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terça-feira, 19 de março de 2013
Tigre
Passos silenciosos
num caminho de ruídos e rumores
com convicções enraizadas
e muitas vivências pelas costas
Ou pouco ou nada importa
segue adiante entre neblina e medo
daquilo que foi com propriedade criado
em seu próprio arcabouço contraditório
Solitude, não de passagem ou segredo
sobretudo sempre, para prosseguir
o caminho daqui pra frente é mais vazio
sem o tempo leve para sentir
André Café
No capuz de tristeza
No capuz de tristeza
refaço versos
tão dispersos quando dizem o mesmo
tão profundos quando dizem o quanto
foi ela quem remexeu meu vetor
num vórtice de incerteza
arremessou todo ensejo
por dúvida, ou por desejo?
No capuz desta tristeza
sou poeta ou maníaco
sou circo de vontade
cercado de escudos
quais sejam as verdades
André Café
domingo, 17 de março de 2013
Derivando
Foi um sopro que levou-me
ou de tudo do olhar fui privado?
como a vista é pista de domínio;
mas rotacionou mais que 24 séculos
em meio dia de transgressões
ou se foram corações?
O mais sutil movimento
deu conta de provocar as mais nefastas dores
não. não deixa o mundo parar
alimenta o fogo da colisão
só pra ver o que já se vê sem olhos
sem cura e inefável
Esse sopro de furacão
a canção que se busca sempre ao fundo
pra amenizar temores e olhares
são coleções de pesares
para cada minuto profundo
de uma terra quem sou timoneiro
André Café
Não deveria
Não deveria haver nostalgia no mundo
a terra molhada seria nada mais que cheiro
entre rostos e janelas,
entre telas e viagens,
nada que suscitasse clivagem
entre o choro e o lacrimejar
Toca a canção que a nada remete
sombras ouvirão e estarão intactas
retratos nunca tirados,
que revelam revelias de um outrora esquecido
o escrito que se fez fuligem
o rabisco e o defenestrar
Sem cores ou tempo memoriáveis
quão velho fica, se a consciência 'lenta' o tempo
passado, fique longíquo
meu coração é recinto
com apenas uma passagem
pra nostalgia que ousa lugar
André Café
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