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quarta-feira, 28 de março de 2018




Tirando o óbvio
O que já foi dito
Proclamado
Escrito, digitado
Desejado e contido
O que mais tenho para tirar
No gesto mais nobre enquanto ser humano
Tenho a me despir
Desnudo sim, a qualquer instante
Mas despir minh'alma perante teus olhos
Sem nenhum pudor

Victor Barbosa

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

09


Ainda que chama pouca, mas existe. E chama, sempre clama, vem você também! Tem risos, cores,
flores e amores. Como amar é resistência poética em tempos tão destemperados. No meio de um incerto nascedouro, 2006 era o ano, e daquele com um sorriso mais acolhedor, se fez, surgiu, desceu para o mundo, se disse menina e abriu os braços para um abraço sem fim em permissão e coletividade.

E a menina cresceu, em uns anos ficou quietinha, tantos outros esbravejou até arder os olhos em poema, que escorriam nos coretos e paredes, ônibus e lugares da cidade. Mais uma vez tá quietinha, escutando um bom som subversivo na rádio, num cochilo, num suspiro, numa eternidade, numa lucidez, num crescer. 09. Se serão mais, se será talvez, de vez acabe, de começar.

09. Na ciranda de ida e volta, sintam-se parte, quem partiu, quem pariu, quem partou, quem permanece, quem aquece. Num grude, mas grude, abusa, pinta, grafita, histeria. A cidade, pelos cotovelos, ecoa na beira do Tucuns um chamamento. Vamos ressignificar? Vamos sentir, sentir-se, além de todos os espaços possíveis. Criança ainda, mais de andança muita; Pulou riachos, cercas e quilômetros; no Espírito Santo fez e tem morada e viaja até Vanuatu. Nós, expressão; produção aos ventos; liberdade, crítica, maturidade. Menina transgressora.

09. Pra mais anos num barco ao sabor da água da inspiração, se movendo e removendo arestas, obstáculos, descansos. Muito prazer, quem sabe numa passagem de segura, todas as vibrações em rebeldia e arte, retornam e explodam em giros, saudade e piração.

André Café

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cálculo renal

(Ou, do atalho para o caminho mais distante entre a tinta e a sua cor)

A mão que cria
dá brio ao inusitado
e concomitante espaço
onde toda pluralidade
não passa de engodo
e ressonância atravessada
de discursos inteiriços
pouco dispostos à confluência
timbres renitentes
em indefinidos toques

"Volta o cão arrependido"
volve a vulva nesta chuva
relampeiam clarões
quem entender algo louco estará
quem buscar entrelinhas em entrelinhas
tempo perde

Antes da noite
e depois do morno amanhecer
as pressas continuam a conduzir as vidas
os passantes concatenam
ludibriados com a distração

Isto não é poesia.

sábado, 27 de abril de 2013

Saudade...

Naquele dia
Nossos olhares se cruzaram
E feito borboletas
A brincar no jardim
Confundiram-se
Perderam-se
Dançaram sem ensaio
Mas em sintonia perfeita
Aquela música
Que por horas
Se fez nossa única trilha sonora
Ficou presa a minha memória
...
Sem despedidas
Fomos embora, nos abandonamos
E feito tantos casais por aí
Nos perdemos um do outro
Nunca mais beijos, olhares
Nunca mais aquela música
Nunca mais dança
Apenas saudades.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Genética da poesia: frases soltas e conspirações



Me transportando ... leveza com suave sabor de agitação grão a grão, passo a passo, tempo e tempo
ao que sinto o universo molecular que respira em cada um, e outro e anum ao que sinto miscigenar a sujeira, com o barro, a cal e o carvão. Misturando-se coloidal, volátil, na carne e no verso

Quem sou produtor? Quem sois produção? Quem somos nós tão juntos? De onde vamos para onde viemos? Somos em senos, tangentes e perpendiculares somos mares de aminoácido, coarcevatos, caldo multicultural de vidasomos vida, somos ida e partilha; e voltas e trovões, revoltas e canções
espiraladamente somos

O ser que se transmuta e em cada quadro se colore ou desbota, fecha e abre portas, catando da remela caramelada do canto do olhar profano, a rima jogando pra cima num cisco de segundo, para no fundo do ventre fazer cadeado com céu e com chuva, com relva e noite, com aromas e sabores, deixando ser, deixando acontecer, formando junto ao barro que me forma, deformações, radicais livres

Eu me partilho, me dilacero em tantos ramos, conectando-me proteicamente as ramas e raizes sem diretrizes num abraço visceral entre essências e poemas

André Café

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Será Arte?



O riso afrouxou
A vista se 'alevantou'
O sangue ferveu
O corpo se 'arremexeu'
Ja deu vontade de viver
So da vontade de te ver
Prosiando por toda a parte
Com o fio da tua arte

(Alice Alencar)