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domingo, 7 de outubro de 2012


MANIFESTO DE SAUDADES

Por mais um ano sem você.
Por um novo recomeço...
Para você que derrubou minhas paredes.
Acredite que você jamais deixará de ter sua importância para mim.
Se algum dia voltarmos a ficar juntos, estarei de braços abertos te esperando.
E se isso não for mais possível nessa vida... vou me conformar e te abençoar.
Porque sempre desejo o seu bem, que você esteja em paz, com saúde, feliz.
Desculpe-me pelas palavras tolas que já te lancei. Imatura!
Sinceramente: seja muito feliz!



NECESSIDADE DE SER ALGO

Existimos, sim, simples!
Então vem a preoupação, para acabar com o sossego:
A que será que se destina?

Para pertencer a um lugar.
Querer pertencer a um lugar.
Precisar pertencer a um lugar.

Querer ser.
Querer ser alguem.
Por que tem que ser?

Querer estampar na roupa.
Querer estampar no calçado.
Querer estampar até no caminhado.

É preciso querer, realmente ter
identidade original, real!
Para não precisar mascarar
o nosso verdadeiro Eu!

domingo, 10 de junho de 2012

Alterna-Ativar



Procuro algo que alivie ou liberte
Essa onda  intensa que por dentro me reveste.

Que por dentro se remexe, rasga, arranha minha alma.
Me deixando inquieta, insone e ruindo minha calma.

Será que a solução é um grito de desabafo?
Ou será um desaperto no laço?

Uma dose bem forte, por favor!
Algo que me faça esquecer essa dor!

Vai passa!
Tudo passa!

Enquanto isso vejo lá fora o mundo sendo
inundado pela chuva.
Já que não tem conhaque, o jeito é
beber fanta uva.

Amor de Salvação






Será que você chegou
somente para isso:
Para derrubar minhas paredes?

Quando a dor é intensa
Pela falta dos teus braços
Eu me abraço pra aliviar a saudade.

E chego a sentir, por um momento
só, aquele mesmo aconchego,
Aquele calor bom que eu
sentia no teu abraço.

O seu cheiro, 
O gosto do beijo.
Tudo se mistura numa vontade 
que vai e vem:
Vai e vem de te esquecer,
vai e vem de te lembrar.

Sentimentos represados
Representados na angunstia
de quem interpreta meus olhos.

Volta e tapa o buraco que ficou no meu peito,
Pois esta escrito no firmamento que tudo tem jeito.

domingo, 6 de maio de 2012

Velhos e Novos Sonhos

Sonhos são filhos do desejo,
da vontade de realizar algo

Alavancam a vida na Terra
Assim como as plantas precisam do Sol

Edifica teus sonhos na rocha,
diz o provérbio, e não nas nuvens
acima do Sol.

Se tu colheu o que desejou
em seus sonhos, bom sinal

Se de uma forma ou de outra
os seus sonhos de agora não
tem mais lugar para os sonhos
de ontem, hora de guardar
os velhos sonhos no baú.

Parto para realizar novos sonhos,
pois a vida precisa de novas
nuances afinal.

Delícia de Verbo


Tenho fome
Tenho sede
Sinto falta de algo que me nutre

A fome não é de comida
A sede não é de água

A fome eu mato com as letras
A sede eu sacio com as palavras

Um banquete: a prosa
A sobremesa: a poesia

E assim vai girando a roda
Que inunda de cor a vida



domingo, 15 de abril de 2012

O FILME

Sons de sirenes acordavam a madrugada fria daquele dia.

Ouço ao longe a marcha dos soltados que vinham em batalhão. Mas ainda era um som distante...

As pessoas correm, procuram escapar ao inimigo infalível: a guerra.

O som da marcha está mais próximo. No campo, parecíamos caças a fugir do predador.

Escuro. Não vejo mais meus conhecidos, são todos vultos agitados em busca do melhor caminho para a salvação.

Eles estão chegando! Rápido, corra. Não conseguia, minhas pernas estavam paralisadas. Só tenho reação como mera observadora.

Agora são tiros ecoando no espaço escuro.

Vem-me recordações dessa manhã como uma visão: a cidade é só cinzas. O céu está cinza: é inverno, e faz muito frio e o frio é cinza. As construções são meros montes de concreto cinzas e ainda em chamas - só ficará cinzas. Os corpos carbonizados: cinzas. O futuro: uma nuvem cinza.

Eles chegaram. Procurei agarrar-me ao muro, tentando pular para a outra área ,sendo mais fácil fugir.

As cenas estão em câmera lenta: tudo muito devagar.

São monstros humanos trajando uniformes cinzas e botas coturnos pretas.

Com algum esforço consigo pular o muro, agora e só correr. E corri meio mundo, não sei por quanto tempo. Num esforço de continuar vivendo.

Derrepente, me dei conta que estava indo em direção ao mesmo lugar que havia saído. Mas como? Eu havia saído daquele lugar e agora estou indo em direção ao mesmo? Indaguei comigo mesmo. Não sei o que aconteceu, só sei que aqui estou novamente.

Negro. A cidade em ruínas só era escuridão. Me dei contar que estava sozinha. Onde eles estão? Olhei para cima, para o lado onde estava do que restou de uma construção, estava coberta de uma poeira negra . Olhei novamente e, pareceu-me que havia alguem me olhando. Percebi que eram vultos.

Senti que alguém me tocava: era minha mãe. Estávamos novamente no local do começo da história. Olhei ao redor procurando os soldados. Procurando escutar as sirenes e os tiros. Nada.

Estávamos na sala do cinema, o filme havia acabado.

domingo, 8 de abril de 2012

OLHAR POJETADO

Ao deviar meus olhos do papel levantei minha cabeça.

E ao focar meu olhar encontrei o teu olhar.

Hipnotizados, encantados um pelo outro se convidaram ao encontro um do outro.

Se encontraram em várias posições em outras estações.

E mais tarde por algum tempo meus olhos deixaram de ver os teus...

E os meus olhos procuraram os teus olhos em vão...

Até que novamente um dia nossos olhos voltarão a se cruzar para que enfim eles busquem olhar numa mesma direção.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

PESADELOS E TROVÕES




Estávamos em alto mar. Éramos três sobreviventes de um naufrágio, e nos segurávamos em um pequeno barco à vela.
O mar não estava calmo e, até aquele momento estávamos enfrentando fortíssimas turbulências. E o pior de tudo é que não sabíamos em que parte do mundo nos encontrávamos.
Havia algum tempo que a embarcação que nos levávamos para as ilhas do pacífico tinha sucumbido por causa de uma tempestade que nos pegou de surpresa, levando quase toda a tripulação só sobrevivendo nós três.
Foram dias... não sei ao certo, perdi noção de tempo, sob um sol escaldante, ventos, turbulência, a falta e água e comida, em fim, avistamos terra.
Por um momento, tive a nítida impressão que não estávamos mais vivos. Os deuses lá em cima devem ter nos guiado em nosso pequeno barco por esse imenso oceano, como bebê faz ao brincar com seus brinquedos na banheira.
Falo por mim, porque naquela situação eu havia me esquecido dos meus dois companheiros. E assim, sem emoções só com as sensações dos cinco sentidos, registrava tudo o que acontecia.
Parecia um cenário de filme: ao chegarmos à ilha fomos recebidos por estranhos habitantes.
Tenho certeza, que há muito tempo, eles haviam nos avistado: observei que perto da enseada havia um morro de rochedos na qual se podia avistar á léguas qualquer embarcação que se aproximava daquela ilha. Presumir, então, que a muito eles nos esperavam.
Era assustador o modo como tudo estava acontecendo: os gritos a fumaça, aquelas pessoas...
Desejei que tivéssemos antes morrido de inanição do que sermos devorados por canibais.
Mas o que eu estava pensando? Era isso mesmo, canibais!
O modo como eles agiam, se vestiam e tudo o mais e, depois olhei a minha volta e tive a certeza absoluta que eram canibais: os vestígios estavam por toda a parte, em ossos, crânios humanos !
Homens que escondiam seus rostos com grandes máscaras de palha ou pintados com tintas em várias cores e lembrando vários motivos geométricos. Tinham a pele escura e estatura mediana.
Estavam armados com enormes lanças pontiagudas apontadas diretamente para nós. Gritavam em um dialeto estranho: me sentir como uma caça capturada.
A aldeia estava organizada, ao meu parecer regularmente, com suas cabanas que me lembrava aldeias indígenas, cobertas e palhas, que formavam aparentes cogumelos gigantes.
Nos agarraram e nos levaram para uma espécie de caverna subterrânea ou cativeiro. Nos levaram água, uma espécie de chá de gosto estranho e só.
Cada um de nós três, estava confinado em um espaço, tanto físico como psicológico: cada qual com seus sentimentos de sofrimento, angústia, medo e fome.
Para mim, aquilo era o inferno depois da morte que ainda ia acontecer.
Já se fazia muito tempo que estávamos nos mantendo presos no escuro, só nos dando líquidos. Á noite, eu ouvia sons estranhos: gritos, tambores, cânticos.
Chovia muito também. Trovões violentos faziam estremecer até o interior do meu corpo.
Lembrei-me que antes de prepararem certos moluscos nos restaurantes, eles são submetidos á etapas de mais ou menos uma semana em completo jejum. Tudo para que seus organismos se tornem limpos. Então associei esse nosso estado com o do molusco.
De repente a porta da palhoça foi aberta, a luz que veio de fora me feriu os olhos. Percebi, então que já era noite e que aquela claridade toda, não era luz do sol, e sim e uma enorme fogueira, de ossos!
Depois entrei em um outro mundo, um mundo de alucinações: senti que se aproximava alguma coisa ou força estranha e poderosa.
Me colocaram em um canto qualquer. Eu não sabia o que pensar ou agir, só observava e guardava tudo em minha memória.
Uma nuvem branca tomou todo o céu escuro. De repente foi como se fizesse dia outra vez. A fumaça foi se amontoando e tomando forma de algo, ou melhor, uma criatura.
Num bocejo e numa espreguiçada, o gigante – que antes não passava de uma nuvem de fumaça branca, foi se tornando escura – tomou forma.
Uma criatura negra e assustadora. Um deus furioso que acordara soltando estrondosos trovões em protestos. Mas a medida em que ia abrindo os braços, ele ia se dissipando, até se transformar em nada...
Acordei assustada, estava em casa, a salvo da chuva que caia lá fora.
Trovejava bastante também.










sábado, 18 de fevereiro de 2012

Por Hoje



Por hoje vou:

encostar minha cabeça e repousar,

sem pensar no que poderia ter sido

ou no que poderá ser.

Muitas coisas já ficaram pra trás,

mesmo!

É a vida: quando se tem que virar páginas

e consolidar o que foi escolhido, com a

certeza do que foi o certo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Turbilhão


Planicie, estabilidade
Planalto, instabilidade
Sobe e desce de sentimentos
Uma montanha russa de emoções
Esperança que isso pare no proxímo verão.
Riso em vão
Perdão!
A montanha russa virou roleta russa.
Derrepente uma explosão:
Pronto, acabou,
Próxima estação.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Um dia...




Um dia o reencontro:
beijos sem fim,
abraços de naufragos...
No outro dia o desencontro:
a espera por um sinal,
o hiato do silêncio...
Mais um dia:
Quem sabe lá no final do arco-íris
agente vai se encontrar.

Mylane Almeida