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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O que não-falo e não-penso


Fito com a alma
aquilo que não quero estar
como se me transportasse para lá
e na realidade me regasse para o longe

Para um começo
sentimento simples
é a chegada ao fim de
ressentimentos e suas alcunhas

Fito com a alma sem vislumbre
existências de ar no mundo suspenso
aquilo que não-falo e não-penso
é o caminho para o áureo cume

André Café


Haikai zen


Para o firmamento ...
não estar com aquilo é não estar naquilo
para o fim do sofrimento

André Café

Zen


As coisas suspiram voz
não-voz, não-som
a mente que quer sobrepujar
em diversas essências
é voz dissonante
gritante e displicente

Quero que esses sussurros me cheguem
para não ouvi-los, não senti-los
não suplantá-los
num talo enraizado em flutuação
são todas as cores não-vistas
são tantos ganhos sem conquistas

No meu universo oclumente
florescem presenças do ausente
imaginado em não-mente

André Café



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Axé


A gente mistura as duas partes
para colher o melhor sumo
tem sementes de saudade e frutos de axé
positividade e fé

Essa poeira vai baixar
num verso forte deste traço
desenho em letras nosso abraço
pra essa saudade se aquietar


Na falta do real sentir
engasgada a poesia cria
e desfaz feito o magia
o sentido de nos redimir

Yara Silva e André Café

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Contemplo tua presença, Senhor



Raios solares refletem nas folhagens

Abarcados pela leve carícia do vento

O cantar dos pássaros são sinfônicos

Que elevam com veemência as sensações de liberdade

Que se consolidam ao abrir meus braços

para sentir a presença do Criador.

Seria leviano ignorá-lo, esquecendo-se de suas obras,

Da natureza calma e tranqüila

Do som das águas das cachoeiras

Que vão tecendo seus destino causando admiração

Queria ficar mais um pouco aqui

Contemplando estas árvores, cujos galhos imploram

Para serem realçados e enxergarem a Deus, o Criador.

Não quero ir embora e deixar este beleza natural

Vista por meus olhos criados por ele

Na plenitude de sua vontade de sermos felizes

Em profunda harmonia com a Natureza

Eu consigo sentir o toque das  mãos de Deus

Quando uma leve brisa sopra em direção a mim

Eu consigo, sobretudo, prever que ninguém

Será mais feliz do que eu

Porque a felicidade resume-se na intensa

Contemplação das obras divinas.


José Neto Formiga

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Om mani padme hum

Avalokiteshvara

Por janelas e portas o mundo nos envolve
nos novela e entrelaça, faz mandinga
faz relação e acha graça
janelas, passagem para o bem
abertas portas, acesso ao devir
para todo o sentir, campos e essências
de infinitas belezas
cabe ao ser em ser
interpretar suas naturezas
para o que fortifica, liberdade
para o inverso, feche a porta
seja quaisquer sofrimento
ou reino de renascimento
o não tormento, reverso
é alimento e paz
para o resplandecer

André Café


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Parcelas suspensas no mundo do Ar: Somos mandalas

Mandala Humana - André Campos

Onde me firmo?
Que sentido há em se firmar?

Quando sou vazio?
Que razões existem para me esvaziar?

Quem somos relações?
Que complexos nos levam a guerrear?

Somos, acima do sou, do sul e do sal
outrora mito, outrora veredito, por vezes abissal
Somos, expressões em tintas de diversos olores
às vezes poeira, às vezes carne, às vezes o cerne da questão

Somos sim, formas gorgônicas ou barrocas
somos este ser, ou outras pessoas
há em nós a voz natural que jamais se cala

Despedaçados e um tanto de nós em nós
nas parcelas suspensas gira veloz
composição humanística encerrada em mandala


André Café

Ohm


Esperando minha vida chegar
naquele momento de fundo musical
quando as horas passam no relógio lento
onde amanheço ao sabor trivial

Esperando em movimento
sem intenção de esperar
em passo a passo alento
na simbologia somar

Um som predito em fúria
para autoreflexão
suavizante ternura
em corpo, mente e coração

André Café

quarta-feira, 9 de maio de 2012



Religiões que excluem determinado seguimento da população, que sua ideologia é a melhor, que a de outrem, pode-se dizer donos da verdade, baseadas no divino?!
Se a resposta para esta simples pergunta for sim, onde está o principio da comunhão, o de amar o próximo? Isso funciona da seguinte maneira, o próximo realmente no sentido da palavra tornar-se-á quando partilha dos mesmos ideais. Cadê o chamado livre arbítrio,? Está guardado em algum baú escuro, pois muita gente não deixa fluir, fazer realmente o que seu íntimo necessita. Nós não exercitamos o livre-arbítrio, estamos aonde nos convém estar, onde somos aceitos, porque se eu for X não serei bem recebido. Por isso que substantivos como compreensão, disposição, e afeição não funcionam. Sabe como aparecem? Eu finjo que me aceito e você compactua com esta encenação.
Essas atribulações veem entrelaçadas na cultura, o que pode ser feito ainda para quebrar estes laços, pois existe a globalização, as mídias das mais variadas. Mas se estas mentes somente as aproveitam para alienar, com um discurso mesquinho que és para o teu bem, torna-se claro o sentido religioso tratado, sempre utilizaram o cunho da religião para conquistar território, em consequência doutrinar os conquistados, e não seria hoje que deixariam de usufruir destas artimanhas facilitadoras.
Indigno-me com a inercia da humanidade em querer convencer que segmento A, te salva, que o B não trará benefícios, e que o vazio te coloca numa posição menos humana, a luz no fim do túnel seria, siga, ou não, o que teu íntimo pedir, a minha verdade pode não ser a sua, assim a vida prossegue bela, insossa permaneceria se todos fossem iguais em atitudes, sonhos, e resumindo em vibrações espirituais.
Dito nos Vedas hindus: "Ekam sat vipraaha bahudaa vadanti"; ou seja, "A verdade é única embora os sábios a conheçam como muitas."

Jamile



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

HOMENAGEM Capoeira de Qulombo



HOMENAGEM
Áureo João, Teresina-PI, 07 de setembro de 2011

Iê... iêê... iêêêêê...
Canta passarinho,
Canta para encantar a terra, o fogo, a água e o ar,
Canta para equilibrar os elementos na roda,
Canta um canto alegre para alma que é nossa,
Canta rindo com a gente, para saber que não canta sozinho.

Canta Sibito, canta!!!
um samba de roda,
um pagode de nêgo,
uma capoeira de quilombo ou de angola,
Canta o quilombo mundo na roda que encanta.

Viva a quizomba que é boa no quilombo mundo,
ria o riso de festa e da luta,
ofereça gargalhadas de criança ao vento que zôa,
assunte a risada que nos agoura má sorte e nos zomba à toa;
gira com ancestrais na roda, vivos em mundo quilombo.

Canta, Voa e gira Sibito, como nêgo vivo gente.
Ginga na roda que é sua e que é nossa,
Faz capoeira de quilombo mundo,
com os pés que pisam em aruanda,
com alegria e filosofia da capoeira que é da gente.

Voa passarinho; Voa um vôo alto, para ver a Terra toda e o Mar.
Pássaro que é livre voa para ver o quilombo quilombar;
Sibito que é livre voa como besouro no ar para ver o quilombo de lá,
Voa tiziu, voa pardal, voa azulão, voa canário, voa gavião, voa sabiá,
para ver quilombo quilombar quilombolar;
... ... ... ... Iê... iêê... iêêêêê... Quilombo Vive!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sombras




O obscuro enegrece e deixa furtivo, as intenções opacas da alma humana.
É com o acender da vela, que a sombra se faz.
Luz e Trevas se complementam
E não se satisfazem.
Os complexos opostos se atraem
E os emaranhados de desejos
Contorcem-se na lama dos cérebros
E assim, se faz uma noite insone de um dia dormente.
Sombras no porão da alma e luzes que ofuscam a vida
Num Yin-Yang do Existir...
(Pedro Victor Modesto Batista)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

ÊXTASE


Eu conheci uma vaca sagrada, que conhecia o conhecido;
Eu conheci um sabiá, que conhecia o conhecido do conhecido;
Eu conheci um poeta, que poetou sobre a vaca, encantou com o sabiá; que sentiu o sentir de quem sentia;
Eu conheci um ente que conhecia o conhecimento.

Eu conheci cobra coral, tapindaré e o saci, que conheciam o conhecimento da mata;
Eu vi um ser que sabia o saber
Eu vi um cantador que encanta a dor; um ator que imita a dor e o amor;
Eu conheci o curador, que cura a dor e ensina o amor.

Eu conheci o segredo do segredo,
Eu conheci o medo do medo;
Eu conheci as pedras, que conhecem as pedreiras,
Eu conheci pedras que não são só pedras;

Eu conheci o leitor, que lia mestres e aprendizes,
Eu conheci o dono das pedras,
Eu conheci o caçador, que conhecia o dono da caça que caça o caçador;
Eu conheci o assuntador que assunta, que assunta a si mesmo e o outro no mundo;
Eu conheci cantos de pedras, contos em pedras e encantos nas pedras.

Eu conheci a mãe que conhecia a mãe-dágua,
que banha em suas águas,
que protege as nascentes,
que rege as águas do mundo e as águas minhas e suas,
que banha a vida.

Eu conheci o sábio, que conhecia a vaca sagrada, que conhecia o sábio;
Eu conheci a sabedoria que compreende a vaca, que compreende o sábio;
Eu conheci o ente que conhecia a si mesmo, que conhecia o conhecimento,
Que sabia que sabia,
Que sabia saber.

Eu conheci a cigana que conhecia a dona do vento,
que deu força à tempestade,
que soprou o pó,
que soprou a mata,
que soprou o fogo,
que soprou a vida

Eu conheci o velho, que conhecia a dona da lama,
que formou a liga,
que moldou a louça,
que emendou pedaços,
que ressignificou o corpo,
que refez a vida.

Eu conheci a criança, que conhecia uma criança,
Que conversava consigo mesmo,
Que se olhava a si mesmo,
Que escondia de si mesmo,
Que procurava a si mesmo,
Que conhecia a si mesmo.

Eu conheci o ser comum, que conhecia o sábio, que conhecia sabedoria;
Que conhecia a paciência;
Que conhecia a infância, a juventude e a velhice,
Que conhecia o tempo,
Que conhecia os ventos,
Que conhecia as águas,
Que conhecia a terra e a lama,
Que conhecia o fogo,
Que conhecia as matas e o dono das matas,
Que conhecia os bichos,
Que conhecia o homem,
Que conhecia sabedoria, que reconhecia a sabedoria.

Eu conheci a moça, que conhecia a dama,
que conhecia a noite e o dia,
que conhecia a partida e a chegada,
Que conhecia o caminho da ida e o da volta,
Que conhecia a saída e a entrada,
Que conhecia a esquina e a encruzilhada

Eu conheci o velho, que conhecia o ancestral, que conhecia a sabedoria
Que fez o mundo e o significado do mundo,
Que moldou a África Negra, a filha da África e a África do negro,
Que fez os Orixás,
Que fez a humanidade,
Que fez os bichos, as matas, os insetos,
Que fez as águas, a poeira, o pó, a lama e a terra firme,
Que fez o movimento das coisas, dos homens e dos bichos,
Que fez a vida.

Eu conheci homem, que conhecia outro homem, que conhecia a morte
Que exterminava criança negra sem conhecer infância,
Que ceifava jovem negro sem viver juventude,
Que matava homens e mulheres, que não criaram filhos
Que calava sonhos e fazedores de sonhos
Que intentou contra a África Negra, a filha da África e a África do negro,

Eu conheci ancestrais, que conhecia ancestrais, que conhecia ancestrais,
Que ensinou um credo, uma ginga e uma mandinga,

Que crê em Olorum, princípio criador; nosso Deus Supremo, Senhor de todas as coisas; criador do universo; criador de todas as coisas materiais e imateriais: criador da terra, das águas, dos ventos, do fogo, das matas, das pedras; Criador dos Orixás Sagrados.

Que crê em Oxalá, Pai dos Orixás e nosso Pai Maior, criador e Senhor regente da Sabedoria de Orum (céu) e de Ayê (terra); regente no céu e na terra; fonte de luz, amor e paciência; criador de nossas nações humanas, dos bichos, dos vegetais, dos minerais e dos insetos;

Que crê em Iemanjá, Grande Mãe. Mãe dos Orixás e nossa Mãe Maior; Divindade regente das águas dos Mares.

Que crê nos Orixás, entes divinos encantados nos fragmentos da natureza e regentes de suas forças e de suas manifestações no universo, na terra, nas águas, nos ventos, no fogo, nas matas, nas pedras, nos seres humanos, nos bichos, nos vegetais, nos minerais e nos insetos;

Que crê na influência de nossos Ancestrais sobre nosso sentir, pensar e agir no mundo;

Que crê nas religiões de matrizes africanas, que nos deixaram o legado de nossa ancestralidade;

Que crê no Axé, Lei, Força e Poder, que permite a realização da vida; que assegura a existência dinâmica; que possibilita os acontecimentos e as transformações; e a realização sobre coisas ou pessoas; que nutre a paz, união, amor, felicidade, sucesso, harmonia entre nós e com OLORUM.

Que crê nas forças e energias da Mãe Natureza, que nos permitem as construções das coisas materiais; a produção dos nossos alimentos de cada dia, as acomodações de nossas moradias;
Que crê na capacidade positiva de realização dos seres humanos, na edificação do Bem e da Justiça, na evolução social e na sua humanidade;

Que crê que os negros e as negras nasceram sob as vibrações dessas forças,
Para serem crianças, quando forem crianças,
Para serem jovens, quando estiverem jovens,
Para serem guerreiros e guerreiras,
Para serem velhos e sábios,
Para serem livres,
para serem felizes,
para fazerem história, ser história e tê-la em seu favor.
Para ser e viver negro.
Para a vida.

Que seja assim no dia de hoje!!! e sempre!!! e sempre!!!
Salve a consciência da comunidade negra!!!!!!!!!!!!!!!!

(Áureo João)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

UM CREDO PARA RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

 UM CREDO PARA QUEM BUSCA UM CREDO


Creio em Olorum, princípio criador; nosso Deus Supremo, Senhor de todas as coisas; criador do universo; criador de todas as coisas materiais e imateriais: criador da terra, das águas, dos ventos, do fogo, das matas, das pedras; Criador dos Orixás Sagrados.

Creio em Oxalá, Pai dos Orixás e nosso Pai Maior, criador e Senhor regente da Sabedoria de Orum (céu) e de Ayê (terra); regente no céu e na terra; fonte de luz, amor e paciência; criador de nossas nações humanas, dos bichos, dos vegetais, dos minerais e dos insetos;

Creio em Iemanjá, Grande Mãe. Mãe dos Orixás e nossa Mãe Maior; Divindade regente das águas dos Mares.

Creio nos Orixás Sagrados, entes divinos encantados nos fragmentos da natureza e regentes de suas forças e de suas manifestações no universo, na terra, nas águas, nos ventos, no fogo, nas matas, nas pedras, nos seres humanos, nos bichos, nos vegetais, nos minerais e nos insetos;

Creio na influência de nossos Ancestrais sobre nosso sentir, pensar e agir no mundo;

Creio nas religiões de matrizes africanas, que nos deixaram o legado de nossa ancestralidade e dos seres divinizados;

Creio no Axé, Lei, Força e Poder, que permite a realização da vida; que assegura a existência dinâmica; que possibilita os acontecimentos e as transformações; e a realização sobre coisas ou pessoas; que nutre a paz, união, amor, felicidade, sucesso, harmonia entre nós e com OLORUM.

Creio nas forças e energias da Mãe Natureza, que nos permitem as construções das coisas materiais; a produção dos nossos alimentos de cada dia, as acomodações de nossas moradias;

Creio na capacidade positiva de realização dos seres humanos, na edificação do Bem e da Justiça, na evolução social e na sua humanidade;


Que seja assim no dia de hoje!!! e sempre!!! e sempre!!!

(Áureo João)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A COISA E A COISIFICAÇÃO HUMANA

 Hoje, eu adquirir uma Coisa.
É bela; assim eu aprendi a adorá-La;
É valiosa; por isso guardo e A protejo com segurança e vigilância permanentes;
É exclusiva, singular, apesar de não parecer;
Veio ao mundo para mim; ou melhor, eu estou neste mundo para reverenciá-La!!!
Hoje, eu tenho uma Coisa.
É divina em mim;
É tão intensa Sua presença em mim que parece que Ela é que tem a mim;
É fortemente desejada por outras pessoas também, mas nem todas A tem; por isso, devo enaltecê-La, exibi-La, sempre;
É fascinante fonte de poder e atração mágica; por isso, devo reservá-La, escondê-La, para não perder sua exclusividade comigo, sempre;
Hoje, eu recebi a graça de uma Coisa. Posso sentir. Sinto!
É uma Coisa que nutre minhas alegrias cotidianas;
Com Ela, sinto ânimos por causa de Sua companhia;
Com Ela Mesma, também sinto medos, por causa do que representa Sua Companhia Mesma;
Toma-me o medo de não adorá-La o suficiente para merecê-La;
Ontem, minha vida se fazia sem Sua presença onipotente, onisciente, onipresente;
Sem tê-La em minha alma e em meus pensamentos, pobre de mim, não sabia da suma importância dessa Coisa em minha existência;
Tal como Deus, senão Ele mesmo inefável, oferece-me os desígnios de proteção e perigo;
Frágil criatura, tenho medo de que minha devoção não Lhe seja da medida requerida;
Obediente, sob proteção e ameaça de sua divina força, aumento minha adoração para suplicar e merecer a presença de seu espírito e de suas obras em minha alma, em meus pensamentos, em minha comida, em minha bebida, em minhas vestes, em meu abrigo; em meu ser, saber e fazer no mundo;
Amanhã, minha vida será em dedicação maior e melhor à Suma Coisa; senão criadora de mim, mas senhora de meu destino;
Em Sua devoção, eu Lhe farei oferenda todos os dias de minha vida;
Eu Lhe oferecerei valores maiores que todos os dízimos das religiões antecedentes,
Eu Lhe oferecerei meu suor, meu sangue, meu trabalho, minha inteligência;
Eu Lhe farei sacrifício maior do que fizera Moisés a seu Deus; não só um filho primogênito ou um cordeiro, mas todos os meus filhos varões e as filhas, de todas as esposas, mais as esposas também; e os filhos dos filhos e das filhas; os ancestrais e os descendentes; e os carneiros e animais outros.
Amém!
Manifesto de coisificação, Deus mais poderoso não se revela, religião maior não há;
Todas as devoções e oferendas são pequenas aos Seus pés,
Verossímil ao Uno, tudo agregado em minha vida procede da emanação de seu poder,
No leito dessa processão, presto-Lhe louvor com fé absurda até que a morte me abata;
Mas quando eu morrer, quero meu corpo embalado em tecidos e ornamentos que possam Lhe guardar referência e fiel reverência; e meu túmulo ostentará sua representação, para contemplação dos vivos.
Que assim seja!
Coisa de destino infalível,
Dobro-me ao Seu divino determinismo dado a este mundo, por mérito ou castigo;
Meus dias todos começarão e encerrarão assim, de modo sempre previsível em Seu culto,
Assim seja para sempre, salvo este mundo como tal se acabe, por intempéries naturais ou por desobediência própria do gênio humano inacabado, inquieto, insatisfeito e imprevisível na História; dessa crise, muitas divindades haverão de mudar de lugar; A Coisa, certamente, haverá de ocupar outro plano.
Aleluia!
(Áureo João)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Contradições de sabedorias

 Eu não queria usar drogas, mas
A família me acalentou e me saciou com drogas,
A igreja me salvou com drogas,
A escola me ensinou drogas,
A ciência me prescreveu drogas,
O mercado me vendeu drogas.
Eu consumi todas as drogas, sem escolha,
Exceto as que eu, alquimista, refutei, neguei, transmutei, transcendi,
Retribui ou devolvi,
Sem saber ou sabendo...
Eu não queria fumar, mas fumei e senti prazer;
Eu não queria beber, mas bebi com alegria e sem moderação;
Eu não queria ser inconveniente, mas eu xinguei, blasfemei, injuriei;
Eu não queria cometer pecados, mas dei vazão à ira, à inveja, à gula, à luxúria, à cobiça, à mentira, à preguiça, ao consumismo
Eu queria ser solidário, mas me elegi ao centro do universo; cultuei a mim mesmo;
Eu queria ser puro e divino, mas adorei as coisas mundanas, amei pessoas, cativei mitos e coisas; zelei por minhas aparências, sem remorsos;
Eu queria viver no mundo das divindades, mas incorporei-me e me identifiquei com as fantasias materiais, comi carne de porco e bebi sangue de animais,
Eu queria estar entre os mais sábios, mas foram os ignorantes e os menos sábios que mais me ensinaram sobre os sábios e suas sabedorias; e não me arrependo;
Eu ouvi a mensagem de Cristo,
li o Alcorão de Alá e Mohammad,
meditei com Buda, Shiva, Khrisna e Brahma;
irradiei-me com Oxalá e Iemanjá, conversei com Lao, dancei com o Deus Sol e Tupã,
mas não me lembrei de nenhum Deles, quando parecia razoável fazê-lo, sem me causar auto-flagelo;
Eu queria a limpeza do corpo, mas dormi sem banhar, sem escovar os dentes e sem lavar as mãos;
Eu queria ser um humano, mas comi como os bichos, dormi como bichos, amei e reproduzi como os bichos; vivi um bicho, sem queixar do presente, do passado e fiz o presente;
Estudei ciências, filosofias e teologias; decorei nomes e renomes de cientistas, profetas, poetas e mitos; citei palavras, frases, textos e tratados, mas não usei suas teorias, comprovações, especulações, nem milagres,
Eu me tornei discípulo de gurus de todas as espécies, mas resolvi a vida em pares com quem não depende de adorações e aplausos;
Eu queria escrever livros de todos os gêneros, mas foi a vida que me escreveu contos, cantos, comédias, tragédias, romances, encontros e encantos;
Contemplei cada um em seu tempo e seu lugar; vivi;
Recitei poemas famosos e anônimos;
cantei prosas, ouvi cantos e contos;
vi tragédias e comédias,
Sem querer ou querendo.
Eu queria ser pensador.
Não pensei.
Matutei-me; auscultei-me; assuntei o mundo
Não nasci pensador,
Não me fiz pensador,
Mas inquietei-me assuntador do mundo
Assuntando e assuntado.

(Áureo João)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Ontológico Identidade do humano no mundo

 Eu quero ser
Eu quero ser o que eu não sou
Eu não quero ser o que sou

Eu quero ser

Um ser divinizado,
Fora do conflito do bem e do mal, onde assim for,

Eu quero ser Deus

Incriado, incausado, atemporal, princípio de princípio, medida de tudo;
Dono de si mesmo, regente e regido em si e por si;

Eu quero ser conhecedor da substância da água, do fogo, dos ventos, do pó e do sopro vital,

Eu quero ter consciência da consciência de ser
Eu quero saber o ser distinguir-se e distinguir-se dos entes mais

Eu quero ser o diabo: Imprevisível, vigilante, auto-observador de si mesmo; temido; aniquilador;

Caminhar nas profundezas das águas, molhar e não se afogar,
Atravessar na chama, dançar com o fogo e não se queimar,
Voar nas tempestades, cair sóbrio, levantar consciente e não se perder de si,

Não podendo ser, eu quero ser

Ser um bom fazedor; ainda que de perguntas, de respostas;
Quem sou? Onde estou? Como estou? Com quem estou?
Ou de si mesmo

Ser o ser que não tem medo de si mesmo.

Não podendo ser além-homem, meta-homem, mais que gente, mais que humano,
Que humano e gente seja, agora e sempre!!!

(Áureo João)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CONVERSANDO SÓ OU COM OS ASTROS - poema, poesia e divagações

O Sol da Noite (criado em 25/07/2007, às 02:00h e 10:00min)

Alguns seres gostam de olhar e admirar a Noite!
Outros seres se embriagam na sombra da Noite.

Existem aqueles outros seres que fazem poesias caminhando com a Noite,

Outros, ainda, não gostam de fazer nada com a Noite. E outros não podem fazer nada com a Noite, ainda que desejem!!!

Os piores casos são daqueles seres que a Noite não lhes quer fazer nada; não oferece sombra, nem embriaguês, nem inspiração poética, nem lhe acompanha em suas jornadas;

Mas o Sol e a Noite se encontram diferentes!
O Sol não só faz poesia na Noite, mas também faz poesia para a Noite e para seus frutos!!!
O Sol também faz algumas poesias com a Noite, na sombra dela, embriagado com ela e inspirado por ela, Noite Bela!!!

O mais importante é que o Sol entra na Noite, pois a Noite também entra no Sol.
O ponto mágico acontece quando o Sol entra na Noite e a Noite entra no Sol, de tal modo que o Sol da Noite e a Noite do Sol se misturam e se fundem em algo que não é só Sol, nem só Noite!!!
E se pensam:
Ao pino do Sol, pensa-se a Noite,
Ao silêncio inquieto e movimento da Noite, pensa-se o calor do Sol.

É para você que o Sol e a Noite estão em órbitas!!!!

(Áureo João)

sábado, 4 de dezembro de 2010

O ASSUNTADOR – poema, poesia e filosofia.




1.

Assuntar assenta em assuntar-se, em conjugação reflexiva pura;
É assentar em si mesmo, sobre e dentro de suas entranhas visíveis e naquelas não visíveis,
Para captar as manifestações e expressões extravasadas e os discursos silenciados e os dissimulados;
É perceber o corpo físico, o vital, o emocional, o mental, o intelectual, o astral e o espiritual manifestos em seu universo particular, íntimo pessoal;
É caminhar em si até sentir medo da estranheza de si mesmo e irreconhecer lugares, virtudes e ausência destas, nunca antes observados, nem declarados de sua pertença própria. 2.
Assuntar é uma conspiração em si mesmo,
É penetrar nas dimensões da direita e do avesso, assuntando-se, auscultando-se;
É dissecar o amor que sente e o ódio que manifesta, seja na qualidade exposta para fora de si, seja naquela expressão reservada de sua interioridade exclusiva;
É percorrer em si mesmo até reconhecer porque ama e como ama; porque odeia e como odeia;
Inclui ancorar na dimensão de seu amor até então desconhecido, mas também comporta em penetrar e reconhecer as dimensões da indiferença e dissimulações sobre as manifestações de seu ódio;
3.
Assuntar comporta mergulhar no amor do outro, sem se deixar contagiar de sua manifestação particular dele;
É sentir como o outro sente o amor que é seu, por aquilo que lhe faz amar;
É reconhecer porque o outro ama e, especialmente, como ama e os fundamentos da expressão de seu amor;
Comporta cuidar do seu amor particular e universal, do outro, com o saber cuidar que é, também, de seu particular do outro;
Suporta cuidar do amor do outro, sob o fundamento do outro e o cuidado que lhe é singular; que é de sua identidade, sem fundir-se nem confundir-se com o outro.
4.
Assuntar é encostar-se no ódio do outro, sem nutri-lo nem amenizá-lo;
É compreender as vibrações que enraízam no ódio do outro e as dimensões em que se realizam;
É reconhecer a causa que ativa seu ódio dele e o torna irreconhecível à rasa racionalidade humana;
É reconhecer, sob o fundamento do outro, o que lhe conforta e lhe ameniza o ódio que lhe acomete;
É pensar, sentir e auscultar o ódio do outro como se fosse ele mesmo em atividade de assuntar-se assuntando-se, em pura conjugação reflexiva e empática. 5.
Assuntar é conhecer a si mesmo, pelo direito e pelo avesso;
Em sendo uma galinha, sabe-se galinha, em suas dimensões e manifestos autênticos e em suas dissimulações;
Em sendo uma águia, sabe a si mesma águia, quando verdadeira e verossímil, não mais nem menos que a galinha que conhece a si mesma inteira;
Em sendo sábio, conhece a si mesmo primeiro, ainda que inconcluso sempre, antes que lhe seja requerido conhecer uma galinha e uma águia tal como para si mesmas;
Fora desta conjugação de assuntar assuntando-se, o sábio ignorante, a galinha e a águia são apenas e igualmente bichos importantes, que comem, bebem, dormem, reproduzem, sem saber o fundamento de si nem o propósito primeiro e último do seu ser e do seu fazer no mundo; 6.
Assuntar é uma Bela Arte em movimento e exercício que se conjugam no artífice assuntador, que é assuntador de si mesmo, que é assuntador do outro, que é assuntador do mundo, há um tempo só;
Põe-se perante Deus e reconhece as faces de Deus, seus atributos e seus propósitos, se for mesmo Deus o ente à sua mira;
Mira os olhos do Diabo e capta o intuito de sua benevolência e sua malevolência, se lhe for apropriado o atributo e significados, ainda que não se apresente Diabo; reconhecerá seu criador, seus símbolos, seus poderes e suas funções no mundo concreto e no imaterial;
Dobra-se diante de si próprio e capta o ser que é mas não quer ser; o ser que quer ser mas não o é, e o ponto de encontro de seu movimento em si mesmo;
O assuntador não teme a Deus, nem ao Diabo, nem ao outro, nem a si mesmo, porque ausculta cada um destes, porque os distingue, porque não confunde seus atributos, suas evidências, seus propósitos, suas identidades, quando os têm e quando lhes faltam; e quando lhe convém. 7.
Assuntar implica perceber cada lugar em seu lugar, enlaçado a um tempo e a seus movimentos singulares;
Se o lugar é o mato, com os bichos e os entes da natureza, então assuntar comporta conhecer os astros, interagir com a terra firme e a lama, auscultar a direção dos ventos, compreender as forças das águas, respeitar o poder do fogo, sentir as vibrações das matas e a comunicação de seus regentes;
Se o lugar é entre os humanos e seus inventos, assuntar conjuga observar e compreender os fundamentos e as intenções de seus discursos objetivados e silenciados; discernir a elaboração de seus pensamentos; sentir seu coração; compreender a conduta de suas atitudes e o fim último de seus objetos e seus significados.
Se o lugar é seu lugar, assuntar se realiza em tomar a si mesmo, predicado nas suas relações intrapessoais puras e na conjugação das relações com o lugar-mundo de ninguém, com o lugar-do-outro e com o não-lugar, e não se perder de si mesmo entre os mais;
Se o lugar é o lugar do outro ou o outro próprio, assuntar se efetiva, profunda e sutilmente, em distinguir quem é e o que é cada ente e lugar singular, mas também suas interseções e exclusões;
8.
O assuntador não é, necessariamente, generoso ou algoz;
O assuntador é porque se fundamenta assuntador;
Conjuga-se atributo do vil algoz, se algoz;
Conjuga-se atributo do digno generoso, se o for;
O assuntador é o que sabe assuntar; assuntar-se e sabe-se assuntante, auscultante em processos dinâmicos, contínuos e permanentes; é um ente que come sua comida, bebe sua bebida, dorme ou deixa de dormir ao seu modo, reproduz e produz consciente das condições que o faz; sabe o fundamento de si e o propósito primeiro e último do seu ser e do seu fazer no mundo. ... ... ... ... ...
Dedicatória a um Mestre.
Desde que fiquei sabendo da enfermidade ocorrida ao Professor Puscas, bem como de sua resistência à adversidade que lhe desafiou, fiquei emudecido sobre o assunto. Eu não tinha algo a lhe dizer, nem a lhe perguntar. Eu não tinha elogios a lhe fazer, em face do antigo corpo mais pesado, nem sobre o novo corpo mais leve, nem sobre o fumo, nem sobre a cachaça. Eu não sabia o que lhe dizer sobre sua militância na universidade, nem sobre seu momento de repouso pleno no leito do hospital e/ou em leito domiciliar, nem sobre seu retorno às lutas cotidianas. Eu apenas assuntei.!!! Assuntei sobre a grandeza de humanidade do Mestre Puscas; da sua capacidade de assuntar a si mesmo, de assuntar os outros e aos outros; de assuntar o mundo, sempre digno e generoso, sem temer a Deus, nem ao Diabo, nem aos outros e nem a si mesmo, porém sábio em distingui-los em suas identidades, em suas faces, em suas origens, em suas histórias e em seus propósitos no mundo.
É um grande assuntador. É um Mestre.
Dedico a meu Mestre Puscas um poema que acabo de “psicografar”: O ASSUNTADOR – poema, poesia e filosofia, como um gesto assuntado apreendido. Em repouso e em movimento, que a leitura seja de bom grado ao Mestre.

(Áureo João)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O DIREITO DE IR E VIR E RIR A VIDA - poema, poesia e filosofia




1.
O direito de ir e vir é fundamental, é vital, ainda que não se possa rir a vida;
É necessidade subjetiva essencial, ainda que não se possa ir com a vida.
Que lugar é esse que piso e repiso sob o direito de ir e vir,
Mas não se pode rir a vida no ir e vir com a vida?
2.
Vida, o primeiro direito ou a razão última?
Vida, o que seria esta sem o ir e vir?
Mas o que é a vida, o direito a esta e o direito de ir e vir, quando não se pode rir com isso tudo pouco?
3.
Que tempo é nosso tempo?
Tempo que se rompem desafios para garantir a longevidade a todos,
Vida longa ao rei e à rainha!!!
Vida longa ao súdito!!!
Ainda que nos pareça mais brevíssimo o romper da vida, antes mesmo que se possa ter tempo para rir a vida consigo mesmo, com amigos, filhos e netos.
4.
Homo-sapiens, homem sábio, homem sapo; homo-sapo; sapo;
Gostos, ausência de gostos e desgostos rondam em comum;
Pela boca que degusta as moscas que te chegam ao paladar,
Pelas moscas que degustam na boca morta que ri um riso morto, antes mesmo que possa rir da sapiência que lhe seja superior.
5.
O direito de ir e vir é fundamental, ainda que não se possa rir a vida;
É necessidade do sujeito individual e do coletivo de sujeitos, ainda que não se possa ir com a vida.
Analfabeto não pode ir e vir em meio a tantas línguas, linguagens e códigos que lhe confundem;
Letrado doutor não pode ir e vir em meio à brevidade de seu tempo que se anuncia, que lhe confunde, que lhe nutre o medo, que lhe pode cerrar o riso, seu ir e vir;
6.
Ricos e empobrecidos; belos e não-belos,
Ir e vir, sem rir, não tem nenhuma graça,
Nem ao homo-sapiens, nem ao homo-sapo, sapo;
A menos que a racionalidade do homo-sapiens seja própria da negação de rir e da ausência de graça em seu fazer e saber.
7.
Das riquezas todas do mundo, o que nos cabe em direito de rir...; do que é bom; porque é bom; porque faz um bem; por afeto; por alegria; por respeito; por prazer?
Do Capital no mundo, quanto nos custa rir, não raro sem direito de ir e vir – ou com este -, pela mais-valia que se ganha não-sei-como e se acumula nas mãos de não-sei-quem ?
Das leis que regem nossas vidas, nossas relações no mundo e com o mundo, e as coisas do mundo, tantas nos garantem o direito de e ir e vir; e quantas nos asseguram o direito de rir, no ir e no vir?
8.
Queiram os desígneos dos deuses que nossa vida não se acabe, sem antes gozar de muitos risos; dos risos que se ria só; risos que se possa rir com os filhos, e com os filhos dos filhos, e com os filhos destes;
Permitam-nos as leis da Natureza, que regem nossa existência natural, que o direito de rir a vida seja mais extenso e mais intenso que o curso das terras pisadas sob a garantia do direito de ir e vir;
Faça-se Cultura, em que se faz o humano, que inventou cultura e se reinventa, ainda que inacabado sempre, mas não subtraia o riso afetuoso e prazeroso, pelo simples direito de rir e rir; pelo direito de ir e vir e rir, digno de todas as pessoas e conjugações que o verbo comporta na vida, por criação e recriação humana;

(Áureo João)