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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A NAVALHA E O FIO

Fernando Vieira - Fio da Navalha

 

Áureo João

Teresina, 22 de junho de 2019.


Navalha é caos, sem o qual a vida pára na ordem estagnada;

O fio tece o que deve ser tecido;

A navalha corta, recorta, decompõe e separa o todo e as partes do todo;

O fio sutura partes entre partes e partes com o todo, quando inseparáveis;

A navalha talha a vida e coisas da vida que a compõe, separa coisas da vida e a vida;

O fio conecta coisas da vida que dão sentido à vida e a própria vida; laços conexos que religa fil a fil;

A navalha penetra o caos, perfurando-o, retalhando a confusão, sua ordem e sua desordem;

O fio tece a luz à ausência de luz, a lucidez ao caos; o fio ao fil;

A navalha é o medo da vida e a ruptura com o medo;

O fio é o tempo da vida, a vida no tempo, sem o medo da vida;

A navalha é o desassossego da ruptura;

O fio tece a vida, as coisas da vida; e o gozo na vida;

A navalha é corte, recorte, talhos e retalhos, análise e crítica;

O fio sutura e tece o que sobrou do corte da navalha; é síntese do texto, do contexto, do poema e da vida incessante, sempre por uma navalha que corta e um fio que tece fil a fil!!!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Limites?


Seu coração é ousado,
seu corpo é atrevido;
Seu desejo tem loucura,
seu pensamento, rebeldia.
Sua doçura quebra barreiras,
que achava que não devia.
Seus limites e os meus,
agora uma travessia,
com mãos trêmulas,
corpos inflamados,
desejos incontidos,
prazeres rebeldes,
corpos suados,
loucuras,
doçuras...
linhas cruzadas:
a minha

e a sua.


Áureo João de Sousa. Teresina, 02 de fevereiro de 2016.

Pedra



És professora,
és pau,
és pedra !!!
és sal,
és caminho, de pau, pedra e sal.


És cabeça de pedra,
és coração de pedra,
és caminho de pedra,
és pedra,
cabeça, coração, caminho.


És pedra sobre pedra,
és pedra no caminho,
és caminho de pedra,
és o que és,
pedra.


És pau,
és pedra,
és pó,
és poeira de pó de pedra,
és preciosa pedra.

Áureo João de Sousa. Teresina, 14 de abril de 2016.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O CIENTISTA NU ESPELHO


Áureo João. Teresina, 14 de outubro de 2013

O Cientista é um ente
autocriado,
autocausado,
autodeclarado,
autodivinizado,
autoproclamado...
O Cientista,
se pensa...
se fecunda,
se pare,
se valida...
faz-se um ente de único gênero e espécie...
Fálico.
Por sua própria ciência e com esta só
e sua linguagem restrita, adoece e morre,
só...
O Cientista pensa...
que o mundo todo
e todo mundo
só existe
por causa de sua ciência apenas e
de sua prescrição doutoral.
O Cientista é escultor de si mesmo;
esculpe sua formosura e formatura;
talha sua matéria-prima, como criador e criatura.
Resultam belas esculturas e finas culturas.
Às vezes, não raro,
abestalhadas criaturas.
O Cientista é um devoto fervoroso.
Na sua trindade sagrada,
dogmática dura,
sua religião-ciência tem fé absurda.
Tradição, Método e Linguagem;
e uma comunidade fanática... Referenciada...
Crentes fanáticos em suas crenças,
os cientistas, aos muitos,
à semelhança de religiosos fundamentalistas,
nos tentam fazer crer como eles mesmos, em ismos e centrismos,
e nos aprisionar em suas correntes...
discípulos dos discípulos dos discípulos
e dos mestres que dominam suas cabeças...
nos perseguem pelas desobediências atrevidas, heresias e descrenças
No panteão da ciência-religião,
autores que se pensam deuses, outros divinizados;
livros sacralizados, teorias canonizadas;
academias-senzalas, adestramentos e açoites;
hierarquias, departamentalizações, citações;
rituais e normas, reificações,
valem mais que as vidas cotidianas manifestas...
apenas para os Cientistas mesmos; só.
Os cientistas inventaram
a Ciência e a Técnica,
o cronômetro mecânico,
os seus domínios sobre a Terra e os Oceanos,
e o estado elevado de sua Arte própria,
para nos livrar dos desígnios dos Deuses Todos,
da tentação do Diabo,
e das moradias do Céu e do Inferno,
Mas, agindo como se fossem Deuses e Diabos, padecem nas bestialidades de seus próprios eus apequenados. O inferno de si.
No currículo dos cientistas, há coisas que nos assustam:
Concorrências desnecessárias, às vezes desleais;
melindres, desafetos;
intrigas, ressentimentos;
estresses, muita pressa;
pressão, depressão, transtornos;
infartos; AVC;
aridez afetiva e espiritual,
apologia ao saber-poder;
solidão;
loucuras.
O Cientista fálico,
de razão e objetividade só,
adorador de sua trindade e do culto em si,
é um gênio tolo falador,
um idiotizado com dureza,
que não acha graça nos adornos e coisas simples da vida;
vive sem ternura;
uma besta que se acha culta e superior aos entes demais...
No plantel dos Cientistas,
autodivinizados,
abestalhados,
tolos,
idiotizados
bestas incultas,
há especiais criaturas.


Estas últimas criaturas são humanos que se sabem e nos sentem;
e sabem que sabem, e quando não sabem;
e sentem que sentem,
e intuem,
e poetam,
e riem livres,
e choram soltos,
e se encantam com os encantados,
e nos ensinam,
com ternura e adornos...
como homens, mulheres e pessoas...
e nos tornam melhores !!!...
São as nossas luzes... e nossos espelhos !!!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

TEMPO


Há tempos
que a gente vive
sem tempo...
Porque a gente está preso
em um Templo
tempo,
fica sem o tempo...
Caminhando dentro do tempo
feito alhures e alheio,
não sabemos
andar sem o tempo feito
fora do tempo...
Há tempos
que a gente vive
sem o tempo,
fora do tempo.
Há tempos
Que a gente não tem tempo,
não vê o tempo
e não faz o tempo...
para auscultar nosso curso em nosso tempo, com tempo...
Há bons tempos sensíveis,
com cantos e com encantos,
que doutores das cientistas do Ocidente,
desacordados das cordas que os oprimem,
não podem sequer notá-los... e se notarem...
Há tempos que embriagam vidas,
por vidas inteiras; e dão vidas...
Estes, as ciências duras e seus entes sem doçura
não podem anotá-los, nem prescrevê-los,
nem dominá-los, nem desfrutá-los,
porque lhes faltam tempo...
e a sabedoria para andar fora de seu tempo
linear... formal... mecânico... insensível...
Desatento
ao tempo
e à gente mesmo no tempo,
em pouco tempo se vai o tempo
e a gente com o tempo
e não haverá mais o tempo feito
e nem mais tempo para fazer...
Acabou-se
O tempo
Acabou-se
Também...
Mas a Mãe do Templo
em seu templo
há de nos conceder uma última voz ao vento,
antes de evaporar o sopro:
“Ah! se eu ainda tive tempo, eu faria o tempo... dentro e fora do tempo”
Acabou-se...
a doçura
não lhe serve...
o mel é fel.
Jaz-se...
Mas não me leva em sua companhia...
porque eu ainda quero a doçura da vida e do mel...
e a embriaguez da vida, do vinho, do amor e da poesia...

Áureo João. Teresina, 01 de outubro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

SÓ A CUMPLICIDADE VALE A PENA


Eu desejo e quero seu amor,
quando o amor florescer e
quando eu for digno de receber essa oferanda!!!
Seu amor.

Eu desejo seu corpo inteiro,
para abraçá-la toda e beijá-la,
com leveza e com vagar poéticos,
em toda sua extensão,
mas somente quando for para inscrever poemas das almas nos corpos;
não antes da hora nem depois da hora, nem com hora marcada !!!!

Eu desejo seu olhar atento e intenso,
sua atenção cuidadosa, do tamanho do tempo,
quando for possível andarmos sobre o tempo
sem notarmos a pressa do pulsar e o barulho dos passos
do relógio e do cárcere que oprimem o tempo que é nosso!!!

Eu quero estar no seu presente,
como presente,
para fazer do presente o melhor presente!!!!.
Meu e seu.

Mas não me furtarei ao intenso gozo do prazer de beijar
apenas a sua mão,
quando o prazer for sentido
em minha boca
e na mão beijada!!!
Com radiação.

Não me negarei ao prazer profundo
na velocidade de uma rápida piscada
de um olhar seu,
quando o teu olhar no meu olhar
abrir a janela
que me permita ver
seu coração e sua alma,
e meus segredos afetivos
expostos...
Assim seja.


Áureo João. Teresina, 26 de setembro de 2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Saudade encantada



Áureo João de Sousa. Teresina, 25 de abril de 2013.


 Procurei...
não encontrei o meu amor
e, prá não chorar,
vou conversar só,
vou falar de flor e não de dor,
vou desenhar, riscar e rabiscar, sem hora de parar,
pintar um colibri e borboletas de todas as cores,
pentear os cabelos,
sentir o vento na janela.
Eu vou sair,
vou caminhar,
andar em círculo
seja por onde for...
Eu vou... eu vou... não posso parar.
Vou pintar estrelas,
mitos e constelações.
Eu vou sorrir no espelho, só...
prá não chorar ...
da saudade de você.
Vou fazer letras no tempo,
música no vento,
um poema de criança
no retrato do tempo, junto ao meu e ao seu...
só prá não chorar de saudade de você.
Eu vou riscar o horizonte
com a luz do meu olhar,
grafitar gravuras no alto do céu,
com tintas da imaginação,
só prá fazer você lembrar
da saudade que eu sinto de você.
Mas, seu eu chorar,
vou regar as sementes e as flores,
saciar a sede do colibri,
molhar o vento e o tempo;
e que a chuva não seja maior do que mereça,
e o sol não cesse de brilhar;
vou conversar só,
vou falar de amor e não de dor.

Disponível em <http://aureojoao.blogspot.com.br/2013/04/saudade-encantada-poema-poesia-e.html>.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Natal Assuntado


 *****
Assuntar comporta mergulhar no amor do outro, sem se deixar contagiar de sua manifestação particular dele;
É sentir como o outro sente o amor que é seu, por aquilo que lhe faz amar;
É reconhecer porque o outro ama e, especialmente, como ama e os fundamentos da expressão de seu amor;
Comporta cuidar do seu amor particular e universal, do outro, com o saber cuidar que é, também, de seu particular do outro;
Suporta cuidar do amor do outro, sob o fundamento do outro e o cuidado que lhe é singular; que é de sua identidade, sem fundir-se nem confundir-se com o outro.

*****
Assuntar é encostar-se no ódio do outro, sem nutri-lo nem amenizá-lo;
É compreender as vibrações que enraízam no ódio do outro e as dimensões em que se realizam;
É reconhecer a causa que ativa seu ódio dele e o torna irreconhecível à rasa racionalidade humana;
É reconhecer, sob o fundamento do outro, o que lhe conforta e lhe ameniza o ódio que lhe acomete;
É pensar, sentir e auscultar o ódio do outro como se fosse ele mesmo em atividade de assuntar-se assuntando-se, em pura conjugação reflexiva e empática.

....................
SOUSA, Áureo João de. O ASSUNTADOR. Teresina, 2010.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Identidades



Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 12 de Julho de 2012.


Estava sentado
na pedreira da existência,
assuntando as águas da fonte,
que umedecem os corpos
e movem os fluxos da vida.

Ao canto de uma pedra,
ergueu-se uma Sereia,
uma voz ecoou,
vindo, não sei ao certo;
perguntou-me:
Quem é você?

Ante as pedras,
sob as forças das águas,
do sopro dos ventos
e da argila vermelha,
eis que eu também interrogo:
Quem sou?

Em anomia,
como um menino assustado,
sob o encanto de sua divina voz,
ó, grande oráculo,
sabes o que tenho a dizer,
só para impressionar,
o que sua sabedoria dispensa de ouvir.

Sou filho da regência do trovão,
na justa medida e conduta;
Feito ao fogo do raio
que rege o devir e o por vir,
profundo e raso, em altura e largura.

Sou filho de Oxum,
banhado nas águas
férteis e fecundas,
guardado nas essências dos lírios;

Sou o canto do sabiá,
encantado,
que encanta as matas
em cada canto que canta.

Melhor dizendo,
Sou o canto do filhote de sabiá,
desafinado e descompassado.
Desafiando as notas e seu tempo,
não sabe, ao certo,
se canta um canto, um piado ou chiado;
aprendendo.

Sou homo-sapiens sapiens,
Mago, Fauno, Sapo,
que come as abelhas que fazem o mel,
que lhe adoça a vida;
contradição da sapiência.

A mesma voz, em outro eco, imponente;
outra pergunta,
profunda e persistente:
A final, quem-é-você?
Ante essa identidade e alteridade,
Interrogo-lhe e me pergunte:
a final, quem sou?
.

...

Referência:

SOUSA, Áureo João de. Identidades. Disponível em <http://aureojoao.blogspot.com.br/2012/07/identidades-poema-poesia-e-filosofia.html>. Acesso em: 28 Julho.2012.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Alice



Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 25 de Julho de 2012.


Magra
Magreza
Magrela
É Ela
Na passarela
Da vida
Todo dia.

Maga
Magia
Alice
Mulher
Maravilha
De noite
De dia
Todo dia.

Dança
Ginga
Mandinga
Serpenteia
Na teia
Na areia
No caldeirão
No colo.

Canta
Encanta
O ventre
Com vinho
O corpo
Voa
No vento
E no firmamento.
...



..................................................................................................................
Qualquer semelhança com fatos e pessoas reais, do mundo das magias ou das sociedades poéticas; com casos ocorridos ou por vir, isto é poesia, rebeldia e artes.
Gira !!!!.

Diga não há drogas


Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 24 de Julho de 2012.
 
Enquanto há tempo, Diga não às drogas:
Só Jesus salva à toda a humanidade de todos os cantos da terra,
Ele é o único e verdadeiro;
É o único caminho,
A única verdade.
Sem Jesus, Nada Prospera, Nada Pode, Nada é e Nada Será!!!
... 
Diga não às drogas, com a voz de fogo ardente:
Minha religião é a única verdadeira de Deus;
Meu templo, o único lugar que a divindade se manifesta;
Meu ritual, único e certo, sem o qual o mundo caminha errante e falível;
Minha oração, meu mantra, a única linguagem que o sagrado atende;
... 
Diga sempre não às drogas; a todas elas:
A Ciência tudo pode prescrever:
A origem, o meio e o fim,
as partículas que ligam a vida e os limites da morte.
Fora de sua verdade, do seu método e tradição, nada está seguro.
Sem a Ciência, Nada Prospera, Nada Pode, Nada é e Nada Será!!!
... 
Diga não às drogas, sem censura:
Só há saber em meu saber,
Só é lugar o meu lugar,
A história é a minha história só;
As culturas, os modos de ser e de fazer,
Minha cultura basta.
... 
Diga não às drogas, quando puder:
Ao consumo que te consome,
Ao Deus que te come a vida e saboreia tua morte;
À Ciência que te reduz e te aniquila!!!
Ao modo que te molda presa!
Diga não e diga sim, pela melhor escolha
que puder escolher.
... 
Referência:

SOUSA, Áureo João de. Diga não às drogas. Disponível em <http://aureojoao.blogspot.com.br/2012/07/diga-nao-as-drogas-poema-poesia-e.html>. Acesso em: 24 Julho.2012.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

EU PENSO - poesia, poema e filosofia


EU PENSO
Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 14 de Junho de 2012.
Eu penso, então existo,
Penso, então,
que devo existir, com razão;
Deixo de existir sem razão?

Eu penso,
Penso.
Eu penso torto em linhas certas,
Penso reto em linhas tortas e nos círculos,
Eu penso na linha, dentro da linha e fora da linha

Eu penso porque eu existo,
Mas eu paro de pensar para sentir que eu existo.
Não penso só,
Não só penso.
Sou penso.

Eu dou razão ao que penso,
Mas há paixões em que penso.
No que penso,
há cheiros,
há gostos,
Tatos, cores, sons e tambores.

Eu penso que a Razão tem suas razões,
Tantas achadas,
Muitas descobertas,
Milhares perdidas,
Muitas sem razão.

A razão que tenho
é a razão que tem a mim,
é uma razão que penso.
Penso, eu lhe dou uma vestimenta, um adorno de cabeça,
Uma fantasia, um adereço, um endereço,
um símbolo e a boniteza do apreço que lhe tenho.

Eu penso como deus,
Penso, eu penso como o instinto de um bicho comum,
Envelheço como um vegetal,
Eu penso que sou o que não sou,
Sou o que não penso.
..................................
Referência:
SOUSA, Áureo João de. Eu penso. Disponível em . Acesso em: dd/m/aa.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Mulher Maravilha


Do invisível da mulher maravilha
eu só vejo a seda
e a vontade de voar que o avião proporciona
e aciona
o maravilhar

Marcos Foyce, Áureo João e André Café

O vinho, o vento e o firmamento

Luís Athouguia Athouguia - Segrêdo Tresloucado. Original 2002 

DXC

                                   Deixe ser
                                                                       
                                                                         Desde ser            ...            ser


ser, será?                                                                                                                                 será sereno?


Construções
Vibrações
Inspirações
Conexões

.

.

.



Deixa, deixa

seixo,                      pedra,                        água,                          lume,                       liga,                    entes

Ligações
Relações
Emoções
Ações, não ações

Seja, seja

Deixa-se ser, seja, deixa-se ser e seja
e tema, e trema, o tema: você

O ser em ser ou não ser o ser: você
o saber, o saber ser e o saber fazer 
e não ser e não saber e não fazer

Deixa correr, deixa o tempo correr
O vinho, o vento e o firmamento
O vinho, o vento e o firmamento
O vinho, o vento e o firmamento

DXC ... DXC


Áureo João, Marcos Foyce e André Café



terça-feira, 12 de junho de 2012

O presente


Áureo João. Teresina-PI, 28 de Janeiro de 2012.

Quando me dei conta de mim,
Já estava quase perdendo o meu melhor presente da vida;
O presente;
Preso ao passado perdido, expropriado, sem achar o futuro no presente.
Roubado no passado, o presente há de ser tomado agora;

Quando eu me dei conta de mim,
e eu chamei por mim,
eu já não me escutava por meu nome,
eu já não sabia dizer de onde eu vim e para onde estava seguindo,

Quando acordei perante o meu presente,
já não sabia mais sobre as tintas que lhes deram cor,
quem me dera sua forma e sua história,
quem me fizera seu valor

E você, que me vigia e me controla,
está falando de mim, agora?
tem algo a me dizer?
O que fez do presente que me roubou no passado?

Identidade distorcida,
Imagem confusa ou confundida.
Meu presente,
Não há de ser senão presente por meus entes escolhido,
Porque o presente é o meu presente.

Porque o presente
faz chamar por mim
E responder
Presente
Por mim próprio. Ente. Relação. Presente.

Áureo João



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Medo, poema, poesia e filosofia



Você tem medo da morte,
ainda que seja um evento certo,
dizível e irrevogável,
no ciclo da vida.

Contraditório e confuso, você tem medo da vida;
de ver a vida,
de viver a sua plenitude da vida,
ainda que lhe seja arbítrio fazê-la acontecer.

Você tem medo da falta de amor,
do amor ausente,
do vazio de amor,
da ausência do seu Amor.

Contraditório e perturbado, você tem medo do amor,
medo da presença de amor,
do amor que preenche;
do amor de si próprio e do amor do outro;
medo do amor presente.

Você tem medo do outro,
do corpo do outro,
do pensamento do outro,
da marca e da ação do outro.

Contraditório e delirante, você tem medo de você,
do corpo que é seu,
do pensamento que poderá vir a ser seu;
medo de si mesmo

Você tem medo da solidão,
medo de ficar só,
medo da multidão,
medo da sua idade.

Avesso e averso,
você tem medo do próximo, do vizinho, do desconhecido;
medo de mim, do outro e do nós;
medo da soletude e da solidariedade.

Você tem medo da lambida de seu cão de estimação,
medo de contaminação,
de vírus,
de fungos e bactérias.

Contraditório e paranóico, você tem medo do beijo e da aproximação,
medo do contato e do afeto;
do abraço amigo,
do beijo do filho e do neto.

Você tem medo de correr riscos de vida;
de morrer de graça,
de atropelamento, assalto, sequestro;
de perder a vida toda e tudo na vida.

Na contramão de si mesmo,
Corre o risco de passar pela vida,
De não ver o que vive,
De não sentir como vive a si mesmo.

Com medo em você,
Você tem medo de se perder,
Tem medo de se procurar.
Você tem medo é de se encontrar consigo mesmo.

Áureo João

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

HOMENAGEM Capoeira de Qulombo



HOMENAGEM
Áureo João, Teresina-PI, 07 de setembro de 2011

Iê... iêê... iêêêêê...
Canta passarinho,
Canta para encantar a terra, o fogo, a água e o ar,
Canta para equilibrar os elementos na roda,
Canta um canto alegre para alma que é nossa,
Canta rindo com a gente, para saber que não canta sozinho.

Canta Sibito, canta!!!
um samba de roda,
um pagode de nêgo,
uma capoeira de quilombo ou de angola,
Canta o quilombo mundo na roda que encanta.

Viva a quizomba que é boa no quilombo mundo,
ria o riso de festa e da luta,
ofereça gargalhadas de criança ao vento que zôa,
assunte a risada que nos agoura má sorte e nos zomba à toa;
gira com ancestrais na roda, vivos em mundo quilombo.

Canta, Voa e gira Sibito, como nêgo vivo gente.
Ginga na roda que é sua e que é nossa,
Faz capoeira de quilombo mundo,
com os pés que pisam em aruanda,
com alegria e filosofia da capoeira que é da gente.

Voa passarinho; Voa um vôo alto, para ver a Terra toda e o Mar.
Pássaro que é livre voa para ver o quilombo quilombar;
Sibito que é livre voa como besouro no ar para ver o quilombo de lá,
Voa tiziu, voa pardal, voa azulão, voa canário, voa gavião, voa sabiá,
para ver quilombo quilombar quilombolar;
... ... ... ... Iê... iêê... iêêêêê... Quilombo Vive!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MANIFESTO


Ao poetar dos poetas e das poetisas,
Ao filosofar dos filósofos e das filósofas,
Ao filosofar dos poetas e das poetisas,
Ao poetar dos filósofos e das filósofas,
À crítica,
À atitude,
À juventude.

Abraços,

Áureo João
Teresina-PI, 07 de setembro de 2011

Data vênia, Excelência Doutor X,
O que faz sua autoridade especial?
Eu não sei... Não sei...

Não faz poesia, ironia, algazarra, nem anarquia,
Não dorme sem janta,
Não toma café sem pão,
Não come beiju de goma, cuscuz no azeite, farofa com ovo,
Não almoça baião de dois, feijão com arroz.
Éh!!!

Data vênia, Excelência Doutor X,
O que faz sua autoridade especial?
Eu não sei... Não sei...

Não faz bom dia com gente como a gente,
Não traz felicidade à juventude, mocidade, melhor idade,
Não vive na correria,
Não conhece lógica, poética, linguagem e vida de periferia

Data vênia, Excelência Doutor X, Y, Z
Cadê você?
Cadê você?
Que não se vê,
Não se enxerga, não se rever...

Data vênia, Excelência de Doutor,
O que produz a sua autoridade especial?
Eu não sei!!!  Não sei!!!

Não dá lucro prá sociedade,
Não produz a comida que estraga,
Não faz a bebida que derrama,
Não traz felicidade à juventude, mocidade, melhor idade,

Data vênia, Excelência Doutor imundo,
Você não sabe quem é o cara que você chamou de vagabundo
Não!!!  Não conhece não!!!

Mas eu sei... Eu sei:
Filósofo do mundo,
Poeta da vida,
Compositor de sua história,
Construtor de boa obra!!!! Fazedor da própria vida !!!
Toma café sem broa, feijão com arroz,
Fuma cachimbo com Preto Velho,
Toma chá prá dormir de boa
Éh!!!... Éh!!!...

Data vênia, Excelência Doutor imundo infame,
Tô de olho no teu mundo,
Verme social,
Identidade do consumo desvairado insano,
Capital vagabundo,
Cerne da exclusão social.
Éh... !!!

Não faz bom dia com gente como a gente,
Não faz feliz cidade nem sustentabilidade ao campo,
Não vive com ética e paga prá ver o tombo,
Não conhece lógica, poética, linguagem e vida de mundo quilombo.

Data vênia, Excelência Doutor mau-mal,
Tu vai pagar no Tribunal.
O Juiz é Nóis,
A Justiça é da Luta nossa: coletiva e social.
Entra na roda, roda com a roda na roda do mundo, prá não cair;
Roda prá não cair só e não cair a roda, você que é o Estado vagabundo!

Você vai temer, Vai se tremer;
Vai respeitar Nóis ou vai se cagar;
Se não..., cai fora da roda.
Pisa na linha, não erra, não ferra.
É assim no Tribunal da Terra.
Éh!!! Éh!!!


(Áureo João)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Há pedras - poema, poesia, filosofia



Há pedras, cantos, contos, encontros e encantos, Há pedras em cantos,
Há pedras com cantos, Há cantos, contos, encontros e encantos em pedras.

Há pedras, pedras em contos,
contos em pedras, pedras que cantam

Há encantos nos cantos das pedras, Há seres que cantam nas pedras;
Nos cantos das pedras que cantam os contos dos cantos, faz conto, canto, encanto e encontro, das pedras.

Há pedras filosóficas, meteóricas, metafóricas e metafísicas Há pedras mitológicas e alucinógenas,
Há pedras em cores, colorizadas e sem cores, Há pedras simplesmente pedras, porque o são.

Há pedras ao Vento, Há pedras ao Fogo,
Há pedras ao Mar, Há pedras em Terra,
Há pedras sem Lugar, e lugar sem pedra.

Há pedras, sem se ver pedras, sem haver pedras; Há vida sem pedras, pedras sem vida,
Há pérolas; Vidas em pedras, Vida só de pedras.

Há pedras em Corações, Há corações de pedras,
Há pedras em pedras, Há pedras além-de-pedras.

Há pedras jogadas na Lua, Há pedras encantadas em Águas,
Há encontros das águas em pedras, Há encantos da Lua nas águas das pedras.

Há pedras, Há fadas,
Há contos, cantos e encontros, Há Contos de Fadas nos encantos das pedras.

Há rosas entre as pedras, Há rosas em relevo de pedras,
Há rosas de pedras, Há pedras rosas.

Há pedras preciosas, que nos são inalcançáveis; Há pedras não-preciosas, que nos são inestimáveis e preciosas; Há pedras de quilates,
Há pedras de quilombos.

Há pedras em sal, Pedras em calcanhares,
Pedras em colares Há pedras fundamental e inaugural.

Há pedras históricas, Há pedras em Serra da Capivara,
Há Sete Cidades em pedras;
Há Cidades de Pedras que cantam, encantam e contam vidas.

Há pedra negra sagrada, em Meca; Há pedras que guardam mistérios em Jerusalém,
Há pedras que unem a base ao cume, o cume ao cume;
Há pedras que ligam o sagrado ao sagrado; o sagrado ao profano; e o profano ao profano.

Há perdas no meio de caminhos, e são obstáculos que nunca se remove nem se esquece;
Há caminhos em meio das pedras, que nos afastam de obstáculos e nos elevam;
Há caminhos só de pedras, e são almejados pelo Bem e por sua Justiça;
Há caminhos e há pedras.

Há pedra eu, Há pedra tu, Há pedra nós;
Quantas pedras, contos, cantos, encontros e encantos,
Há de haver eu, tu, nós, enquanto houver pedras, caminhos e rosas.

REFLEXÃO:
1.Você tem algum tipo de pedra em sua existência?
2.Quais são os significados das pedras em sua vida?
3.O que seria de nós sem as pedras?

(Áureo João)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

CORPO - poema, poesia, filosofia




1.
Carrego um rosto,
Que tem olhos de uma cor, circunferência e área expostas,
Que tem nariz com uma estrutura e uma escultura,
Que tem boca e beiços com aberturas, comprimentos e espessuras,
Que tem geometria, com relevos, volume, texturas e simetrias;
Rosto, que não é do meu gosto.

2.
Sustento mãos,
Que produzem, organizam ou fazem seu oposto, se eu quiser;
Que acolhem, abraçam, sentem, ou afastam, conforme minha escolha;
Que expressam, indicam, cumprimentam, distinguem e me identificam,
Que podem ostentar jóias e ornamentos preciosos, raros ou simples manufaturas,
Não obstante, tem contornos, relevos, coberturas ou dimensões que me dão pouco gosto ou, mesmo, mau gosto.
3.
Ando sobre pés,
Que me suportam, com peso e massa do corpo que carrego, ainda que reclame;
Que me levam a lugares rotineiros e diferentes, simples ou sofisticados, comuns ou exclusivos;
Que podem deslizar enquanto danço, nado ou brinco,
Que podem determinar minha defesa pessoal, diante de perigos, por fugas ou ataques;
Mas, parecendo-me não ser de minha pertença mesma, rejeitam calçados mágicos, de sofisticados acabamentos ou de raro gosto, que encantam meu espírito e, sem dúvida, seriam do agrado de muitos e da inveja de outras espécies.

4.
Componho pernas, braços e troncos,
Que exibem formas, consistências e me causam muitos agrados,
Que tomam proporções físicas e comportam valores estéticos, ora controversos, ora confortáveis; Que me dão presença e diferença entre os outros,
Que me plasmam numa identidade pessoal,
mas me negam a vestimenta que desejo, o acessório que me agrada, no desenho que pretendo, e no tamanho que é meu gosto.

5.
Carrego um corpo, profano e sagrado,
Que nu e só, e solto, diante do espelho,
Vejo formas, geometrias, assimetrias e expressões de artes,
Que não estudei na escola,
Que não aprendi a admirar,
Que me pesa em tolerar e, embora não seja desgosto, não me é do melhor dos gostos.

6.
Que fizeram a Deus, autor da criatura,
Que guarda e retém o sopro vital, por seus incriados modos,
Que anima a vida, já no primeiro encontro com o corpo todo, ao nascer,
Que Lhe pudera abalar a onisciência, onipotência e onipresença, ainda que em brevíssima distração divina,
Que fizera entrar e andar o espírito que sou no lugar-corpo que não sou de bom gosto,
Pois sendo Deus inteligência pura e em sua plena vigilância, como pode ter errado a sintonia de gostos deste espírito e deste corpo? Ou, por mesma inteligência, fizera a seu propósito?

7.
Que fizeram à Natureza, poderosa e criadora,
Que, sendo mãe, possa-lhe ter causado arrogo,
Entre o criador e a criatura,
E, por obra final, tenha feito por si mesma, seu próprio gosto,
Que, sendo-me mãe soberba, pretenderia alguma vingança ou protesto comigo?
Deixou-me um rosto, um corpo, que chego até sentir vergonha, pois não me é de alto gosto.

8.
Que fizeram aos sábios humanos, inventores e mantenedores das ciências, das culturas, dos ídolos, das coisas, do mercado, do consumo, dos significados e da ressignificação de cada um de seus inventos?
Que fizeram aos artistas, que moldaram as artes e as estéticas, concretas e subjetivas, frias e quentes, em discursos incontáveis?
Que fizeram aos mitos e filósofos, que plasmaram sujeitos e seus imaginários, inventaram o belo e o não-belo; ou desnudaram-lhes!
Que predicaram gostos não antes vistos, nem percebidos, intuídos ou consumidos,
Que sendo, meu espírito, consumidor de suas criações, não pode consumir um corpo que lhe dá mais belos gostos de ter, andar, vestir, mostrar e interagir com outros espíritos de seu tempo;
Que sendo justapostos, meu espírito e meu corpo, não possam sintonizar idêntico rosto, mesmo corpo e mesmos gostos!

9.
Tenho um corpo, sensível e idealizado,
Que é cárcere de um espírito, de um imaginário, de um tempo, de um lugar; ou, do contrário, prisioneiro destes;
Que me causa medo de ouvi-lo, de auscultá-lo autêntico;
Sinto que se pudesse falar por si mesmo, em minha ofensa, haveria de me investigar perante Deus, à Natureza, aos humanos e às coisas:
Por que este espírito encarnou-se em um corpo que não lhe pode ser justo, próprio, adequado e merecido?
Por que este espírito habita em um corpo que não lhe pertence?

10.
Suplico a Deus e às forças dos entes sobrenaturais! Se o feito for de seu ofício, para que, em próximas reencarnações, façam-me serviço completo, perfeito aos critérios divinos e aos olhos e aos gostos dos entes mortais de seu tempo e lugar.

Imploro perante a Natureza, mãe e regente dos fenômenos físicos e vitais! Se a obra for de sua arte, para os acabamentos que couber em seu dever;
Apelo às ciências: ocultas, metafísicas, positivas, clínicas e estéticas! Se a incisão couber a seus instrumentos;

Aconselho-me a os entes humanos, meus pares mortais e inacabados! E, por último destes, a mim mesmo que, talvez, por arbítrio livre e singular, seja a primeira e última instância que me cabe recorrer:

O que há de se fazer? Que feito há de ser providência última e primeira?
Mudar o corpo para agradar ao espírito ou mudar o espírito? Ou o imaginário coletivo que embriaga o corpo singular e seu espírito, tornando-os irreconhecíveis? E que medidas serão justas, ao corpo e ao espírito para, a um só tempo, alinhar corpo, espírito e gosto
(Áureo João)