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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Desconstruindo Amélia / Parte 2

Resultado de imagem para feminista profana


Quiseram-me Barbie,
Mas Barbie eu não podia ser
Barbies são artificiais e idênticas
E eu não,
Eu era gente.
Quiseram-me prendada,
Domesticada,
Pura e santa,
Rainha do lar.
Mas eu quebrei todos os pratos
E esqueci do sal na comida.
Quiseram-me donzela,
Moldada,
Amélia,
Serva, Outra
E submissa.
Quiseram-me corpo
Quiseram-me tudo e esqueceram-se de mim.
Mas eu não,
Eu fui por onde eu quis
E fui de quem eu quis
(inclusive minha):
Do ler, do ser e do desprender.
Experimentei, senti e tive toda a percepção
Quis desbravar e desbravei
Quis desconstruir e desconstruí
Quis ser aquilo que exatamente fui
E não deixei que me pegassem pelo braço.
Eu me rebelei quando eu quis
Voei por mundos que, de tão meus,
Não quiseram mais nada de mim
Além de me ter em tonalidade própria á minha expectativa
Na incansável sede de repetir
Que uma mulher livre é um exército, meu chapa.


(Mara Raysa 1/08/2017)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012




Um dia ouvi uma pergunta idiota:
me perguntaram o que é o amor.
eu pensei, refleti, idioticamente, imbecilimente
e cheguei a uma ínfima conclusão:
o amor é a sensação de ácido lático no seu exoesqueleto,
é a cãimbra da sua perna esquerda,
a sua unha encravada da última topada,
a depressão favorita,
é o ataque epilético,
a perda de neurônios,
é a paz de uma última tragada no cigarro de maconha,
é o sentido do dadaísmo,
é a neurose, é o narcótico, o ópio.
o amor não é a luz, é a escuridão,
onde vc acende as lâmpadas que iluminam a vida
não é o ganho, é a perca
dos sentidos e da força.
é isso, o aquilo, o que não se sabe.
o amor é poesia,
sim é poesia!
daquelas que vc lê e não entende,
só sente.

Mara Raysa

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Instante



Eu canto um canto de amor,
Eu vivo porque ele existe,
Eu faço versos sem cor
Em dias solenes ou tristes.

De quando em vez me pego em querer,
Começo a correr em plena maresia,
Passo a desejar o que se passou
E a plantar flores de melancolia.

Há dias de uma paz subliminar,
Em que me mexo sem nem saber o porquê,
Mas eu encontro o fim na preliminar
E encerro assim, sem nada conhecer.

Semicerro os meus olhos
Pra melhor te enxergar
E quando avisto teu vulto no horizonte
Assim, meio distante, me pego a chorar.

Tem dias que o cansaço não me deixa
E a poesia começa a ressurgir,
Então compreendo meu resquício de vida,
Felicitada, me pego a dormir...

Mara Raysa

Noite



Solitária.
Solícita.
Sólida.
Some-se a luz solene de um ser.
Sombria noite que silencia a solidão...

Mara Raysa

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Poeticamente



Rebaixo-me ao obsoleto,
Das ideias obscuras que atormentam meu intelecto,
Do estapafúrdio da vida que teima em perseguir-me os sonhos
[...] O maior tesouro que há em mim...
Dialogo com a noite, sou noctívaga!
O amor contracena com a macilenta desilusão no teatro da vida.
Sou um mero espectador!
Aquele a observar a abóbada celeste com sublime concentração.
Poética vida, a vida em seu estágio aureolar!
Tenho a terrível sensação de flechas no peito,
Provavelmente em mil anos não esquecerei
O espectro da vida a observar-me da janela
Da desilusão dos amores a iludir-me...
Sou aquele que através dos sonhos descobre a realidade
E poeticamente segue a vida
Maximizando o que parece mínimo
No silêncio do eco triste
Da noite a acalentar-me.
Brisas do mar que me enternecem,
Sonhos antigos que me felicitam
Conspirem a meu favor!
Amores amáveis amados amantes
Fascínio cruel...
Inspirem-me poeticamente,

Retirem-me do obsoleto!

(Mara Raysa)