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domingo, 19 de julho de 2015

Malinagem

"O diálogo entre a malina e o escritor"

N - E um belo domingo, na calada da noite, uma criatura malina interpela o escritor, na rede social:
M - E nosso projeto? O livro?!
E - Sairá da prancheta, virará realidade!
M - Nos vemos na livraria, para um gostoso café?
E - Sim, sem dúvida!
M - Pois está marcado, à tarde, naquele horário!
E - Estarei lá!
M - (Pensa) (... Não falte, seja pontual e leve algo novo pra me mostrar!)
E - (Reflete) (...Tomara eu encontre material pra mostrar a tempo e logo! Porque ela escreve bem...)
M - Boa noite.
E - Muito boa noite, para você também.

***

(Próximos detalhes no próximo post...)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

DIÁLOGO SURREAL CITADINO


(...) _ _ _

O poste parou, pensou e falou para o cano: 
-- “muita água ainda para rolar?”
E o cano, na ponta da língua, respondeu: 
-- “tanta quanto a que rola na hidroelétrica, mas sem fiação que a aproveite por todos os lugares!”
A pedra de calçamento, ouvindo a conversa, pensou em voz alta: 
-- “no final tudo volta ao pó.”
O tijolo, que assistia a toda a prosa silencioso, refletiu consigo e comentou aos demais amigos:
-- “no fundo, sem nós e sem nossas obras, talvez não se concebesse a urbanidade.”
E o gás, ali embotijado no subsolo, devaneou: 
-- “o progresso eu acompanhei, para evitar a morte das árvores; mas eu mesmo trago um pouco das finadas florestas e matas pré-históricas ... e de animais pré-históricos ... e até os pré-humanos!”
Mas o telefone público, na sua sabedoria, explanou: 
-- “todos nós, cada um em sua linha de condução, temos nossa função social e importância para o futuro da humanidade.”
O relógio da praça, com um leve acelerar no compasso dos ponteiros, cogitou para consigo próprio: 
-- “eles mudam de forma e de lugar, mas sempre pensam o mesmo!”

(...)

* Para a cidade de Teresina e seus(suas) habitantes piauienses, maranhenses e nordestinos(as) todos(as) aqui conviventes. Sóciopoetas emudecidaente censurados(as) pela necessidade de superviver além de sobreviver ao subviver. Essa foi pra você Therezina.

[publicado no Jornal A Verdade versão impressa em maio/2012]

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Cocytus: o primeiro momento do diálogo diabólico

O mapa do Inferno de Dante - Boticcelli

Um quarto de século entre silêncio e observação
o frio monótono de Cocytus não se sentia mais
dissabor perdido do chá de coca e gengibre
e a suspeita suspensa de qualquer horizonte
o mudo quebrado por razão desconhecida:

- Saudações nobre pensador! Depois de turva, assistemática e prazerosa visita por estas terras tão normais, enfim encontro o destino a que me imputei. Obrigado pelo convite.

- Saudações Duque. O destino num momento sem tempo e espaço fora generoso e propiciou esse encontro até mesmo cedo. E diante de minha visita convido-o para apreciar o chá.

- Antevi-me e já degusto olor e sabor da coca e do gengibre nobre pensador. Não te apetece mais a cicuta?

- Se percebes este patrimônio como solo rico, não compreenderás minha conduta a me deslocar e fixar moradia em Cocytus.

- Hum ... a sua revelia é teu caminho encontrado? Esta é tua Cicuta?

- De início, o fim nunca pareceu-me justo, mas a humanidade, deveras pomposa, não percebe os descaminhos. O rumo da Cicuta fora impedido de certa forma pelo convite de Satan. Tentou logicamente, seduzir-me, como bem faz com almas fracas. Diante da possibilidade em vida, vim para cá, fazendo daqui minha Cicuta. Mas a realidade tão cinza e por vezes amêna, em relação a Terra, não corroborou com minha vontade.

- Isso implica na sua condição humana reverberando viva no seu peito? É disto que me fala?

- Creio que não. Mas não com certeza. Dó, pena, angústia: futilidades. Mas o descaminho tem pedaços já andados; poderia alguns refazê-los.

- Reside esperança então pensador? Deteriora minhas expectativas infelizmente. Eis que aqui chego e vejo desumano humanizado. Isso é digno de escárnio.

- O pensar num descaminho do descaminho não é ter esperança. Poderia eu estar no fronte, mas me matenho aqui, inerte e inerente. Falo da condição humana de raciocínio. Não que torço por isso.

- O nobre pensador demonstra não contradições, mas oscilações. Por que?

- O convite de sobressalto ao nobre duque transfigurou um pouco a realidade, acometendo até mesmo Satan de ciúmes. Vossa presença está em mim ainda como um enigma indecifrável, sobretudo sua sede de snague.

- Não nobre pensador, não possuo o tino vampiresco. O súbito alegrar ao 'carinificismo' nada mais é do que compreender o destino indubitável de quem caminha para a carnificina. Mesmo pensadores altivos com suas razões mirabolantes impraticáveis nas próprias rotinas. O que me anima é isso.

- O ser humano e o estado natural. No que acha que te diferencias deles então?

- Não faço questão de não ser humano ou qualquer coisa nobre pensador. A raça humana é que não faz questão de mim. E eu também não o faço. E toda essa desconexão também me alegra. Julgar-me-ás?

- Não é esta minha intenção Duque. O brilho algoz do seu olhar não te enquadra no natural entedido do homem. Esse é teu objetivo afinal?

- Estamos seguindo para um entendimento nobre pensador!

- Uma pausa  do chá então. É hora do poker. Pelo seu e pelo meu interesse, falaremos de Giudecca, de Aldebaran e de Zion.


Sócrates entre chá de gengibre e coca a beira do caos e Duque de Copas na certeza resoluta de ambiência

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poesia evolutiva de um poeta marginal para uma poesia mulher

Poesia Evolutiva



Ah...Quando somos fetos em borbulhas de amor até dois anos de idade;

ouvimos falar de poesia pela mãe ou pelo pai, alguma visita, enfim,

se é que eles gostam de nos falar disso ou daquilo...

Quando somos ainda meio crianças entre três e seis anos de idade,

lemos, decoramos, declamamos e adoramos poesias com vontade,

se em casa ou na escola nos ensinam isso ou aquilo.

Quando somos crianças até dez anos de idade,

começamos a querer interpretar e saber de fato

o que é que são as poesias. Haja fôlego, espírito intranquilo!

Quando na adolescência e puberdade chegamos,

a vida, o pensamento e algumas poesias ocorrem

alguns vivem, outros pensam, alguém (re)escreve...

Poesias de virar a noite, de romper o dia!

Poesias de flertar a morte, de esnobar a paixão.

Poesias de contar com a sorte, de cair em ilusão.

Poesias de dizer um mote, de cantar o que se sabia!

Mas a poesia hoje é o que nos relembra a humanidade que em cada ser é.

Poesia sentimento, poesia ação, poesia introspectiva, poesia extrovertida...

Poesia pegou em mim, me seduziu, me sacudiu com o raciocínio e senti amor.

Poesia pairou no ar diante de minha incredulidade e me fez contemplação, irrealidade.

Poesia por todos os cantos, de todas as formas, comigo ela mexe; e contigo?

Quando somos mais maduros e velhos, por vezes enviesamos a mente:

a traímos com a prosa seja no livro mais querido, seja na literatura mais lógica e meramente laboral.

Então só de vez em quando a poesia é renamorada e rememorada em um ou dois versículos,

pois sua linguagem, todavia, não é para seres comuns, é para seres sublimes e errantes.

Tenho saudade das poesias que vinham e inspiravam paz, refôlego e toda a vida devir.

Minha sorte, - não sei a sua, não sei a vossa -, é que a poesia, ela de vez em quando reaparece;

traz novidades, reanima meus pensares e suscita idéias de meditação.

O mais importante, como se sabe, é poder ler e escrever para que outrem sinta algo diferente.

Quanto mais diferente você puder sentir-se, isto é o que faz a poesia necessária, plena.

- Nunca perca a poesia! Nunca nos perca, poesia!

Ei poesia, tu sabias que eu te amo quando uma menina acolá me beija e te poetisamos juntos, por sua causa? Pois é, pois é, ora pois não, ora pois não! Mas poesia, aqui entre nós, a gente te vive mesmo sem dizer tudo até o fim, a gente te sente é na língua na língua, amor no amor... você saca o que queremos dizer não é?

(para Márcia M. com todo o amor que houver nesta, nas anteriores e nas outras vidas, pois ela é minha poesia-mulher, apesar de estarmos tão distantes e meio separados hoje – tudo por culpa do mundo dos homens, você sabe disso -, serei teu eterno namorado e poeta marginal)

jpsm