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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Outubro Rosa - Ariêtes, abóbadas e auroras fenomenais

Não será uma poesia; será uma dispersão psíquica e surreal.
A amiga que outrora cruzara comigo no corredor da academia, da universidade...
Ela se teletransportou, transmutou-se e assumiu uma forma mais jovial ainda
 e atingiu meu sexto sentido.

Ela já se chamou Anna, Márcia, Julianny, hoje virou uma Karina, e sabe-se lá o que virará.
(Os nomes são reais; as mulheres também; a alma eu não sei explicar, mas há um karma)
Na filosofia oriental se chama "a mulher que passa". Ou, machadianamente, "olhos de ressaca".
Isso não é o mais importante... a pessoa, enquanto ser humano, é importante e vivaz - isso concretiza.

Um dia, marquei um encontro com a Julianny, apesar de só nos encontrarmos ao acaso e sempre conversáramos sobre aquele mesmo assunto: uma poesia, uma sabedoriazinha, um livro que um dia íamos fazer - e com ilustrações coloríveis, esse era o critério: liberdade, liberdade, sempre...

Mas a Julianny ela partiu precocemente, avoou para céus os mais altos, longínquos demais para mim; isto quer dizer, para eu poder alcançá-la; mas, ainda dialogamos, os sinalizados dejavùs, as pistas que acontecem no destino, as jornadas de viajôr que por vezes é preciso empreender e vencer empecilhos; e ela sempre ali, sacrossanto prêmio, por vezes distante, por vezes próximo; nunca atingível, imaculado, pureza pura qual wodka.

Me pediram para evitar um pouco o jornalismo e escrever poesia, sendo que já não o sei mais; é muito difícil lembrar escansões, rimas, métricas, sandices parnasianistas, e etcoétera.
Prefiro a poesia das ruas, mundanas, sabidas, ensinamentos únicos e velozes; de relance, de revestrès.
Uma mensagem ficou na minha memória, lendo de trás p'ra frente: "maktub" - está escrito.
(porém, não é a melhor tradução, os árabes já o disseram; e eles, ah, êles me devem explicações e muito, muito mais.).

Para Karina, olhos de ressaquinha.
Uma beleza rara e verdadeira.
Uma jóia com acento.
A garota do batom, garoto!
A coca-cola zero verde da véspera.
Menina-Moça-Mulher (M³).

domingo, 19 de julho de 2015

Malinagem

"O diálogo entre a malina e o escritor"

N - E um belo domingo, na calada da noite, uma criatura malina interpela o escritor, na rede social:
M - E nosso projeto? O livro?!
E - Sairá da prancheta, virará realidade!
M - Nos vemos na livraria, para um gostoso café?
E - Sim, sem dúvida!
M - Pois está marcado, à tarde, naquele horário!
E - Estarei lá!
M - (Pensa) (... Não falte, seja pontual e leve algo novo pra me mostrar!)
E - (Reflete) (...Tomara eu encontre material pra mostrar a tempo e logo! Porque ela escreve bem...)
M - Boa noite.
E - Muito boa noite, para você também.

***

(Próximos detalhes no próximo post...)

sábado, 27 de dezembro de 2014

A ruivinha

A ruivinha...

Às vezes, quando somos crianças, lançamos com esmero e apuro incomuns nossos olhares para situações as quais nos deixam curiosos e prendem de verdade nossa atenção. Eu me lembro com saudosa memória de um passeio que fiz aos 4 ou 5 anos de idade com meu pai, por uma rua próxima a minha antiga casa.
Havia movimento na rua, estávamos andando pela calçada do lado da direita e lá na calçada do lado da esquerda eu avistei uma menina mais ou menos da minha idade; ela tinha um toque todo especial: era ruiva! Muito ruiva!! Eu deixei de prestar atenção em qualquer outra coisa para me ligar àquela pessoinha. Instantes mágicos se passaram num piscar de olhos, num pestanejar.
Depois, em outros passeios, vim a descobrir (por conta própria) que a menininha era filha da dona de uma butique que ficava ali próximo, naquela rua mesmo. E eu adorava quando saía a passear com meu pai ou meus irmãos e avistava a butique, só para olhar e flanar aquela menina! Eu tinha 4 ou 5 anos...
Uma vez, estávamos indo na calçada em direção ao mercado do bairro, aquela espécie de feira livre que existe em todo bairro que se preze. Aí eu a vi! Ela vinha na mesma calçada, na direção de nós. Mal pude me conter de encantamento. Quando ela chegou perto, eu peguei na mão dela e fiquei só olhando, encarando-a, de frente, como se fora um flerte infantil! Ela tinha sardas e um sorriso lindo, olhos meio puxados e castanhos claros. É, e é tudo que me lembro daquele encontro que ficou guardado na memória.
Foi o primeiro amor e o amor a primeira vista!
Depois disso, nunca mais eu seria o mesmo. Entontecido e extático, em êxtase, fiquei com aquela cena na lembrança, marcada para sempre em meus pensamentos.
Talvez por isso, a mulher que mais amei, já quando adulto, foi uma ruiva.
E também o meu “santo” bateu com o dela!
Ela me atraiu de imediato, não pude resistir. E fiquei com aquela moça no pensamento...
Será que era ela? A mesma menininha ser aquela moça.
É uma lembrança que trago vívida na minha mente.
(Para Márcia Micaelle de Sá Leal)


João Paulo Santos Mourão

domingo, 11 de maio de 2014

Carta de Mural Improvável - para Dalila Cristina




Carta de mural improvável

Dalila Cristina,

Me permita uma deferência.

Se vossa mercê usa de óculos/ não o é porque tenha defeito algum.
Entrementes, por teu grau elevado/ – de modos e quero dizer o grau de acuidade visual mesmo – /é que estas lentes filtram o que de mau e mal no mundo exterior haja e aja/ a não importunar em sua íris e cristais foliculares e pupilares.

E, por seu outro turno também e ainda,/ te oportunificam por melhores escópios antever/ as boas cousas e os bens visíveis desta “brilhosa” vida tua,/ dessa existente essência vossa.

Antes de tudo, no entanto,/ os óculos enfeitam suas belas amêndoas coelhonetenses/ – e que, aliás, o ilustre poeta/ que assim nomeia vosso gentílico próximo/ e que enaltecera a Teresina,/ ao chamá-la Cidade Verde/ “bem gostaria é possível de poder ter entreolhares contigo”/ – as tais que abrigam luminosas e meigas (mas pernósticas, quando necessário é...!) castanhas médias vistas incríveis.

Mas peço-te, se é porventuroso aqui:/ use, não tire, abuse dos óculos/ – que só adornam (à francesa) sua bela face;/ mas por óbvio, é meu dever afirmar/: cuide tanto ou melhor ainda da vista quanto da voz;/ ora pois os sentidos se completam/ e teu equilíbrio é um bem natural místico!

E tenho certeza que vossa mercê é uma atriz de quilate, à qual soma-se a esforçada comunicadora, a tornar-se “comunicatriz”. Abram os sentidos que esta moça está a passar.
Abram-se as sentidas: que esta moça está a passar. E o carma é toda dela, não se iludam.

Poetiza tu; não, poetize você! Poetizai vós, poetizem eles, poetizem elas, poetizas, poetiza.
À Dalila Cristina, amiga e colega interessante – e até sou de poucas palavras, ela sabe – nos desinteressantes e inconstantes interprogramas da mundania no abstrato estado de cousas.

Segue-te, vida.

Por João Paulo Santos Mourão.
02/04/2013 ~06/04/2013

Para esta amiga sopoetisaporvir e todas as mais criticizem-me sem exceção!

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Áries: Temos para você as melhores opções em massagem córnea vorticial e removedor de tensão pré-holocausto.
Touro: Temos para você as melhores opções em descorneamento artificial e auxílio rodeio.
Gêmeos: Temos para você as melhores opções em espelhos e identificadores de diferenças minúsculas.
Câncer: Temos para você as melhores opções em águas barrentas e locas inter radiculares manguezaísticas.
Leão: Temos para você as melhores opções em corte de cabelo e penteados.
Virgem: Temos para você as melhores opções em tapa sexo e inibidores de apetite libidinal.
Libra: Temos para você as melhores opções em tudo, com o equilíbrio e a justeza de todas as coisas mundanas interiores e exteriores.
Escorpião: Temos para você as melhores opções em auto-imunidade e calibração de aguilhões.
Sagitário: Temos para você as melhores opções em instrumentos de arco e flecha, além de corações em modelo alvo.
Capricórnio: Temos para você as melhores opções em serviços de customização de barba cabelo e bigode, além de purgação de odores.
Aquário: Temos para você as melhores opções em líquidos, de todos os modelos e colorações; inclusive água pura petrificada.
Peixes: Temos para você as melhores opções em piscinas, pesqueiros e pescadores/as.
Signos do zodíaco na esfera celeste

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Uns registros revisados

Registros

"Now Maktub": uma Calourada na universidade *

Panfletos. Comentários. Avisos. Convites. Palestras. Discussões. Debates. Opiniões.

Apresentações. Festas.
(-x-)
Pessoas juntas. Mulher diferente. Monólogo telúrico. Performance teatral. Jogos políticos.

Militância estudantil. Palavra professoral. Aplauso geral. Poesia motivacional. Música

conjuntural.
(-x-x-)
Baticum vertiginoso acadêmico. Misturar de gentes. Ensino, pesquisa, extensão. Público,

gratuita, qualidade. Aluno, professor, funcionário. Palco, luz, palavrório. Fé, juventude,

poder. Autonomia, luta, cultura. Pensamento, atitude, objetivo. Paz, amor, união.
(-x-x-x-)
"

Validuaté" quando se quiser. Espetáculo dançante, palpitante, cantante. Galera interessada:

ouve, olha. Gravo mental e corporalmente. Flashes, rostos, silhuetas, formações.

Consciência, transcende nossas vivências. E experiências ecoam estreladas. Espontâneos

momentos e expressões. Amigos, conhecidos, colegas, anônimos. Tudo filosofia de verdade.
(-x-x-x-x-)
Cerca de vários calouros e quase alguns veteranos; Guevaras, Fidéis, Olgas, Prestes -

revoluções em palmas de mãos e passos de pés. Cabeças inteligentes. (Selá).

Os termos grifados antes da declaração significam agora (em inglês universal) está escrito (em árabe oriental).*

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

melo dramático...


melo dramático (para Allynne, a única das únicas...) a paixão e as desilusões amorosas de um jovem por uma jovem... também fiz outras coisas nesse meio tempo; me espiritualizei e equilibrei com Deus revi velhos amigos/as, senti de novo aquele elã que me cativou sempre nossa vida é um novelo de linha, em que as mãos dadas conseguem tecer lindas relações de estima, momentos felizes e altivez, é o sonoro instante de inclinação de pessoas rumo a conseguir fraternizar-se. nossa vida é um suspiro, aquele suspiro de energia e amor que transforma o nosso dia em algo de realização. a nossa vida é aquela imagem mental, aquele estalo de memória que nos torna tão próximo de quem nós realmente gostamos, mesmo à distância. nossa vida é o amor materializado e a obra de Deus perenizada nas diminutas descobertas que representam grandes assuntos ao cabedal de nosso repositório humano: somos pó das sementes, poeira dos astros, átomos do microcosmo, partículas a viajar suave e perenemente pelo nosso universo conhecido. Nossa vida é um engenho e nós somos os ingredientes dessa dimensão “ a rapadura só faz bem; a cachaça só traz mal ” e você, você sim: é o açúcar mascavo: inigualável especiaria! . 14/01/2014 João Paulo Santos Mourão (JotaPê S.Mourão) 18:00hs. .

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Padre. Landell de Moura - radiofonista

Inventaste o rádio
comunicação de massa
mas o assessor do presidente
à época Rodrigues Alves
achou que teu experimento
não era ciência e demonstração viável
taxado de lunático no Brasil
por querer dar teu invento e glória à nação
que mixórdia é a ignorância venenosa
mas do Rio Grande do Sul o Monsenhor Landell de Moura
conquistou o mundo
e sua patente americana é incontestável
salve o velho clérigo cientista !


sábado, 17 de novembro de 2012

Torquato Neto; um texto da véspera passada


11.2012

  99 ESPECIAL TORQUATO NETO 66

(...)“MAMÃE, CORAGEM” e “O HOMEM CONCRETO”  EIS A “VERDADE TROPICAL” : Dona Canô, mãe dos cantores tropicalistas Caetano Veloso e Maria Bethânia, segue indiferente ao tempo opressor e aos 105 anos de vida realmente implica com a praxe lógica da cronologia humana; exemplo bastante semelhante ao do mais que centenário arquiteto Oscar Niemeyer, que aos 104 vai ao hospital fazer um check up e logo,logo volta ao batente entre projetos ou eventos. Guardadas as preocupações costumeiras de familiares, parentes e amigos próximos, além dos profissionais de saúde que os atendam, obviamente.  

Talvez o jornalista incompletamente formado pela universidade das ruas e redações do brasil Torquato Pereira de Araújo Neto anunciasse algo assim se ainda escrevesse no Jornal do Brasil e pintasse até uma manchetona algo parecida ainda hoje.

DE MARISTA A TROPICALISTA: COM UMA ENCAMINHADA E SÓLIDA FORMAÇÃO EM COLÉGIOS DE IRMANDADES RELIGIOSAS DESDE O INÍCIO NO COLÉGIO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (NA VULGATA, COLÉGIO DAS IRMÃS) EM TERESINA E EM COLÉGIO MARISTA EM SALVADOR, O ADOLESCENTE PIO EXISTENTE EM TORQUATO NETO PREPARA DO GRANDE SERTÃO NORDESTINO VEREDAS AO JOVEM JÁ CÉTICO EM RELAÇÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA OU BUROCRATA PARAESTATAL. //

 E INSINUA EM SI VOCAÇÕES E DONS OUTROS, NESTA TRILHA MAIS QUE LITERÁRIA, MUSICAL OU CINEMATOGRÁFICA; BEM MAIS QUE ISTO: UMA POLIFONIA CULTURAL ECLÉTICA ALIADA AO ENGENDRAR DE REFLETIRES-PENSARES-AGIRES RUMO ÀS EMERGENTES MEGALÓPOLES BRASILEIRAS, O SENTIMENTO E A COGITAÇÃO ORA COMO JORNALISTA, ORA COMO PRECEPTOR OU COLEGA DE ARTISTAS E ATIVISTAS ENGAJADOS EM CONVÍVIO TROPICAL. //

LOGO, NÃO É DE SE ESPANTAR QUE A EMPREITADA DEPOIS BATIZADA DE TROPICALISTA JÁ NASCE EM TORQUATO NETO E MESMO NO GRUPO BAIANO-NORDESTINO AO SUDESTE AGLUTINADO: AUGUSTO E HAROLDO DE CAMPOS, DÉCIO PIGNATARI; HÉLIO OITICICA, TOM ZÉ, CAPINAM, GERALDO VANDRÉ; GILBERTO GIL, CAETANO VELOSO, MARIA BETHÂNIA, GAL COSTA; LUIZ MELODIA, CARLOS PINTO, NONATO BUZAR, PAULO DINIZ, RENATO PIAU; JARDS MACALÉ, WALLY SALOMÃO, IVAN CARDOSO, ...E TANTOS COLEGAS DE CRIAÇÃO QUE FICA ATÉ DIFÍCIL CATALOGAR, ATÉ HOJE, MESMO CONSULTANDO ARQUIVOS E ACERVOS SÉRIOS.//

E PERCEBAMOS QUE CRÍTICOS, DESDE BIÓGRAFOS, PASSANDO POR COLECIONADORES, ACADÊMICOS ESTUDIOSOS E PESQUISADORES, ALÉM DE UMA LEGIÃO DE FÃS OU APRECIADORES – MARGINAIS OU NUCLEARES – TAMBÉM EM MOMENTOS CÍCLICOS E PERIÓDICOS RETOMAM FRAGMENTOS DA VIDA QUE VENCE A MORTE EM TORQUATO NETO. ALIÁS, NA IMAGINAÇÃO DESTES DIAS, HÁ A IDEIA DE QUE É MELHOR QUE SE DIGA PRECISAMENTE: 

“SUICIDARAM TORQUATO”.//

AQUI ATÉ HOJE É O FIM DO MUNDO! NÃO QUE SEJA UMA PRAGA OU DESTINO FATAL EM INSTANTES DE FEÉRICA HISTERIA MUNDIAL; APENAS DIZER QUE, APÓS 40 ANOS DA MANCHETE DE 19’72 MUITA COISA MUDOU SIM, O BRASIL É OUTRO, ATÉ O PIAUÍ É OUTRO. NESTES 68 ANOS DUM TROPICAL ADEUS TORQUATEANO, DIGAMOS ATÉ LOGO, POIS 68 DIZEM É UM NÚMERO QUE NÃO FINDA EM SI, NESTA HISTÓRIA A SER RECONTADA.// 

NOS JORNAIS DO BRASIL É SEMPRE MPB!.// 

(João Paulo Mourão para o “Sempre MPB” de 11.11.2012)

domingo, 30 de setembro de 2012

Lajem - para Fernanda Lajes (in memorian)


A lajem da (injustiçada)justiça

 

Do alto daquela lajem,

você vê?

No futuro virá uma mártir,

do viver.

Do topo daquela lajem,

você ouve?

No presente veio um ecoar,

da psiquê.

Do cume daquela lajem,

você sente?

No passado vinha um agir,

do jazer.

Do patamar daquela lajem,

você fala?

No pretérito houvera um terror,

de sofrer.

Da hierarquia daquela lajem,

você crê?

No pretérito imperfeito do "indicativo" houvera um pendor,

imperativo do sistêmico porestar de cousas a perder.

Desta lajem

subiu e desceu

Fernanda Lages.

Desta lajem

subiram e desceram

projetos, planos, pessoas.

Desta lajem

subirão e descerão

ideias, pensares, sementes.

Desta lajem

subiriam e desceriam

ações, promoções, demissões.

Desta lajem

sobem e descem

dúvidas, medos, segredos.

Desta Lajem

emérita lajem

subsubida lajem

Cediça lajem

estranha lajem,

renitente lajem.

 

(Autor: Leniente poemante couriscado)

 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Perguntas sobre a poesia


. Um dia

 me perguntaram

 se já escrevi

 poesia .

Sóbria e naturalmente dou-me duas respostas:

Aos pobres de espírito, pessoas comuns, eu digo que sim;
Faço uma ou outra poesia, ao bel prazer da inspiração e do dia (desperto).

Aos ricos de espírito, pessoas incomuns, eu digo que não;
Traço um ou outro pensamento, ao bel saber da reflexão e da noite (insone).

Portanto, fica explícita a razão pela qual vivo a dizer-lhes:
Para alguns, aquilo é apenas tinta derramada sobre um papel qualquer;
Aos outros, o que há é um texto e serve para (re) começar a pensar.
De minha opinião, faço tão somente o meu trabalho: comunicar...
(JotaPêSMourão)

¡ adad evlas ! (salve dada) da-da sa_ve 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

DIÁLOGO SURREAL CITADINO


(...) _ _ _

O poste parou, pensou e falou para o cano: 
-- “muita água ainda para rolar?”
E o cano, na ponta da língua, respondeu: 
-- “tanta quanto a que rola na hidroelétrica, mas sem fiação que a aproveite por todos os lugares!”
A pedra de calçamento, ouvindo a conversa, pensou em voz alta: 
-- “no final tudo volta ao pó.”
O tijolo, que assistia a toda a prosa silencioso, refletiu consigo e comentou aos demais amigos:
-- “no fundo, sem nós e sem nossas obras, talvez não se concebesse a urbanidade.”
E o gás, ali embotijado no subsolo, devaneou: 
-- “o progresso eu acompanhei, para evitar a morte das árvores; mas eu mesmo trago um pouco das finadas florestas e matas pré-históricas ... e de animais pré-históricos ... e até os pré-humanos!”
Mas o telefone público, na sua sabedoria, explanou: 
-- “todos nós, cada um em sua linha de condução, temos nossa função social e importância para o futuro da humanidade.”
O relógio da praça, com um leve acelerar no compasso dos ponteiros, cogitou para consigo próprio: 
-- “eles mudam de forma e de lugar, mas sempre pensam o mesmo!”

(...)

* Para a cidade de Teresina e seus(suas) habitantes piauienses, maranhenses e nordestinos(as) todos(as) aqui conviventes. Sóciopoetas emudecidaente censurados(as) pela necessidade de superviver além de sobreviver ao subviver. Essa foi pra você Therezina.

[publicado no Jornal A Verdade versão impressa em maio/2012]

sexta-feira, 6 de julho de 2012



‎- Chupa ou bebe essa cajuína!?
(perguntou-me a forasteira no salao humorístico; e ela parecia virgem de nosso pedaço...)
Nem tão agridoce, nem tão azedinha engomada com colantes!
Ele chupa, ela chupa, chupemos o sumo posto que perguntais assim;
no final do começo tudo em quanto bebe o subproduto dessa fruta subalterna - ativa!
Mas a essência sobe, penetra e bate ligeiro na mente!
Estalo!
Pi! Pi!
É do Piauí!
Você bebe???
Você chupa???
Tanto faz!
Prove!
Tem bem ali na esquina, bem ali no carrim de mão também tem óh:olhaê! ali óh!
- Puxa, você compôs isso agora? Brigadíssima demais!
Não tem por onde!
(Aí é partir pro agarro, ... da bebida!!!)

Para a forasteira com sotaque certeiro e atrevidamente amiga transeunte das praças em dias ruins para o verso penseiro

terça-feira, 15 de maio de 2012

Caçoada iletragnorante

Meu panfleto é esse: Caçoada iletragnorante

(-------------------)

A camisa de força na vitrine;
(o carro de mídia o anuncia)
a mordaça, na tinta de uma lei;
sem senso algum.

A camisa de farsa no corpo;
(um costume mo silencia)
a censura, na força de uma expressão;
sem aviso nem um.

Nossa ciência se inclina a progredir pelo bem.
Imposta. (Ou disposta.)
Outra ciência, a transgredir para o mal.
Nefasta. (Ou modesta.)

Estranho estado este de ser humano.
Sem ser gente.
Em que palavras assinadas e firmadas ferem e matam.
Em que vontades aprovadas e afirmadas olvidam e faltam.

(* * *)

Poesia é quando não se aguenta e se inflama a alma do povo.
Poema é quando não se contenta e se consuma o espírito da época.
Rima, teimo e caçoo, é quando a filosofia do tempo e arte do lugar
se transcrevem em uma linguagem. (Será Arte? Serão artes?)

Mudando para a Prosa, a arquitetura do pensar se faz outra;
mas a intenção e a forma também inscrevem
razão,
sentimento,
dom,
e invenção:
com outra estilística.
(A do texto e ponto corridos,
conforme os primários ditados!)

(* * *)

Uma loja se chama poesia,
o mercado é poema,
e a economia é prosa:

(a rima poderia ser o marketing:
subliminar ou sobreliminar)

a singela tríade (ou quadra)
e hoje assim travestidas estão,
neste mero exemplo.

E a política?
Que seria esta?
Qual linguagem?

(Alguém arriscaria e diria.)
O teatro, mais especificamente a farsa;
mas não uma que se vista,
uma que se viva.

Até virar comédia, tragédia, drama
ou adaptação outra.
Sempre em cartaz...
sempre.

ou não?!

?!.

(-------------------)

[De: João Paulo S. Mourão # THE (PI), 04~15/05/2012
Para: Sociedade dos Poetas Porvir]

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poesia evolutiva de um poeta marginal para uma poesia mulher

Poesia Evolutiva



Ah...Quando somos fetos em borbulhas de amor até dois anos de idade;

ouvimos falar de poesia pela mãe ou pelo pai, alguma visita, enfim,

se é que eles gostam de nos falar disso ou daquilo...

Quando somos ainda meio crianças entre três e seis anos de idade,

lemos, decoramos, declamamos e adoramos poesias com vontade,

se em casa ou na escola nos ensinam isso ou aquilo.

Quando somos crianças até dez anos de idade,

começamos a querer interpretar e saber de fato

o que é que são as poesias. Haja fôlego, espírito intranquilo!

Quando na adolescência e puberdade chegamos,

a vida, o pensamento e algumas poesias ocorrem

alguns vivem, outros pensam, alguém (re)escreve...

Poesias de virar a noite, de romper o dia!

Poesias de flertar a morte, de esnobar a paixão.

Poesias de contar com a sorte, de cair em ilusão.

Poesias de dizer um mote, de cantar o que se sabia!

Mas a poesia hoje é o que nos relembra a humanidade que em cada ser é.

Poesia sentimento, poesia ação, poesia introspectiva, poesia extrovertida...

Poesia pegou em mim, me seduziu, me sacudiu com o raciocínio e senti amor.

Poesia pairou no ar diante de minha incredulidade e me fez contemplação, irrealidade.

Poesia por todos os cantos, de todas as formas, comigo ela mexe; e contigo?

Quando somos mais maduros e velhos, por vezes enviesamos a mente:

a traímos com a prosa seja no livro mais querido, seja na literatura mais lógica e meramente laboral.

Então só de vez em quando a poesia é renamorada e rememorada em um ou dois versículos,

pois sua linguagem, todavia, não é para seres comuns, é para seres sublimes e errantes.

Tenho saudade das poesias que vinham e inspiravam paz, refôlego e toda a vida devir.

Minha sorte, - não sei a sua, não sei a vossa -, é que a poesia, ela de vez em quando reaparece;

traz novidades, reanima meus pensares e suscita idéias de meditação.

O mais importante, como se sabe, é poder ler e escrever para que outrem sinta algo diferente.

Quanto mais diferente você puder sentir-se, isto é o que faz a poesia necessária, plena.

- Nunca perca a poesia! Nunca nos perca, poesia!

Ei poesia, tu sabias que eu te amo quando uma menina acolá me beija e te poetisamos juntos, por sua causa? Pois é, pois é, ora pois não, ora pois não! Mas poesia, aqui entre nós, a gente te vive mesmo sem dizer tudo até o fim, a gente te sente é na língua na língua, amor no amor... você saca o que queremos dizer não é?

(para Márcia M. com todo o amor que houver nesta, nas anteriores e nas outras vidas, pois ela é minha poesia-mulher, apesar de estarmos tão distantes e meio separados hoje – tudo por culpa do mundo dos homens, você sabe disso -, serei teu eterno namorado e poeta marginal)

jpsm

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O VERDICTO DE DR. JEREBEBEL


CONSULTA MÉDICA


Waldélia nos recepciona com um leve mexer do pescoço e cabeça, agitando os longos cachos castanhos de cabelo. Prestativa, ouve a pergunta atenta, solicita os documentos e requisição do paciente e avisa:
- O dr. Jerebebel só começa a atender às 16h; aqui já está marcado, se você tiver algum compromisso ou negócio pra resolver no centro pode ir que dá tempo voltar antes da consulta.
Pensei mentalmente o que ainda teria de resolver naquele meio tempo, pois ainda eram 14h no relógio do celular. Lembrei exatamente que tinha um relógio de pulso pra colocar bateria nova e um presentinho para comprar p’ras festas natalinas familiares. Pegando e observando o interior da carteira descobri que o relógio sim, teria como pagar-lhe a bateria nova; quanto ao presentinho não, este teria de ficar para outra ocasião.
Andei um pouco, flertei com algumas promoções de vitrine de loja, até chegar à joalheria. O endireitamento do relógio fora rápido, nem deu tempo sequer de entrar em fila: além da bateria ele ganhou uma limpeza no mostrador e na pulseira, tudo por conta da casa. Lanchei um pastelão de carne moída com verduras ali na lanchonete do lado por um preço razoável. Ao passar próximo à praça Rio Branco não pude deixar de notar a badalada do antigo relógio totem: me restava apenas uma hora!
Queria saber ainda do preço de umas coisas no comércio antes da consulta ao médico; vestuário, calçados, utilidades para o lar principalmente. Só deu pra pegar e anotar o preço da lavadora de roupas, do forno elétrico e do terno preto. Só.
Voltando ao hospital, chequei e ainda faltavam uns cinco minutos; por sorte chegara a tempo de ir ao banheiro e beber um copo d’água mineral no bebedouro. Estava cansado de tanto caminhar no velho centro.
- Waldélia, quantos ainda antes de chegar minha vez?
- Apenas três e um paciente prioridade, viu sr. Joe?
- Oquei, fazer o que não é? (sorriso amarelo)
Desviei a vista para o birô da atendente-secretária do outro lado: ignorando um pouco os sons do ambiente eu a via bailar com destreza e harmonia de uma sala de consultório para seu birô, dançando no vaivém de papéis, telefonemas, mensagens de computador e encaminhamentos. Tão perita na arte de dançar conforme a rotina que nem se dá conta da plástica e mística de seus movimentos! A farda de modo algum lhe retirava o brilho; antes, acentuava-o.
- Sr. Joe Sousilva; depois da sra. Laurência, ouviu?
Assim que a velhinha retirou-se, adentrei no consultório; dr. Jerebebel concentrado e sério como de costume; após visar os exames, pediu que me deitasse no leito e observou:
- Está curado; apenas uma pequeníssima sequela quase imperceptível: cicatrização concluída.
- Obrigado por tudo doutor! Espero vê-lo apenas socialmente, agora; se Deus quiser!
- De nada, boa tarde. É só não fazer extravagâncias e se cuidar bem daqui por diante.


(João Paulo Santos Mourão/ dezembro de 2011)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sobre essa estória de "o fim do mundo é aqui no Piauí"

Pois eu te digo, pessoa estranha ou amiga.
Gosto tanto do Piauí, que até o Cão duvida!
Quiseram fazer daqui pejorativo pra fim do mundo.
O primeiro a reclamar foi este poetinha aqui: Torquato Neto.
Você me pergunta: - E quem é que te garante?
- Êle mesmo se garante!, eu resposteio.

Folheando capas de discos dos idos de fins de '1960 a fins de '1980,
de tudo enquanto se ouça em MPB, muito há letrado por este nosso poeta.
Aliás, muita e vária crítica por êle expressa surtira efeito ante novos e novas artistas:
a turma da época de ouro dos Festivais e campeã de discos da MPB de então
(Elis Regina, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, GeraldoVandré, Mª Bethania, Jards Macalé).

Mas o que desejo dizer aqui é da oportunidade contextual do movimento dos sociopoetas porvir
(apesar da minha incompetência poética e até certa desmesura crítica);
que o Piauí é ninho de grande leva da intelectualidade nacional deste país chamado Brasil,
e também que é cenário de vasta gente de renome em literatura e linguagem, para falar da realidade
sem abstrações metódicas mas com aproximações enérgicas e entremeadas de pautas sociais.

Fazer poesia não é só falar com a alma, com o coração, com a imaginação, com a saudade;
nosso fazer poético vai falando sim, com o espírito crítico, com a mente, com a realidade, com a sensação e [a sensibilidade.
Fazer poesia não só nos encartes de livraria, nos livros de brochura, nas revistas de circuitos literários;
fazer poesia sim nas cartolinas, nos cavaletes de papelão e nas faixas de rua: "a poesia nua e crua" conforme [o citado poeta piauiense acima.

E pra não dizer que não falei das foices, machados, martelos, estrovengas, rifles, espingardas, enfim...
queremos a poesia social que sinta, perceba, associe, pense, reflita, escreva, emita, represente, entenda a realidade de nosso Piauí. Uma palavra é uma arma; mas arma virtual, que pode em seu uso sensato evitar muitas mortes e mortandades. Uma poesia é uma manifesto, uma performance, um agir coletivo: por ela se percebe um mundo em volta que às vezes nos passa despercebido, em esconderijo premeditado por outrem.

Para mim, que vivo aqui, Piauí é lugar de encontro: desde os entes naturais (pedras, rios, matas, raios, ...)
até os culturais (norte-nordeste, meio-norte, Poty-Parnaíba, Capivara-Confusões, Sete Cidades-Morro do Gritador, Lagoa do Portinho-Nascentes do Parnaíba, Chapada do Corisco-Casa da Pólvora, etc.).


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Brincadeira Estilística

***
Escrever não é para qualquer um.
Não é, escrever, para qualquer um.
Para qualquer um, não é; escrever.
Não é, para qualquer um, escrever.
(Escrever - para qualquer um - não é.)

: -
 Escrever... não é para qualquer um!
Escrever não é para qualquer um?
Escrever para qualquer um, não é?!
Escrever: para qualquer um não é!
Escrever, não é ? Para qualquer um, não: é escrever (para alguém)!
.
***
Escrever... isso, escrever para alguém: não é para qualquer um!

sábado, 5 de novembro de 2011

POETICVS INVESTIGATIONEM



Geração bem do milênio,
Lembro um dia ter te batizado;
Mal do século fora passado,
E agora vamos já além hum decênio!

De retórica em oratória,
Prosiversar muito bem fomos criados.
Criticamente evoluídos, da notícia à crônica;
eis uma poesia social em dois lados.

“ Mas onde está o homo sapiens piauienses? ”
Não rimou e versou êle em gravuras cavernosas?
E os nativos destes pedreguitos, torrões e enriachados?

Não mantém sobrevivente a arte, da argila aos cantos tribais?
E os enquilombados, que capoeira e culturas hão respeitado?
Ainda bem alguns d’além mar historiografaram com respeito tudo isto...

(Mas o rebelde verso listrado em branco e negro aqui está para vós pensantes!)


João Paulo Santos Mourão.

04/11/2011