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terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Vicissitudes da Vida
Vinho na praça, gelo no copo
Mais um casal que passa
Pela calçada dos bêbados tortos
Vejo as crianças que brincam
Entre os jovens que viajam
Em conversas e músicas,
Entre beijos e abraços
Embriago-me de vinho, de poesia
Virtudes e (por que não?) de amor,
Tal qual mestre Baudelaire
Um dia nos ensinou
E assim pretendo permanecer
O resto de minha vida:
Embriagada de tudo aquilo
Que me faz sentir alegria.
Hannah Cintra
O que falta?
O que me falta ser?
O que me falta saber?
O que me falta querer?
O que te falta dizer?
O que te falta fazer?
O que te falta viver?
O que nos falta?
O que faltou pra dar certo?
Eu sempre achei que nos completávamos
Mas agora você não está por perto
Eu quase montei o quebra-cabeça
Mas a peça principal estava perdida
E agora quem está perdendo a cabeça sou eu
Por favor, alguém me ajude
Antes que eu pereça e me perca
Com meus assuntos mal-resolvidos
Amores dissolvidos, dissabores repetidos
Pois estou cansada demais pra fazer isso sozinha.
Hannah Cintra
Lágrimas e Chuva
Mãos quentes percorrem o corpo frio
Preenchendo os espaços vazios
Existentes entre a gente nesse quarto sem forro
Entrementes respingos de chuva, lágrimas de choro
Eu beijo teu rosto de menino bobo
Enquanto tua boca me diz coisas boas
Fazendo eu me sentir bonita, repetindo o coro
De que o universo conspira a nosso favor
Deixando o fogo que nos consome converter em calor
O amor que transpira pelos poros e pêlos
Atendendo nossos apelos
De que não haja nada mais tão perfeito quanto nós.
Hannah Cintra
Ligação Gratuita
Não sei por que eu insisto em ligar
Se eu sei que ninguém vai me atender
Deixo um recado após o sinal
Que ninguém vai ouvir quando receber
Passa a fome, o filme, a hora
Passa o carro, a moto
Passa a música, a foto
Passa, volta e vai embora
Só não passa a vontade de conversar
De falar, papear, desabafar
Dizer tolices e besteiras
Destrinchar minha vida inteira
Pro meu psicólogo particular
Mas cadê você que não está
Nem mesmo perto do celular?
Hannah Cintra
domingo, 6 de abril de 2014
Esfinge
Ei, você!
É, você mesmo!
Você que me lê
Você que me vê
E pensa que me conhece
Pensa que me apetece
Mas não sabe de fato
O que acontece comigo
É pra você que lhe digo:
Aproveite a promoção
Onde você me desvenda
E, de quebra, leva meu coração
Contudo, tem uma condição
Pra essa oferta imperdível
Melhor que liquidação:
Ao entrar, não poderá sair
Não vale roubar
Não vale mentir
Decifra-me ou devoro-te
E então, o que me diz?
Hannah Cintra
Babuína Boboca Balbuciando Sem Bando
E quando me deito no meu leito
Penso que não há mais jeito,
Não há mais nada a ser feito
Que não passei de mais um corpo
Mas já passei de mais um copo
Pois passei por poucas e boas
E também deixei passarem coisas
Fiz papel de boba
Mas pra mim já basta
Chega de papo besta
No fundo não passei de mais outra pessoa
Que simplesmente passou na sua rua
Na sua casa, na sua vida,
Mas já estou de partida
Minha passagem é só de ida:
Vou-me embora pra Parságada
Para nunca mais voltar.
Hannah Cintra
A Chave Mestra
Se eu achasse a chave
Que me desse as respostas
Pro que eu quisesse perguntar
Questionaria agora:
Por que você foi embora?
E te pediria antes de fugir
"Por favor, não se vá
Fique comigo aqui."
Se você não mentir...
Eu só queria saber:
Como vai você?
Se eu achasse a chave
Que abrisse todas as portas
Que eu quisesse atravessar
Iria sem demora
Pro lugar onde você mora
E te pediria antes de abrir
"Por favor, me deixa entrar
Pra nunca mais sair."
Se você permitir...
Eu só queria dizer:
Foi muito bom te ver.
Hannah Cintra
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Linda
Alastre seu aroma
Sem fazer alarde
Alarme o seu peito
Contra a paixão que arde
Antes que seja tarde
Espalhe sua beleza
Por toda a cidade
Se espelhando na certeza
De que todo mundo sabe
Que é pura vaidade
Aloque no seu colo
Alguém que te cale
Boca (en)contra boca
Louca lascividade
Que invade
Louvado seja
Quem te deseja com ardor!
Que o mundo veja
Que quem te beija é por amor!
poesia inspirada no filme "Uma Linda Mulher" (1990).
Aquele em que eu encontro minha lagosta.
para André Café
Agradeço todo dia
Pelo dia em que você me encontrou
E contou que me queria assim,
Do jeito torto que sempre fui e sou.
Ah, que bom que você reparou em mim!
E quando parou meus passos,
E calou meus lábios com um beijo,
A minha noite se tornou mágica...
Porque o movimento do vento
Te trouxe de vez pra minha vida,
Devastando minhas veias
Com o sentimento mais bonito,
E desde então minha alegria
Se resume em já ter te conhecido.
Hannah Cintra
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Tortura?
Tranque a porta, trave-a
Traga uma garrafa de vinho e você, sozinho
Tome um pouco do meu copo
Toque todo o meu corpo
Se atraque ao meu torso
E me ataque com trocas de carinho
Entre e se atraia
Só não traia!
Pois de maus tratos já estou farta.
Transpasse os limites
Me deixe cansada, tresloucada,
Transtornada, em transe...
Transe comigo.
Hannah Cintra
Soneto do Amor Balanceado
Amor tórrido,
Torrencial feito chuva
Que caiu como uma luva
Num dia quente e mórbido
Com sabor de uva madura,
Fruta pura mordida
Com total delicadeza e doçura,
Sem amargura no final
Posto que seja doce enquanto dure
E que o azedo surja em alguns pontos,
Contanto que não muito
Contando que não será tanto,
Senão o encanto perde seu canto,
Dando ao amargo o seu lugar.
Hannah Cintra
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Pequena marota
Se eu sou assim de ti tomado
num lado que sou teu volume
perfume, tempero, cheiro e sabor
um labor de amor que existe
Eu sou assim de ti grudado
um registro que o vento brinca de girar
como eu pressinto tua pele
numa leve discordância de lei da física
Eu só, sou e fui, será tu, em ti sugado
nada guardado, devoro intempéries
quimera que sou no sul do teu remo
a ermo, não dista, pois somos conquista
Nega, eu sou um sumo do fruto caldado
de lado os infortúnios que insistem
que listem todas as memórias
glórias, que tu faz de mim, salsado
André Café
Haikai de Hannah
Hei Ainda Nunca Negar Alegria Holística
Como Ilha, Navegando Todos Rumos Além
Benvindo para o amor zen
André Café
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Transbordamos
| Katerina Bodrunova - Underwater tango |
para Hannah,
A impressão é que não basta
porque nunca se quis bastar;
se transborda,
não foi culpa nossa:
os olhos fechados não enxergam o infinito
apenas a sede em ter e sentir lábios mordidos,
calor em partilha, sufoco e silêncio fingido
Se o olhar se liga,
ele já se foi; como refém confesso
num expresso de admiração
na gota do suor que marca os corpos
pele embebida de aromas alheios nossos
tanto pode ser dito e também o contrário
mas de cá não se faz erário
para as contas do coração
André Café
sábado, 5 de outubro de 2013
Soneto Intrusivo
Quem és tu, intruso? Que adentra a minha casa
Sem bater a porta ou se importar em me chamar,
Nem apertar campainha ou pedir permissão
Pra se intrometer e atrapalhar minha vida
Atrasando a minha ida e me trazendo de volta
Me tomando pela mão, trocando olhares e beijos
Me tratando com tanto tato, tocando meu coração
Entre textos tácteis, taciturnas notas
Então, estranho, antes que seja tarde
Triture minha tristeza, destrua meus traumas
Me tire desse transe, dessa introversão
Transite entre o meu tórax, perto dos trópicos
Atravesse o trânsito quase que intrafegável
E se instale no centro, dentro do meu peito.
poesia inspirada na novela/noturno "Pela noite", do livro
"Triângulo das Águas" (1983) de Caio Fernando Abreu.
In the Rain
A chuva chega, me encharca
Sem ninguém que me enxugue
Eu me enxáguo e exalo,
Exangue, exaurida
Dançando, chorando
E jogando fogo na chuva.
poesia inspirada no filme "Cantando na Chuva" (1952),
e nas músicas "Crying in the Rain - A-ha" e "Set Fire to the Rain - Adele"
Simbolista
Chuva que não cessa
Escuridão que me cega
Nesse céu cinza
Dessa cidade suja
Que suga nosso sangue e suor.
E sem o sol sobre nossas cabeças
Seguimos sonolentos
Semi-surdos, sentindo-nos sós
Como sombras sorrateiras
Ao som da sedutora, sombria e sóbria
Sonata sórdida, sonora e sólida
Que simplifica e simboliza
Nosso sim pra saída
Pr'uma vida melhor.
Hannah Cintra
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Soneto de Sabiaguaba
para André Café
Me toque e sinta o choque
dos nossos corpos eletrificados
magnetizados por nós
entre si mesmos, a sós
Me tome e perca a fome
dos nossos abraços e lábios
sólidos, soberbos e sábios
que a tudo consome
Suplicando: "Não suma!"
sussurrando: "Me suga!"
suspirando: "Não me solte!"
E eu sei que não sou só mais uma
atrás ta tua orelha tiro aquela pulga
então eu te digo: "Não tem mais volta!"
Hannah Cintra
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Pequena
Repouso-me aqui;
e que passem as horas:
meu tempo não é relógio
a lógica, nem se ou somente se
apenas descanso,
num ardor de todas frequências
E nesse meio tudo
para onde olho, pressinto alívio
para o que já sinto, percebo o 'ir mais além'
e vai; profundamente;
sem necessidade de porquê
Com você, com mais afinco
daquilo que foi mito
num instante, é puro
Que assim seja futuro
pois tudo que eu fito,
repouso, ressignifico
André Café
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Possessividade
para André Café
Te quero tanto
Tonto, todo e tolo
Sem "mas", demais
Só, sempre, somente
Total e Deverasmente meu
Hannah Cintra
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