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terça-feira, 18 de março de 2014
Re-sentir
Será se por você não viverei?
Viverei sem vida, emagrecerei?
Será se perderei o sono,
dormirei sem sonhos, sonharei sem fé?
Toda a dor que já senti, esquecida, calada
retorna com força, me mata, maltrata e deixa mudo...
Tarcisio Bastos
terça-feira, 11 de março de 2014
O triste dia
Hoje, ando inerte e quedo sem rumo.
Neste dia em que as suspeitas se confirmam
e as noticias são bombas, sinto-me indiferente...
De todo o alívio que já senti: não me importo de sofrer semanas;
não me importo de sentir esse nojo que
emporcalha esse dia turvo em que as coisas são de gelo.
Mudarei títulos, alterarei sentimentos e relações.
Algumas coisas são tão difíceis e outras tão importantes,
que hoje, não me importo de sofrer semanas.
Em pensar que fui tolo e triste em fantasiar coisas boas
e de saber que tudo se foi como sempre vai...
Tudo o que importa evapora, vai-se embora!
O pior de tudo é saber que há tantos motivos
para sofrer e não há nenhum para amar.
Tarcísio bastos
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Declaração
Temos o presente inteiro pela frente,
o tempo é tão relativo meu amor.
Para que sofrer com a pressa?
Estamos de mãos dadas agora
é como se fosse a vida inteira...
Quem dera durar pra sempre!
O amor é tão bom!
E se é tão diferente, assim sem palavras...
que seja então com a beleza dos gestos,
com o calor dos beijos e a ansiedade das horas sós.
O amor é isso meu bem... É isso que você sente.
Se você for comigo, te seguirei também...
Já estamos tão juntos, nossas mãos tão unidas,
não há mais nada além de nós
E se o tempo passa assim tão depressa
Que tudo seja tão eterno quanto o segundo de um beijo
e tão belo quanto aquela flor que vi e lembrei de ti.
Perdi a inspiração, perdi o sono, a fome, a hora...
Mas o amor é isso meu bem! É isso que eu sinto
é isso que eu grito, é isso que eu ouço, é isso que eu bebo...
Estamos de mãos dadas agora e é como se fosse a vida inteira...
Quem dera durar pra sempre. O amor é tão bom!
É tempo sem hora, é a eternidade do melhor instante da vida!
Tarcisio Bastos
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Onde estará?
Talvez não seja meu dia nem minha hora
e falar de amor ou sintonia não faça sentido.
Talvez o amor em mim ou falta dele, me faça infeliz,
ou me tire a inspiração...
Talvez o sofrimento em mim e a sua ausência me façam mal
Ou, quem sabe, um bem irremediável!
Onde está o amor onipresente nos meus dias?
Só sei que os dias correm estranhos sem sentimentos...
Vida estática, dia branco, sem amor, sem sofrimento
Talvez o amor me encontre e me leve como pena
solta ao vento, como flores num tufão...
Talvez nem me procure e nos encontremos
inesperadamente num dia qualquer de felicidades mil...
Onde estará o amor de todos os meus dias?
Tarcisio Bastos
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Vencidos
Vivo vagando vadio. Nas veias, volúpias vorazes e breves
Vivo virado, vadio, vagando numa vida não vivida.
Vou vagando e vendo minha vida vazia, dividida, devastada...
E a velha voz, devagar vem vindo avisando aos viajantes:
Ninguém vem, vê e vence!
E vemos que vagamos por vias sem volta.
Em que a velha indesejada nos leva envoltos
de vazio, veneno e trevas.
Tarcisio Bastos
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Desilusão
Hoje me resta o sentimento de morte, a dor da perda,
acostumar-me ao pouco que sobra,
à tudo que fica, ao nada que resta.
Dias e meses de insônia, tristeza, frio...
E o tempo de espera, escuridão, vazio...
Toda mentira existente no amor
Toda falta de sentido da vida...
E apesar de tudo, tenho achado vida em mim
Depois desses dias sem sono, dessas noites sem dias
Tão noturnos dias, tão soturnas noites.
Noites de tão chuvosas horas, de tanto frio e erros...
Tarcisio Bastos
O amor passou
É como se de repente eu percebesse
que o que eu abri mão um dia
Se tornasse essencial para mim
Para comer, respirar, amar, viver...
Como é desesperadora a incapacidade
de voltar no tempo e reparar os erros...
Reparar qualquer duvida idiota que tive
qualquer minúcia de erro cometido.
O Amor passou... Com o rosto virado talvez.
E eu, desatento, não pude vê-lo, percebe-lo, senti-lo.
Passou talvez me encarando e eu tolo, não o reconheci
naquele rosto de pureza, inocência, mistério...
O Amor passou e eu o perdi
como se perdem todas as chances...
Como se perde a vida!
Tarcisio Bastos
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Soturno outubro
Nenhum desejo nessa tarde.
O tempo parou feito fotografia
Nenhuma vontade nesse dia quente de outubro
(Outubro teresinense, tão morno e fatigado).
Tao seco de vontades, escasso de ventos
e feito de mormaço e ondas soturnas em que navego.
O Urubu que rasa ao longe e ignora o vapor dos asfaltos
não sabe o que se passa na mente cavernosa e distante,
ignora qualquer sentimento vão e não sabe do corpo que inveja
sua distancia de tudo, sua solidão, isolamento e ignorância...
Sem qualquer esperança, inutilmente
detenho-me distante do turbilhão chamado vida.
Desejo ansioso a antiga e dolorida solidão das noites frias,
miro de longe o tráfego vermelho dos fins de tarde
e sinto-me indiferente...
A mão que escreve este poema não sabe mais o que deseja
enquanto o crepúsculo se desata sobre a cidade.
E a mente exausta de mentar toda uma nova realidade
se rende ao que o torna triste. E não sabe mais se é infeliz
ou se quer, só por hoje, nesse inicio de uma nova noite
encontrar na solidão, a felicidade!
Tarcisio Bastos
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Despedida
Vidas gastas,
bocas tristes,
Frases tortas.
Frio passar do tempo, horas lentas.
Vento fino e vazios de corpos os lençóis.
Malas prontas,
Frases feitas,
Faces mortas...
Tarcisio Bastos
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Luto
O dia nasceu escuro, nasceu antes de morrer a noite,
antes do sono, do susto e do tedio.
Nasceu com ares de morte, cheiro de flores...
O dia lento, lerdo, longo, lânguido...
Não me lembro de ter visto céu naquele dia.
Apenas vagas lembranças... Melancolias...
O dia era cinza, frio, inóspito: mais inóspito
que o próprio frio, mais noturno que a noite...
Tudo acabou: céu por terra, sentimentos...
E a vida andava lenta onde pairava a morte.
Tarcisio Bastos
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Retrato
E de nunca saber o que fazer
e de sempre errar compulsivamente
eu me fiz assim: imperfeito,
falho, triste e penso para o lado esquerdo.
De sempre acreditar que dá certo e no
segundo seguinte desistir das coisas.
E sempre enxergar beleza e pureza onde
não há e se há ninguém mais vê!
Me fiz assim inconstante, algoz do meu tempo
e de meu próprio ser desenganado, inocente compulsivo
que sempre acreditou no amor!
Tarcisio Bastos
sábado, 14 de setembro de 2013
Cansaço
O cansaço do dia bate-me a porta
E não há motivos para dormir.
Se esta chuva te trouxesse...
Meus melhores poemas se perderam no sono
de outras noites que se foram... que já eram.
Já eram os poemas, já era a beleza e já se foi você...
A vida com outro rumo e a noite vaporosa
desfazem toda a poesia, viram prosa, “desamor”...
Mas meus melhores poemas se perderam no sono
e eu já perdi o sono, já perdi o jogo! Perco eu tudo
aquilo que o sono me trouxe: eram apenas sonhos,
apenas sonhos bons...
Tarcisio Bastos
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Novamente Inspiração
E novamente, hoje me declaro amante.
Amante: aquele que ama
Coração feito de sangue e carne
de dor, declaração e Amor
Um novo amor, a tudo que é novo,
nova poesia:
tão sublime, inesperada e repentina...
E depois de muito tempo: palavra
e silencio, tinta e papel
Coragem de me dizer poeta e falho,
de gritar e pedir o novo, mundo novo,
velho sentimento, paixão e poesia...
E o fato é que novamente me declaro vivo!
Tarcisio Bastos
Medo
Ultimamente tenho medo de tudo.
É um pânico que me persegue.
Medo de sair de casa, de estar em casa, do dia,
da noite, da chuva, de olhar para o céu...
Tantas perdas a vida já me trouxe
que pouco tenho agora para perder, tudo já foi levado,
inclusive a esperança de ser feliz.
Mas ainda sim, talvez por um mecanismo
de defesa inconsciente, eu tenho medo.
E as pessoas parecem ter medo de mim...
Tarcisio Bastos
Imortalidade
Só quando tudo é amor
E o que se fala, pensa e respira e até o que se come
é feito de lembrança, espera, ansiedade...
E é sempre o amor que tem o dom de tornar o tempo
(senhor das curas e razões), tão ordinário e fraco
e o que se espera que volte e brilhe nos olhos,
e sacie qualquer vontade ou proposito vão de felicidade.
É tudo Amor... viver sem ter sentido
e ser imortal, morrendo infinitamente de saudade...
Tarcisio Bastos
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Fusão
Somos tanto um do outro,
já nos pertencemos tanto
que eu não sou mais somente eu,
nem tu és feita somente de ti.
Te sinto tão junta, pregada, assimilada a mim.
“o corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.”
sou eu, tu, tueu, teu...
E nada mais pode mudar isso,
essa presença assimilada, almas tocadas
trocadas, fundidas, dissolvidas.
E o coração que despertence ao corpo.
Canção que se desprende do som
cantada em silencio, composta na alma
telepaticamente transmitida,
tacitamente sentida...
Eu que já nem me pertenço, me perco
nessa dança flutuante que foge ao sentidos,
pausa no tempo e paira no ar
dois corpos num só movimento, são dois em um,
e já não é só eu, és tu, tueu, teu!
Tarcisio Bastos
O rio na noite
Calma! Escuta a chuva no telhado
Tão calma e serena...
Calma! Escuta meu coração
Escuta com alma, toda essa calma
As ruas transbordam aguas e o peito amores...
O dia escorre em rios e há tantos sentidos... Sentimentos
que inundam o dia e varam a noite, essa noite
suprema e liquida que nos transforma em liquido,
piscinas de sofrimento, tentativa, aniquilamento.
Silencioso rio de treva, feito na noite, aberto em mim...
Tarcisio Bastos
Incapaz
Hoje o meu dia esta perdido
e minha incapacidade me revolta.
Como acordar sem mau humor?
Eu tenho apenas o meu corpo e minha alma.
Tudo o que eu fizer é fruto do que foi feito...
Todas as insônias são justificáveis e toleráveis.
Quem precisa de equilíbrio?
A vida é insana, a felicidade é insana:
é pior que todas as drogas... Queremos sempre mais.
Certas coisas me fazem perder a capacidade
que eu nunca tive de pensar e de viver.
Sou escravo da minha natureza
e tudo o que eu fiz é semente do que farei um dia...
Mas o tempo ainda é de imaturidade, irracionalidade,
tristeza, melancolia, insônia e vazio...
Tarcisio Bastos
Nossa hora
Talvez exista uma hora certa,
uma hora mágica
em que tudo conspirará ao nosso favor.
Uma hora só nossa numa tarde amena
e tudo que acontecer será pra nos somar.
Talvez exista um tempo só nosso.
Diluído, perdido em outros tempos...
Tão difícil de prever e tão certo de esperar
Talvez exista sim o nosso tempo...
O nosso dia, nossa hora, nosso único
instante de nos alcançar e ser eternos!!
Tarcisio Bastos
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