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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Boca da Noite.
Bocas da noite.
Bocas na noite.
Bocas... apenas.
Na noite.

20/09/2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012








Desejo e não canso de amar e querer.
Quero gozar teu corpo infinitas vezes. Como não pude da outra vez.
Tão longe e tão perto.
Quero tanto que chega a doer.
Quero de um jeito que não me sai da cabeça.
Forte e quente.
Não tiro teu toque, teu sabor, teu cheiro de mim. Ficou de um jeito que não sai.
E mesmo que saísse ficaria marcado em mim
Seu corpo
Sua voz
Toda essa vontade
As unhas cravadas em minhas costas
Os pedidos impensantes de mais e mais
O sorriso
O suor
O beijo
O gozo
E a certeza de que vai voltar.

Doda Pereira e Bernardo Moraes

terça-feira, 5 de junho de 2012

Conversas aleatórias no bate-papo






Conversas aleatórias no bate-papo


A garota afoita, com sede de vida e seus bastos cabelos em fogo diz logo:
--- Sou é tudo!
Se joga entre palavras, melodias e mentes:
--- Poeta, cantora, psicóloga!
Com ímpeto propõe logo:
--- Vamos ser tudo.. até nada!
E enche a boca de filosofias:
--- Claro, pra uma coisa existir precisa de seu contraponto... ou seus milhões de contrapontos! E a loucura é que tudo é feito de paradoxo!
Linhas coloridas, se manifestam, lindas aquarelas, será ele ou será ela?!
--- Com toda certeza sejamos tudo e portanto nada tbm..
Nossa neófita moça emenda:
--- Mesmo a gente tentando por força que as coisas sejam lineares
Não satisfeito a máscara de cores (porque tanto mistério?) diz com doçura:
--- Se temos amor já é o bastante .
--- O amor é o que resume tudo! -- lá se vai a jovem rubra.
Eis que do nada surge um jovem, que solta uma baforada de seu cachimbo de ideias (que teria ali?):
--- Pois só sejamos,então, pois tudo e nada são na verdade a mesma coisa, uma se manifestando na ausência da outra.
Nosso interlocutor de cores e pigmentos, conclui:
---É isso ai.. é tão simples e de tão simples chega a ser inefável.. O mistério que há por trás de todos os seres e que nos une é simplesmente o ato de amar..
Que dizem essas vozes? Quanta misturas de coisas. Começamos em "A" e... terminamos em quê?!
Estavam lá a conversar. Não sei bem do que diziam.
De amor, letras, existir, coisas assim. Alguma coisa os ligavam.
Acho que eram as palavras, o amor e uma ideia. Ou era uma ideia de amor as palavras?!
Ai num sei... e perdi. Se foram e me deixaram aqui. Sem nada entender.

*Conversando aleatoriamente no bate-papo do facebook. Sempre surgem viagens legais. Tomei a liberdade de pegar as falas do sócios e transformar em um textinho.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sobre Alguéns III




Sobre Alguéns III


Não se dê ao trabalho de se apaixonar por mim. Não sirvo para isso. Meu coração é grande, infame e inquieto demais. Não se iluda com minhas palavras ou carícias, são apenas momentos.

Se pode acontecer de que eu me apaixone por você? Sim, pode acontecer. Mas não conte muito com isso. Sim, adoro estar com você, adoro nossos momentos juntos. Me questiona por te tratar como namorado quando estamos juntos? Mas essa é a fantasia, a de fingir que aquele instante é único, que somos só um do outro, que não existe mais ninguém além de nós.

Só quero nossos prazeres, nossos corpos. Entenda, nós mulheres também as vezes queremos só sexo. Mas você insiste em me ver sempre, quer estar sempre ao meu lado, até em público. Isso só dificulta as coisas para ambos. Você se apega a mim, me quer por perto, me liga, me manda mensagens. Uma mensagenzinha safada no meio do expediente é legal, mas coisas fofinhas o dia todo não é bem o que deve ter na nossa relação.

Meu coração é aberto e livre, na verdade minto. Ele é libertino, essa é a melhor palavra. Não quero me prender. Te amo, sim, te amo. No segundos que dividimos eu te amo alí. Quando me faz ter orgasmos fortes, quando me pega quente, quando me beija vorazmente, quando vai buscar algo pra mim (que peço por puro capricho), quando me chama de safada, quando dorme agarradinho de mim, quando me faz carinho, quando me deixa escolher o filme bobo da noite, quando segura meus ombros quando tenho uma crise de choro. Te amo em todos esses momentos. Perceba que posso amar (aliás, todos podemos) desmedidamente durante uma vida toda e durante apenas uma noite. Uma fração de segundos.

Admito que tua companhia mexe comigo, não pense que tenho o coração de pedra. É exatamente por amar demais que sou assim. Te amo e quero amar todos os outros ao mesmo tempo. Sim, isso é uma fuga. Tenho medo de me entregar, de dar meus sentimentos para alguém.

Sim, eu fico imaginando nós juntos. Penso em como seria o futuro de nós dois, em casamento, em filhos, casa, festinhas em família, fraldas em tudo que poderíamos construir juntos. Meras fantasias tolas, para que elas me servem? Apenas para me frustrar, ficar devaneando com você, e com todos que passam pela minha cama. Preciso disso, dessas imagens de futuros inexistentes, preciso me prender a esses devaneios, para poder me prender à algo que eu posso me soltar mais facilmente.

Esses desvarios na verdade me machucam , me prendem e me enfraquecem mais do que se você por livre vontade me deixasse. Me entregar ao seu amor não me conforta, me dá medo, sim tenho medo de amar tão verdadeiramente que eu me perca. Minhas fantasias me suprem, são lindas, perfeitas e com finais felizes. Lá tudo sempre dá certo, você é perfeito, nossa vida é perfeita. Nosso amor é completo e sem falhas.

Me entrego a devanear, mas não só com você. Com todos que partilham meu corpo. As vezes nem isso. Só uma cruzada de olhares no supermercado já imagino toda uma vida. Vou entregando meus sentimentos à esses pequenos momentos de coisas que não existem. O olhar no supermercado, era apenas um olhar.
Quase sempre eles não me dão motivos em momento algum para que eu crie meu mundo de falácia. Eles não me diziam para criar expectativas, não me diziam que me amavam, mas eu sem perceber já me prendia as minhas loucas divagações. E ao mesmo tempo buscava outros sabores, outras diversões, outros corpos. Talvez para me dispersar e deixar meus sonhos loucos, talvez para fugir dos meus pensares.

No fim buscava a maior infinidade possível de prazeres, só para não me entregar ao teus braços. Agora não te tenho mais, porque te dispensei, porque você dizia me amar. E eu não queria me prender.

Agora não te tenho, e não tenho ninguém no momento. Fico me alimentando de minhas alegorias de amores, de minhas histórias da carochinha. Digo para que ninguém se apaixone, para que eu posso me apaixonar por todos, Para poder ter o amor e o sexo de todos.

Enquanto insisto não partilhar meu coração, fico partilhando me corpo. Que é mais resistente as pancadas. Meu corpo se recupera bem de hematomas. Mas já qualquer coração, demora mais. O meu as vezes demora anos para sanar de algumas chagas. Em outras vezes, um banho frio resolve tudo. Lavou, ta novo.
Sim, digo para que não se dar ao trabalho de se apaixonar por mim, porque a bagunça é grande demais. Deixe que eu te ligue, deixe que eu te procure, deixe que eu diga venha. Já que pode estar ficar em outros braços, não prometemos nada um para o outro.

Vai então, te deixo livre assim como os outros. Assim como os outros te entrego meu corpo, porque ao prazeres da carne eu sempre me entrego.

Leve as lembranças de nossas noites e carícias, e me deixe aqui com as inquietudes do meu coração.


(Doda Pereira 24/05/2012)

sábado, 12 de maio de 2012








Queria vomitar tudo isso que me aflige.
Cuspir isso que me amarga a boca como fel e me embrulha o estômago.
Extirpar essa bile imunda de mim.
Vomitar tudo mesmo, tudo de ruim que me incomoda e me irrita.
Mas o vômito, só limpa meu corpo.
Só me livra do que me fere a carne.

... Não me liberta do que me aflige o espírito...

Doda Pereira (11/05/2012)

terça-feira, 1 de maio de 2012






Seria pedir demais só um pouquinho de você?
Pedir aquela noite incompleta de volta?
Queria te sentir mais uma vez.
Te sentir de verdade.
Não terminamos tudo.
Temos muito o que fazer ainda.
Não te provei por inteiro.
Você não descobriu metade dos meus segredos.
Não desvendei todos seus mistérios.
Vamos nos reencontrar, com mais calma agora.
Só quero terminar o que começamos.
Não te peço mais que isso.
Fiquei com teu sabor e teu cheiro em meu corpo.
Quero saber do que você ainda é capaz.
Do que somos capazes juntos.
Não se faça de durão, nem de rogado.
Pode vir, sem medo e sem pudores.
É só falar, é só chegar, é só me apertar, é só querer...
Só quero você um pouquinho....
.... só uma noite....
(Doda Pereira, 01/05/2012)

sábado, 28 de abril de 2012

#ContraoAumentoTeresina







Minhas mãos ainda estão trêmulas e a muito custo que seguro as lágrimas. Meu corpo todo doí e ao menor ruído fico sobressaltada. Estou com os nervos a mil. Tudo que vi hoje, sinceramente me parece uma cena de filme.
Não parece que estou na mesma realidade de dantes, não me sinto no mesmo local, é como se eu apenas visse imagens projetadas em um lugar aparte de tudo. A todo momento ligo pros meus amigos para saber como estão e me espanto quando o telefone toca, sempre me perguntando: Quem dos meus amigos ta machucado ou preso?!
Minhas amigas estão falando comigo, me ligando, pra saber se estou bem, mas não consigo responder direito, porque to chorando agora.
Me sinto uma inútil, como se não estivesse fazendo nada. Sei que estou fazendo o que está ao meu alcance, mas ainda assim me sinto de mãos atadas. Queria poder arrancar as pessoas das mãos do policiais e fazer eles pagarem por tudo. Fazer as pessoas enxergarem tudo que está acontecendo.
Queria dormir, meu corpo pede descanso, depois de tantas dias de caminhada, de sol, de fome e sede. Mas minha mente não deixa. Imagens de mulheres sendo arrastadas pelos cabelos como animais, idosos agredidos, jovens pisoteados e minha própria imagem borrada dos acontecimentos, não me permitem dormir.
Minha amiga acabou de dizer que não vai para o trabalho amanhã, porque não aguenta ver tudo isso que aconteceu hoje e ficar em casa sentada.
Queria que esse sentimento se espalhasse como rastilho de pólvora, ou como o spray de pimenta que jogam todos os dias na gente, em toda a população teresinense.
A forma arbitrária e brutal de como a PM agiu hoje, me deixa de tal forma enojada que até eu me sinto suja. A PM jogando spray e soltando bombas nas pessoas que estavam no Bom Preço, pais de família e trabalhador@s que estavam apoiando o movimento. Meu amigo chega e me diz que um senhor (vendedor de picolé) disse para a polícia que eles não podiam agir daquela forma, que era errado. Não foi preciso mais do que isso pra um deles dizer: "Ah, posso não!? Pois leva logo esse aqui também!".
O estopim de lágrimas veio quando me disseram que uma jovem, atingida no olho por uma bala de borracha, podia ficar cega.
É isso que chamamos de democracia?! Não foi isso que aprendi inocentemente na escola.
A mídia cada vez mais tenta colocar a população contra os manifestantes.
Sou estudante de jornalismo, e por vezes tenho um enorme nojo da profissão. Sabemos que a mídia é comprada, sei também que tem uma galera que depende do seu emprego, sei que tem gente tentando mostrar o outro lado e sei que um dia posso ir parar em um estágio em um lugar como esse. Se for pra fazer um jornalismo assim, sei que vou ter que fazer vestibular de novo ou ficar pra sempre na barra da saia da minha mãe.
Agradeço imensamente aos comunicadores (incluo aqui os fotógrafos, repórteres, blogueiros, "tuiteiros", "faceboqueiros" e independentes de plantão) que estão do nosso lado, mostrando a realidade dos fatos, e não como essa mídia vendida vem fazendo, nos criminalizando e retaliando.
Acabei de chegar do sindicato, onde estávamos (ainda tem gente lá) produzindo notas e matérias e, dentre outras coisas, esperando noticias dos advogados do Fórum (vale um parabéns a eles, que estão fazendo um trabalho belíssimo) que tentavam soltar as pessoas presas, que os policiais tentavam a todo custo mante-los lá, passando por cima de legalidade. Quando o Coronel James Guerra anunciou o preço de 10 salários mínimos pro cada preso, como fiança. Isso não era da alçada dele decidir.
Cada ligação era um susto, cada informação desencontrada era aperto no peito sem saber quem realmente estava solto ou machucado. Nem a cara podíamos colocar do lado de fora, pois tinha policiais rondando o local
Hoje vi um massacre. Da ordem, da democracia, da cidadania, da HUMANIDADE!
Sinto que ainda temos que caminhar, mas nossa luta tenho fé, será vitoriosa.
Tudo isso me deixa enojada, e me faz refletir sobre a conjuntura de tudo, sobre a sociedade que vivemos. Até antes pensei que vivecemos em uma comunidade que chamávamos de CIVILIZADA, mas depois de tudo que tenho visto e vivido esses dias, sinto que na verdade o tempo das cavernas está ditando tudo e dentro de tudo, como um animal acossado que foge loucamente quando arrebentam sua coleira.
Quero poder correr livremente e gritando que conquistamos nosso intento, vamos fazê-lo.
Nojo e sentimento de impunidade, define esse meu momento.
Queria um abraço nesse instante para fugir um segundo dessa realidade, fingir que foi tudo um sonho ruim. Queria dar um abraço em todos os companheir@s que estivem ao meu lado em várias lutas da minha vida, e nessa do ContraOaumento mais ainda. Abraçar aqueles que eu não conheço, mais que estão nas ruas todos os dias, na luta pelo mesmo ideal.
Desculpem se alonguei amig@s, mas senti a necessidade de desabafar.
Existem braços na luta companheir@s!
O meu está lá.
Sem mais forças para escrever.
Abraços.

(Doda Pereira, madrugada de 11/01/2012)

ps: Texto feito na época das manifestações em Teresina contra o aumento da passagem. No dia exato de confronto mais truculento da polícia contra os manifestantes.

quinta-feira, 26 de abril de 2012







Teus negros olhos
Teus lábios fartos
                          que chamam por mim
                          que clamam por meu corpo


Meu corpo ardendo e pedindo
                                              buscando teu afago
                                              querendo teu amparo


Procurando incessantemente
Teu corpo

                teu corpo
                               procurando o meu


Nos achamos por fim...
                                     e
                                          nos
                                                  perdemos
                                                                   em
                                                                          nós...

(Doda Pereira 26/04/2012)

segunda-feira, 23 de abril de 2012




Te queria pra mim, só um pouquinho.
Queria teu corpo forte, tua barba rala.
Entenda, não quero teu coração.
Não funcionaríamos juntos.
Mas nossos corpos sim, eles se encaixam.
Se completam e se enroscam em perfeita simetria.
Terminaremos o que começamos.
Meu corpo e seu pedem por isso, eu sei que sim.
Não se faça de rogado, deixe de pensar tanto.
Estou esperando para nos afogarmos em nossos desejos.
Saciarmos essa nossa vontade.
Matarmos essa ânsia que nos aflige.
Não finja pudores, não precisa de tantos dedos.
Ou melhor... deixe os dedos. Mas em outros lugares...
Saia dessa capa de bom moço discreto.
Pode vir sem medo de ser rejeitado.
To esperando para terminarmos o que começamos.
Esquentarmos novamente aquelas paredes e incendiamos nosso corpos.
Vem me pega um pouquinho e faça o que quiser.
Me pega um pouquinho...
...e me faça sentir muito de você.
(Doda Pereira 23/04/2012)

domingo, 22 de abril de 2012

ALMOÇO DE SÁBADO


                                                         




ALMOÇO DE SÁBADO




            --- Olha o arroz no fooooogo!!!
            --- Repara se o macarrão tá no ponto!
            E é aquela confusão de gente na cozinha e nos quartos. E passa pano, arruma pratos, lava panela uns afazeres sem fim!
            --- As camas tão arrumadas!?
            E a criançada brincando prá e lá e prá cá, sem nem se importar com nada. Só diversão, pé no chão, canela suja, mão melada de tinta e o cabelo já preguento. A família reunida pais e mães, as tias velhas que só saem de casa nesses dias, a primalhada, a avó que grita com todo mundo...
            --- Num quer uma geladinha não cumpadi........?
            Cheiros deliciosos que vem da cozinha, cheiros de mistérios que só os anos de experiência ao pé do fogareiro no interior podem trazer. Mistérios que a sábia avó e a tia sorridente não revelam por nada nesse mundo. São queijos, quiabos, maxixes, feijão verde, carne de sol, pimenta e todo tipo de guloseima espalhadas pela mesa que nem se pode imaginar no que irão se transformar. A cozinha é o lugar de maior movimento na casa, com tantas mãos trabalhando em maravilhas pra gente se empanturrar ao meio dia. Meio dia...?! Meio dia nada, para tantas delícias ficarem prontas haja tempo!! Lá pela uma da tarde que se come por aqui, enquanto isso a gente fica beliscando o que tá pronto e levando cascudo por conta disso.
            --- Ei menina larga isso! E tome palmada!
            Mas quem diz que se aquetam?! Lá estão elas de novo, fazendo a mesma coisa. A mais velha que comanda a brincadeira, fazendo as coitadas das mais novas de bobas. Todas já descalças e com o pé vermelhos do chão de piçarra, o cabelo desgrenhado e um belo “colar de pérolas negras” no pescoço. A pequetucha, que num prende o emaranhados dos cachos de forma alguma, fica seguindo as outras tentando acompanhar suas estripulias. Mas quase sempre fica para trás. A mais velha com seus longos cabelos negros e sua tez da mesma cor vai ditando as regras, como uma pequena general, enquanto a do meio, galega e gorducha e a novinha morena e magrela vão à seguindo. E lá se vão elas, em fila, o trio parada-dura em busca de mais aventuras. Isso é claro, antes tendo deixado uma pequena zona de guerra no meio da sala.
            --- Abre aqui o portãaaaaaaaaao! Pensei que num tinha era ninguém aqui! Bom dia meu povo. E lá se vem mais um tia velha com seu batom carmim e cabelo tingido e com seu “namorido” acompanhando atrás. Dá beijinho, abracinho e a “bença”. Ela passa logo pra cozinha pra ajudar as outras que lá já estão.
            --- Faltou água! Cozinha sem água não dá certo! Olha o tanto de louça, rum, cuida cuida com essa água! E corre que corre pra ligar bomba, pra puxar água no balde, que sai respingando na casa, que sai melando tudo. Os homens vão lá cuidar disso.
            Bomba ligada, problema resolvido.
            --- Eu vou comprar um desses “negocin” pra mim, um “notebuka”. Pra olhar os “broguis”. E a tia de queixo de duplo e cara rosada não perde a oportunidade de fazer pilheria.
            --- Ver os “broguis”!? Coloca um espelho atrás de ti que tu vê os “broguis”!!!! O teu “brogui”! Todos se riem da brincadeira, com dentes jovens, velhos, branquinhos ou amarelados.
            A movimentação em torno da mesa começa. Tortas, lasanhas, arroz com feijão, cariru,  saladas coloridas, sem falar na galinha caipira no ponto. Muita confusão para se servirem, é gente demais e mesa de menos.
            --- Essa torta é de que?
            --- Ainda tem arroz?
            --- Francisca coloca mais caldo na panela!!
            --- Quem bebeu meu refrigerante?
            --- Mãaaeeeh ela tá mexendo na minha comida!
            --- Eita que esse pirão tá bom demais!
            Só o estalar de línguas e bater de talheres nesse momento, ninguém fala nada. Apenas mastigam.
                                                                       (…) (…) (…)
            --- Tem a sobremesa minha gente!
            --- Qual?
            --- É pavê.
            --- Ouxi! E é só pa vê num é pa cumê não?!
            O velho trocadilho que passam-se os anos mas ao fim todos ainda riem. A muvuca vai diminuindo e todos vão se aquetando em alguma cadeira velha de espaguete, num sofá estampado ou se escorando nas paredes pra jogar uma conversa fora e “sentar” a comida na barriga. Porque segundo a grande matriarca da casa, a vovó, tem que ficar queto depois que come, se não da “fartiu”. Se ela diz, tá dito. Um palito no canto da boca e um dedin de cerveja no ex-copo de extrato de tomate.
                                                                       (…) (…) (…)
            Ao que no fim de uns minutos todos vão se libertando da letargia do pós-almoço e se aprumando para irem para suas casas. Cada um com um depósito de plástico na mão (ou uma lata de manteiga vazia, também serve) levando um pouco do que sobrou do banquete de mais cedo, pra não ter que fazer janta mais tarde. Isso sem antes a mulherada trocar fuxicos na cozinha enquanto lavavam a louça. Beijinhos, despedidas e benção para os mais velhos.
            --- No outro final de semana é lá em casa.
            --- Cumpadi a gente vai assistir aquele joguinho né?
            --- A bença madrinha.
            --- Pega a sacola com os ossos pro cachorro!
            --- Até minha gente.
            E todos vão pegando o caminho de suas devidas casas, devagar e de barrigas cheias. Depois de uma semana chata, cansativa e tediosa, essa foi a hora de esquecer-se de todos os problemas e ter um momento de felicidade simples e plena. Um felicidade que acalma e acalenta. Agora é tirar um cochilinho e tentar não pensar na outra semana chata, cansativa e tediosa que estar por vir.
            Mas agora só quero saber é de um sonhinho... e do resto de pavê que deixei bem escondidinho no fundo da geladeira. Meu resquício de lembrança desse dia.

(Doda Pereira 21/04/2012)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sobre Alguéns I





Teria Machado de Assis visto teus olhos a partir dos meus ao falar dos de Capitu? Olhos de cigana oblíqua, dissimulados, olhos de ressaca... que puxam, que chamam, que tragam para um infinito negro... Nada havia visto igual, me engoliam e me devassavam, sem pena ou pudor.
Pensei que me perderia naqueles olhos, sem nunca mais poder voltar. Pensei que me enredaria e mergulharia naquele breu de íris e me fazia pedra.
Via teus olhos, mas percorria teu corpo com os outros sentidos. Principalmente o olfato. Que cheiro... De uma pele suada, mas delicioso, cheiro de gente de verdade. Procurava as mãos, os braços, os abraços fugidios, a pele... Uns cabelos reluzentes que lhe caiam ao rosto, que encobria tua tez morena e macia, que lhe conferia mais charme (se é que isso era possível) e um mistério impossível de descrever. Teu sorriso meigo, franco e aberto, bobo, sincero e infantil  Mas teus olhos...
Ah teus olhos! Me achava e me perdia neles, mais me perdia do que me achava e nem fazia questão de me achar.
Te procurava e você se afastava, por medo? Não sei dizer. Mas um jogo de caça, de gato e rato que só os enamorados sabem realizar. Um se finge de tolo e desentendido e o outro faz o papel de mal.
Procurava teu corpo, me fazia em você, enquanto tu se desfazia de mim. O mistério dos teus olhos quem poderia revelar? Eu só sabia contempla-los de dentro daquele negrume de mar salgado.
Mas enquanto me perdia em teus olhos, o que realmente fazia.... era procurar tua boca.

http://www.youtube.com/watch?v=3tZsb41EWsM

(Doda Pereira, 19/04/2012)

domingo, 15 de abril de 2012





Fumei.
Chorei.
Comi.
Olhei pela janela e senti o vento em meu rosto.
Escrevi. Minha terapia. Minha forma de expelir minhas angústias.
Deu certo.
Me sinto melhor.
Consigo sorrir e respirar sem dor agora.
(Doda Pereira, 15/04/2012)

Sobre crescer III




Sobre crescer III
É muito chato você não poder ser totalmente verdadeiro com seus amigos. E com a sociedade em sí também.
Não poder contar certas coisas, pelas críticas que virão. Mas aí as pessoas dizem: Se é seu amigo não tem porquê te critcar. Claro que tem que criticar. São seus amigos, eles te ajudam a crescer, vão dizer se acham certo ou errado. Não vou entrar no mérito da discussão sobre o que é certo ou errado. Seria longa demais. Cada um tem a sua verdade, aquilo que melhor lhe cabe.
Você tem que se tolher. Nem todos estão prontos para aceitar (aceitar não, compreender) suas ideoligias e modos de levar a vida. Minha forma é essa. A deles é aquela. Não posso dizer isso, ou revelar aquilo. Eles não estão prontos, não estão preparados. A cabeça deles é outra, para você a cabeça deles é tolhida e pequena, mas quem é você para julgar isso.
Queria ser completamente verdadeira mas, infelizemente, a mente deles ainda não está preparada para isso. É preciso de um pouco mais de desprendimento e saber relativizar. São coisas tão simples, tolas e bobas. A maioria. Nem tudo.
Espero que a mente deles se expanda.
E logo.
(Doda Pereira, 15/04/2012)





Queria chorar mais, para expurgar logo tudo que ta me apertando, incomodando e oprimindo. Cuspir isso tudo que tem aqui dentro me afligindo.
Mas já não tenho mais lágrimas.
(Doda Pereira, 15/04/2012)

Sobre crescer II



Sobre crescer II




Todos felizes e cantando, pessoas perfeitas iguais e diferentes a sua forma. Juntos de mim. Eu rodeada de todos. E só, era como me sentia. Me despedi de meus amigos com um sorriso. Que no momento seguinte se tornava um rosto triste e envelhecido. A beira das lágrimas. E sempre com aquele amigo à te observar. Aquele que sabe que algo não está bem. E você fingindo descaradamente.
Sorrisos.
Roupas.
Maquiagem.
Sapatos. Tudo máscaras e armaduras que usamos para fingir e esconder seja lá o que estamos sentindo. Armaduras do dia a dia.
Esperava meu ônibus. Tinha um conhecido lá, cumprimentei como manda a etiqueta. Mas na verdade não queria falar com ninguém. Rapidamente seu ônibus chegou. Era o mesmo meu. Mas deixei passar. Não queria companhia. Queria ficar só.
Comprei cigarros para quando chegasse em casa me entregasse a depressão. O chocolate faria o complemento, seria a cereja do bolo, para aquela cena típica de filme água com açúcar da garota no fundo do poço. Só faltou o sorvete.
 Meu ônibus chegou. Havia uma família no fundo do ônibus junto comigo. Perceptivelmente modesta, muitas crianças, roupas simples, cabelos mal-cuidados. Um dos pequenos vinha com um guaraná na mão, e motava-se que aquilo lhe bastava. Todos simples e claramente com pouco dinheiro, mas todos felizes. Sorrisos sinceros e abertos. Sorrisos já amarelados e falhos pela falta de um tratamento dentário que, ao contrário de mim, eles não tiveram oportunidade de desfrutar. A mulher derrubou água em todos com o solavanco do trânsito e todos se riam disso.
E eu ali querendo chorar.
Eles com tão pouco. Eu com tudo. Casa, roupas, comida, estudos, pessoas maravilhosas ao meu lado. Mas ainda assim, me sentindo triste. Uma tristeza que nunca vou saber de onde vem. Sendo incapaz de sorrir verdadeiramente.
Ficava me perguntando o porquê de tudo aquilo, e não achava respostas. Só mais perguntas. Mesmo rodeada por todos e tantos, me sentia só e alheia aquilo tudo.
Lágrimas nos olhos.
Mas porque chorar? Me perguntava incessantemente e não tinha uma sombra de resposta. Não tinha motivos. Estava tudo perfeito, em ordem, em simetria. Trabalho, escola, amigos, tudo ok. Mas mesmo assim. Não me sentia verdadeiramente ali na maioria do tempo. Poucos eram o momentos que realmente me preenchia de mundo e me sentia plena e feliz com deveria ser.
Vinha pensando em tantas coisas. E ao mesmo tempo em nada. Era só uma avalanche de coisas desconexas. A principal coisa era, chorar ou não chorar. E ia adiando a decisão pelo simples fato de não saber o motivo para chorar. Era só uma vontade inexplicável.
Ficava observando as pessoas que vinham no ônibus. Pais, mães, trabalhadores, estudantes. Só para passar o tempo e me concentrar em algo que não fosse eu mesma. Chegou minha hora de descer. Minha vontade era rodar eternamente naquela rota e me perder em algum lugar. Minha vontade era sair correndo desesperadamente para um lugar desconhecido. Mas fiz apenas pegar meu caminho. Lancei um último olhar para a família. O casal se abraçava e se acariciava de uma forma tão simples tão sem pudores, só amor.
Desci. Ruas. Pessoas. Um bêbado e sua bicicleta, sendo equilibrista. Igrejas. Casas. Árvores. E escadas e mais escadas. Lágrimas. Forçadas por não ter mais forças para nada. Cigarros seguidos e finitos que não me traziam conforto. Apenas faziam o tempo passar.
Como posso estar rodeada de pessoas e ainda assim me sentir só. Ter tudo e sentir que na verdade não tenho nada. As vezes era mais simples estar no seu mundo fantasioso de amores, perfeição e castelos, do que tentar sobreviver no caos que se criou a sua volta. Fantasias maleáveis, modificáveis se algo incomodasse. Se algo desse errado era só criar outro mundo. Na realidade de osso, isso não me é possível.
 Não sei mais o que querer ou fazer. Ninguém pode fazer nada por mim. Posso apenas viver e tentar saber o que é isso. Esperar que tudo passe.
E espero que passe.
(Doda Pereira 15/04/2012)