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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Os olhos do tempo



Tudo se dissolve nos olhos do tempo
Os feixes de palavras
As tranças das sandálias
As catástrofes diárias

Tudo se dissolve nos olhos do tempo
Os instantes de cansaço
Os corpos decepados
Os crimes indecifrados

Os acontecimentos, as rosas abortadas
Os edifícios, os rumos das estradas
Os jornais, as revelações
Tua glória e teu declínio
Teu riso e tua lágrima
O que foi profetizado
O que foi ofertado
O que virou vapor e o que se solidificou
Os amores presentes e passados
O que ganhou forma e o que ficou abstrato
Teu perdão e tua mágoa.
Tudo se esmaga nos olhos do tempo.

Edilberto Vilanova

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sede



Ainda deságuo quando você demora
a descansar seu coração selvagem
Em meu peito
Pois sei que teu cais
É qualquer porto
Qualquer poço
mas você sempre volta
e não tem jeito mesmo
minha sede cede a qualquer encanto teu
tenho a sede dos oceanos
você é minha sede
sede minha represa
sou mulher oceano
e nem a tempestade sacia minha sede
pois quem chove sou eu
a tempestade sou eu
vem cedo navegar em meu pano
deixa teu navio-coração
descansar no peito meu.

(Edilberto Vilanova)