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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Desconstruindo Amélia / Parte 2

Resultado de imagem para feminista profana


Quiseram-me Barbie,
Mas Barbie eu não podia ser
Barbies são artificiais e idênticas
E eu não,
Eu era gente.
Quiseram-me prendada,
Domesticada,
Pura e santa,
Rainha do lar.
Mas eu quebrei todos os pratos
E esqueci do sal na comida.
Quiseram-me donzela,
Moldada,
Amélia,
Serva, Outra
E submissa.
Quiseram-me corpo
Quiseram-me tudo e esqueceram-se de mim.
Mas eu não,
Eu fui por onde eu quis
E fui de quem eu quis
(inclusive minha):
Do ler, do ser e do desprender.
Experimentei, senti e tive toda a percepção
Quis desbravar e desbravei
Quis desconstruir e desconstruí
Quis ser aquilo que exatamente fui
E não deixei que me pegassem pelo braço.
Eu me rebelei quando eu quis
Voei por mundos que, de tão meus,
Não quiseram mais nada de mim
Além de me ter em tonalidade própria á minha expectativa
Na incansável sede de repetir
Que uma mulher livre é um exército, meu chapa.


(Mara Raysa 1/08/2017)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Amigo


Amigo, por que andas assim tão perdido?
Nossos inimigos estão cada dia mais ousados
Amigo, estamos num momento difícil, estamos em tempos de conversar
Senta aqui cara, nós precisamos conversar
Roubaram-nos mais uma vez, não é hora de brigarmos
Vou ali pegar um café para nós dois
Amigo, das coisas mais catastróficas da humanidade
a pior delas é estarmos distantes
Ambos sofremos do mesmo mal, nossa causa é a mesma, precisamos conversar, precisamos nos organizar
Amigo, não seja tão assim
está aqui o seu café
Como você está?

Miguel Coutinho Jr., 2015

Negras tormentas II


O tempo e sufoco pedem novo calor;
não aquele pelo Sol disparado,
e sim um fulgor organizado
tremulando pelas hastes as convicções,
e toda força para transformações
desse mundo capitalizado

Quente é a chama de quem se indigna,
diante de mais um golpe planejado,
nascido do pacto capital e estado,
que criminaliza nossas futuras ações
mas ninguém se calará frente às reinações
desse sistema hierarquizado

O fogo certamente acenderá
nas mãos e corações à revelia
lado a lado, a trupe caminhará
para o que antes soava fantasia

André Café

sexta-feira, 21 de agosto de 2015


Educa e se sinta a vontade para aprender. Fala daquela rima que canta o dia a dia de trabalhadoras e trabalhadores; em uma poética sofrida, viram canções, brados e exemplo pra luta. Junta tudo num verso coletivo e chama o povo, pra ver a banda passar, pra ser a banda que passa, pelas ruas, luas, tuas, minhas e nossas; sejam bossas funkeadas, todos os sons para juntar todas as vozes.

Organiza-te, num terceto, soneto, sextilha; afina os instrumentos e os discursos, corre junto para o povo, pois dele tu é parte. Invade as ruas e seus nomes; praças e colégios, façam aparecer os desaparecidos. Olha pra história, vê o curso da história e não te esquece jamais. O caminho é de luta, na rebeldia e na arte, para invadir tantos corações.

E num ataque mais radical, para, greva, emudece os rumos tortos da sociedade e grita pelos cantos que quer raiar a liberdade, a autonomia, através de apoio-mútuo, de coletividade, de cuidados, de rimas e versos, em cadernos velhos, de escritos de antes e de agora,traduzindo sonhos e esperanças de que um dia um mundo se horizonta, pra estontear cada cabeça viva de felicidade, e semear o melhor que há, pra no raiar o dia, tudo respirar poesia.

André Café

terça-feira, 14 de julho de 2015

Negras tormentas I


No sopro quente do braseiro
que agitam o feijão borbulhante;
calor, sabores e saberes
pela queda de senhores,
pelo fim dos horrores
do sistema dominante

Pelas quebradas, o caminho;
há flores que resistem no sertão,
olhares, que agitam o coração
palavras, lágrimas e canção
que nos levará para um mundo distante

Longe, inverso e avesso,
de tudo que se vê
perto, em verso e organizado
com todo nosso querer

André Café





terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O psiu de cada dia, não nos dê hoje e nem amanhã


Penso que a luta não vai acabar nunca.
Que as mulheres são fortes, mas tal força é capaz de mudar comportamentos como esse?
E penso nas mulheres que pensam o mesmo que eu.
E me sinto mal por quase perder a esperança.
E penso em um possível estupro que possa acontecer.
E penso que já sou violentada antes mesmo.
E penso que quero cuidar dxs minhas/meus irmãs/irmãos que passam por isso que eu também passo.
E penso que eu tenho que pensar.
Pois eu to cansada de ignorar.
Penso que tenho que por ora me relembrar que eu não sou coisa a se brincar.
Me dá seu apoio, irmão.
Não me dê "psiu".
Você não precisa disso.
Eu também não.
"Vem cá", sua violência verbal quebrou minhas pernas.
 Cegou meus olhos.
Mas eu posso te ajudar a enxergar ainda.
Que o machismo não vai te ensinar a caminhar.

Dandara Cristina

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Liberdade



O mundo aprendeu
a lutar por liberdade
A negritude lutou por isso
e lutou por igualdade.

Igualdade para viver
igualdade para reivindicar
a negritude ser respeitada
merecer o seu lugar.

O negro tem seu lugar
seu lugar na sociedade
reivindicar o melhor
reivindicar liberdade.

A liberdade demorou muito
Mas tão pouco ela estava a chegar
foi preciso muita luta
foi preciso se exaltar

Mas tudo terminou bem
ao toque do meu tambor
o negro fez uma festa
exaltando nossa cor.
...

Kaire Vinícius Aguiar Quadros [14 anos], Teresina-PI.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

(Re)modelagens femininas




Entre modelagens à parte,
Umas seguem as orientações em seu rótulo,
imersas nas paredes de sua caixa,
remodelando seus gostos
conforme o consumo posto

Outras se reconstroem diante do que lhe foi imposto,
Definem seu gosto, corpo e rosto
E seguem abrindo janelas,
Brechas de desvio
de sua fôrma fabril fordista

Pórem, esta diferença gera desgosto,
principalmente ao bolso,
restando à sociedade
reforçar seus parafusos,
mostrando que o melhor caminho
é seguir o mesmo curso

Mas quem sente ares diferentes,
Não cabe mais a mesma fôrma.

Por mais que apertem seu juízo,
Sua engrenagem já faz outros giros,
E veem novos caminhos de moldes
contra sua produção em massa,
percursos de um movimento contínuo
de afrouxamento da máquina social
até que possam sair de suas caixas,
até que objetos se tornem sujeitos,
com próprios moldes, gostos e eixos.

Suzianne Santos

sábado, 28 de abril de 2012

#ContraoAumentoTeresina







Minhas mãos ainda estão trêmulas e a muito custo que seguro as lágrimas. Meu corpo todo doí e ao menor ruído fico sobressaltada. Estou com os nervos a mil. Tudo que vi hoje, sinceramente me parece uma cena de filme.
Não parece que estou na mesma realidade de dantes, não me sinto no mesmo local, é como se eu apenas visse imagens projetadas em um lugar aparte de tudo. A todo momento ligo pros meus amigos para saber como estão e me espanto quando o telefone toca, sempre me perguntando: Quem dos meus amigos ta machucado ou preso?!
Minhas amigas estão falando comigo, me ligando, pra saber se estou bem, mas não consigo responder direito, porque to chorando agora.
Me sinto uma inútil, como se não estivesse fazendo nada. Sei que estou fazendo o que está ao meu alcance, mas ainda assim me sinto de mãos atadas. Queria poder arrancar as pessoas das mãos do policiais e fazer eles pagarem por tudo. Fazer as pessoas enxergarem tudo que está acontecendo.
Queria dormir, meu corpo pede descanso, depois de tantas dias de caminhada, de sol, de fome e sede. Mas minha mente não deixa. Imagens de mulheres sendo arrastadas pelos cabelos como animais, idosos agredidos, jovens pisoteados e minha própria imagem borrada dos acontecimentos, não me permitem dormir.
Minha amiga acabou de dizer que não vai para o trabalho amanhã, porque não aguenta ver tudo isso que aconteceu hoje e ficar em casa sentada.
Queria que esse sentimento se espalhasse como rastilho de pólvora, ou como o spray de pimenta que jogam todos os dias na gente, em toda a população teresinense.
A forma arbitrária e brutal de como a PM agiu hoje, me deixa de tal forma enojada que até eu me sinto suja. A PM jogando spray e soltando bombas nas pessoas que estavam no Bom Preço, pais de família e trabalhador@s que estavam apoiando o movimento. Meu amigo chega e me diz que um senhor (vendedor de picolé) disse para a polícia que eles não podiam agir daquela forma, que era errado. Não foi preciso mais do que isso pra um deles dizer: "Ah, posso não!? Pois leva logo esse aqui também!".
O estopim de lágrimas veio quando me disseram que uma jovem, atingida no olho por uma bala de borracha, podia ficar cega.
É isso que chamamos de democracia?! Não foi isso que aprendi inocentemente na escola.
A mídia cada vez mais tenta colocar a população contra os manifestantes.
Sou estudante de jornalismo, e por vezes tenho um enorme nojo da profissão. Sabemos que a mídia é comprada, sei também que tem uma galera que depende do seu emprego, sei que tem gente tentando mostrar o outro lado e sei que um dia posso ir parar em um estágio em um lugar como esse. Se for pra fazer um jornalismo assim, sei que vou ter que fazer vestibular de novo ou ficar pra sempre na barra da saia da minha mãe.
Agradeço imensamente aos comunicadores (incluo aqui os fotógrafos, repórteres, blogueiros, "tuiteiros", "faceboqueiros" e independentes de plantão) que estão do nosso lado, mostrando a realidade dos fatos, e não como essa mídia vendida vem fazendo, nos criminalizando e retaliando.
Acabei de chegar do sindicato, onde estávamos (ainda tem gente lá) produzindo notas e matérias e, dentre outras coisas, esperando noticias dos advogados do Fórum (vale um parabéns a eles, que estão fazendo um trabalho belíssimo) que tentavam soltar as pessoas presas, que os policiais tentavam a todo custo mante-los lá, passando por cima de legalidade. Quando o Coronel James Guerra anunciou o preço de 10 salários mínimos pro cada preso, como fiança. Isso não era da alçada dele decidir.
Cada ligação era um susto, cada informação desencontrada era aperto no peito sem saber quem realmente estava solto ou machucado. Nem a cara podíamos colocar do lado de fora, pois tinha policiais rondando o local
Hoje vi um massacre. Da ordem, da democracia, da cidadania, da HUMANIDADE!
Sinto que ainda temos que caminhar, mas nossa luta tenho fé, será vitoriosa.
Tudo isso me deixa enojada, e me faz refletir sobre a conjuntura de tudo, sobre a sociedade que vivemos. Até antes pensei que vivecemos em uma comunidade que chamávamos de CIVILIZADA, mas depois de tudo que tenho visto e vivido esses dias, sinto que na verdade o tempo das cavernas está ditando tudo e dentro de tudo, como um animal acossado que foge loucamente quando arrebentam sua coleira.
Quero poder correr livremente e gritando que conquistamos nosso intento, vamos fazê-lo.
Nojo e sentimento de impunidade, define esse meu momento.
Queria um abraço nesse instante para fugir um segundo dessa realidade, fingir que foi tudo um sonho ruim. Queria dar um abraço em todos os companheir@s que estivem ao meu lado em várias lutas da minha vida, e nessa do ContraOaumento mais ainda. Abraçar aqueles que eu não conheço, mais que estão nas ruas todos os dias, na luta pelo mesmo ideal.
Desculpem se alonguei amig@s, mas senti a necessidade de desabafar.
Existem braços na luta companheir@s!
O meu está lá.
Sem mais forças para escrever.
Abraços.

(Doda Pereira, madrugada de 11/01/2012)

ps: Texto feito na época das manifestações em Teresina contra o aumento da passagem. No dia exato de confronto mais truculento da polícia contra os manifestantes.

quarta-feira, 4 de abril de 2012






O corpo é meu!
Quem disse que pode chegar mexendo!?
Minha roupa curta, minha maquiagem não te dá direitos de nada!
O corpo é meu!
Fazer sexo no primeiro encontro não me faz menos respeitável.
O corpo é meu!
Se não quero fazer isso ou aquilo, RESPEITE!
O corpo é meu!
Não somos nem putas, santas, mercadoria ou inferiores!
Somos gente! Somos mulheres!
O corpo é meu!
Nosso lugar não é só na cozinha e no fogão!
Nosso lugar é nas ruas, no escritório, na luta, na TV, no mercado, em todo canto.
O corpo é meu!
Não importa as convenções, a construção hipócrita da sociedade.
Não somos uma boneca, uma cozinheira, um pedaço de carne, um tipo de cerveja!
Somos gente! Somos mulheres!
O corpo é meu!
Meu direito é igual ao seu.
Posso beber, fumar, trabalhar, amar da forma que for.
Isso não nos faz menos ou mais. O que vocês homens podem, nos mulheres podemos!
O corpo é meu!
MACHISTA! Não me diga que uma mulher amar outra é porque não achou o homem certo!
Quem disse que somos mal-amadas, sapatão, putas, mal comidas?!
Somos feministas! Lutamos pelo que é nosso de direito!
Fique fora do meu corpo Igreja! Eu decido sobre ele.
O corpo é meu!
Fomos queimadas por tentar participar das ciências. Somos bruxas, somos loucas!
Quando lutarmos por direitos e participação no mundo público, fomos torturadas, presas e mortas dentro das fábricas.
Somos mãe solteira, estudante, dona de casa, filha, putas, trabalhadoras!
Somos LUTADORAS!
Somos gente! Somos mulheres!
O corpo é meu!
Mexam-se mulheres! Levantem-se! Inquietem-se!
A mudança disso tudo vem de nos!
Tudo fica igual quando não nos mexemos, não nos mobilizamos!
Sejamos UNAS! Vamos nos unir! Lutar!
Não esperam sentadas!
Não sejamos mais mortas, estupradas, assediadas!
Levantem-se!
Pegue o que temos e vamos as ruas, vamos as lutas!
O chamado para a mudança está aí!
O corpo é meu!
O CORPO É NOSSO!
(Dalila Cristina, 04/03/2012)

Choro e liberdade



A primeira expressão da vida é o choro.
O choro comunica ao mundo que estamos vivos
Que a nossa história começa a partir de agora.
O choro reinvidica ajuda.
Podemos nem saber o que queremos
Mas se chorarmos conseguiremos.
O choro sempre é incomodo.
Pra quem chora e pra quem tá perto
O choro as vezes é egoísta e impaciente
Até que o choro é reprimido.
Silencioso, Engolido!
O choro também pode ser usurpado
Vitimizado. Quem faz chorar nem sempre é culpado!
O choro também é desaprendido
De repente, pronto. Você não sabe mais chorar.

*Vinícius Oliveira- é estudante de comunicação social e faz a arte circense de construir Barricadas pra revolucionar um mundo onde o monopólio do riso é a desgraça da nossa classe.

domingo, 26 de junho de 2011

Na luta sempre



Lágrimas que brotam do desespero
Desespero que brota da injustiça
Injustiça que brota da incoerência
Incoerência que brota do conformismo
Conformismo que brota da ignorância

Indignação se transforma em silêncio
abafando o grito dos poucos que ousam desafiar
desafiar o que já está estabelecido a muito tempo
lutar contra um sistema velho e falho, mas cheio de poder

Mudanças não acontecem da noite para o dia
Mudanças começam com um grito
Grito de desejo
Desejo por ver a justiça reinar

Lágrimas, lágrimas...
estas brotam sem parar...
e ainda me pergunto se consigo tentar...
Morrerei na luta, diária, dolorosa
Na esperança de conseguir uma vida digna para os pobres
na esperança de ser a voz de quem não pode se defender
Morrerei na certeza de que fiz o que pude para MUDAR!


[Março, 2006]


(Fernanda Costa)