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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Mesmo pé de sapato


A tua camisa me serve,
o teu sapato eu calço,
a minha calça te empresto,
o meu pijama te passo,
do teu cigarro eu fumo
do pão tiro um pedaço,
pois aquilo que eu sinto
é igual ao teu abraço.

Que faço, senão te amar?
Que faço, senão te amar?

Tu sabes, amor,
a vida inteira
tudo que eu sou,
o meu xodó
segue teu paletó
até subindo a ladeira.

Que faço, senão te amar?
Que faço, senão te amar?

Tu sabes, amor,
de qualquer maneira,
verdade que eu vou
até o Caxingó
pra não te ver só,
pra ser como queira.

Que faço, senão te amar?
Que faço, senão te amar?

Não sei se é meu número
que repete o seu
ou o inverso que acalma
a confusão de ser eu,
mas sei que és para mim
começo, meio e fim.

Teresina,

Junior Magrafil (16-09-2013)

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sábado, 14 de setembro de 2013

Acepção


É mais do que sexo
bem mais que prazer na cama,
quando se ama, vai-se além:
é reflexo e é maré.

É reino em paradoxo,
prisão libertada na fama,
às vezes lama, mas gratidão:
nexo de Shakespeare.

É consórcio complexo,
junção maleável a anagrama
e quando alfama, se dá separação.
Convexo, o amor mostra o que é.

É machucar o seu plexo,
mas pedir perdão pela avaria,
mostrar que não o faria, deveras,
amar biconvexo a cada pé.

É agarrar-se com ímpeto excesso
quem se ama - e mais amar.
Disparar um beijo nesse alguém
impresso de afeto e café.

Teresina,

Junior Magrafil (11-09-2013)

Anfêmero


Conta para pagar?
Segura um pouco aí,
joga em qualquer lugar,
que depois que eu te beijar
resolvemos tudo aqui.

Aquele filme eu olho,
compro, baixo, levo para ti.
Coca-cola e macarrão ao molho
Deito, abraço e o vídeo escolho,
te faço carinho e fica carmim.

- Vai, compra algo no bairro
que eu quero comer!
Também um cigarro,
depois me tira um sarro
para não me aborrecer.

- Traz a mais gelada,
que eu só quero sorrir.
Pois quando a gente chega
você pega a cadeira
e bota para mim.

No meio da bagunça;
é bom de se ver.
Todo mundo logo se aguça
com as frases que lança,
com aquilo que vai dizer.

E eu que ando sem pensar,
às vezes, penso no mesmo lugar.
Pois se escolhi você:
escrevo poemas, assisto a TV,
vou ao trabalho e volto para te ver.
Deixo o cansaço de lado, compro sushi
e no fim desse dia pesado
só quero te ver dormir.

Teresina,

Júnior Magrafil (05-09-2013)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Manhã




O vento encaminha-se para mim quando sei que irá voltar. Aquele sorriso esperto, aqueles pêlos em forma de arco por cima do olho atiçado, aquela expressão de ouro do rosto, hão de ver-me em atento espanto, de quando os girassóis reencontram com seu amor ao chegar do dia – raio solar.

Então, que palpitam as palavras, que gestos de zelo contribuem-se a si. É só fitar teus belos ombros escusos e os braços chamando a mim para um achego, que tudo amplifica. Chego, protejo-me em ti, dou tudo de mim neste abraço. Passa o tempo que passar ali estaremos, unidos em qualquer (re)começo.

(Junior Magrafil)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pêlos e tinta



Traiçoeira, pensou jamais amor.
Contudo, no dia em que olhou aquelas telas
pintadas com tinta de romance,
a Raposa felpuda e gananciosa
ficou ainda mais brio, porém amante.
Viu a assinatura, gravou-a na língua molhada,
e foi capaz de sentir o Pintor por inteiro.
Amou, amaram-se.
A utopia das cores daquele autor
é lucidez nos pêlos da raposinha



(Junior Magrafil)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O amor segundo a raposa



A raposa esperta e graciosa
aproximou-se de uma videira
de convidativos cachos escuros.
A raposa tentou alcançá-los,
mas o insucesso da operação
a desestimulou e entristeceu.
Diferente de outros ditos,
a minha raposa, triste, não se negou;
tentou, tentou, até cair um cacho.
Diferente dos demais, observou que neste
só havia uma uva madura e boa.
Mas o trabalho foi recompensador:
única uva, único amor.



(Junior Magrafil)

Praia e maré



Noite; lua; maré; cheia; brisa;
toda a aura do romantismo na praia
destinavam nossas preces à companhia.
De como entender aquele instante?
Enquanto sentia teu cabelo, tateando,
percebia, então, em você o meu Refúgio,
fortaleza serena em tuas mãos;
porque entre as pausas de segundos pra lua,
outros para o mar e o sentir da brisa,
vinha você tatuar frases em nossa história,
me ensinar que nem é fácil nem manso viver.
Mas que o amor incide em nossas vidas,
que quando passo minhas mãos em teu rosto,
olho pra dentro de mim e vejo fogos de artifício,
pintando o céu de um revellion colorido e feliz.
Já depois, o sol clareando a areia e o calor,
você desenhava com o dedo meu nome,
registrava sorrisos em fotos,
confessávamos sentimentos que não esqueço,
acabamos inundando os pés com o mar
e ali, de mãos dadas, nos beijamos.
Manhã; sol; maré; brisa; ps.: te amo.



(Junior Magrafil)

terça-feira, 26 de julho de 2011

1989


A nênia vibra com a minha morte
enquanto sofre, pasmadamente, minh'alma
distorcida pela vontade de voltar sem poder,
pois a carne dói a cada instante.

No velório não há café, nem croissant;
talvez aquela insanidade sonhada com vermes,
impregnando o interior dos tecidos.
Talvez algum Johnny Walker ou Martine Rose.

Apodrecendo as energias consumidas,
fazendo morrerem-se, degradarem-se;
e tudo que sentia era a sinfonia do enterro,
pulsando em cada ventre miserável.

Meus sonhos não se encaixam ao prêt-à-porter,
já os pesadelos, são veste constante:
são puros de naturalidade vil para entristecer
são mais que compilantes vômitos indigestivos.

É a melodia dos enterros eternos,
na desistência desfraldada, na agonia;
durante o desfecho das relações ida-vinda
de uma alma que, ser, ambiciona renascida.

(Júnior Magrafil)

Por amor


Num líquido disperso;
numa agonia espalhada,
imerso.
Deixo-me apodrecerem as horas,
os dias, os anos.
Deixo-me doerem as carnes mortas,
sensíveis a navalhadas
gri-tan-tes!
Deixo putrefarem-se as cerâmicas
da minha vida de nogueira,
que somente minha carne insana,
sensível e morta;
defunta e doída;
pode merecer-se.
A ninguém mais,
porque só o que sabem de mim
são os erros;
porque só o que crêem de mim,
são os vacilos;
porque a vida dos outros eu não julgo.
Por que a minha é ré?
Com isso eu não lido.
E se, ainda, alguém a ela merecer,
que o faça de repente;
que o faça pelo que jamais me ensinaram,
pelo que jamais me doaram:
que o faça por amor;
que o faça por amor.

(Junior Magrafil)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

À meia noite


Coisa mais linda foste tu ao me ligar à meia noite, naquela nossa falta, naquele nosso sono. Acordou e aquele teu timbre, de quem levantara pelo supetão da lembrança, despertou minha letargia tediosa e solitária. Eu, aqui, na presença de mim mesmo, porém, com a nostalgia de te ver ao meu lado sonhei ainda mais com a tua voz calma dizendo-me a paz do tal casal – porque o somos (sempre fomos). Meu devaneio, minha aspiração fantasiosa, mais certeza é que tenho a todo instante, é que sentimo-nos aqui, ainda que não estando, cada um permanece 

(Junior Magrafil)