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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O psiu de cada dia, não nos dê hoje e nem amanhã


Penso que a luta não vai acabar nunca.
Que as mulheres são fortes, mas tal força é capaz de mudar comportamentos como esse?
E penso nas mulheres que pensam o mesmo que eu.
E me sinto mal por quase perder a esperança.
E penso em um possível estupro que possa acontecer.
E penso que já sou violentada antes mesmo.
E penso que quero cuidar dxs minhas/meus irmãs/irmãos que passam por isso que eu também passo.
E penso que eu tenho que pensar.
Pois eu to cansada de ignorar.
Penso que tenho que por ora me relembrar que eu não sou coisa a se brincar.
Me dá seu apoio, irmão.
Não me dê "psiu".
Você não precisa disso.
Eu também não.
"Vem cá", sua violência verbal quebrou minhas pernas.
 Cegou meus olhos.
Mas eu posso te ajudar a enxergar ainda.
Que o machismo não vai te ensinar a caminhar.

Dandara Cristina

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

(Re)modelagens femininas




Entre modelagens à parte,
Umas seguem as orientações em seu rótulo,
imersas nas paredes de sua caixa,
remodelando seus gostos
conforme o consumo posto

Outras se reconstroem diante do que lhe foi imposto,
Definem seu gosto, corpo e rosto
E seguem abrindo janelas,
Brechas de desvio
de sua fôrma fabril fordista

Pórem, esta diferença gera desgosto,
principalmente ao bolso,
restando à sociedade
reforçar seus parafusos,
mostrando que o melhor caminho
é seguir o mesmo curso

Mas quem sente ares diferentes,
Não cabe mais a mesma fôrma.

Por mais que apertem seu juízo,
Sua engrenagem já faz outros giros,
E veem novos caminhos de moldes
contra sua produção em massa,
percursos de um movimento contínuo
de afrouxamento da máquina social
até que possam sair de suas caixas,
até que objetos se tornem sujeitos,
com próprios moldes, gostos e eixos.

Suzianne Santos

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Vadias ou não vadias – meandros de uma ‘’boca suja’’ ou de uma cultura machista?



Como toda boa história, iniciar com “era uma vez” também é preciso para entender os pormenores de como uma palavra nos é intrinsicamente posta e de como esta pode mobilizar e fragmentar. Assim, tudo começa com um instinto selvagem, que depois, à luz da razão, ganha cores, roupas e atribui valores a diferenças sexuais entre pessoas com mentes iguais.
Cada ser, subjetivo em essência, produz internamente uma racionalidade de acordo com o seu ambiente de interações sociais. Seja na família, na rua ou nas instituições, nosso pensamento e formações identitárias são resultados do que nos é colocado como predominante na balança do certo e errado, e da maneira como questionamos dentro de nós tais aspectos.
Agora, voltando ao inicio da história, era uma vez moças chamadas de Amélia que ficavam em casa tendo que fazer comida boa, se ocorria alguma briga, era feio alguém meter a colher e ai delas se falassem, pois lá vinha mais papinho de mulher que não sabe o que é amar. Suas diversões se limitavam a grupos de boas moças e hoje, já podem se dar ao desfrute moderno de sair sozinhas e beberem, mas pouco, pois é feio mulher bêbada, e se sairem de saia ou vestido curto (que desvairadas) querem ser estupradas e putas lhe cabe a denominação, agora, se forem utéis para mídia, não há problema, pois todos gritas vivas à sociedade das mulheres frutas!...
OPA!! Calma, alguém troca a bateria, que a luz da racionalidade está quase de partida! Essas falas são do cotidiano popular, nas quais não importa o certo e errado de éticas e postulações legais, mas o certo e errado que nossa cultura enraizadamente machista nos traz.
Uma palavra, um gesto e toda a interpretação dos demais sobre isso remete à que sexo me pertenço e me defino. Vadiar masculinamente traz a figura do malandro, homem esperto e com charme a transportar. Entretanto, para a mulher é feio, sujo, é não ter dignidade e respeitar as demais mulheres. Mas por que é feio? Quem disso isso? Por que para um é bom e para outro é mau?
Não é questão de manter uma boca limpa e a boa imagem feminina para sociedade, mas entra em cena a base social, costumes e valores que herdamos de nossos pais, meios de comunicação e de uma sociedade que tem o sujeito masculino como centro da imagem ideal de reprodução social (homem denominado como chefe da família, mesmo quando é a mulher que sustenta financeiramente e afetivamente) e de reprodução sexual (é a mulher que gera vida, mas é o homem que pode ser livre para exercer sua virilidade e escolher o que fazer ou não fazer com seu corpo).
Antes de ser uma questão de sexualidade e de nomes bonitos ou feios, é uma questão cultural e de desigualdades construídas ao longo da história da sociedade. O diferente chama à diferenciação e é mais prático culpabilizar um individuo por sua condição de desigualdade do que analisar o que se encontra à sua volta. A cada mulher que se autodenomina vadia, veja o que está para além do aparente verbalmente para não cometer o erro de responder com violência a violência moral e social que já é posta diariamente no ser mulher.
Não deixe que as falas já contadas tantas vezes em tantas histórias se repitam em sua boca. Falar de luta feminista é falar de luta histórica contra costumes que dualiza tudo em dois sexos, enquanto que o que define são nossos cérebros. A mobilização contra desigualdades de gênero vêm para questionar valores colocados de forma natural que reproduzimos e acabamos agredindo a nós mesmos. Essa história atual não é vadiagem, não é promiscuidade, mas de liberdade e equidade, seja o nome que lhe for dado.

Suzianne Santos

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poesia evolutiva de um poeta marginal para uma poesia mulher

Poesia Evolutiva



Ah...Quando somos fetos em borbulhas de amor até dois anos de idade;

ouvimos falar de poesia pela mãe ou pelo pai, alguma visita, enfim,

se é que eles gostam de nos falar disso ou daquilo...

Quando somos ainda meio crianças entre três e seis anos de idade,

lemos, decoramos, declamamos e adoramos poesias com vontade,

se em casa ou na escola nos ensinam isso ou aquilo.

Quando somos crianças até dez anos de idade,

começamos a querer interpretar e saber de fato

o que é que são as poesias. Haja fôlego, espírito intranquilo!

Quando na adolescência e puberdade chegamos,

a vida, o pensamento e algumas poesias ocorrem

alguns vivem, outros pensam, alguém (re)escreve...

Poesias de virar a noite, de romper o dia!

Poesias de flertar a morte, de esnobar a paixão.

Poesias de contar com a sorte, de cair em ilusão.

Poesias de dizer um mote, de cantar o que se sabia!

Mas a poesia hoje é o que nos relembra a humanidade que em cada ser é.

Poesia sentimento, poesia ação, poesia introspectiva, poesia extrovertida...

Poesia pegou em mim, me seduziu, me sacudiu com o raciocínio e senti amor.

Poesia pairou no ar diante de minha incredulidade e me fez contemplação, irrealidade.

Poesia por todos os cantos, de todas as formas, comigo ela mexe; e contigo?

Quando somos mais maduros e velhos, por vezes enviesamos a mente:

a traímos com a prosa seja no livro mais querido, seja na literatura mais lógica e meramente laboral.

Então só de vez em quando a poesia é renamorada e rememorada em um ou dois versículos,

pois sua linguagem, todavia, não é para seres comuns, é para seres sublimes e errantes.

Tenho saudade das poesias que vinham e inspiravam paz, refôlego e toda a vida devir.

Minha sorte, - não sei a sua, não sei a vossa -, é que a poesia, ela de vez em quando reaparece;

traz novidades, reanima meus pensares e suscita idéias de meditação.

O mais importante, como se sabe, é poder ler e escrever para que outrem sinta algo diferente.

Quanto mais diferente você puder sentir-se, isto é o que faz a poesia necessária, plena.

- Nunca perca a poesia! Nunca nos perca, poesia!

Ei poesia, tu sabias que eu te amo quando uma menina acolá me beija e te poetisamos juntos, por sua causa? Pois é, pois é, ora pois não, ora pois não! Mas poesia, aqui entre nós, a gente te vive mesmo sem dizer tudo até o fim, a gente te sente é na língua na língua, amor no amor... você saca o que queremos dizer não é?

(para Márcia M. com todo o amor que houver nesta, nas anteriores e nas outras vidas, pois ela é minha poesia-mulher, apesar de estarmos tão distantes e meio separados hoje – tudo por culpa do mundo dos homens, você sabe disso -, serei teu eterno namorado e poeta marginal)

jpsm

quarta-feira, 4 de abril de 2012






O corpo é meu!
Quem disse que pode chegar mexendo!?
Minha roupa curta, minha maquiagem não te dá direitos de nada!
O corpo é meu!
Fazer sexo no primeiro encontro não me faz menos respeitável.
O corpo é meu!
Se não quero fazer isso ou aquilo, RESPEITE!
O corpo é meu!
Não somos nem putas, santas, mercadoria ou inferiores!
Somos gente! Somos mulheres!
O corpo é meu!
Nosso lugar não é só na cozinha e no fogão!
Nosso lugar é nas ruas, no escritório, na luta, na TV, no mercado, em todo canto.
O corpo é meu!
Não importa as convenções, a construção hipócrita da sociedade.
Não somos uma boneca, uma cozinheira, um pedaço de carne, um tipo de cerveja!
Somos gente! Somos mulheres!
O corpo é meu!
Meu direito é igual ao seu.
Posso beber, fumar, trabalhar, amar da forma que for.
Isso não nos faz menos ou mais. O que vocês homens podem, nos mulheres podemos!
O corpo é meu!
MACHISTA! Não me diga que uma mulher amar outra é porque não achou o homem certo!
Quem disse que somos mal-amadas, sapatão, putas, mal comidas?!
Somos feministas! Lutamos pelo que é nosso de direito!
Fique fora do meu corpo Igreja! Eu decido sobre ele.
O corpo é meu!
Fomos queimadas por tentar participar das ciências. Somos bruxas, somos loucas!
Quando lutarmos por direitos e participação no mundo público, fomos torturadas, presas e mortas dentro das fábricas.
Somos mãe solteira, estudante, dona de casa, filha, putas, trabalhadoras!
Somos LUTADORAS!
Somos gente! Somos mulheres!
O corpo é meu!
Mexam-se mulheres! Levantem-se! Inquietem-se!
A mudança disso tudo vem de nos!
Tudo fica igual quando não nos mexemos, não nos mobilizamos!
Sejamos UNAS! Vamos nos unir! Lutar!
Não esperam sentadas!
Não sejamos mais mortas, estupradas, assediadas!
Levantem-se!
Pegue o que temos e vamos as ruas, vamos as lutas!
O chamado para a mudança está aí!
O corpo é meu!
O CORPO É NOSSO!
(Dalila Cristina, 04/03/2012)