Mostrando postagens com marcador Vitor Gois. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vitor Gois. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Memoráveis efemeridades



Lépido sorriso brotou-lhe no canto da boca
Daqueles que dá vontade louca
De arrancar e levar comigo
E por tal dádiva com feitio de passarinho
Acolher à mim juntinho e evitar todo perigo

Esvai-se tão breve, graça miúda e fugaz
Levo a mão ao peito entre palpites e palpitações
Que rebate e ressoa tom febril , selvagem e voraz
Ainda agora que tu foi, da graça de outrora
Só me sobra a memória e esses versos, sem mais...

Vitor Gois

terça-feira, 5 de junho de 2012

Conversas aleatórias no bate-papo






Conversas aleatórias no bate-papo


A garota afoita, com sede de vida e seus bastos cabelos em fogo diz logo:
--- Sou é tudo!
Se joga entre palavras, melodias e mentes:
--- Poeta, cantora, psicóloga!
Com ímpeto propõe logo:
--- Vamos ser tudo.. até nada!
E enche a boca de filosofias:
--- Claro, pra uma coisa existir precisa de seu contraponto... ou seus milhões de contrapontos! E a loucura é que tudo é feito de paradoxo!
Linhas coloridas, se manifestam, lindas aquarelas, será ele ou será ela?!
--- Com toda certeza sejamos tudo e portanto nada tbm..
Nossa neófita moça emenda:
--- Mesmo a gente tentando por força que as coisas sejam lineares
Não satisfeito a máscara de cores (porque tanto mistério?) diz com doçura:
--- Se temos amor já é o bastante .
--- O amor é o que resume tudo! -- lá se vai a jovem rubra.
Eis que do nada surge um jovem, que solta uma baforada de seu cachimbo de ideias (que teria ali?):
--- Pois só sejamos,então, pois tudo e nada são na verdade a mesma coisa, uma se manifestando na ausência da outra.
Nosso interlocutor de cores e pigmentos, conclui:
---É isso ai.. é tão simples e de tão simples chega a ser inefável.. O mistério que há por trás de todos os seres e que nos une é simplesmente o ato de amar..
Que dizem essas vozes? Quanta misturas de coisas. Começamos em "A" e... terminamos em quê?!
Estavam lá a conversar. Não sei bem do que diziam.
De amor, letras, existir, coisas assim. Alguma coisa os ligavam.
Acho que eram as palavras, o amor e uma ideia. Ou era uma ideia de amor as palavras?!
Ai num sei... e perdi. Se foram e me deixaram aqui. Sem nada entender.

*Conversando aleatoriamente no bate-papo do facebook. Sempre surgem viagens legais. Tomei a liberdade de pegar as falas do sócios e transformar em um textinho.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Vespas notívagas



Homens com nervos de aço
Mulheres com cheiro de flor
A eles amargam no trago
Já elas com as dores do amor

Cambaleando pelas ruas, vespa da hora tardia
Diz que essa coisa de amar não traz paz,não traz pão
Suspira entorpecida, a notívaga vadia
Desiludida, corpo em corpo encontra redenção

Vitor Gois

sábado, 28 de abril de 2012

Perder-se em sí mesmo...



Perder-se em sí mesmo...

Deitou-se na grama, o dia estava quente, e os ventos quase não sopravam, dando a impressão de que o mundo havia parado de girar e permanecia inerte, resfolegando sofregamente, para em seguida recomeçar a eterna marcha circular.
Suspirou e contemplou o céu com olhos assustados, a imensidão azul mostrava-se, despudorada, esnobe,intangível, exalando superioridade. Não pôde deixar de perceber sua insignificância, sempre sentia-se assim diante de coisas imensuráveis, onde podia se perder e nunca mais encontrar-se.
Fechou os olhos e reencontrou-se como ser humano, voltou-lhe o ego e as vontades reapareceram, suaves e intensas, vasculhou-se por dentro e sorriu, agradecendo por não ser profunda, nunca iria se perder, evitaria por todos os deuses, o céu, o mar e o amor.

Vitor Gois

Ofelíaco







Ofelíaco

Onde ele, ela
Onde há amor,desilusão
Onde há dor, loucura
Onde há beleza, Ofélia
Onde nada há, morte

Entregou-se, virgem,ao calmo rio
Cantando canções de velhas eras
E lá descansa, suave e tenra
Ninfa das águas, eternamente espera

A água antes pura, maculada de amargura
Lar da triste dama branca feito um lírio
Lágrimas da bela pranteando suas agruras
Lar da dama branca sussurrando seus delírios:

"Lembre-se de mim, meu bem amado
Aquela à quem seu amor foi um fardo
Aguardo silenciosa em meu sonho eterno
O belo dia em que te guiarei até o Inferno"

Vitor Gois

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Beleza fugidía

Frank Weston Benson


Pois que uma flor
Nasceu em negro chão
Delicada como o toque
E tão rubra quanto o fogo
Enfeitando triste lodo
Contrastando o vil carvão
Foi lançanda em triste sina
Como um sinal de mau-gosto

E a dita lá vivia
Sem tristeza ou alegria
Sem prazer ou agonia
Em torpor, só existia

Me pergunto se tal flor
Tornaria-se infeliz
E manteria a compostura
Ao saber que a formosura
Lhe escapaza triz a triz

Com o tempo a passar
A ví morrer, a vi murchar
Sem saber se era pecado
A ter cortado, a ter roubado
Com muito zelo e cuidado
Pra enfeitar meu bem amado

João Vitor Gois

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ao meu doce algoz



Se tiveres que vir, venha devagar.
Dando-me tempo de apreciar-lhe a beleza.
Traga amor no semblante e destruição nas mãos.
Encante-me e destrua-me sem piedade.

Crave a adaga em meu peito, carinhosamente.
Envenene-me lentamente enquanto me entorpece com sorrisos.
Empurre-me do penhasco enquanto sonho em voar contigo.
Rasgue a carne e sorva-me delicadamente o sangue.

Permita-me sufocar de dor - e de amor- ao seu lado.
E agonizar em seus braços.
Meu amor, meu algoz, meu carrasco.
Tenha sempre certeza que meu coração será sempre teu.
Até a última batida...

João Vitor Gois