Mostrando postagens com marcador Tassi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tassi. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 5 de maio de 2016
O Eu das vezes.
Dos dias de brilho frio: The Dreamer.
O sol já canta fino, assinando, pouco a pouco, o rosto recém despertado.
Dias assim lembram da beleza de estar só:
cabelos sujos
roupa gasta pelo tempo
a voz rouca,
um suspiro de outono próximo.
Algo sem demais cuidados: casa por limpar. peças distribuídas por todos os cômodos.
Há aqueles que quando pensam em felicidade,
remetem a grandes aventuras, a fugas, à família, ou mesmo
à liberdade dos pássaros.
Não.
Na poesia friccionando meu corpo,
Num entra e sai sem espaço para prosa,
um balde cheio de café requentado
faz borbulhar um ontem cheirando vontade.
Tassi
terça-feira, 3 de maio de 2016
Um encontro com Juliana
Eu gosto do jeito latino das brasileiras que se aceitam brasileiras. Mas devo confessar que não sei o que as diferencia das outras nacionalidades porque, no fundo, é a latinidade em si que me toca. A pessoa é latina, tem jeito de latina e vive a vida aceitando essa latinidade, essa brasilidade. Não é algo sensual como se diz lá fora, nada que sexualize o nascer brasileira, o viver no sul do mundo. É um jeito apenas. E é isso que me agrada nas mulheres brasileiras: essa coisa de aceitar ser daqui e viver como se, de fato, fosse daqui. Sem grandes imposições de outras culturas.
Há duas semanas eu conheci uma brasileira. Mas ela não parecia ser dessas que aceitam suas raízes, seu carnaval, seus orixás. Sinceramente, ela não parecia ter essa nacionalidade, nem tampouco ser latina e, em realidade, o fato de eu saber que ela era brasileira e falava português com um sotaque que eu desconhecia, pois nunca ouvi sua voz, parecia ser a única coisa que nos trouxesse algum tipo de aproximação. E só.
Mesmo assim, essa brasileira estrangeira tinha algo em seu jeito que me encantava de tal modo, o que me fez criar um mundo a ela.
A começar por seu olhar tímido que parecia não acompanhar seu corpo confiante. Era um modo blasé de ser sem saber que se está sendo. Era algo que me remetia a uma artificialidade mais natural que já havia visto. E eu, no passar dos dias, ia julgado mil características a ela que nem sei se, de fato, as tem.
Talvez faça um esporte diferente, como remo, por exemplo. Mas ela não me parece gostar muito de água, me parece mais pé no chão. Não sei! Quem sabe tênis?...
Talvez tenha viajado ao Japão em 2012; fale francês e mais três línguas; desenhe mulheres nuas, ou coisas abstratas que nunca iria conseguir interpretar. Parece não gostar de nada que remeta às brasilidades: nem samba, nem funk, nem rap, nem nada que soe um pandeiro, um tambor. Parece ser do jazz, do rock, do blues. Não parece leitora de clássicos. Tem tom de geração y. Talvez nem goste de poesia. Quem sabe seja leitora das pequenas crônicas ou dos romances contemporâneos.
Eu dei um nome a ela: Juliana. Pensei que, ao menos, o nome seria BEM brasileiro! Depois descobri que nem esse nome ela tinha.
Nos fins de semana, deve prezar pelas comidas mais refinadas. Enquanto que semanalmente se contente com um simples macarrão instantâneo. Não acredito na possibilidade dela gostar de misturar doce com salgado! E, de igual modo, não me parece gostar de verduras e nem de frutas (quiçá as cítricas...).
Entre filmes e séries, deve optar pelas séries!
Nenhuma característica atribuída a Juliana me faz achá-la mais interessante. O que pesa é eu não saber porque Juliana me encanta.
Descobri seu signo e seu telefone. Mas jamais estabeleci contato.
Um dia a encontrei no ônibus. Foi tão inesperado que eu parecia estar dentro de um filme hollywoodiano.
A vi quando sentei. Ela estava dois bancos a frente de mim. Reconheci pelo tanto de pulseiras no braço. Não podia ser! Era ela? Depois vi o cabelo...Não tinha como não sê-la.
Nunca havia encontrado alguém que eu julgue importante dentro do ônibus. Sempre tive algumas elucubrações a respeito, imaginado algo parecido com outro alguém, mas nunca o acaso havia contribuído para tal acontecimento. Mas aconteceu. Ela estava lá! Olhava fixo pela janela. Não sei se ela havia me visto, mas que passei por sua frente, passei.
Pensei que logo ela desceria e iria me ver. Eu não sabia como me portar. Meu cabelo estava sujo e eu estava com sono. Queria dormir naquele balançar do ônibus. Mas não. Permaneci lá, de olhos abertos, esperando-a descer. Porque ela havia de descer antes de mim!
Eu tratei de arrumar minha postura. acho que ficaria mais bem apresentado. Arrumaria o cabelo para que lado? Peguei um livro. Acho que seria a melhor forma de parecer interessante. Era um livro bom, mas era verde limão. Quem, em sã consciência, acharia interessante alguém lendo um livro com capa verde limão? Iria parecer algo sem importância. Talvez um auto-ajuda. Tratei de esconder a capa. Também catei um lápis que havia guardado. Porque não me bastava ler, tinha que parecer que eu estava me apropriando de algo.
Eu não entendo o motivo, mas meu coração veio a boca quando ela se levantou do banco. Ela iria descer pela porta mais próxima a mim. Ela me veria e eu estaria lendo.
Eu estava de cabeça baixa tentando espiá-la de rabo de olho, mas não consegui ver se, em algum momento, ela chegou a me observar. Resolvi tirar os olhos do livro. Por que não olhá-la? Agora pouco me importava, queria que me visse e os olhares se cruzassem! Mas, ela não se voltou a mim em nenhum momento sequer.
Essa cena até me lembrou do personagem de A Docil, de Dostoiévski, o qual, ao abrir e fechar os olhos repentinamente e observar Lukéria apontando a arma sob sua têmpora, não soube dizer se, naquele breve instante, ela o tinha visto olhá-la. Ele nunca soube.
Eu também nunca saberei se houve esse tempo/espaço de contato entre um olhar e outro.
Guardei o livro e dormi enquanto não chegava a hora de eu solicitar a parada. Cheguei a sonhar que havia recebido um sorriso de Juliana...Mas quando dirigi meu corpo e meu rosto para trás, percebi que não era para mim.
Eu não sei o que ela tem, mas me fascina!
Tassi
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
MÃOS. MINHAS MÃOS! É certo que as tenho observado constantemente nos últimos dias. Tão pequenas e encolhidas em meu mundo. Às vezes, discretas, tímidas, dentro dos bolsos, quando não na boca, enfiada aos dedos entre os dentes. Vinte e cinco ano de mãos, quase vinteeseis. Já não são mais as mesmas que antigamente, mas têm me equilibrado aos montes em todo esse tempo.
Talvez agora trabalhe mais e embora eu não tenha mais o calo no dedo anelar da mão esquerda, meus calos estão em outras partes do corpo.
Mãos com unhas fracas, esbranquiçadas, sem força e sem cortes. Sensíveis ao sol, sem linha longa da vida. Las manos! Tenho as duas. Elas que percorrem meu corpo quando preciso de carinho e me molham de prazer ao ser ausência. Mãos amadurecidas, de contato, de mãos apertadas. Sem pressa. Massageiam corpos que não são os meus; abraçam outras mãos, translaçando os dedos. Uma com a caneta na mão, a outra segurando um dos joelhos ou apalpando uma das pernas. Canhota ao escrever, ao apontar, ao girar a chave e puxar o gatilho. Confesso que a esquerda me domina.
As mãos já não me traem, me atraem. Não me seguro nos prazeres. Vou inteira. Se não gosto: enfio-as embaixo das axilas, nego com os dedos. Abro a porta, vou embora. Se gosto: fico, abraço, puxo. No nervosismo, à suo, a roo, a engulo. Com fome, cheiram a alho.
Sem reza. nem para trás nem para frente. coçando o nariz ou os olhos. por vezes, limpando lágrimas. sem anéis, sem tinta, sem nada. Do apuro, recuo.
Tassi
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Se sonho, pesadelo.
Enquanto ele dormia, repensava sobre os dias que deixei de registrar os des(amores) da vida. Regava a flor, sem precisar de sua mão. Para mim, dia. Mas ele dormia profundamente e não conseguia me ouvir, tampouco me enxergar. Eu dançava e, por vezes, falava no ar, mas o momento era como se não houvesse som, como se minha voz fosse muda e minha expressão soasse como desespero. Ele não me via, mas a tempestade já molhava meu corpo todo. Meus olhos, o desafino da vida, ele jamais veria. Surrada, desalinhada, buscando prazeres que a vida não tem. Meio séria, desentendida, semblante vazio. Os encontros já não acontecem, eu não disfarço, não finjo, não minto orgasmos, mas quando acorda só vê a calmaria, me apalpa dizendo carinho e a concretude do corpo o faz pensar que ainda estou aí. Então sorri num desentendido “bom dia, amor!”. E eu o aceito...
Tassi
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Des...
| Mind by moderntroll (aqui) |
CASA-DA
Mesma coisa:
Pretérito Perfeito, Imperfeições explícitas:
Estado estagnado
Ameaça ao corpo e à alma
Mais pelos, mais QUILOS
Menos tesão, mais tv.
Quarto, cozinha – cozinha, quarto.
Fim da linha, início da outra: [....], [....], [....]. Sem picos, salpicos.
Comidas, roupa lavada, banheiro limpo.
Sem quintal, sem varanda, ou abstração.
Sem rima, sem ritmo, sem qualquer coisa, sem vida, sem sexo, sem nexo.
Com-tudo, sen-tidos.
A poesia se perdeu em outras conquistas, em outros chãos.
A despeito dos defeitos, o amor rompeu.
Tassi
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
PSICOMANIA
Ladrilhos no chão
A pá que te cova não arde mais os olhos.
Nem mais o sal, nem o alho refogado
Nem qualquer noção de morte
O medo já se fez parte
E no fazido tomou conta.
Contido, dissipou toda forma de perigo.
Rei das artes, das selvas,
Rei dos felinos, dos filmes antropofágicos.
O que há em meio ao deserto mais árido?
Vales da morte?
A mão se coloca no fogo e a cabeça das rajadas de vento.
Pula a cordilheira, anda no gelo,
Acampa em meio aos espinhos.
O que pode mais acontecer?
Uma dor de cabeça, um dedo quebrado, pés molhados, câncer de próstata.
Um ano a menos, alguns menos batimentos cardíacos.
Um dia sem comer chocolate?
Enquanto cantava que perdera seu medo da chuva,
Descobri que o sim é um passo que se dá no vazio de um suspiro ansiante.
Tassi
sexta-feira, 1 de março de 2013
Um poeta triste
Um fio de chuva cai sobre os meus olhos, entortando o riso que restara do amanhecer
As curvas do infinito desaguam na mente espantosa
que clama pelas mais retas respostas
do que a vida há de ser.
Tassi
Um lugar comum
Estranho é o dia em que meus olhos não se excitam pelo cheiro da noite.
O céu me entope de amores, querendo namorar o que me resta do dia.
Reprimida pelo orgasmo certeiro, porque a lua já não me para de piscar,
Fecho a sobra da janela e me acoberto do que se diz por convencional.
Polanski me prende na tela.
O carnaval se foi e meu quarto não viu.
As pernas da gaiola chutam as veias de profanação.
Tassi
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
'Pra dizer Adeus'
Meu pescoço dói
Minha cabeça dói.
Meu tudo dói
Dói em mim um mundo
O cansaço cria rizomas e não admite qualquer sensação de prazer
Se sorrio, choro porque estou sorrindo
Se festejo, entristeço apenas pelo evento de festejar
Um moinho de vento nas minhas costas
Uma carga pesada me acoberta os olhos
Não me permito gozar o dia.
Me encho de anoitecer.
A lua, a tempestade, o dia cinza: a melancolia me é injetada no braço
Três entorpecentes baratos, somado a um ar falseto e pronto: uma felicidade inclandestina ressurge no meu olhar.
E daí que já odeio as cores cruas e nem quero mais café.
Peço uma salada-de-frutas porque é importante cuidar da alimentação.
Corridas pela manhã
Abdominais no fim de tarde.
Troco a madrugada por um belo pôr-do-sol.
Como é fácil parecer interessante.
Uma foto sorridente com uma descrição de amor e paz para todos.
Tudo isso esconde a vontade de me jogar do décimo quinto andar.
Tassi
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Et infinitum
Atiraram a metade da laranja para fora da janela
Sacudiram a minha vida, me colocaram de cabeça pra baixo
O sangue desceu
O bombear
A pressão
O desnorteio
O desnorteio é falta de norte
De rumo
De rastros que te aponte
A ponte é algo que se passa
Atravessa
que se leva
Cheia de levas é a vida.
Ontem levei um soco no estômago
E no âmago me doeu.
O bucho não sossegou desde então...
E se antes eram borboletas, pouco depois virou azia.
Parecia comichão! Uma angústia que caminhava por todo meu corpo.
Soluços fortes pareciam risos
Ia arrancando,
dando gaitadas
Freava e acelerava feito qualquer veículo motorizado
A tristeza é um prato cheio
Cheio de todos os tipos de solidão.
Solidão ao molho pesto
Solidão à parmegiana
Solidão refogada com brócolis e alho e óleo
Solidão com cobertura de chocolate
O nó na garganta se faz de linguagens!
Eis que o moço falava calmo:
"Isso é coisa pouca para chorares assim"
Eu queria ouvi-lo, mas era dor demais para pouco ouvido.
... E o soluço cantava até desafinar de fininho.
E, aos poucos, me ia finita de infinitudes.
Tassi
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Desmarcar território
O cuspir fogo
No fundo do ralo
Ralo de fundura
Calcinha velha
Cheiro de creme de amêndoas barato e vencido
Toalha molhada que exala tempo
“Mistureba”, dizia-se lá no interior.
"Me masturrrba", gritava lá num filme que passava na TV aberta.
A cor da briga a dois é mais da cor de pastel
Carrega a dor do medo de não ser
De que assunto os domingos vão me namorar?
Ai, a poesia da Ana Cristina...
As teorias já mastigadas das terças à tarde.
Fico fuçando os cantos da sala para ver se encontro cascas de mim
Nenhum cílio
Nem pele de dedo
Nenhum pentelho
Se tivesse, ao menos, um pedaço de unha.
“Cadê-me”? - eu grito.
"Cadê-me"? - sussurro.
E vou que nem cachorro...
fuçando os postes e bundas de tanta gente na lanchonete
O entrelugar
O sem lugar
O ex que não é meu
O ex-estranho do Leminski
De onde falo?
De que falo?
A voz me comeu.
Comeu em mim
O que não é meu.
Tassi
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
MORMENTE
Esbarrei numa dessas frases de efeito de Saramago. Ele escrevera:
"O barro ao barro,
o pó ao pó,
a terra à terra,
nada começa que não tenha que acabar,
tudo o que começa, nasce do que acabou".
A descama quase se dá por encerrada.
Hoje lavei meus cabelos e coloquei brincos.
Rebocada de outras, ando me destaciturnando.
Tassi
A luz do curso
Hoje à noite me raiou o sol.
Veio quente en-char-ca-do,
Escorrendo amarelo-canário no meu pescoço.
Sorriu arreganhado como se tivesse visto una chica de biquíni.
Alarguei a boca dele como se fosse a minha
E peguei duas tarraxas para prender os dois extremos
Egoísta por ora.
Quero que fique assim por um bom tempo...
Desde meu descanso no domingo
Até, quem sabe, as largas noites em Chile
Ou caminando pela Colômbia.
Um ombro se escorou no meu.
Alguém dizia que era bomcorazón
Eu disse que era um balde de coragem.
O coração floresce em agosto.
Um mês que eu não apostaria.
As orquídeas antecipam a primavera.
Um par de girassol sorri ao léu...
"Gracias a la vida que me ha dado tanto"
Tassi
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Para Tassi
Venho sendo o carteiro
de minhas próprias saudades
saudade, saudade, de quem está tão perto
no passo que se encontra ao Sul do meu abraço
Mas as saudades falam de tempos e vidas
através do que você é e reiventa,
nas escritas verdes, maduras e lilás
de um fugaz e incinerante sentir
No por vir, venho em devaneio
pois saboreio alguns significados
guardados abertamente em cada poema grudado
em cadeado pessoal, a vista do mundo
É quando eu imagino o riso, é a hora de ver o som
sinestésico assim mesmo, em tantos tons,
no coreto ou nos corres, na cerveja e nas lutas
Teresinamente Tassi: entre o verde da cidade, você
O céu tocado pelas duas mãos, que devoram o infinito
André Café
quarta-feira, 20 de junho de 2012
O meu conta-gotas
Como conto contado em encanto
sucumbiu-se em pranto
as palavras e o olhar
Pela face corrente, pureza
me salgando a pele, a tristeza,
que nem sei justificar
sSo destas que falo, me engasgo no pio; uma escrita verde, me faz arrepio
O conta-gotas
Me pinga de dentro dos olhos
Que pingados refrescam o queixo.
André Café, citação de Tassi
terça-feira, 19 de junho de 2012
O conta-gotas
O conta-gotas
Me pinga de dentro dos olhos
Que pingados refrescam o queixo.
Amanhã é três sílabas tristes.
Torquato Neto contorna os ouvidos:
Triste madrugada
Tudo e nada
A mão fria, a mão gelada
Toca bem de leve em mim
Tassi
terça-feira, 12 de junho de 2012
Uma morte me cobre os olhos
Uma morte me cobre os
olhos
Sugou-me as vísceras
Esmaecida. Diminuída de
pele
Feia.
Quarto à dentro
Coluna torta
Carne a depilar.
Mulher que se esconde
em um cubículo encardido.
Um espelho a minha
frente para eu não me esquecer de mim
Tassi
A minha Maria
Me antecipo no que
poderia se tornar poético para tentar oferecer um punhado de palavras antes do
teu retorno.
Busco
no frio algo que transcenda a apatia que sinto ao modo como o vento bate em
minha nuca.
Desse jeito penso: “era
mais fácil digerir sentimentos quando você me era mais exotopia, mais longe,
mais lacunas que se intervalavam. Agora que nos carregamos em um lado a lado mais estreito, a intimidade
descasca a beleza do sentir”.
Não que eu sinta menos,
é que quando pisamos várias vezes numa mesma linha, fica difícil pontuar quem
pisou em cada espacinho.
Hoje pela manhã tive um
sonho:
Sonhei
que você já estava em casa
E
no sobressalto voei para dentro do seu quarto
Me
joguei na sua cama dizendo um
Oi princesinha e um parabéns bem cantado
Você
estava cansada como eu já esperava
Mas
como é enérgica ainda trocou algumas palavras
Perguntei
o que eram aqueles pacotes embrulhados
E
de quem ganhara
Você
me disse que era de sua tia e de sua vó
Você
abriu os pacotes
Em
um, eram toalhas de louça
E
em outro era um lençol rosa bebê.
Não
sei se você ficou feliz,
Mas
é bompracasa, eu disse.
Depois
disso você dormiu
E
eu saí dizendo: que saudade!
O que é prosaico pode
dar cor.
O
que é rotina (?)
O
que é silêncio (?)
O
que é hábito (?)
Hoje mesmo disse a
Suzi: “como pode haver tanta beleza em uma dor?”
Fico feliz por estarmos
numa sintonia afinca em que doemos juntas e saramos juntas e deliramos juntas.
Fico feliz por você,
meu reino dos sorrisos.
A sapequecidade é algo
que se cria com a intimidade (disso temos certeza).
Perdoa a minha miúdez. Escolha você a música...
Um rabisco bem embaixo: conversei com Suzi e disse que queria escrever sobre suas lindas qualidades, mas depois pensei: a Mi entenderia a minha secura.
Tassi
terça-feira, 5 de junho de 2012
Sempre entrelinhas
Um pouco curioso o modo como você ressurge. Aparece imbuído de
timidez e com poucas palavras.
É, confesso que a distância da virtualidade me
assusta um pouco.
Constantemente lhe vejo à noite e
é sempre quando mal posso ver a silhueta das pessoas e, soma-se a isso, quando mal
posso sentir as minhas próprias mãos agarradas em alguma lata de cerveja.
E assim acontece:
Você - engarrafado do que é indecifrável, olhando desesperado pelos
lados e assim transparecendo o medo de ser visto – e eu – tentando ouvir cada silêncio que
você não diz -.
às vezes chego a esfregar meus olhos para sentir meus pés no chão...
Tento afastar os entorpecentes que agarram os meus sentidos para estar
mais perto do que se diz por real.
"Ei, volte a si"
"Ei, volte a si, amanhã você vai querer se lembrar disso".
Desta maneira, tentamos calçar alguns
meros assuntos que sabemos haver convergências e, seguindo suas inúmeras
palavras já ditas, arvoro-me de possibilidades do que há por vir e que nunca é ‘vindo’.
E é assim que espero alguma palavra, algum enunciado que me agrade aos ouvidos.
Só ganho o quase.
.
.
.
Embora meus ombros já estejam
relaxados, é como se num sacudir de chão eu voltasse a ver com olhos do que já nem é e, de tal modo, eu continuasse caçando os seus
olhos só para brincar de haver encontro.
Talvez porque seja estranho não doer.
Talvez porque seja estranho não doer.
E ao mesmo tempo que há medo de voltar a ser
Lídia, há medo de rasgar de vez o fiapo que sobra de um linguajar
poético que pouco, muito pouco, nos cola os dedos.
[ a hipocrisia tem cheiro de passado]
[ a hipocrisia tem cheiro de passado]
Tassi
Assinar:
Comentários (Atom)








