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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Todo tempo é irredimível



Vasto campo de amor,
destroços de paixão
largados na paisagem
de nuvem, água e verdura

Assim se resume esta saudade

Não se redime o tempo
(tempo algum se redime)
sobretudo
o tempo nutrido de suspiros

Eis aqui, senhora, o tempo,
o tempo em minhas mãos
que deposito
a teus pés,
pois te pertence,
já que na tua vida
foi vivido

Terias coragem de dizer
que foi tempo perdido a nunca mais?

Jamais, pois sabes
que foi tempo venturoso
feito
de roçar de olhos
e pele arrepiada

Nosso tempo, espalhado no vasto campo
entre os destroços da paixão,
é tempo eterno,
irredimível.

E nós, condenados a ele,
refulgiremos para sempre
nas retinas
as luzes, os fogos, as cores
e a pulsão daqueles dias
em que tudo parou.

Aproveitar e acreditar:


A VIDA É BELA,
O CÉU É PERTO 
E O MUNDO É UMA MARAVILHA!

Basta a gente acreditar e correr atrás.

Peregrino



Era uma vez um perdido
Peregrino por entre as estradas entrançadas
Escondido nos bosques indianos da memória
À procura de encontro
Às escusas para aparecer
Se perdendo, queria se achar
Silenciando, desejava falar
Um dia ele ouviu o que uma dama tinha a lhe dizer:
É cedo? Por certo, mas nem todas as grandes obras da humanidade foram feitas em centenas de anos, e muitos dos mais incríveis acontecimentos só existiram por alguns minutos. Entretanto, para o caso de haverem dúvidas pairantes, deixemos o tempo passar.
Por todas as vidas que desmoronam à nossa volta, a concessão de construir.
Seiva vital, juventude eterna, espíritos pulsantes..
E se tudo acabar, então sigamos como Drummond: agradecendo, apreciando e retendo o que houver de melhor.

Denise Veras

terça-feira, 25 de setembro de 2012



E eis-me aqui, uma mulher de quase 30 anos, mãe, esposa, mulher ainda procurando o sentido da vida.
Em minhas memórias guardo bem claras lembranças de meus pensamentos acerca das muitas intempéries que a vida nos guarda, que o mundo nos mostra. Lembro-me de achar que aos 30 anos eu já seria suficientemente vivida, experiente e madura. A surpresa foi perceber que hoje, perto da terceira década de minha existência, ainda tenho as mesmas dúvidas, ainda guardo as mesmas angústias de anos antes.
O tempo não me trouxe tantos prodígios quando eu imaginava, não me proporcionou tantos frutos quando esperava. Um tanto frustrante, é verdade, mas serviu para me fazer refletir sobre frases clichês que nos fuzilam diariamente: “com o tempo você vai entender”, “na hora certa você vai perceber”, “chegará o momento em que isso não vai mais te angustiar”.
Quanta tolice! Ledo engano crer em tais assertivas. A vida é essa Montanha Russa mesmo, como inteligentemente metaforizou Martha Medeiros. E se eu pudesse traduzir em palavras meu sentimento sobre as oscilações ao qual somos submetidos, eu diria como o poeta matuto Pinto do Monteiro:

“Eu comparo esta vida
à curva da letra S:
tem uma ponta que sobe,
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece.”

E é assim mesmo que continuo vivendo, crendo que minhas dúvidas, incertezas e angústias não se dissolverão com o tempo, mas que a cada uma delas minha verdade interior poderá responder, pois nenhuma amarra é capaz de dar ao homem o que ele só pode ter com a sensação de liberdade plena. Cabe a ele saber quanto ela vai lhe custar e que preço está disposto a pagar.

Denise Veras