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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
CIRANDA SAUDADE
E quando a saudade aperta eu corro depressa pra beira do mar
Olhando a lua cheia, ó minha sereia onde andarás?
As águas serenas da noite reluzem estrelas do céu a brilhar
É pena que nenhumas delas carregue o brilho que tem teu olhar
Desatinado no peito o meu coração se põe a cantar
A mais bonita das cirandas, minha seria para te encantar
Desatinado no peito o meu coração se põe a lembrar
De pé descalço na areia, desenho teu nome na beira do mar
Marcos Silva
domingo, 19 de agosto de 2012
No espaço-tempo
Uma semente em pluma
Leve entrepôs-se
Entre o vago olhar
Dos seres dispersos
De um mundo incolor
D'alma inquieta ausente...
Germinou a semente raiz
Frondosa copa de saberes
Atraindo colmeias que
Espalham em suas asas
Poesia, aromas de sonhos
Que aguça viajantes
Que não querem partir
Os que vieram
Os que veem
Os que ainda estão por vir
Vida longa, SPPV!!!!!
Marcos Silva
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Braseiro
O sertanejo quando ouve o ronco do trovão
Sobe na ponta dos tocos com a maior satisfação
Sem munição na barriga
Se atraca com as formigas
E se alembra da precisão
Perante o campo falho e ardeloso
Estéril, à servidão do sol impiedoso
O homem sabe esperar
Resiste em lutar
Por mais que seja corajoso
Ao semibreve e agudo som da cigarra
Ecoando a vasta costaneira
O homem não se curva
E até que chegue a chuva
Vence a fome traiçoeira
Marcos Silva e Pedro Lopes (in memorian)
Vigilante da nação
Pelos poderes da gasolina e da aspirina
Pela certeza da claridade do poste que te alumia
Pela severidade da lei que aos ricos refugia
E que entrega o moribundo às arestas da agonia
Me faço de alto falante
Alto de metáfora, falante por falta de via
Se deveras fosse minha essa tal autonomia
Creia, amigo de verdade, que o tal voto valeria
Não seria insanidade propagar pela cidade
Que certo mesmo seria zelar pela honestidade
Não seria criticado quando falasse enfezado
Que quem rouba deveria ser posto no cadeado
Mesmo assim pelos conformes me ponho à disposição
Vou ficar aqui velando pelo sim e pelo não
De olho nas falcatruas, nos palácios e nas ruas
É por isso que me chamam vigilante da nação
Marcos Silva
Estandarte
Desenrola o carretel de linha
O vento enverga a tala
A seda estala ascendente
Ao céu o losango se iguala
Vibrante cor leve a dançar
Seu braço delgado, ó menino
Parece lhe acompanhar
Trinômio perfeito na Terra
Menino, a pipa, o ar.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Quando a poesia (Des)prevalece
Casas entre postes. Mulheres à sombra de postes. A sombra do poste é curta. Um homem vai devagar, um cachorro vai devagar, um porco fuça o esgoto, um menino vai devag... Xí, porco! Xô, xô, xô!!
Marco Silva
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