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sábado, 23 de dezembro de 2017

Reencontro o ponto

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Estes ares nada me atiçam pelo verso;
e não foi falta de milhagem,
ou mesmo de aprofundo:
no escuro do cimento e asfalto
o poder, o frio seco, e um sem tato.

Outrora distante, sem pensar em cidades
caçando o ardor no peito de quem passa na rua
à toa, são milhões de histórias,
trajetos entrecortados de ternura e tristeza;
só um gole de cerveja trás leveza?

As vias não falam o que penso escutar,
o silêncio que me grita é alto e claro breu
sou eu ou são todas as coisas?
Me mova, qualquer fita em embaraço,
para quem grita, fiar o meu abraço

André Café, dias sem poemar

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O abandono na terra de ninguém

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Se falo, se permito;
abono, ou admito,
um tato de granito,
não ouve o que fito,
nem é pra ser bonito
e irrito.
sou desconhecido na terra de ninguém

Aquilo que 'lastro'
fluiu pelo escuro;
ergueu-se um muro
e lá no muturo,
se faz o apuro
e eu, impuro?
sou desconhecido na terra de ninguém

Pra que então os fatos,
ou tantos relatos,
que ilustram os atos
de tudo que acato,
minha marca no asfalto
do mesmo sapato
sou desconhecido na terra de ninguém

E a insônia faz medo,
e o amigo vai cedo,
e se apontam os dedos,
e se acaba o ledo,
e desalinha o enredo,
e se rotula o nego
sou desconhecido na terra de ninguém

André Café

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Embora


Já se foram mais de trinta eternidades,
para alguns, segundos e estalos,
mas nem o tempo de um pensamento
é menor que o meu despedaço

Homem do futuro passado,
na década perdida, esquecido
preso nos erros e estigmas,
daquilo que não deveria ter sido

Tão só na imensa solidão,
e mesmo entre tantas possibilidades,
pra todo caminho que se segue
só ganha força o da saudade

Meu despedaçado passo inseguro
um muro para mim, de dentro pra fora
há um mundo em fantasia no devir
onde nunca irei, de onde sempre fui embora

André Café

Por todo coração


Os versos que não me lembro,
a frase de uma refrão perdido
seria alento, seriam o alivio
para dizer melhor o que eu não digo

Em tantas palavras por minuto
eu não pude ser entendido
o meu verso calou-se
por um indeterminado sentido

Canta, que a poesia é explosiva
de pouco em pouco, afeta a todos
dando cor, em cada esquina da vida
minando toda barreira de sufoco

Ela que versa, me traduza
forma a cantiga que é salvação,
pela melodia, vai e lambuza
dos átrios aos ventrículos do teu coração

André Café

Barulho




Faço do meu corpo, da minha vida e do meu tempo, cacos;
fragmentos feitos, untados sobre a fragilidade do meu soul

As vozes normativas, ao fadado e imputável estereótipo,
da fraqueza, do não saber lidar, do não saber viver

É no suspiro em riso, que a obviedade me abarca,
pós concebimento "éter"de dizer o que já sei, prum mundo que não sabe

Deslizam sobre a tez não somente lamúrias de um momento,
mas sobre a certeza de um tempo, que tem como combustível o sufoco

E do corpo quebradiço feito no inconsciente, pede-se o contínuo perambulo
sem tato para o mergulho, no entulho dos bem sucedidos,
no resíduo do bem não nascido,
no estilhaço do ódio guardado

André Café

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Desviver


Novembro; o ano; a existência
o planeta dentro de mim ...
poderia num sonho de quimera,
simplesmente sumir?
Acabar, obliterar-se de dentro pra fora?
Exaurir a última queima de oxigênio,
findar-se sem deixar vestígio?
Como se eu nem tivesse passado,
história, lembrança, amores
Novembro, tu me dói a alma;
pela marca do tiro certeiro,
do meu próprio punho oscilante
Para quê dezembro? Por que insistir?
O sentimento comum de recomeço,
de um novo ciclo ao fim do ano,
não surgirá, não terá efeito,
não iniciará nada, nem tudo,
Acabe aqui, em silêncio,
antes mesmo de alem do fim,
antes da minha vontade de desviver;
Apague rapidamente, para não ter riscos,
de nenhum rabisco meu, em memória;
Até que pare o pêndulo,
o tempo descanse,
e eu possa perecer,
sem lastro, sem rastro, nem rosto
encerrando o sufoco, o tormento,
sem arestas, lapidações e medos
deixa-me mais cedo,
ser um vasto esquecimento

André Café

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

De madrugada, a gente é assim, ar, dor X: de passagem ...


Eu só não queria ser passagem;
não queria esmagar um conjunto,
um laço de sentimentos tão bons

A vontade era de fazer morada;
ver versos e sabores todos os dias
mas os rumos nos levaram a outros tons

Essas coisas acontecem, é o triste fato;
e se arma o parêntese bem doloroso
pra 'curtir' a falta dela; no fim

Madrugando abraçado nos versos;
aleatórios saltos pra outros mundos.
pra qualquer lugar distante de mim

André Café

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

De madrugada, a gente é assim, ar, dor IX: o segredo


Do que é feito cada pedaço de tempo
enquanto a cidade dorme em pesar?
Aos amores, farras, olhares e mil mundos
há de se fazer tudo, há de se desaguar

O risco trêmulo e bêbado
rabisca traços tortos no semblante vão
enquanto o papel se torna o reflexo avatar
lá está toda a minha imensidão

O poema não é o problema
sua morbidez não é pra se sentir culpa
é uma tentativa falha para amenidades
pra disfarçar em riso as saudades

O verso, aquele que tenta me salvar
vem, sem cabimento e medida
mas vem pra dividir, pra ser silêncio
das coisas que me acertam a vida

André Café

De madrugada, a gente é assim, ar, dor VIII: o que fazer das ruas e canções?


Depois a madrugada,
nas músicas que busco saída
pra retirar algo que está em mim
e guardar tantas outras coisas boas

No ritmo de cada palavra,
casada com harmonias que secam a gargantas
os pés famintos devoram direções
ruas, lugares, pilares, paisagens
amenas, quentes, escaldantes
noite, brisa, morro, caminhos

Não se acabam as músicas,
as muitas que não ouvimos juntos
Não me fiz cidade,
há ruas e vilas que ainda não vejo

Por que então, com sublime ironia
toda canção ouvida, todo lugar perdido
são tua poesia comigo?

André Café

Tigre III: caminhadas mais uma vez


Já não são desconhecidos
os pedaços destes caminhos
o ânimo incipiente,
um olhar ausente

Não é sina, é reflexo do mundo
numa sutileza de segundo
cai, levanta, continua, esquece;
um frio que ninguém aquece

Segue, tem de seguir
sente, não pra sentir
porque ainda é difícil
apagar o visível

Anda, numa cadência cansada
o medo de lá ser sua morada
é cada vez mais caminho
num caminho que não leva a nada

André Café

De madrugada, a gente é assim, ar, dor VII: Rope


É quando a gente olha o planeta;
os lados, os cantos, os escuros
de onde vamos e voamos
para cada rumo seguimos
são muitos ladeados em conflito
que espero profundamente
se olhem com um espírito mais fraterno
e revolucionário

O meu desejo só não consegue esconder
o fado de num microcosmo
ladear-me comigo, num jogo de força
artimanha essa que não pedimos pra jogar
Mas pra lá fomos lançados
e como ordem ainda única desse mundo
a corda arrebenta do lado mais fraco

Lancei-me, ao breu, impulsado no arrebento
me sorve o relento, me faz silêncio
mesmo ainda conseguindo sentir
um pedacinho de "rope" pra algum dia por vir

André Café

De madrugada, a gente é assim, ar, dor VI: o que é mais revolucionário que o amor?


Não, não se dá pra mensurar;
acho que não, talvez o momento não me permita enxergar
e já se vão e são quatro negativas
num mundo em que eu queria ouvir
sim, há rotas de fuga,
sim, há caminhos ainda não pensados
há nossa felicidade que tende ao infinito ...

Num grito injusto, rouco e desmedido
não há amor pra ser medido
quando a vida não é sua.

O mundo gira,
pessoas vão as ruas,
tantas milhares morrendo
e aí você sofrendo sozinho?
Me diz como você pode falar em revolução?

Meu caro amigo,
meus olhos enxergam além dessas veredas
e muito mais do que discursos
mas é assim, por ser sistema ou por ser só sofrer mesmo
o ânimo renasce, dia desses qualquer
e se me fala da chama que pode acender transformações?

Não penso um segundo,
não espero eras de Aquário
o que é mais revolucionário

que
       o
          amor?

André Café



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

De madrugada, a gente é assim, ar, dor V: o telhado anuncia o dia


De madrugada, a gente é assim:
Ardor, insônia e saudade
me parto em metades
e cada metade voa
pra diversos rumos,
pra longe de mim
no turno de encontrar você

Metades de mim, nunca mais verei
até onde fui, não as encontrei
mais da metade das partes eu sei
flutuam ao teu redor
na esperança de serem sentidas
sorvidas e saciadas
com a suavidade do teu toque

Assim elas sabem o caminha de volta
E de todas metades, me sinto inteiro
quando me trazem o cheiro
daquela que mais sinto falta

Uma rotação de mundo
em apenas alguns segundos
aguardando o por vir;
meu olhar irá vencer
pelas telhas que vislumbro o alvorecer

André Café


De madrugada, a gente é assim, ar, dor IV: rabiscos que riscam a pele


Rabiscando versos,
tinta cor de sangue
rasgam-se meus sentimentos
chorados na ponta do risco
como se o escrito
fosse extensão do meu ser

Ata-me mais e mais nesse ardor que fujo,
o poema grita o meu destempero,
enquanto meus olhos resfriam o tempo
de madrugada, um cisco de inspiração
pra desaguar toda essa loucura

Não se cura, não passa, não cede
o verso acabado espaça, não mede
cabe mais história, em cada pranto, sede
num marejar ingênuo,
num recitar veneno,
que busco pra me esvaziar

André Café

De madrugada, a gente é assim, ar, dor III: mas a disposição nunca cessou


Eu mergulhei tão profundo
sem uma mira definida
mas com fôlego e vontade
pra te encontrar de novo
pra nunca mais sair de ti

Não falta ar, não há pressão
quero ao longe te ver;
distante ou perto,
num certo ponto
ou conto futuro
sendo seu presente
e sentir o que a gente sente
quando somos um laço, no abraço do coração

Que saudade de você

André Café

De madrugada, a gente é assim, ar, dor II: não tem pressa essa nostalgia


Um dia cravado noutro
que renascemos e morremos
no movimento da luz e da noite

É manhã quando abrimos o tempo dos olhos?
e ao fechar o olhar, jaz o sofrido viver?
num pulo, num instante, foi mergulho ou avoante?

De madrugada, tenho invertido a vida
se sou noite, amanheço
renascido sobre a fome
e ao dia e clarões
que me fechem os botões
e que bebam em meu nome

Ceifado, anoiteço
no ponto que gira pro meio,
dia de desavesso

André Café

De madrugada, a gente é assim, ar, dor


Tem dias que dá vontade de calçar o mundo
com um violão no abraço,
entoar poemas em versos tristes

Uma caminhada sem direção
que não trará solução para o fim do silêncio,
mas apenas será alento
até que finde a canção

André Café

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Não tem amor pra pobre preta


Não tem amor pra pobre preta,
pra preto pobre não tem amor

Quando há o risco de felicidade em verso livre:
"quem são eles pra se atreverem a amar?"
"onde estão as vis mordaças?"
"o que se fez? De novo, faça!!"
"onde estão os contos de réis de seu calibre?"
"mas que indumentária é essa?"

Façanha tacanha dos desamores do mundo
não há lírio que sobreviva ao lirismo de fel
nós que só queríamos amar; e amamos
em resistência e revelia
sofremos a cada dia
golpes e mais golpes de pesar

Preto pobre pinta parede piscina de palavras
mas não cabe a ela e a amada, decidirem sobre os beijos
sobre o desaguar de seus sentimentos;
"alto lá com esses sorrisos e paixão!"
"abaixe essa emoção e deixe em riste
o triste torpor conservadorista"

O fervor que indica é o do desigual
a lágrima que cai é óleo de motor
o céu de sonhos, é o mérito social
do qual ambos debocham enquanto se abraçam

Mas querem desgastar pra vencer
para quem resista, sobre o perecer
e todo traço de carinho seja desfeito;
e todo afeto que havia no ser
se torne bom costume e respeito

André Café


Minha poesia tem todas as falas do mundo


Minha poesia tem todas as falas
palavras e jeitos, suspeitos e intangíveis
mede cada tomada de ar; um suspiro
e poucos segundos de devaneios

Risca cada ponto, aglutinando
em tom de pesar para o riso
e com dentes serrados de choro
fala sem murmuro, alcança o pé do ouvido

Minha poesia tem todas as línguas
atalhos e segredos que todo mundo sabe
é teorema resolvido de vida
é resolução de vida em teoria

Poder ter tanto verso calado
como raso profundo
mesmo com todo palavreado do mundo
minha poesia muda
pois pra tu te fazer rima
nenhum verso meu anima
tua vontade absurda
de livre querer ser

André Café

domingo, 14 de setembro de 2014

Qual tristeza me leva?


Há um quê de mutação nesse sentir
traduz-se de cinza e retrovisor
com um calor de quem está por perto
mirando naquilo que vai distante
dum reflexo roto, num abismo frio

Muda, o caleidoscópio de dor
num afastar dilacerante do eu
para onde for o que não sei,
da tristeza que se dizia antes
durante o cair do silêncio

Transformando-se a cadafalso
eu me guio para direção errônea
o que seria antídoto, é placebo
mirando naquilo que vai distante
alheio profundo, meu medo do mundo

André Café