os muros de concreto e solidão. Saudade dos meus tempos de menina em que eu nunca estava realmente sozinha, por que o amor de tantas pessoas me fazia companhia.

Jacy Coelho

Sou partes, sou todo!


Sou feita do que reflete e do que reflito, da imagem que revela-se no espelho, cujas mudanças são lentas e progressivas, por vezes antagônicas a minha própria vontade e das imagens que construo de mim e do mundo, cujas mudanças seguem um tempo não cronológico, do qual eu tenho controle."

Jacy Coelho

segunda-feira, 30 de julho de 2012



"Do sol inalcançável que tão distante está, ao sol que posso te ofertar afirmo, que o sol estrela está contido no sol de flor, visto que o primeiro proporciona a fotossíntese que o outro trata de realizar, de modo que nos sóis que balançam nos campos há sempre um sol maior cujos olhos apreciam de longe, mas as mãos dessa forma também podem alcançar."

Jacy Coelho, Para Beatriz Gameiro, apreciadora das flores!