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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O psiu de cada dia, não nos dê hoje e nem amanhã


Penso que a luta não vai acabar nunca.
Que as mulheres são fortes, mas tal força é capaz de mudar comportamentos como esse?
E penso nas mulheres que pensam o mesmo que eu.
E me sinto mal por quase perder a esperança.
E penso em um possível estupro que possa acontecer.
E penso que já sou violentada antes mesmo.
E penso que quero cuidar dxs minhas/meus irmãs/irmãos que passam por isso que eu também passo.
E penso que eu tenho que pensar.
Pois eu to cansada de ignorar.
Penso que tenho que por ora me relembrar que eu não sou coisa a se brincar.
Me dá seu apoio, irmão.
Não me dê "psiu".
Você não precisa disso.
Eu também não.
"Vem cá", sua violência verbal quebrou minhas pernas.
 Cegou meus olhos.
Mas eu posso te ajudar a enxergar ainda.
Que o machismo não vai te ensinar a caminhar.

Dandara Cristina

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sobre a arte de dar sentido à vida


A fumaça do vigésimo cigarro sobe pelo ar. Densa, assim como meus pensamentos. Turvos, como águas profundas de um oceano que não conheço. Uma pergunta não cala - Porque viver? Qual o sentido da vida?

Acompanhada de minhas úlceras, reflito mais um pouco, como se fosse a primeira vez que tais pensamentos se apresentassem a mim. Penso em minha vida e nos anos em que carrego comigo um projeto que não é apenas meu, mas de nossa classe. E portanto, transcende a mim e ao meu desprezível tempo de indivíduo.

Subverter a ordem! Transformar a sociedade por inteira!

Olho para fora e vejo gente, bicho, planta, carros, asfalto. Gente atomizada como bicho, desumanizada, reificada. Gente que se mistura com asfalto - cinza. E torno a me perguntar: Qual mesmo o sentido da vida neste mar de merda?

Deus, religiões, livros de auto-ajuda, compras, comidas, drogas, todos os tipos de fugas e muletas (nunca os tivemos tantos!) arranjamos para esboçar qualquer resposta. Lembro-me das palavras de um querido amigo: "a vida por si só não possui sentido algum." A existência não se justifica em si mesma. Não precisamos propagar a espécie: o mundo já o está cheio dela. Viver apenas para reproduzir essa sociabilidade torna-se um despropósito à humanidade. O mais nobre sentido da nossa existência só pode ser o de buscar tomar nossa história pelas mãos. Temos o direito de assumir o protagonismo de nossas vidas e de nossos destinos.

Imagino um dia em que a vida possa ser realmente vivida e não apenas miseravelmente sobrevivida. Imagino todas as necessidades e potencialidades humanas que poderão ser desenvolvidas sobre outro patamar de relações entre os seres humanos: sequer consigo mensurar... a filósofa faxineira, o pedreiro arquiteto, o lixeiro compositor de música clássica,...
Qual melhor sentido da vida, senão a luta para que a vida um dia seja plena de sentidos?

Tábata Gomes, 05/08/2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Arranhando


Nem pedra e pedro
se fincam na pele cerebral
por tempo tanto; portanto, turvo
é o sabor erosivo vivo

Esquálida superestrutura,
'anura' e incurável,
do filho imprestável
para a vontade sua, ser símbolo

Água que bate em silêncio
ou em trovoadas de conspirações;
um coro sem regente
num desafinar contente

Aos encastelados: teu muro é mural
teu topo de colina, inclina-se
poderoso, em pane, a pino
um sibilo e estatelado

Faz-te ferro; somos acidez
faz-te soberba, somos verve
serdes blindagem; nuas! ao calar o vento
o tempo é só de passagem

Um cúmulo que jaz
em túmulos iguais
não há pedra que te marque sempre
não a pó que te faça ausente

Um rabiscado e arisco risco de arrisco
o por vir deixará a 'fantasia'
ombro a ombro, lados alados
vamos arranhando então, até sangrar poesias

André Café




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Os gritos do mundo


De olhos bem fechados: para todas as adversidades, disparidades, mazelas, extirpações de um de outros historicamente construídas que envolvem, retorcem, esmagam e cospem a realidade que vivemos; imputados ao cego andar e caminho de viver sem olhar aquilo que aflige, que mata, que dilacera o próximo e o distante.

De olhos bem abertos: para os louros, as saudações, para coroar um festim diabólico (exatamente aquele da ótica de Alfred Hitchcock) da morte, bem vista pelo pitoresco cidadão de bem; pois aqueles arrancados, mortos, execrados da existência, fazem por onde, merecem o fatídico destino: morrer. Pelas mãos justas e sem culpa na fabricação de tipos e etiquetas sociais, pelo verossímil bem estar, pelo medo que aflige a maioria das pessoas, mesmo a morte sentenciada pelas próprias mãos é instância aceitável nesse exato instante. Palmas, condecorações, carnificina.

Estão no curso da história "n" exemplos de quem pensa com este olhos abertos e fez o silêncio daqueles que gritam por ajuda ou por isonomia ou por qualquer coisa. Morte não se comemora; matar não é um grande feito. Viver o é. Com os dedos sem anéis e com as mãos estendidas. Meus olhos são abertos para os gritos do mundo.

André Café

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A maldição do cacique Serigy

(Foto dom Cacique Véron)


Nessa terra pisada aqui
Toda água brotava Siri
Donde gota Morava um cacique
Aguerrido intulado Serigy

Mas das embarcações veio o medo
Onde cruzes imperavam respeito
Pólvoras garantiam desespero
E o rei logo decretou o despejo

Com a autoridade Jesuíta
A tribo decidiu não ficar
Armou o arco e flecha
E pintados decidiram lutar

O cacique Serigy
liderou a revolução
com flecha, pau e pedra
gritou a contestação

Milhares de invasores
caíram no chão
Como pode ter um rei
se a natureza não fez eleição.

Os portugueses com as armas
Se puseram a apelar
foi tanto tiro e sangue
que a terra se pos a chorar

O cacique em seu ultimo instante
Se pos a berrar
A maldição iria começar
e nada dessa terra eles iam avançar.

MAs é preciso pensar
que o almadiçoado
não foi a terra não
foi o opressor pela opressão

Então é preciso invocar
Pela coragem do cacique Serigy
Uma magia convocar
E nossas orações os corações inspirar.

Nossa magia não acabou
Estava adormecido
e até na catequese se misturou
Mas junta todo mundo que a magia voltou.

Nossas entidades irão se manifestar
Nossos orixás já estão a se preparar
Nosso povo sem pátria e sem patrão
Pintará a igualdade em um totém bem grandão

SIM, sem mais não
SIm, sem mais não
SIm, sem mais não

Reaprenderemos a voar
para que as balas não nos alcancem
Para que as cruzes não nos aprisionem
Para que os puxa-sacos na mediocridade
da gravidade da resignação
calem-se perante a revolução

Enfim, resignificaremos o sorriso e alegria
Riremos da cara de agonia dos exploradores
Baforaremos nossos cachimbos a beleza verde
que germinará dos nossos quintais.
Esqueceremos a linguagem quadrada e monetária
sem a mandinga da malandragem de nossos verbetes

Os sábados serão dias de descanso
Os domingos serão dias de certezas
Porque o trabalho irá se divorciar da fudida da mais valia
E as noites serão da lua,
o tempo não será dos despertadores, mas sim dos amores.
E a semana toda serão dias pra muita safadeza

E não existirá mais arte, nem artistas
Pois a vida será um poema
A coletividade plena será um quadro visto e pintado por todos
E não existiração classes nem subclasses
Nem padrão, nem normalidades
Pois a igualdade e diversidade
serão tatuagens no peito de cada um,
como uma ferida de flecha, do cacique Serigy.

Vinícius Oliveira

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Grafitada virtual 1



Nem todo mundo muda
Nem tudo muda
Nem tudo muda todos
Nem mundo tudo muda
Nem mudo muda o mundo.

Vinicius Oliveira e André Café (250-2-2013)


A revolução será o carnaval dos pobres!

Vinicius Oliveira 25-02-2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dilma será preciso quantos carnavais?



Até quanto à verdade calará?
Inúmeras leis são sancionadas, mas o Brasil continua o “mesmo”...
Será preciso quantos carnavais?
A mídia governará até quanto; ditando os seus modismos?
Quando, todos os homens serão ouvidos, enquanto cidadãos?
Que país este?
Temos medo de viver!
A injustiça se mantém viva no seio social que define os espaços.
Perdemos o nosso direito de ir e vir com vida.
A marginalidade cresce avassaladoramente.
E a educação se extingue a cada dia.
Precisamos de verdadeiros representantes do “povo” no poder.
Brasil mostra a sua cara!
Chega de preconceito!
É preciso lutar em nome da vida, do ser humano.
É mais barato investir na educação, do quê alimentar o setor carcerário do Brasil.
Chega!
Não queremos mais bestialização, alienação...
Queremos o nosso direito de falar.
Gritemos meu povo!
Morremos juntos por um ideal...
Negros, brancos, índios, gays, amarelos, portadores de deficiência todos nós somos iguais.
Todos nós somos cidadãos desta pátria.
Do moro, do centro, da aldeia, da periferia, do sul ou do nordeste todos nós somos brasileiros.
Necessitamos de mais acessibilidade, assistencialidade, de políticos e políticas humanitárias.
Rogo em nome de todos...
Além das máscaras sociais e políticas, existem pessoas sofrendo, morrendo...
O carnaval passa, e problemas continuam crescendo dia após dias.
Muito se fala, se escreve, se institucionaliza, mas pouco se concretiza na realidades coletiva deste Brasil.
O carnaval consegue milagrosamente concretizar a “utopia da igualdade”.
Por uma semana todos são “iguais”, e o restante do ano a maioria volta para sua realidade, sendo exilados, vivendo nas margens subalternas do mundo contemporâneo.
Enfim, até quando seremos enganados?

Autor: Dhiogo José Caetano

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Libertè



Do seio mais íntimo da noite, o jovem andava.
Sem destino algum, percorria, e de vários caminhos se afastava
Navegava por mundos nunca dantes navegáveis
Narrava histórias inimagináveis
Beijava sonhos de pele nua
Cantando canções que nenhum ser cantava
Jovem andante, não sabia mais distinguir o sol da lua.
Andava perdido, mas não abandonava o bom e velho sorriso.
Conhecer seres, lugares e prazeres tornava-se rotina.
A prisão imunda da qual nascera fechara em meio à liberdade
Não sabia mais o porquê das limitações
Lia Voltaire ao som de Lobão e refletia sobre mundo
Viajava por muitos lugares, conhecia mundos e fundos.
Perdia-se nas decisões irrelevantes da humanidade
Queria que o mundo entendesse suas raivas e frustrações
Ecoava seu grito como um hino de raiva e mudança
Tentava a cada sorriso e fúria mostrar a quem respirasse, a liberdade
Ahh liberdade... Afinal o que eres tu? Mostra- te para esse jovem
Para essa humanidade.
Prisões eternas e transparentes
Ecoai teu grito, jovem. Grite!
Grite, lute, viaje, ame, sonhe, corra... VIVA!
Vida louca vida, vida breve, livrai toda essa humanidade Jean Calas
Purifica essa falta de pecado.
Peque. Imperativo afirmativo incomum em meio a leis incumpríveis
Sinta. Beije. Ouça. Grite. Sorria. Relaxe. Beba. Fume. Corra. Ame. Veja, a água viva ainda está na fonte.


(Miguel Coutinho Jr.)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Um Verso de Mario da Utopia de Jorge



Versa Mário
Entorta a ordem
Versa o vértice
Solta o silêncio
Cuidado!

Marginais do progresso
Transam os sonhos
Imarginam transgressões
Sabem da sabre no sub
Sede sedenta
Sufoco!

Ocos oculto ovulam orgasmos
Ordem!
Entorpecidos da droga desse mundo
Progridem!
Procuram prazeres pelas palavaras escapulidas
Fugidas, sentidas,
Torturadas!

Toquem-se toquem o toque
U toque
U tópico
Comuniquem-se
Comunistem-se

U toque de Jorge
Concobinado com os astros
Versa com Mário
Combina com o sol
Poetiza a lua
Rompe as estrelas.

U toque de Jorge
Versa com Mário
E acabou-se as classes
Mário versa
U toque de Jorge
Revolições!

Marginautas malucos marginam
Mundos, modestos
Onde alucinação
Seja negar a fábrica de pão.

*Vinicius Oliveira  com as armas de Mário e versos de Jorge.

Resumo-me para expandir-me!



Na extensão das minhas afirmações, que contradizem minhas sólidas, impenetráveis, formais instituições, atualizando para meu por vir a vida de um sujeito de facetas.

De todas as faces, de múltiplas fases!

Na consolidação de minha negritude de pele branca, rubra consciência contraposta à hegemonia alienante.

Colorindo meu céu com o arco-íris de uma utopia realista, científica, que molda na medida de cada linha, de cada livro, de cada experiência, minha própria luta de extensão coletiva.

Me afirmo!

Me pontuo com minhas exclamações, postuladas por minhas interrogações, construindo meu sujeito eu, para dissolver-se na construção do meu sujeito coletivo.

Orgulhosamente desconstruo a mim como a frenesia delirante de uma erva realista, posto que de paciência revolucionária, para ver o tato e olfato dos sentidos que inexistem em meu próprio eu de segundos atrás.

Permissão!

Daquilo que nos cabe, daquilo que somos!

Breno Botelho

Boca calada moscas voando



Nessa cidade que abriga meus anseios e espreme meus absurdos, não me deixa vê aquilo que meus olhos deseja ter.
A juventude mostra o que sabe, de palestras nas ruas, a poesia em sarau na praça com música no solo. E olha veja só, é o que sei fazer, e nem mesmo me deixam mostrar.
Meus tempos preferidos são da ditadura onde mesmo calados sabiam falar e protestar e tudo que mostro esses anos que me permanece viva não se interessa, me cala a boca e faz-se o silêncio dentro de mim.
Tenho dezenove anos de estrada e nasci no tempo errado nos anos noventa e cheguei a dois-mil onde nem meus cigarros são bons, o amor ate se escondeu para não ter que olhar para uma sociedade frouxa que se manifesta através de desordem e ainda dão banana para o vento, uma variedade que pouco me importa e Bukoswki ainda queria estar vivo até agora, mas ele não está perdendo nada.
Uma pena! Um tristeza uma perda de tempo, o que me resta é navegar nos livros de sessenta e oito e ver aquilo que ainda tá esculpido, ouvir aquelas músicas que chora, e refletir no tempo que eu nem tinha nascido.

Paula Santos

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Liberdade



O mundo aprendeu
a lutar por liberdade
A negritude lutou por isso
e lutou por igualdade.

Igualdade para viver
igualdade para reivindicar
a negritude ser respeitada
merecer o seu lugar.

O negro tem seu lugar
seu lugar na sociedade
reivindicar o melhor
reivindicar liberdade.

A liberdade demorou muito
Mas tão pouco ela estava a chegar
foi preciso muita luta
foi preciso se exaltar

Mas tudo terminou bem
ao toque do meu tambor
o negro fez uma festa
exaltando nossa cor.
...

Kaire Vinícius Aguiar Quadros [14 anos], Teresina-PI.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Banaliza mais ...


A banalização nossa das violências de cada dia
pois a revelia de improvável censura
é a ternura afetuosa das opressões em miscelânea

e ri do tolo, sôfrego e desavisado violentado
por um imediato alívio de encastelamento a perigo
por um abrigo torto de traumas enraizados

é bem simples, falta mesmo muito amor
não somente palavreá-lo pelas correntes e brisas
aqui todo mundo precisa
redescobrir e socializar
os rumos caiados do verbo amar

André Café

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Luta




Eu conheço um povo
um povo sempre a lutar
Que sempre seus direitos
está a esperar.

É o povo negro
com bela e linda cor
Tempos em tempos lutando
lutando contra a dor.

Lutando contra ser escravo
contra a discriminação
para ter os quilombolas
na sua melhor condição.

Um povo com raiz
que até hoje dura
valorizando a cor
 valorizando a cultura.

Um povo sem preconceito
sabe o que quer e quis
um povo de muito respeito
que busca ser feliz.

Kaire Vinícius Aguiar Quadros [14 anos], Teresina-PI.

domingo, 7 de outubro de 2012


MANIFESTO DE SAUDADES

Por mais um ano sem você.
Por um novo recomeço...
Para você que derrubou minhas paredes.
Acredite que você jamais deixará de ter sua importância para mim.
Se algum dia voltarmos a ficar juntos, estarei de braços abertos te esperando.
E se isso não for mais possível nessa vida... vou me conformar e te abençoar.
Porque sempre desejo o seu bem, que você esteja em paz, com saúde, feliz.
Desculpe-me pelas palavras tolas que já te lancei. Imatura!
Sinceramente: seja muito feliz!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

POR QUE A LUTA FEMINISTA DEVE SER CONTRA A FAMÍLIA MONOGÂMICA?



Bom, ao tratar de assunto tão delicado, devemos iniciar categorizando o que concebemos como monogamia:

Etimologicamente, a palavra se forma a partir do Grego MONOS, “um, único”, mais GAMEIN, “casar”. Porém, infelizmente, não é apenas esse conteúdo que a palavra monogamia carrega consigo.

MONOGAMIA, na sociedade capitalista, diferente do que a ideologia burguesa/patriarcal apresenta, não é a livre vontade de se relacionar afetiva-sexualmente apenas com uma única pessoa, como “naturalmente” acontece, ou deveria acontecer. Se assim fosse, não haveria problema algum!

Para compreendermos o significado que a palavra monogamia traz consigo, desde sua origem, é necessário uma contextualização histórica:

A família monogâmica, isso é, a noção de propriedade de um indivíduo sobre o outro, funda-se na transição para a sociedade de classes, aquela em que uma parte da sociedade, a classe dominante, explora a outra e majoritária parte da sociedade.

A passagem histórica de sociedades comunais para sociedades de classes, traz consigo o surgimento da propriedade privada, do trabalho alienado (explorado), e um instrumento especial criado pela classe dominante para organizar e aplicar cotidianamente a violência, o Estado.

Nesta transição, as relações históricas até então concebidas em carater coletivo, como o cuidado das crianças, passam a adquirir a condição de relações PRIVADAS. Fica, então, restrito ao “lar” o espaço de atuação das mulheres e todas as suas atividades ligadas ao âmbito da reprodução da vida (cozinhar, limpar a casa, cuidar dos filhos, etc).

Com esta conformaçao social, compete aos homens o “provimento” de suas mulheres; e estas devem “servir” aos seus senhores, em uma relação de poder. Aos indivíduos masculinos cabe o poder da propriedade privada, serão eles os maridos. Às mulheres cabem as atividades que não geram a riqueza privada: serão esposas ou prostitutas.

A família, tal como hoje a conhecemos, não surge como resultado do amor entre os indivíduos. Surge historicamente como a propriedade patriarcal de tudo o que é doméstico.

Ao referenciar o poder do homem, e a separação dos espaços públicos X privados, a família monogâmica passa a moldar o que é ser homem e o que é ser mulher (constituindo os gêneros masculino e feminino) em nossa sociedade. Tal fato interfere inclusive no desenvolvimento da sexualidade de ambos: ao homem compete, a todo momento, afirmar sua sexualidade, enquanto a mulher deve negá-la, condicionando o sexo apenas para fins reprodutivos: gerar herdeiros que possam perpetuar a acumulação de riqueza da família. Daí a necessidade da garantia de que o filho será mesmo do marido através da exigência da virgindade da esposa – por isso cabe ao primogênito masculino a herança.

“Para assegurar a fidelidade da mulher e, por conseguinte, a paternidade dos filhos, a mulher é entregue incondicionalmente ao poder do homem. Mesmo que ele a mate, não faz mais do que exercer um direito seu.” (Engels, 1979: 68)

Tão falsa é a ideia de que a monogamia é a relação sexual com apenas uma pessoa que desde sua origem é permitido ao homem o rompimento deste “contrato”. O chamado “heterismo”, aceitação social de que apenas os homens mantenham relações extra-conjugais, traz historicamente a reboque as relações de prostituição em que a existência de jovens e belas cativas que pertencem (mesmo que por um período determinado), de corpo e alma, ao homem, é o que imprime desde a origem um caráter específico à monogamia que é monogamia só para a mulher, e não para o homem. E, na atualidade, conserva-se esse caráter.” (Engels, 1979:67)

"A alienação patriarcal sobre a mulher que a converte em esposa ou prostituta, é a negação de sua potência histórica, o rebaixamento do seu patamar de humanidade." (Lessa)

A FAMÍLIA MONOGÂMICA SE CONSTITUI, PORTANTO, POR UM HOMEM E
UMA OU VÁRIAS MULHERES EM UMA RELAÇÃO DE OPRESSÃO — NEM CONSENSUAL, NEM AUTÔNOMA.

Espero que tenha ficado claro que um relacionamento a dois não é necessariamente uma relação de opressão e ficamos muito felizes com a possibilidade de que ainda que em germe, muitos e muitas lutem para construir relacionamentos afetivos emancipados, livres de qualquer opressão.

Aqui, ao falar da FAMÍLIA MONOGÂMICA, estamos tratando de um complexo social que envolve historicamente uma relação de opressão (inicialmente entre homens e mulheres, mas que pode se refratar em relações homo-afetivas também). Opressão esta que tem como mediadores o Estado, a propriedade privada e o trabalho alienado.

Sendo assim, devemos LUTAR contra a família monogâmica, pois ela representa a dominação do homem sobre a mulher!

Está claro para nós que a família monogâmica não comporta a totalidade das necessidades e possibilidades de desenvolvimento do gênero humano! Por isso, é parte da construção de um projeto contra-hegemônico dxs trabalhadorxs o forjar de novos homens e mulheres que se paute em relações livres no sentido mais pleno desta palavra!

Defender que as relações afetivo-sexuais sejam COMPLETAMENTE LIVRES não significa impôr modelos de relacionamentos (se a duas ou mais pessoas). Pelo contrário, é a defesa de que qualquer tipo de relacionamento (inclusive a dois) não deve ser pautado pela propriedade privada, pelo machismo, ou pelo Estado, incluindo a noção de posse de uma pessoa sobre a outra!

Defendemos uma nova forma de organização da vida social, uma sociedade emancipada das relações de exploração e opressão. E, para que esta sociedade seja possível, é imprescindível superar também a atual forma de família.

Somos favoráveis à liberdade mais completa para que as pessoas possam viver seus amores com a maior intensidade e a maior autenticidade. Superar a família monogâmica é decisivo para a constituição de uma sociedade que possibilite o desenvolvimento universal e pleno dos indivíduos.

E, para que isso seja possível, é imprescindível superar a sociedade capitalista e o machismo.

24 de setembro de 2012
Tábata Melise Gomes

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Crucificados pelo sistema



Cadê minha voz?
Cadê minha luta?
Não ouço mais meus gritos
Oprimidos, embasados, excluídos...
Sistema comprado
Em meio a mentes alienadas...
Ou nem alienadas são?
Visto de opiniões vazias em um grande vão!
“A Política faliu ..
não dá pra acreditar
até o que é civil parece militar...”
Meus representantes são desrepresentantes
opressores, voados e infundados
Seus militantes ouvem, falam e não interpretam!
Não pensam, apenas cumprem
Vão lá companheiros me calem, me abafem, eu falo a verdade não é mesmo?
Verdade dói? Me respondam...
Ou seus chefinhos não deixam vocês falarem?
Engulam verdades
Cresçam e apareçam.
Lutem e falem.
Acordem e pensem
Movimento Estudantil acorde de seu coma pós caras pintadas
Viva sua liberdade
Lutem pelo povo
Sejam jovens
Larguem a opressão
Minha voz...? Minha luta...? Meu grito...?
Espero achá-los neste mundo com interrogações contraditórias!
Sua ideolgia é engolida
Não foi digerida e já está sendo espelida.
Deve ser por isso que ela fede
vocês negaram seu passado
fazendo coisas pelas quais lutaram
e hoje calaram
ou melhor me calaram
Minha voz, minha luta e meu grito
mesmo oprimido será ouvido!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Políticas públicas


Na escola privada:

Pressa, depressão, riqueza, soberba

Na escola pública:

Desprezo, proeza, pobreza, gentileza

A secretaria de educação diz:

Segurança, drogas, perigo, mais educação

O estudante diz:

Liberdade, cidadania, futuro, Onde estão?

Ciro Monteiro