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terça-feira, 3 de maio de 2016


Sou prefácio de mim mesma, pomba branca, Repousada na sombra do leão. Serenidade escondida, vulcão apagado. Sou prefácio de mim mesma, eternidade esguia no bater da meia noite. Curiosidade sombria, planalto de angústia e poemas. Sou prefácio de mim mesma, beijo suave da noite. Grito abafado, lábios esquivos. Tela inacabada. Sou prefácio de mim mesma, música lírica, luz duma estrela distante. Fruto das circunstâncias, confluência do amor. Luar que beija a linha da água do mar. Sou prefácio de mim mesma, incógnita de um destino ingrato. Chuva de Verão, Sol de Inverno. Mistério envergonhado de um sonho de menina. Sou prefácio de mim mesma. Quero ser. Epílogo de uma lágrima que escorre pelo rosto. Renasce. Quero ser. Útero de uma vida esquecida. Quero ser. Força de uma vontade daninha. Estilhaço de uma vitória muda. Sou prefácio de mim mesma. Pele de uma mulher. Alma de uma fênix. Grito de um silêncio.

Deyne Caroline

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Um Novo Alvorecer


Nobres irmãos e irmãs, desejo que esta carta chegue a cada um de vocês, e que possam compreender as linhas que aqui transcrevi.
Olhemos o mundo à nossa volta, conectando-se com as forças ocultas que promovem a vida.
Cultivemos o bem nas nossas ações diárias, fazendo do cotidiano conturbado o mecanismo de transformação do nosso ser.
A vida é um convite à renovação, um fluxo que pauta a revolução das criaturas.
Precisamos valorizar as oportunidades generosamente ofertadas pelo universo.
A nossa missão é amar sem renunciar o dever de viver os dias com coerência.
Perdoemos, pois necessitamos do perdão para nos libertar dos labirintos da culpa.
Sorria, mesmo com a dor física e moral. A arte de contagiar o mundo nos energiza com essências salutares.
Eliminemos o medo patológico, pois precisamos compreender que somos imortais.
Acreditemos no impossível, a vida é um milagre que ocorre a cada segundo.
Compreendamos que a educação é o único caminho capaz de nos levar à paz mundial.
Enquanto o ego ecoar no seio da humanidade, assistiremos a morte de seres inocentes na guerra.
Extinguir as reações egoicas é um dever nosso na caminhada por um mundo melhor.
Convido você a olhar nos olhos do seu irmão.
Presenteie todos que você encontrar com um abraço.
Pratiquemos a arte de agradecer, esquecendo-se de reclamar.
Na amplitude da nossa capacidade intelectual codifiquemos as luzes da sabedoria.
Meditemos, oremos, vigiemos, estudemos...
Vinculemos com o cosmo.
Contemplemos a natureza.
Respeitemos o planeta que habitamos.
Acima de qualquer coisa, coloquemos o amor no alto do totem.

Dhiogo J. Caetano

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O beijo de Nimue


 Declarou-se árido e abandonou o lago alfa. Atravessou dois condados com sangue nos olhos. Matou o estado e chegou a Montana. Desconhecia os folclores trazidos pelos ébrios imigrantes. Suou. Sujeitou-se aos costumes. Casou-se com uma antropóloga e se fez objeto. Os anos se passaram e os traços marcaram sua face. Deixou um manuscrito ao lado da cama. Retornou ao lago alfa. O lago mostrou-se ômega. Entregou-se água. Despertou em outro universo. Foi beijado por Nimue.

Laís Grass Possebon

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Quando Quimera fugiu de Anatólia


Ao caminhar sobre velhas calçadas de lajota de uma florida rua do meu bairro, sem me preocupar com os vizinhos que retornam cansados do trabalho e com as crianças que brincam sob árvores, voo até o meu lugar mais bonito e me encontro entre pessoas azuis. Com roxos chapéus de magos, solitários arqueiros pedem-me poemas de amor sobre uma terra distante. Declamo sem pestanejar. O azul se torna mais anil. Seus arcos se transformam em violinos que acompanham algum canto élfico. Sou assim desde pequena: prefiro andar pelo teto e desbravar outros planetas a me prender a toda essa normalidade nauseabunda. Nas rodas de ciranda, eu era a menina que se dizia viking. Na roda de amigos, eu era a jovem que se intitulava Joana d’Arc. Na roda da vida, eu rodo ao contrário. Talvez por isso tenho de dormir sob um apanhador de sonhos. Quem sabe o motivo de minhas buscas esteja aí: nas quimeras. Para mim, o propósito sempre foi experimentar. Budismo. Xamanismo. Anarquismo. Comunismo. Faltam ismos neste mundo. Voo até encontrar.

Laís Grass Possebon

Quando me vi entre Oneiros

Gonçalo Franco

Quando já não entrava vento por aquela parte entreaberta da vidraça da janela, quando não mais se ouvia os garotos, que bebiam conhaque com café do outro lado da rua, pedirem beijos às garotas que saíam da escola de balé que ficava em um antigo prédio cor de pêssego na esquina, quando já nem se via prédios velhos pelo bairro e muito menos bailarinas, foi que percebi seu sumiço de meu quarto. A janela ainda estava entreaberta e, na calçada do outro lado da rua, havia uma garrafa de conhaque vazia. Mulheres caminhavam apressadas, arrastando seus filhos pelos braços, enquanto homens subitamente atacavam os táxis que trafegavam acelerados. Meus livros, que já se mostravam amarelados, diziam dez anos. Talvez quinze. Acho que sumiços nos causam isto: a perda da contagem do tempo. Apenas esperamos. Sentamos. Fingimos ler. Fingimos ligar a tevê. Fingimos cuidar o trajeto dos ponteiros do relógio. Fingimos respirar. O tempo, por vingança, acelera quando fingimos não sentir, e profundamente os sentidos se afloram até nos darmos conta de que sobreviver não é o mesmo que viver. E a maioria apenas sobrevive. Lembro-me de que em uma noite qualquer você me disse para deixar minha mente vazia, pois assim não ficaria rolando durante horas pela cama e conseguiria dormir mais rápido. Talvez por isso tenho pensado que, se todos esvaziassem suas mentes e somente acumulassem memórias diárias, as coisas funcionariam de modo mais fácil. Quem sabe desse jeito, dissimulando e esquecendo, sentiríamos apenas uma vez na vida, e assim seria mais simples para viver: hoje não me recordaria daquilo que ontem senti e amanhã sentiria algo novo que apagaria o que foi sentido hoje. É engraçado: tentamos fugir de tudo o que nos torna vivos por medo de que isso venha a nos matar. Por exemplo: hoje, após uma década sentada em um canapé sem me dar conta de seu sumiço, resolvi devanear para tentar esquecer o que perdi quando percebi que o perdi, e assim continuo perdendo – perdendo-me. É que o caminho das fugas sempre me pareceu mais prático. Permaneço fugindo de mim em mim. Perco-me em mim.

Laís Grass Possebon

O inefável universo dos adoradores de chá


Havia resquícios de sentimentos dentro de seus livros. Havia resíduos de amores no interior de sua gaveta de meias. Sobejavam partículas de macróbias confusões sentimentais pelos corredores de sua casa. Ao lado de cinco pequenos vasos de margaridas, que estavam sobrepostos em uma estante de madeira de carvalho, existia um antigo espelho oval, no qual podia se ver refletida em uma remota imagem cândida. Silenciosamente lívida abriu suas portas para que seu Anjo-amor adentrasse musicalmente. Ele entrou em seu lar e caminhou sem pressa pelos cômodos, apagando os fragmentos de velhas consternações ignóbeis. De modo inefável, sem prescrições galênicas, ele preparou um chá de canela para que ambos pudessem absorver as doçuras do fado. Após navegarem pela magia líquida do chá, trocaram pacíficas palavras de devoção e recolheram-se à alcova. Durante o sono, sonharam juntos e acordaram para dentro. Reconheceram-se no interior de cada um. Nunca mais deixaram de sonhar.

Laís Grass Possebon

sábado, 21 de dezembro de 2013

O crescimento de cada dia


Um dia...
Sempre há aquele dia onde nós pensamos uma coisa, agimos de forma oposta, e achamos que estamos fazendo o melhor possível! Realmente a juventude é inimiga da sapiência! Nem tudo é rápido como queremos, nem tão perfeito, e nem tão imutável!
As vezes, e não são raras as vezes, nós acreditamos que fizemos a melhor escolha, e esta escolha em certo momento pesa, nos machuca, e nos tira o sono! E por mais vezes ainda, aquelas vezes em que você pensa "fiz a minha melhor escolha", você percebe que haviam outras escolhas, mesmo para o mesmo momento.
Em vários momentos procurei a perfeição que enxergava como tal, julguei com tamanha força achando que eu era superior aquele momento, mas não era! E vivendo e cometendo os mesmo erros, percebe-se a fragilidade do ego em cima da sabedoria: as falhas dos outros talvez sejam as suas! E ao perceber isso há um crescimento sem precedentes! Problema é o tempo: quando esse crescimento se dá? E outra pergunta: será que foi tarde demais?
A medida em que crescemos percebemos que a expectativa sempre será além da realidade, e que por mais claro seja o pensamento do momento, ele ainda está sobreposto a sombras de incertezas ou insuficiente de clareza. Nada será mais do que aquilo, se fosse não seria... Nunca sabemos mais daquilo que achamos saber.
Há sempre a linha tênue entre a expectativa e a realidade. Quando dei por mim, percebi que essa disputa interna sempre existirá, porém ela só se tornará uma angústia quando a expectativa for além da realidade, e não imersa nela! Provavelmente existam expectativas plausíveis, e é nelas a que quero me prender... ou melhor, gostaria!
Falhas todos temos, o importante não é saber somente se elas existem, mas de que forma podemos contorna-la! O momento em que isso ocorre? Nós decidiremos!

Hugo Jardel

21/12/2013 às 1:58

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


Em seu rosto cansado repousa tua vida.Estavas bem na minha frente fazendo seu último seminário e de uma hora para outra na terra fria...
Lá está alguém que eu mal conhecia e tencionava conhecer,
Mas chegou seu momento, sua vida teve um fim.
Triste dizer, mas você se foi.Simplesmente impossível crer que estás do outro lado...

Marta de Paula

quarta-feira, 2 de outubro de 2013


Me lembro da forma que você entrou na minha vida.
Lembro também dos vários bilhetes inusitados que você deixava espalhados pelos cantos dos lugares em que passava, roubando minha atenção, meus sorrisos fracos.
Não entendo como tudo que era tão forte se faça ausente dentro do meu coração; é como saber cantar e não conseguir desvencilhar as notas principais que uma canção necessita.
Você surgiu na minha vida rápido. O encanto, o carinho se apresentou em minha vida do nada e do mesmo nada, sem nenhuma explicação ele partiu, deixando corpos sofrendo entre um mundo de desilusão.
Apenas lembro que tudo isso não passou de um outono que mantive escondido dentro do meu quintal.

Myrla Sales

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Temporada interior



De vez em quando precisamos de um tempo – de dar-se um tempo. Tempo para amadurecermos nós com nós mesmos. De vez em quando precisamos nos ver livres do tempo. Mesmo o tempo não se vendo livres da gente. De tempos em tempos precisamos renovar nossa pele – nos despir inteiros. E virar para dentro. Percorrer nossas curvas. Dobrar nossas esquinas. Revisitar nossos porões turvos. E reavivar nossos jardins luminosos. De vez em quando precisamos permanecer em silêncio – de dentro para fora. Editando branduras. Colecionando levezas. Acumulando mansidões precisas. Refletindo no espelho o eu nunca refletido. Acarinhando o coração nunca acarinhado. Abraçando nobremente nossa Alma. De tempos em tempos precisamos ganhar dias e noites. Manhãs e tardes adentro conversando com nós mesmos. Alindando qualidades. Eliminando chorosos descompassos. E revendo defeitos. Refazendo nossos efeitos. Visto que em cada feito, desembrulhamos um amadurecimento perfeito dentro. De vez em quando precisamos desabrochar nossa grandeza. Mesmo que só a gente enxergue.

Tempo é semente atemporal da vida.

Nayara Fernandes

Só que hoje a gente estagnou em um ponto que meu pensamento não avança e nada nele povoa senão a pergunta: Porquê isso aconteceu com a gente se estávamos tão bem? E é nesse ponto que ele retroage: Só me apego às boas lembranças, ao que nos fazia bem. Não vejo solução nem vejo que tudo está perdido, apesar de tudo.

Rosseane Ribeiro

quarta-feira, 17 de abril de 2013



Os olhos castanhos estavam hipnotizados com ‘aquela criatura’, ela nunca havia visto alguém que lhe passa-se tanta segurança e ao mesmo tempo lhe deixasse tão forte, poderia escalar montanhas e até voar, enquanto ele estivesse ali, nada poderia atrapalhar.

Juliana Gomes

quinta-feira, 21 de março de 2013

UM A MAIS


Senhor Manoel vou lhe dar as minhas ferramentas,
me jogue três pingos de água benta que é pra sorte me ajudar.
Amanhã no romper do dia, na hora da Ave Maria, quero estar longe daqui;
meu poderoso Jesus Cristo me perdoe, mas eu acho que a culpa foi desta minha pouca fé;
minha mulher nem um filho me deu e de desgosto morreu neste sertão de pedra e pó.
Eu fiquei só, eu fiquei só.
Cheguei em São Paulo maltrapilho, os pés inchados e o meu jeito acanhado era motivo de riso;
sentei na praça vendo a chuva que caía, lembrei logo de Tereza e chorei como devia;
um flagelado a mais, sem micro solução;
no meio do progresso morre de fome o coração.
Um banquete de riso ouço na televisão,
uma moeda cai sobre mim, adeus doce visão.

DE:GERALDO SADIL
MEU BLOG:http://gsadil.blogspot.com.br/

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quando o último sol raiar



Com os olhos cheios d’água, confesso: Foi duro ter que jogar fora seus pares de meia. Foi quase impossível dizer ao cérebro do meu corpo que ele já era de mais ninguém e teria que se acostumar com o frio da solidão.  O trem já passou, as malas estão prontas e agora eu estou chorando por  não ir.  A partida sempre leva o que não pode ficar, mas o que fica, meu deus, à noite, tenha certeza, dói mais do que o que restou, por não poder se emaranhar nos lençóis dos beijos teus....
Não sabia com quantas flores se fazia um jardim e nem por que o arco-íris não dura uma eternidade. Dessas e de outras tantas eu nunca vou esquecer. Me ensinastes a ver o mundo de uma forma tão bonita, corajosa e única. Tão única que sem teus passos a me guiar, o clarão das luz  dos olhos meus, sem os teus, desapareceram. E hoje eu sobrevivo em um mar de solidão.
Só sabia das coisas mais banais, de relembrar as festas e carnavais, onde todo mundo exibia o que tinha e pegava emprestado o que não tinha: adereços, o parceiro alheio, o corpo malhado.
E a festa bagunçou o meu embalo, me parou bem no meio da pista e só vivo esperando o último sol raiar.

Como diz Los Hermanos, “todo carnaval tem seu fim”.

(Rosseane Ribeiro)

Contradição e contradizer, sorrir e acreditar, viver e sonhar...



Eu não tenho uma história tão linda quanto a sua
Não tive tantos amigos quanto você tem
Cedo aprendi que teria que optar por acreditar em algo melhor ou me render às dificuldades que se opuseram a mim

Você vê meu sorriso?
Eu tive que aprender a sorrir mesmo quando duvidavam...
Algumas vezes, tentaram me fazer acreditar que o que eu sonhava era apenas coisa do imaginário, uma mera invenção da mente criativa...
Era difícil, não por não acreditar, mas por não entender o porquê de que os outros imaginavam que seria melhor não acreditar...

Ser uma contradição nesta vida,
é encarar os outros e a si mesmo,
e reconhecer que embora muitos tenham experiências que possam nos ajudar, outros tantos abandonaram os próprios sonhos e em meio à desesperança em que ficaram estacionados,
por vezes lançam,
consciente ou inconscientemente,
a mesma desesperança a que foram condicionados.

Você vê minhas lágrimas?
Se você as vê, é porque eu aprendi a não esconder minhas fraquezas, elas sempre me ensinam a me fortalecer, ainda que contraditório isso possa parecer...

Minha vida poderia ser facilmente reconhecida como uma contradição...
Porque aprendi a contradizer a desesperança
Aprendi a contradizer os que não acreditavam
Aprendi a contradizer até mesmo a distância pela qual tive que optar,
longe daqueles que me amavam,

Aprendi a contradizer até mesmo os que me amavam e que, às vezes, por verem ou sentirem as dores pelas quais passei, impulsivamente, desejaram que eu desacreditasse...

De tudo que já foi contrário e contradição em minha vida,
Só não aprendi a ser contrário e nem contradizer o que arde fortemente em meu coração,
A vontade de continuar a sonhar e de continuar a acreditar
contra tudo que me quiser tentar parar
Contra tudo que me quiser
Fazer desistir...
E no fim ainda hei de sorrir
Porque a força que me sustenta será do tamanho que eu a alimentar,
a alegria do que conquistei e do que ainda vou conquistar serão partes essenciais de todo o processo que me levou a superar, acreditar, contradizer, sonhar, e ainda assim viver a vida que aprendi a lutar...
A vida é linda, sim, mas a beleza das coisas não impede
de ter suas próprias dificuldades...
E você pode ser tão diferente de mim, ou ter muito em comum,
Mas somos apenas uma parte de um processo bem maior,
Não somos nem melhores nem piores, apenas seres em construção,
Tentando encontrar o sorriso e alegria em cada partícula da vida,
Em cada circunstância, mesmo que haja contradição...

A.M.A.

domingo, 30 de setembro de 2012

Sobre Poesia


Poesia é o que se vive e o que quer se viver. É um estado de liberdade que beira a loucura e fantasia. É caminhar por cordas bambas sem ter medo de cair, é acordar todo dia escrevendo sobre a vida como se ela fosse um sonho, mesmo não mentindo sobre o que faz dela um pesadelo.
Escrever poesia é estar fora de si sem estar em um outro. É ser um outro sem sair de si. É ser um, dois, três, quatro e até quantos mais e mais até a tinta esgotar.
Poesias são sempre linhas que dizem mais do que se lê, mais do que se vê e sempre menos do que se sente. Poesia é morrer estando vivo, é sofrer sem estar em perigo, é ficar preso estando livre. Poesia é o que não é, o que finge ser e o que não se pode ter.


Poesia é (também) escrever o que não existe. Poesia é ser e não ser.


(Rosseane Ribeiro)


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Folha de Jornal...

Quem sou eu? Como ainda existo? Porque ainda vivo? Onde estou? Faço estas perguntas meramente fracas a quem diz que o passado é como uma folha de jornal, que atestada de negro, cinzento e branco, onde algumas cores sobressaem numa pagina de fotos tristes que contão a vida de outrem. Navego com os meus dedos velhos, como se fosse um velho que as folheia. Já não sei se sou esta folha ou esta folha “eu”. Existem fotografias meramente mortas pelo passado que o tempo apagou sem vergonha nem ressentimentos. Umas folhas pensam que são a glória do passado, ou pensam que são a vitória do futuro. Vitória do futuro são aqueles maravilhosos textos que o jornal imprime como forma de crónica a uma e a outra pessoa, que nos motivos dos quais é geral. Existem letras que não passam de mera figurinhas que alguém com uma pequena máquina de escrever as ditou ao leitor que lê este jornal que sou eu, ou ele é que é meu! No momento da verdade não sou aquelas imagens que alguém pintou com amor e carinho, que sobressaem no momento, mas sim são aquelas notícias tristes que alguém as redigiu de forma a transforma-las num sentimento e não numa notícia. Estes dedos que escrevem numa leve e fina folha doem como pode doer a vontade de amar, mas não tem ninguém para amar, estes dedos redigem como se de uma pessoa criativa se trate. Mas porque fazer destas palavras ou imagens sentimentos vivos? Olhando para a data deste velho e já rasgado jornal vemos a idade do mesmo como se fosse uma pedra já com uns quilos de anos, e não com uma produção literária recente que alguém escreve. Não se trata de um romance, nem de drama, porque drama é as noticias que no seu íntimo se encontram, e romance é a vontade de serem amadas por verdade e não por esquemas, como aqueles que encontramos no término desta verdadeira aventura. Percorri caminhos, que a mentira deixou, como forma de encontrar a verdadeira e pura verdade, mas sem medo eu morri, porque as folhas estavam rasgadas. As cores nelas, de velhas que eram deixaram de pairar sobre o meu coração falso e foram para as entranhas das minhas velhas auto-estradas, que na vontade de encontrarem um rumo, perderam-se na sua própria vida. Quem não tem vida, passa a tentar procurá-la como este escravo das palavras que aqui redige a folha do jornal. Não são as notícias que dão vida ao jornal, mas quem as lê é que dá vida ao jornal, elas não foram escritas com amor, foram escritas para dar amor, e se no fim da vida deste jornal não existir ninguém para ama-las então o jornal morre e com ele vão as imagens das mais variadas cores e feitios e as verdadeiras palavras que se encontram no meio que o jornal tem. Passear as folhas neste jornal, incentiva a ouvir musica, que pela alma do jornal sintoniza-se dentro de cada um de nós, mas sem a vontade de descobri-la passa-se mais a procura de que a encontrar. Olhando para a sua largura, não vejo senão uns míseros milésimos de espessura que, em cada milésimo de milésimos centímetros, encontra-se uma história, uma pergunta, uma verdade. A história é a vitória sobre o futuro e a gloria do passado, que nas tormentas da vida, alguém com mais força que este escrevo escreveu falando da vitória de um futuro mais próximo que o amanha nascente, a pergunta é a sinceridade em igualdade com a sentimentalidade, que numa conjugação transformam-se na verdade da pura verdade, a verdade não é mais nada que a simples saudade de um bem que já se foi e nunca irá voltar, porque o passado pode ser a gloria sobre algo, o futuro a vitória, mas e o presente? Aí está a pergunta, o que é o presente? Esse tempo que confunde a saudade é mais uma vitória, mas de cada uma destes que lê o jornal, porque se olharmos para o passado vemos pequenos seres, que agora são velhos mas pequenos seres, mas se olhares para o futuro tens os pequenos seres do presente, que mais tarde se tornaram os velhos e pequenos seres, por isso, o presente é a linha que divide a vontade de folhear o jornal e a cega sinceridade de procurar a mais bela e pura melodia do sentimento, que é o bater da nossa alma, porque o bater do coração no jornal, já a muito que deixou de bater pela derrota de ser arrumado num armário sem sentimento. Quem folheia as folhas, pelo toque e pela vontade de descobrir depara-se com a sua histórias pelas rugas que o jornal tem, não são rugas normais, são sentidas e vividas, porque o jornal é uma pessoa em forma de papel, não sente, mas faz sentir, não mente, mas diz a verdade e acima de tudo não ama por palavras, ama por imagens ou gestos, porque cada folha folheada, pelas mãos deste escravo ou de outro, são a vitória de ser sentido por imagens ou gestos. Na sua capa encontra-se o resumo da sua vida e na sua fina contracapa, encontra-se a sua conclusão de uma vida cheia de sentimento verdadeiros, nunca sentidos pelo coração, mas sim por imagens ou gestos. E porque gestos? Por vezes deixar cair uma fina folha de um jornal que suavemente cai no chão, mostra que por mais que aquele jornal seja deixo cair no chão, tem sempre a glória de ser um jornal puro, que não se desencanta por gestos, mas que os aproveita para fazer deles uma forma linda de sentir. Agora as noticias terminam com lágrimas de quem as sentiu, mas que a verdade foram mais sentidas por quem as escreveu, mas que numa forma de sentimento verdadeiro mente ao longo desta longa reportagem jornalística, que na verdade, quer pela força do destino, encontrar a sua alma verdadeira que leia isto da maneira que eu a escrevi e senti, porque por vezes não é dizer eu amo-te, mas sim, quero descobrir quem és tu, porque gosto de ti pela forma de um jornal, do que pela forma de outra coisa, que não um ser que sente de verdade… Assim folheio as folhas deste jornal na tentativa de descobrir a verdadeira sensação de ser mais que uma pessoa, ser o conjunto do jornal que a alma escreve na verdadeira pastas de sentimentos que eu posso oferecer, agora deixo de ser fino como uma folha, porque não sou uma folha, mas passo a ser da espessura deste jornal que na verdade não passa de algo que alguém criou como forma de sentir mais que as imagens ou os gestos, sentir tudo de qualquer forma…

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Por onde anda meu amor?

Tenho saudade da tua presença, coisa de instante, coisa que acontece no meio da noite, no fim da tarde. Estar perto: coisa que eu pouco senti. Lembro de você como se tivéssemos tido tempo pra despedidas. E depois esqueço novamente; É que eu sinto medo de viver de fantasias, de me assombrar com as lembranças, de morrer na melancolia.
Como não estás por perto, os dias não passam, eles se arrastam e me levam junto. Quando não me levam junto, me deixam do mesmo jeito que você: sozinha. Os dias não me ajudam a te esquecer nem a te achar. Os dias simplesmente acontecem sem nenhuma obrigação de me afastar daquilo que me destrói. É, lembranças não acontecem novamente. Nem saudade. Nem vontade. Nada que tenha volta; Só ida! Porque não há como voltar nem quando voltar. A gente simplesmente não vai acontecer de novo.
Mas a vida segue. Dolorosa, mas ainda segue. Talvez sem nenhum passo de nós dois.
(Rosseane Ribeiro)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sobre Alguéns III




Sobre Alguéns III


Não se dê ao trabalho de se apaixonar por mim. Não sirvo para isso. Meu coração é grande, infame e inquieto demais. Não se iluda com minhas palavras ou carícias, são apenas momentos.

Se pode acontecer de que eu me apaixone por você? Sim, pode acontecer. Mas não conte muito com isso. Sim, adoro estar com você, adoro nossos momentos juntos. Me questiona por te tratar como namorado quando estamos juntos? Mas essa é a fantasia, a de fingir que aquele instante é único, que somos só um do outro, que não existe mais ninguém além de nós.

Só quero nossos prazeres, nossos corpos. Entenda, nós mulheres também as vezes queremos só sexo. Mas você insiste em me ver sempre, quer estar sempre ao meu lado, até em público. Isso só dificulta as coisas para ambos. Você se apega a mim, me quer por perto, me liga, me manda mensagens. Uma mensagenzinha safada no meio do expediente é legal, mas coisas fofinhas o dia todo não é bem o que deve ter na nossa relação.

Meu coração é aberto e livre, na verdade minto. Ele é libertino, essa é a melhor palavra. Não quero me prender. Te amo, sim, te amo. No segundos que dividimos eu te amo alí. Quando me faz ter orgasmos fortes, quando me pega quente, quando me beija vorazmente, quando vai buscar algo pra mim (que peço por puro capricho), quando me chama de safada, quando dorme agarradinho de mim, quando me faz carinho, quando me deixa escolher o filme bobo da noite, quando segura meus ombros quando tenho uma crise de choro. Te amo em todos esses momentos. Perceba que posso amar (aliás, todos podemos) desmedidamente durante uma vida toda e durante apenas uma noite. Uma fração de segundos.

Admito que tua companhia mexe comigo, não pense que tenho o coração de pedra. É exatamente por amar demais que sou assim. Te amo e quero amar todos os outros ao mesmo tempo. Sim, isso é uma fuga. Tenho medo de me entregar, de dar meus sentimentos para alguém.

Sim, eu fico imaginando nós juntos. Penso em como seria o futuro de nós dois, em casamento, em filhos, casa, festinhas em família, fraldas em tudo que poderíamos construir juntos. Meras fantasias tolas, para que elas me servem? Apenas para me frustrar, ficar devaneando com você, e com todos que passam pela minha cama. Preciso disso, dessas imagens de futuros inexistentes, preciso me prender a esses devaneios, para poder me prender à algo que eu posso me soltar mais facilmente.

Esses desvarios na verdade me machucam , me prendem e me enfraquecem mais do que se você por livre vontade me deixasse. Me entregar ao seu amor não me conforta, me dá medo, sim tenho medo de amar tão verdadeiramente que eu me perca. Minhas fantasias me suprem, são lindas, perfeitas e com finais felizes. Lá tudo sempre dá certo, você é perfeito, nossa vida é perfeita. Nosso amor é completo e sem falhas.

Me entrego a devanear, mas não só com você. Com todos que partilham meu corpo. As vezes nem isso. Só uma cruzada de olhares no supermercado já imagino toda uma vida. Vou entregando meus sentimentos à esses pequenos momentos de coisas que não existem. O olhar no supermercado, era apenas um olhar.
Quase sempre eles não me dão motivos em momento algum para que eu crie meu mundo de falácia. Eles não me diziam para criar expectativas, não me diziam que me amavam, mas eu sem perceber já me prendia as minhas loucas divagações. E ao mesmo tempo buscava outros sabores, outras diversões, outros corpos. Talvez para me dispersar e deixar meus sonhos loucos, talvez para fugir dos meus pensares.

No fim buscava a maior infinidade possível de prazeres, só para não me entregar ao teus braços. Agora não te tenho mais, porque te dispensei, porque você dizia me amar. E eu não queria me prender.

Agora não te tenho, e não tenho ninguém no momento. Fico me alimentando de minhas alegorias de amores, de minhas histórias da carochinha. Digo para que ninguém se apaixone, para que eu posso me apaixonar por todos, Para poder ter o amor e o sexo de todos.

Enquanto insisto não partilhar meu coração, fico partilhando me corpo. Que é mais resistente as pancadas. Meu corpo se recupera bem de hematomas. Mas já qualquer coração, demora mais. O meu as vezes demora anos para sanar de algumas chagas. Em outras vezes, um banho frio resolve tudo. Lavou, ta novo.
Sim, digo para que não se dar ao trabalho de se apaixonar por mim, porque a bagunça é grande demais. Deixe que eu te ligue, deixe que eu te procure, deixe que eu diga venha. Já que pode estar ficar em outros braços, não prometemos nada um para o outro.

Vai então, te deixo livre assim como os outros. Assim como os outros te entrego meu corpo, porque ao prazeres da carne eu sempre me entrego.

Leve as lembranças de nossas noites e carícias, e me deixe aqui com as inquietudes do meu coração.


(Doda Pereira 24/05/2012)

sábado, 28 de abril de 2012

Perder-se em sí mesmo...



Perder-se em sí mesmo...

Deitou-se na grama, o dia estava quente, e os ventos quase não sopravam, dando a impressão de que o mundo havia parado de girar e permanecia inerte, resfolegando sofregamente, para em seguida recomeçar a eterna marcha circular.
Suspirou e contemplou o céu com olhos assustados, a imensidão azul mostrava-se, despudorada, esnobe,intangível, exalando superioridade. Não pôde deixar de perceber sua insignificância, sempre sentia-se assim diante de coisas imensuráveis, onde podia se perder e nunca mais encontrar-se.
Fechou os olhos e reencontrou-se como ser humano, voltou-lhe o ego e as vontades reapareceram, suaves e intensas, vasculhou-se por dentro e sorriu, agradecendo por não ser profunda, nunca iria se perder, evitaria por todos os deuses, o céu, o mar e o amor.

Vitor Gois