Mostrando postagens com marcador Ciro Monteiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciro Monteiro. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 17 de julho de 2012
Segunda nota de uma viagem à Teresina
Esta tão diferente de outrora, Teresina
Por que insiste em mudar, me diga?
As praças que amei, avenida que beijei.
Onde estão as fontes que nunca jorravam?
O calçamento quebrado, a lâmpada apagada?
Por que insiste em apagar os vestígios
da história que escrevi em tua pele?
Ciro Monteiro
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Notas de uma viagem à Teresina
A estiagem se estendeu por todos os recantos
Rios, bebedouros, prantos
Nem se quer o chiar dágua sumindo se ouvia
A secura era tamanha que abria fissuras nos ar, nos edifícios, nos corações
O pensamento rachava-se. E os sentimentos definhavam a míngua
Tudo piorou quando se quer mais se lembrava do que era realmente água
O prazer do molhado foi substituído por um culto infrutífero da sua lembrança. Depois veio a descrença, e por fim o nada.
Num último instante de lucidez, percebeu-se que aquela falta agora era uma presença constante.
Essa presença provocou prantos.
E dos prantos, fez se um rio.
O rio transbordou e alagou a prefeitura, os parques, os corações.
A cidade assim, desacostumada que estava com a vida, percebeu-se jovem novamente.
Ciro Monteiro
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Desculpe o transtorno
Estou em obras.
Superfaturado.
Sigo devagar, nessa aflição do não terminado.
Talvez alguém esteja ficando rico
sem que eu saiba
pra que mesmo irei servir.
Será que serei mais um elefante branco?
Enfim, não importa
Pois as obras servem pra alguma coisa
mesmo que fiquem inacabadas.
Ciro Monteiro, 03/07/2012
Voe bar
Entre beber e estar bêbado
reflito cá com a cevada:
- Que a lugares da minha eu alma
ainda não visitei?
-Quando programar a viagem?
- Será que tem alguma promoção por esses dias?
No fundo do copo, uma foto borrada
da ilha desejada
Queria a deriva da cerveja
chegar nesse destino
Ciro Monteiro 2/7/2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Evangelho
Minha vida é um livro aberto
escrito em aramaico.
Borrada e meio apagadas
as palavras voam nas folhas
arremessadas em campo aberto,
pelo vento intransigente do deserto.
Ciro Monteiro. 02/07/2012
Políticas públicas
Na escola privada:
Pressa, depressão, riqueza, soberba
Na escola pública:
Desprezo, proeza, pobreza, gentileza
A secretaria de educação diz:
Segurança, drogas, perigo, mais educação
O estudante diz:
Liberdade, cidadania, futuro, Onde estão?
Ciro Monteiro
Quero é sambar!
Sobre o telhado da mente.
Ronda um gato estridente
Ronrona cuíca e anda pandeiro
Que dá um samba que chega na alma
E nesse pagode perco a calma
Do ritmo não há como escapar:
Melhor então me atrever a dançar
No miudinho dos sentimentos
Como que embaralhados por um malandro
Vão descartando aos poucos
As falsas virtudes e o acanhamento
Entro na roda: quero é sambar.
Ciro Monteiro
Assinar:
Postagens (Atom)



