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terça-feira, 14 de junho de 2016

A cada noticia em dias de ira Mortes por todos os lados

Ribs

Estamos em dias de ressaca
O mar vem e derrubou o que viu pela frente
O mar estava sem controle
O mar veio e levou muita coisa
O mar é deverás preocupante
as vezes vem
as vezes volta
Mas sempre traz consigo aquilo que nunca esperamos
mas que sempre estava a flor dos nossos olhos
O mar dessa vez trouxe aquilo que o valor tradicional teima em negar
(...)
O mar não estava louco
O mar estava seletivo, O mar ainda estava bom para surfista
O mar não era cristão, não era budista, não era islâmico
O mar da Flórida trouxe a Homofobia em sua ressaca de ódio, sem controle.

Miguel Coutinho

terça-feira, 10 de maio de 2016

Os secundaristas


A geração antes, antes de mim pintou a cara e beijou o patrão
A geração antes de mim ficou perdida e bateu com a cara na parede
A geração que estou ainda tenta, mas fica presa a coisas idiotas
A geração que está vindo depois de mim...
A geração que está vindo depois de mim, essa sim, está honrando os que morreram antes, antes, antes de mim
Espero que a geração que virá depois, depois de mim, elaborará o verdadeiro mundo que outros tanto tentaram.

Miguel Coutinho

Ai que vida


Crescendo com as tão paredes brancas
sem vida, sem pinga, sem um pingo de cor
Andando em vielas turvas, intangíveis, invisíveis
Acordando com o canto das sirenes, de tiro, de polícia, de hora aula
Dançando ao som dos despertadores, incolores, arrastado, verdadeiros atores
Cantando os 7 passos para se conseguir um bom emprego, tem que ter cabeça erguida, sem arrego
Admirando a arte da impossibilidade de viver igual se prega nas televisões, vida tosca sem canções
Exercitando os músculos nas hastes dos ônibus
Tomando cafés para ter mais de 24 horas no dia
Esquecendo que a vida vai para além de 3 salários mínimos, bem meninos
Tocando as notas musicais dos vídeos aula
Achando que ser saudável é terminar a vida que disseram
Ai que vida, ai que vida, ai que vida...
Ai que vida, ai que vida, ai que vida...
E ainda se perguntam por que tanto diazepam e tanta ritalina...
Ai que vida, ai que vida, ai que vida...
Ai que vida, ai que vida, ai que vida...

Miguel Coutinho

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A cor do trabalhador

Trabalhador rural - Gisele Menegasse

Temos em nossas peles a cor de café,
Alguns nossos são cor do melaço da cana,
Cores mais lindas da beleza humana
As vezes com um pouquinho de leite
Cor café com leite, as vezes mais leite que café
Alguns tem cor de mel
com olhos da cor do céu
Céu nublado, céu estrelado
Céu "bonito pra chover",
Céu que as vezes não se vê
Somos a cor do corte do pau-brasil
a cor da cana-de-açúcar
a cor do café
a cor da fuligem das fábricas
do pau-de-arara
do bóia-fria
a cor campo
a cor da enxada
a cor da cidade
a cor do navio negreiro
a cor do Brasil inteiro

Miguel Coutinho Jr., 2016

Se eu quero, fui


Se eu tomo chá, está errado
Se eu como chocolate, é gula
Se eu sinto dor, analgésico, procure um médico
Se eu bebo café, não deve
Se eu bebo suco, falta dinheiro
Se eu uso pomada, que frescura
Se eu estou cansado, erva cidreira, tente dormir
Se eu estou triste, conselho, você é capaz, você vai superar
Se eu estou assim, é assado
Mas se é comprado, comunista
Se eu quero, não posso
Se eu desejo, impossível
Se eu aprendo, é obrigado
Se eu quero você, tem trabalho
Se eu quero viver, salário

Miguel Coutinho Jr., 2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Ensaio sobre a loucura numa insônia qualquer


Era 01:00 hora da manhã, madrugada silenciosa e escura quando a loucura olhou pra mim e disse:

_ Tu és louco por simplesmente ter algo concreto em acreditar.
_ Tu és louco por não se submeter a farsa que os outros já estão apaixonados e seduzidos.
_ Tu és louco por teres princípios e firmeza no que acreditas.
_ Tu és louco por falar a verdade e romper com o que lhe foi imposto.
_ Tu és louco por não te convencerem em nome do maniqueísmo corrupto da pilha com o prazo de validade vencido.
_ Tu és louco por sonhar e quereres fazer do seu sonho realidade.
_ Tu és louco por dizer o que os outros tem medo de dizer.
_ Tu és louco, impulsivo, vanguardista, espetaculoso por apenas não defender a quem já lhe bateu de chicote.
_ Tu és louco por propor o que vai além da quadrinhos dos jornais.
_ Tu és louco por apenas fazer os que os outros ficam no dizer.
_ Já te chamaram de Moisés, por quereres abrir o Mar Vermelho.
_ Já te chamaram de farol por queres iluminar os caminhos dos navegantes perdidos.
_ Já te chamaram de sectário por não querer aliança com Capitães do Mato.
_ Já te chamaram de vanguarda, já te chamaram de tanta coisa.
_ Uma pena que os que mesmos que te chamam destes nomes são os mesmos que fecham vários Mares Vermelhos, apagam diversas luzes de faróis, combatem tantas vanguardas e hoje paqueram Capitães do Mato.

Loucura, por que não me beijas?

Miguel Coutinho Jr., 2016

Os reformistas



As máscaras estão caindo.
As máscaras dos falsos profetas, dos falsos guerreiros, e falsos comandantes
A carne por de trás das máscaras são podres e cheias de vermes
Não há caixões para tantos corpos sucumbidos depois de tanta mentira
Falta tanto caráter por de trás das armaduras que o cheiro já não permite aproximação alguma
Eis aqui os falsos militantes!

Miguel Coutinho Jr., 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Amigo


Amigo, por que andas assim tão perdido?
Nossos inimigos estão cada dia mais ousados
Amigo, estamos num momento difícil, estamos em tempos de conversar
Senta aqui cara, nós precisamos conversar
Roubaram-nos mais uma vez, não é hora de brigarmos
Vou ali pegar um café para nós dois
Amigo, das coisas mais catastróficas da humanidade
a pior delas é estarmos distantes
Ambos sofremos do mesmo mal, nossa causa é a mesma, precisamos conversar, precisamos nos organizar
Amigo, não seja tão assim
está aqui o seu café
Como você está?

Miguel Coutinho Jr., 2015

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Meu luto


Em memória dos trabalhadores mortos em Chicago, eu luto
Em memória das trabalhadoras mortas por se manifestarem no 8 de março, eu luto
Em memória dos camponeses da Rússia, do México, mortos por lutarem, eu luto
Em memória àquelas que morreram na Espanha e aqueles que foram exilados da América Latina em anos de ferro, eu luto
Em memória à todos eu visto preto e luto!

Miguel Coutinho Jr., 2015

Tá difícil, tá roça

Sorridi anche se il tuo sorriso è triste, perchè più triste di un sorriso
triste c’è la tristezza di non saper sorridere. Jim Morrison - Andrea Zordan
aqui

Está difícil pensar no impossível
Está doloroso sorrir todos os dias
Está difícil escrever poemas
Cantar melodias que fazem sorrir
Está difícil caminhar, acordar e beber água
Está permanentemente difícil terminar esta poesia
É tanto grito entalado sobre tanta coisa engasgada
que está difícil escrever coisas que nem deveriam existir.

Miguel Coutinho Jr., 2015

Nosso estado social


Que estado é esse que estou?
Que estado é esse que me deixa assim?
Que estado é esse que me tira o suor?
Que estado é esse que me domina?
Que estado é esse que não me deixa viver?
Que estado é esse?
Que estado é esse?

Miguel Coutinho Jr., 2015

(Por que não acabar com esse estado?)

(Por de trás do meu coração)


Sobre a cama tantos ditos
Livros, cadernos e escritos
Milhares de insultos num mundo de dor
De pedra, bate coração que seiva
Jorra, poetiza e acalma
Sou poeta que ama mesmo com fome
De que me vale beber?
Queria apenas um beijo teu
Para sonhar com um mundo
Que possamos, juntos, num jardim viver

Miguel Coutinho Jr., 2015

Meu partido não tem pé, não tem cabeça, mas tem coração

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Por esse tempo


Quem chama de tempo
os instantes escorridos desses dias?

Corremos, num time que trememos:
não cumprir, desviver, atrasar, perder
o tempo parece nunca ser; já foi, era
enquanto o timoneiro aflito da rotina
teme temporizar sobre segundos perdidos

Segue, siga a saga e a sede que suga
tempo, já dizia outra poesia,
não pode ser o jazigo;
traz consigo,
o olhar, o vivenciar, o lutar por outro mundo,
o cuidar mútuo, o ombro a ombro, o amor e o devir,
caindo vagarosamente
pela ampulheta das vontades:

tempo é gerúndio
e que corra assim, toda realidade

André Café, em referência `poesia Tempo, de Miguel Coutinho

O tempo


Não se passam anos, viradas de anos
Apenas passam-se meses, dias, horas, minutos
Vão passando dores, sofrimentos
Numa eterna correnteza por pontes decaídas de enchentes
de rios que transbordam
O tempo não parou, não continuo, não passou, não é poesia que passarinho
O tempo vai passando, e tudo é empurrado
As vezes deposita no fundo, as vezes diluída, as vezes na superfície
O tempo não parou, não passou, o tempo vai acabando e vai passando
O tempo, o tempo é gerúndio

Miguel Coutinho Jr., 2015

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Teresina-Terehell-Terecéu


Menina Teresa,
Menina Cristina,
Imperatriz?
Dos sertões, do cerrado, da caatinga, dos cocais...
da miséria
Sangue cajuína, suor de cachaça
temperada
O buxo quebrado
de tanto sarapatel
Nadando violentamente contra bueiros
refletindo no Poti
Assoriando minhas mágoas no Parnaíba jorrar
Ummmmm, que saudade do capote Estaido
Quem deverás lembrar da Frei Indignada?
Ummmmm, da Lesteira elitizada
suburbunamente calazarizada
amebizada
Menina ferina
ciranda cirandina
água, chuva, chegou Janeiro
pesqueiro, piracema, sombra da mangueira
sobre as folhas do cajueiro
um camaleão caminhando pro caneleiro
ipê-amarelo, Troca-Troca, navegueiro
Forrozada, reggaeada, rockada, regionalizada
Cultura abastarda
negligenciada!
O Cacará anuncia o gabirú na lagoa
Andorinhas de agosto, setembro
calor
BR eita piula Ó BRÓ
Avante caburé, mucura, soinho, gabirú, carcará!
Vento seco, levanta o voo socó
Pindura a carne seca,
corre-corre pra madrugada
Pitando a porronca
socorre a Não-Se-Pode
Vila Irmã Dulce, Vila Velha do Poti
Corre ali pra sacudir
a falta de lambari
Poti Cabana?
pobre pobre na varanda
assistindo o coroné passear
Teresina
Terehell
Terecéu
Amarelo queimado no gramado
é fumaça, é arado
Forte sol do Equador
metálica sombra de verão
Teresina
Terehell
Terecéu

Miguel Coutinho Jr.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


De um lado vejo pessoas querendo cozer minha carne
Vão amaciando-a aos poucos
com políticas sociais que temperam minha carne
e acalentam meu povo
Do outro lado vejo um grupo de pessoas querendo assar minha carne
Colocam-me na frigideira e fritam-me ao gosto do freguês
cortam gastos,
sem piedade do meu povo
A diferença entre os dois grupos está no tempo que preparam a carne
mas no final, irão devorá-la até o osso
Meu povo, num período de crise do capital,
como um animal desesperado, à beira do matadouro,
divide-se em dois:
uns querendo viver um pouco mais, cozendo no fogo das empreiteiras
outros desejando a fritura imediata pela multinacional
Mas não se preocupem, todos serão devorados
Por empreiteiras e multinacionais
só depende da preferência

(Miguel Coutinho Jr., PT versus PSDB, eu voto nulo 2014)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Tiquinho de tempo


Eu só queria ter um tiquinho de tempo
um tiquinho bem tiquinho pra poder sorrir em versos
Se me dessem mais um tiquinho de tempo
vários contos de Celso ecoar
Como nesse momento eu queria mais um tiquinho de tempo
pra rever meus textos, minhas prosas, minhas poesias
Se me dessem mais um tiquinho de tempo
quem sabe mais outros tiquinhos de tempo poderiam
quem sabe,
tricotar de poesias e artes pelas ruas
Hummmm
quem me dera mais um tiquinho de tempo pra conspirar
contra melancólias sistêmicas de pura escravidão
prisão, servidão, maniqueísmo, promoção
Um tiquinho de tempo pode ser muito perigoso
muita arte na rua, no papel, na internet
desperta fúria de mais tiquinhos de tempo roubados
Por falar em tiquinho de tempo,
Tchau!

Miguel Coutinho Jr.

sexta-feira, 11 de abril de 2014


(Des)
legislize-se
(I)
legalize-se
A lei
não
vive
Oprime
Des-etique-se
ética
que?
Para...
Por...
quem?
Produzidas
Censurar!
Lei
Onde?
Quando?
(Des)legitimar
Criminalizar
Confirmar
Proteger
Manter
Eu
Você
Nós
Não
Eles!

(Miguel Coutinho Jr.)

Parece que cada letra junta a outra letra e vai sumindo na imensidão da mente
Em um turbilhão de palavras e nomes que se dissolvem no mar do conhecimento
Molécula do saber que atordoa durante dias
Num tic tac ininterrupto de hora em hora
Ahhhh, sai da mente, doces palavras.
Do peito à alma
Vaza, extravasa, inunda, consome e tic tac!
Varre a lição do dia a dia
Tic e tac, tic e tac e mais tic tac
Horas contadas e reduzidas em 4, 3, 2,... Não chega ao número 1!
Ahhhh, horas, palavras, sílabas, letras... Provas
Prova, prova, prova, prova...
Mundo preso em numerações
de 0 a 10
e por que não acrescentar décimos e centésimos?
A exatidão só é útil quando é conveniente
Respirar em números
Horas, notas, sílabas
A, b, c, d ou e??
A-l-i-e-n-a-ç-ã-o
Doutrinação
Prove que a prova é prova!
Marque, escreva, apresente, discuta.
Falta apenas uma hora.
Miséria, apenas uma hora!
E entre somas e divisões
Uma média que decide seu futuro
Sua correria do dia a dia
Almoço, sono, futuro.
Cultura e educação
Em segundos de uma real alucinação
Conhecimento fluindo por entre os dedos
Repetidos num tic tac alucinante
reproduzidos como verdade idealizante
num rotina de um estudante
Cansado de ser apenas mais um com tantos medos

Miguel Coutinho Jr.

Há ditadores que são contra ditaduras
Há opressores que são contra opressões
Há governantes que desejam a emancipação do povo
Há libertação e mudanças no Sufrágio Universal
Há justiça no mundo
Há, até, ironia nestas palavras

(Miguel Coutinho Jr.)